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14 de julho de 2019

"Luna Parque" de Lisboa

Em 20 de Junho de 1933 era lavrada a escritura de concessão à firma "Sociedade de Diversões Limitada", com sede na Rua Alexandre Braga, em Lisboa, «para instalação e exploração de um parque de diversões, género "Luna-Park"», no Parque Eduardo VII. Viria abrir as suas portas, pela primeira vez, em 2 de Julho de 1933 (no mesmo dia que o Clube de Futebol "Os Belenenses" vencia o Campeonato de Portugal de Futebol).


Anúncio do "Diario de Lisbôa" em 13 de Junho de 1933


"Luna Parque" em fase de montagem, em 1933


«Desde os tempos já esquecidos do velho "Paraiso de Lisboa", na Rua da Palma, nunca mais a cidade teve um conjunto de atracções no genero das que, permanentemente, se exibem em todas as grandes capitais do mundo. Parecendo que não, a simples existencia dum Luna Parque em Lisboa é uma nota de progresso e de civilização, que transforma a fisionomia pacata e sensaborona da capital.
(...) O Luna Parque de Lisboa, que dentro de tres dias entrará, em navios fretados expressamente, no porto da capital, é um conjunto de atracções de primeira categoria. São toneladas e toneladas de ferro - 200 camions estão alugados para o transportar e computa-se em 5.000 contos o seu custo. Um "Water-chute" enorme, que fez as delicias de Berlim, será instalado no Parque Eduardo VII, bem como nove grandes atracções, além de dezenas de pequenos "stands" e atracções populares mais pequenas.» in: Diario de Lisbôa de 13 de Junho de 1933.

Antes de mais ...


e se ...


No "Noticias Ilustrado" de Julho de 1933


«A recente inauguração do Luna Parque, guindou Lisboa à altura das grandes capitais, no capítulo divertimentos. Não se descreve, em poucas linhas, o entusiasmo e interesse que o público tem demonstrado pela arrojada iniciativa que o público tem demonstrado pela arrojada iniciativa que, meia duzia de homens de vontade firme e espírito rasgado aos grandes empreendimentos, puzeram de pé, ao Parque Eduardo VII, nos terrenos anexos à Exposição Industrial Portuguesa.» in: Notícias Ilustrado de Julho de 1933.


«As diversões já abertas ao público - "Circo da Cambalhota", o "Carrocel Zoologico" e a famosa luta de automoveis sobre tapete electrico obtiveram um exito que excedeu toda a expectativa. Hoje funcionará já a agrande roda das "Borboletas voadoras" e amanhã o "Poço da Morte" em que dois motociclistas correm em parede vertical. O "Labirinto chinês" que apesar de imcompleto, obteve o agrado do publico, estará pronto. A "Fonte Luminosa", obra da Electro Reclame, e que devido á falta de pressão de agua ainda não funcionou em todo o seu explendor, apresentar-se-á hoje á noite completa.
O "Pavilhão do Sultão" acaba de construir-se e o famoso "Water-chute" com montanha russa - o maior que no genero existe na Europa estará a funcionar dentro de horas. Duas "équipes" de engenheiros portugueses e alemães trabalham para o completar.
Outras inicitaivas tomará o Luna Parque.
Ainda esta semana se conta inaugurar o grande "Dancing" restaurante, com anfiteatro e onde se espera fazer o maior conjunto de espectaculos populares e desportivos a que Lisboa jamais assistiu.
Os pedidos para locais de exploração e para "stands" são, sem exagero, além de tudo o previsto. Mas o criterio de escolha e de selecção rigorosa põe um dique á avalanche de pretendentes.
Por isso mesmo os restaurantes já montados têm tido uma afluencia enorme.
A "Favorita das Salsichas" foi uma novidade e um exito. As cervejarias, os cafés, as esplanadas têm sido disputadas pela freguesia. Sabado e Domingo a animação foi enorme e hoje, com as novas atracções, decerto ele se manterá.
A's sextas-feiras são os dias elegantes. A 1ª noite da moda não deixará de levar ao Luna Parque, a gente elegante, o alto mundanismo, a verdadeira e "smart" gente de bom tom - que desta "vai mesmo".» in: Diario de Lisbôa de 3 de Julho de 1933.


Foi no "Luna Parque" que foi fundado, em 1933, o famoso restaurante e casa de fados o "Retiro da Severa" pelas mãos de Jorge Soriano e com gerência de Alberto Costa. Permaneceria nesta recinto até 1935, altura em que em 26 de Outubro inaugurar as suas novas instalações na Rua António Maria Cardoso, no antigo "Salão Jansen" (inaugurado em 31 de Dezembro de 1927) propriedade da "Fábrica de Cerveja de Baviera de J.H. Jansen & Cª.". As suas história ilustradas poderão ser consultadas neste blog, nos links disponibilizados nos respectivos títulos.


«Sobretudo para a criança e para a mulher, o Luna Parque é um divertimento saudável, interessante e novo. A rapaziada dos clubes sportivos tem estado em peso. Os rapazes do Liceu, no intervalo das preocupações dos exames, vão espairecer e distrair as ideias. Os estrangeiros da linha de Cascais enchem os comboios de noite, dando ao Cais do Sodré aspectos inéditos. Lisboa em peso toma perspectivas novas nas reuniões do Luna, e os nomes da nossa melhor aristocracia, da alta finança, da política, da industria e das Artes, alugam automoveis electricos, descem no "Water-chute", rodopiam no "Zoologico", entontecem no Labirinto Chinês e por fim vão voar no "Yo-Yo", que os perfumes de "Nally" aristocratisam desde a sua fonte luminosa.» in: Diario de Lisbôa de 9 de Julho de 1933.

Em 8 de Junho de 1934, o "Luna Parque" reabriria no Parque Eduardo VII, e a propósito o suplemento semanal do jornal "Diario de Noticias", o "Noticias Ilustrado" no seu primeiro número de Julho comentava:

«O inesperado, o riso, o encantamento, encontra-se em cada um dos diversos actrativos que ali se patenteiam, tais como a sensação imprevista da viagem maravilhosa de ida e volta ao inferno, num combóio fantasma; a corrida vertiginosa da montanha russa; a corrida de automóveis da Auto-Pista, em que é posta á prova a perícia dos volantes amadores; a impressão desconcertante da casa que gira em torno de si própria; a vertigem nos carros-chicotes; os carrosseis, que são um encanto de miúdos e graúdos, etc, etc.
A tudo isto se alia o prazer dos variados acepipes, servidos em restaurantes típicos, e dos refrescos servidos nos bars e cervejarias ao ar livre, por frescas raparigas, etc.
Enfim, leitor, o Luna Parque é o único recinto onde o riso e o entusiasmo não têm limites - um autêntico paraíso, onde a tristeza não entra e a alegria nunca acaba.» 

No "Notícias Ilustrado" de Julho de 1934


Montanha russa "Zig-Zag da Vertigem"


9 de Junho de 1934


Este recinto reabriria de novo, no Verão de 1935, (com a sua abertura a ocorrer a 1 de Junho) e não mais voltaria a funcionar, tendo sido desmontado em definitivo.

Bilhete gentilmente cedido por Carlos Caria

"Fonte Luminosa" construída e montada no lago pela firma "Electro Reclamo"


3 de Junho de 1935


1 de Junho de 1935



Entrada para o Parque Eduardo VII e lago, depois de desactivado o "Luna Parque"



Depois deste «ensaio», e oito anos depois, em 10 de Junho de 1943, seria inaugurada a primeira "Feira Popular de Lisboa" no "Parque José Maria Eugénio", na Palhavã. Para consultar a sua história ilustrada neste blog, utilize o seguinte link: Primeira "Feira Popular de Lisboa"


fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Lisboa Desaparecida Vol IX

12 de julho de 2019

Exposição do Mundo Português à Noite

No seguimento de outros artigos já publicados, e referentes à segunda maior exposição realizada em Lisboa no século XX, a "Exposição do Mundo Português" e que teve lugar entre 23 de Junho e 2 de Dezembro de 1940, publico neste artigo, uma série de fotos da autoria de António Passaporte (1901-1983), e que me foram gentilmente cedidas por António Gonçalves, a quem mais uma vez agradeço.










Artigos profusamente ilustrados,  acerca da "Exposição do Mundo Português"  realizada em 1940, publicados neste blog  e que poderá consultar clicando nos títulos seguintes:





Mais algumas fotos nocturnas da Exposição desta feita da autoria de Mário Novais e disponibilizadas pela Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.










Para aceder rapidamente a todos os artigos publicados neste blog, e relacionados com esta Exposição,  clicar na seguinte etiqueta (link) Exposição do Mundo Português.

7 de julho de 2019

"Fábrica Âncora" de Licores

A "Fabrica Ancora" especializada em licores, xaropes, aperitivos e cognacs foi fundada em 1882, no Largo do Marquez de Niza, em Xabregas - Lisboa, pelo médico Dr. Carlos Félix de Lima Mayer (1846-1910), tendo sido adquirida por Leopoldo Wagner em 1894.

Depósito e escritórios da "Fábrica Âncora" na Rua do Alecrm 32-42


Dr. Carlos Félix de Lima Mayer (1846-1910)


Anúncio num Programa do "Theatro D. Amelia" em Novembro de 1899


Leopoldo Wagner (1850-1915), tinha-se estabelecido em Lisboa com um escritório de agências e comissões, na Rua dos Fanqueiros, 62-1º, em 1887, vindo a mudar de instalações em 1890 para a Rua do Alecrim (antiga "Casa Hoffman & Cruz"), altura em que junta ao seu negócio outro de vinhos e bebidas alcoólicas.

Instalações na Rua do Alecrim 32-42, em 1917


Posters de 1908



Em 1890, a "Fabrica Ancora" ganha a sua segunda medalha numa exposição internacional: "Medalha d'ouro Paris 1890", depois de a ter ganho no ano anterior e no mesmo certame.

Anúncio em 16 de Janeiro de 1897


Em 1894, Leopoldo Wagner adquire ao Dr. Carlos Lima Mayer a "Fabrica Ancora", que tinha a sua sede e fábrica em Xabregas, e monta o escritório e depósito nestas instalações na Rua do Alecrim 34. Em 1897 já mantinha uma sucursal na Rua do Ouro, 72, e no início do século XX abriria outra na Rua do Corpo Santo,7 ambas em Lisboa

Largo Marquês de Niza em Xabregas


Na revista "Illustração Portugueza" em 1914


«Effectivamente, graças a uma direcção intelligente, a um precioso receituario (resultado de incessantes e penosos trabalhos de muitos annos no aperfeiçoamento dos seus productos), a um escrupulosos cuidado na sua confecção, cujos processos seguidos são exactamente os mesmos adoptados nas grandes fabricas estrangeiras d'este ramo, e graças tambem ao emprego de materias primas das mais superfinas qualidades e a sua invariavel divisa de não fornecer senão artigos perfeitíssimos, a Fabrica Ancora conseguiu attingir a mais elevada cotação porque todos os seus productos, sem excepção, não teme confronto com os similares das mais afamadas marcas francezas e holandezas. Em todas as exposições a que tem concorrido teem sido conferidas á Fabrica Ancora as maiores distinções, entre as quaes dois Grands-Prix nas Exposições Universaes de S. Louis (1904) e Rio de Janeiro (1908).

Aquando da "Exposição Internacional do Rio de Janeiro" em 1923


1926


Além dos seus magnificos e afamados xaropes (fabricados a vapor com assucar puro de cana e succos de fructos ou plantas e que em todo o paiz e colonias teem a preferencia dos consumidores) e dos seus extrafinos licores de fructos de Portugal, entre os quaes sobresahem os Tangerina de Lisboa, Ginja de Portugal, Laranja de Setubal, Morango de Cintra, Ananas de S.Miguel e Banana da Madeira, merecem especial menção os seus execellentes licores nos typos estrangeiros, taes como: Triplice Ancora (Triplice sec cointreau), Licor do Convento (Chartreuse), Fradictine (Benedictine), Licor do Ermita (Kermann), Marasquin de Zara, Anizette e Curaçao de Hollande, Kummel  de Riga, Peppermint e Menthe Glacial, Anizado refinado e Aniz Crystal, cremes de Cacau, de Rosas, de Baunilha, etc., os quaes são indistinguiveis dos similares de origem estrangeira.» in: jornal "A Capital" de 27 de Março de 1917.

Gama de alguns produtos da "Fábrica Âncora" nos anos 40 do século XX



De referir que além destas bebidas atrás mencionadas a "Fábrica Âncora", produzia, cognacs da marca "Ancora" «que são realmente uma especialidade muito apreciada pelos entendedores que os classificam a par das marcas Martell e Hennessy» e aperitivos.

Outros licores eram fabricados por esta fábrica «que teem geralmente largo consumo, como sejam: Granito Ancora, Creme de Ovos, Elixir de Cintra, Luso Africano, Vasco da Gama, Ponche Ancora, Casador, Cyclista e Grande Ancora-Tutti Frutti e que todos os seus productos são elegantemente apresentados e adornados com artisticas etiquetas.»


Rótulos

 


Nos anos 40 do século XX o prédio Largo do Marquez de Niza, em Xabregas, onde estava instalada a fábrica já tinha sido demolido, e a fábrica já tinha sido transferida para a Rua de S. Cyro, 23.

Entretanto, a empresa "Leopoldo Wagner (Sucrs.), Lda.", proprietária da "Fábrica Âncora", não resistiu às novas regras de distribuição implementadas nos anos 80 do século XX e fechou. Seria vendida, posteriormente, a um grupo indiano. Em 1990, as suas instalações form convertidas num antiquário, por João Trindade, que manteria muitos pormenores da fábrica, como as tabuletas, vendendo parte do espólio de onde se destacaram os rótulos.

           



Sabe-se que o último Wagner com ligações à "Fábrica Âncora", António Augusto Wagner Ribeiro, faleceu em 1996. Era filho de Olinda Wagner (1884-1954) filha de Leopoldo Wagner.

Publicidade na "Gazeta dos Caminhos de Ferro" em 1 de Janeiro de 1966


Postais



fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Digital de Lisboa, Biblioteca Nacional Digital