11 de outubro de 2011

Primeira Selecção Nacional de Futebol

“União Portuguesa de Futebol” (UPF) estreou a primeira Selecção Nacional de futebol no jogo amigável em Espanha, e contra a equipe de Espanha, a 18 de Dezembro de 1921, realizado no Estádio Martinez Campos do Atlético de Madrid, na cidade de Madrid.

A “União Portuguesa de Futebol” foi fundada em 31 de Março de 1914, pelas três associações regionais então existentes - Lisboa, Portalegre e Porto. O seu primeiro presidente, entre 1914 e 1922, foi o Dr. Sá e Oliveira. A “União Portuguesa de Futebol” organizou o primeiro Campeonato de Portugal de futebol na época de 1922. A UPF alterou a sua designação para a actual “Federação Portuguesa de Futebol” (FPF) a 28 de Maio de 1926, embora o nome, legalmente, só a partir de 3 de Dezembro de 1938 fosse utilizado.

                                                                               Dr. Sá e Oliveira

                                                                      

O grande objectivo da criação, em 1914, da UPF era a de organizar, oficialmente, a Selecção Nacional, pois a “Fédération Internationale de Football Association” (FIFA) só aceitava seleccionados nacionais se enquadrados numa federação nacional devidamente organizada e filiada na FIFA, o que ocorreu em 26 de Agosto de 1914. Fomos dos últimos países europeus a constituir a Selecção pois muitos outros países há muito que tinham representações nacionais no futebol, como: a França (1 de Maio de 1904), a Bélgica (1 de Maio de 1904), a Itália (15 de Maio de 1910) e a Espanha (28 de Agosto de 1920).

                A 17 de Dezembro de 1821 era emitido um passaporte colectivo para a primeira Selecção Nacional

                                              

A 18 de Dezembro de 1921, realizou-se o jogo com a Selecção Nacional formada pelos seguintes jogadores:

                                                    

Contrariados pela grande ascendência de lisboetas na formação da Selecção Nacional, os técnicos e jogadores do Porto resolveram promover um boicote à deslocação a Madrid. Apenas Artur Augusto desobedeceu às directivas e destacou-se como o único representante de Portugal que não era da capital.

                                               A selecção nacional portuguesa perfilada no início do encontro

                                        

Da esquerda para a direita: Jorge Vieira, José Maria Gralha, António Augusto Lopes, António Pinho, Ribeiro dos Reis, Raul Nunes (secretário da UPF), Cândido de Oliveira, Artur Augusto, Vítor Gonçalves, João Francisco Maia, Carlos Guimarães e Alberto Augusto.

fotos anteriores in: FPF - Federação Portuguesa de Futebol

Assim noticiava o jornal “O Século”, em 19 de Dezembro de 1921

«O DESAFIO ENTRE PORTUGUEZES E HESPANHOES CHAMOU UMA GRANDE ASSISTENCIA E PROVOCOU GRANDE ENTUSIASMO

Madrid, 19 - A partida de “foot-ball” entre portuguezes e hespanhoes efectuou-se no meio de grande anciedade. Mais de 12.000 pessoas assistiram ao desafio e no campo as tribunas ostentavam colgaduras vendo-se bandeiras dos dois paizes entrelaçadas. Os vivas a Hespanha cruzaram-se de mistura com os vivas a Portugal. Os hespanhoes começaram jogando com grande impeto e, poucos momentos depois, Meana com um remate de cabeça consegue o primeiro ponto para a Hespanha; 5 minutos mais tarde Alcantara consegue o segundo.
Continua o desafio, ganhando bem as duas “équipes”. Termina então o primeiro tempo, com dois pontos a favor de Hespanha e nenhum a favor de Portugal. No segundo tempo, Alcantara consegue o terceiro ponto para a Hespanha, o que estimula os portuguezes, que procuram dominar os hespanhoes, mas não fazem ponto algum, porquanto estes são superiormente aparados pelo “keeper” hespanhol.
Os portuguezes conseguem fazer um ponto, em virtude de uma mão metida na arena do “goal”, o que dá ocasião a uma enorme ovação a Portugal.
A partida termina, contando os hespanhoes 3 pontos e os portuguezes 1. Ovações e “hurrahs” tanto à Hespanha como a Portugal.
O arbitro do desafio foi Cazelle, do colégio belga, que tambem foi muito ovacionado pela imparcialidade e oportunismo que deu provas.»

                                                                Os capitães Arrate e Cândido de Oliveira

                                                                       

                                         Cromo do encontro editado pelos “Chocolates Figueras" de Barcelona

                                             

Ficha do desfio:

Estádio Martinez Campos, do Atlético de Madrid, em Madrid

Árbitro: M. Barette Cazelle (Bélgica)

ESPANHA: Zamora, Pololo, Arrate (“capitão” ), Balbino, Meana, Fajardo, Pagaza, Arbide, Sesumanga, Alcantara e Olaso.

PORTUGAL: Carlos Guimarães (Internacional), António Pinho (Casa Pia), Jorge Vieira (Sporting), João Francisco (Sporting), Vítor Gonçalves (Benfica) e Cândido de Oliveira (Casa Pia “capitão”), J. Maria Gralha (Casa Pia), António Augusto Lopes (Casa Pia), Ribeiro dos Reis (Benfica), Artur Augusto (F.C.Porto) e Alberto Augusto (Benfica).

Resultado: Espanha: 3 - Portugal: 1 - Golos de Alcantara (2), Meana e Alberto Augusto.

Formavam o Comité de Selecção, responsável pela selecção dos jogadores e pela orientação da equipa: Carlos Vilar, Pedro Del Negro, Reis Gonçalves, Vergílio Paula, Plácido Duro, José Pereira Júnior, Joaquim Narciso Freire, Guilherme Augusto Sousa, Raúl Nunes, Júlio Araújo e também Ribeiro dos Reis, que era também jogador.

O capitão desta Selecção Nacional de 1921, Cândido Fernandes Plácido de Oliveira foi um destacado jogador de futebol no“Sport Lisboa e Benfica” e no “Casa Pia Atlético Clube” tendo sido fundador deste último tendo contribuido de forma decisiva para a afirmação desta instituição com enorme relevância na história do desporto português. Até ao fim da sua vida foi treinador do “F.C. Os Belenenses” , “Sporting Clube de Portugal”, “Futebol Clube do Porto”, “Académica de Coimbra” e “Flamengo” e principalmente nas funções de treinador - seleccionador nacional em vários períodos (1926-1929, 1935-1945 e 1952).

                                                                               Cândido de Oliveira

                                                                       

A sua influência no desporto português e nomeadamente no futebol, foi exercida com elevada competência que lhe foi reconhecida no jornalismo (revista “Stadium”, jornal “Os Sports”, “Gazeta Desportiva”, “O Século”, “Diário de Notícias”, “Diário de Lisboa”). Parte da sua obra está no entanto associada ao jornal “A Bola” de que foi um dos seus fundadores (1945) e onde exerceu a actividade de jornalismo.

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