19 de junho de 2018

Restaurante Alvalade

O restaurante “Alvalade”, projectado pelo arquitecto Francisco Keil do Amaral (1910-1975), abriu as suas portas no primeiro trimestre de 1948, junto ao novo “Lago do Campo Grande”, em Lisboa, também por ele projectado.

Em 1944, o Ministro das Obras Públicas engenheiro Duarte Pacheco manda remodelar profundamente o “Lago do Campo Grande” e sua zona envolvente, em estilo modernista. Para tal encomendou o projecto ao arquitecto Francisco Keil do Amaral, e a obra decorreu entre 1944 e 1948. Lembro que este arquitecto já tinha sido o responsável do pavilhão de Portugal na Exposição Internacional de Paris em 1937, e do “Pavilhão de Chá” de Montes Claros, inaugurado em 9 de Julho de 1942, e que mais tarde viria a tornar-se no Restaurante “Montes Claros”.

 

 

A revista “Panorama” nº 35, de 1948, escrevia, a propósito:

«Agora, já dá gosto passear no «Campo Grande», tanto à luz do sol, que o arvoredo amàvelmente encobre, como de noite e ate sem lua. Mas existia nele - recordam-se? - um velho restaurante. Mesmo muito velho. E tambem muito feio, valha a verdade. E até sujo ... Aos domingos, então, era já repulsivo, com uma tropa fandanga que invadia o recinto e se espraiava pelo relvado, a merenda, como nas «hortas». Por isso a Câmara Municipal de Lisboa se resolveu a deitar a baixo o vetusto barracão, encomendando a um bom arquitecto o projecto de construção de um restaurante decente, bonito e agradável. Foi encarregado desse trabalho Francisco Keil do Amaral, que se desembrulhou da missão com a perícia, o talento e o sentido do «lugar-onde» que lhe são peculiares.
Depois, foi à praça a adjudicação, e aprovada a mais conveniente proposta, ficando concessionário o sr. Francisco Silvano, antigo proprietário do Hotel de Itália do Monte Estoril. Consciente da função turística que a empresa também poderia - e deveria - desempenhar, não se poupou a sacrifícios para acrescentar, por sua conta e risco, valiosos melhoramentos na obra camarária, principalmente no que diz respeito às decorações, a cargo da excelente artista Maria Keil. Assim nasceu e vai crescendo no bom conceito do público elegante o «Restaurante Alvalade», na gerência do qual colabora o sr. Giulio Alfieri.»

Escultura de António Duarte à entrada e janela do restaurante sobre o Lago

 

30 de Novembro de 1950

Interior do bar e salão do restaurante decorados por Maria Keil (1914-2012)

 

21 de Dezembro de 1950

31 de Dezembro de 1953

Mais tarde, e depois deste pavilhão restaurante ter sido demolido, foi inaugurado, em Novembro de 1972, um novo edifício de 2 pisos, projetado em 1971 pelo arquitecto Nuno San Payo integrando um painel de cerâmica em relevo de autoria da ceramista Maria Emília Silva Araújo, e que albergaria um restaurante e bar de luxo, além de outras salas, mantendo praticamente a mesma designação: “Alvalade restaurants”.

“Alvalade restaurants”

 

           

Em 1974 e após encerramento deste restaurante, o edifício foi remodelado e transformado no seu interior, para ser o Centro Comercial e cinema “Caleidoscópio” inaugurado em 1 de Novembro de 1974.

Centro Comercial “Caleidoscópio” aquando da sua abertura

Depois de encerrado e devoluto por uns anos, em 2011, o edifício “Caleidoscópio” foi cedido pela Câmara Municipal de Lisboa, à Universidade de Lisboa para instalação de um Centro Académico.

Em Outubro de 2016, o espaço é inaugurado como uma sala de estudo, um centro de exposições, uma loja e um centro de documentação, à disposição da cidade de Lisboa. Aberto 24h por dia, todos os dias, o “Caleidoscópio”, dispõe duma sala de estudo com 175 lugares, uma área de exposições de 140m2 e um Anfiteatro com capacidade de 72 lugares, rede wi-fi  bem como equipamentos de impressão.

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa

17 de junho de 2018

Casino e Palácio Hotel de Espinho

O “Casino de Espinho”, propriedade da “Sociedade Espinho-Praia, S.A.R.L.” começou a funcionar em 1927. Em 1915, a “Assembleia Recreativa” tinha sido dissolvida e o edifício passado a propriedade privada. Anos depois, o edifício viria a ser vendido à empresa que ganhou a concessão do jogo em Espinho, a “Sociedade Espinho-Praia, S.A.R.L.” em 1928, à frente da qual se encontrava Mário de Freitas Ribeiro, dono do Bristol Club”, em Lisboa. Com essa aquisição a empresa ampliou o “Casino Peninsular”.  O Casino funcionava, então, entre 1 de Maio e 30 de Outubro.

Nota: acerca da história do “Casino Peninsular”, consultar neste blog o seguinte link: Casino Penisular de Espinho

Entretanto a “Sociedade Espinho-Praia”, tinha em mãos um problema denominado “Hotel Bragança”. No ano de 1934, surgiu a notícia de que a empresa concessionária do Casino iria arrancar de novo com as obras do “Palácio Hotel”, com intenção de o abrir na época balnear de 1935. Contudo, as obras de remodelação do Hotel Bragança acabariam por fazer nascer um novo hotel: o “Palácio Hotel”. As obras iniciaram-se em 1930 e arrastaram-se por mais uns anos, com avanços e interrupções, mas principalmente com diversas críticas ao estado de abandono em que ficou o edifício, com as obras paradas, a partir de determinada altura. Só em 22 de Julho de 1939 seria inaugurado o novo edifício do “Palácio Hotel”, um moderno hotel que à época possuía 102 quartos, dos quais 36 com casa de banho privativa.

1942

 

 


Em 1934, o “Casino de Espinho” passou a funcionar de 1 de Junho a 30 de Novembro, período de abertura que se iria manter até 1976.

Também as obras de beneficiação do Casino foram avançando. Assim, em 1940, um ano depois da inauguração do “Palácio Hotel”, o aspecto do edifício do “Casino de Espinho” era muito semelhante à do referido “Palácio Hotel”. Seguindo o estilo Art Deco, as duas obras foram da responsabilidade do arquitecto Carlos Chambers Ramos (1897-1969). Segundo Hugo Barreira: «o Hotel Palácio era mais purista, maciço e germânico, com um ritmo bem marcado pela sucessão de vãos e pelo recorte das sacadas, (…) um sabor expressionista, conferido pelo controlo dos valores de luz e sombra e da plasticidade da superfície. O Casino era menos arrojado, com uma fachada tripartida que recordava ainda o edifício da Assembleia que veio substituir.»

Ainda com as obras a decorrerem nos andares superiores, o novo “Casino de Espinho” abriu no dia 1 de Junho de 1943, como habitualmente. No âmbito das diversas remodelações realizadas, optou a direcção por pintar a fachada, tanto do Casino como do “Palácio Hotel”, de cor verde-claro. No dia 30 de Julho de 1943, teria lugar a grande festa de inauguração do Salão Nobre, situado no piso superior.

 

                                          1934                                                                                        1935

 

As festas que ocorriam durante a época estival tinham lugar no Salão Nobre, ou no Restaurante-Dancing. Cada sala tinha o seu respectivo chefe e as festas abrilhantavam as tardes e principalmente as noites do Casino, onde os frequentadores eram sempre recebidos pelas “Orquestra Odéon” e “Orquestra Almeida Cruz”, que alternavam entre os dois salões do Casino. Para seleccionar a clientela, as entradas eram pagas. Quem entrasse à tarde e ficasse para a noite, que incluía as variedades, pagaria 5$00 - o mesmo valor valor como se entrasse à noite. Para os chás dançantes, que se realizavam ao Domingo e nos quais também se podia ficar para a noite pagava-se 10$00. Havia a alternativa de pagar 80$00 para o mês de Agosto ou Setembro, sendo de 140$00 o custo da entrada para os dois meses.

                                              1935                                                                                           1942

  

                 

Em 1947, a “Sociedade Espinho-Praia”, adquiriu o velho edifício onde funcionava o “Café Chinez”, um dos mais afamados locais de jogo de Espinho de outrora. Meses depois todo o recheio do café foi vendido para se proceder à demolição do edifício com o intuito de aí construir, como continuação do Casino, um Cinema com ligação interna.

Em 6 de Agosto 1951, foi inaugurado o Cine-Teatro do Casino de Espinho. Mais uma vez, o luxo e o requinte foram os principais objectivos da concessionária, desde os revestimentos em mármore no hall de entrada e corredores, até um dos melhores sistemas de som e acústica, assim como de projeção cinematográfica, da época, criando assim as condições necessárias para o conforto e o bem estar dos 534 espectadores, distribuídos por 358 na plateia e 176 no balcão.

Cine-Teatro e Casino

O dia 30 de Junho de 1958 marcaria o último dia da concessionária “Sociedade Espinho-Praia” à frente dos destinos do “Casino de Espinho”. No entanto, antes de sair esta empresa sair da exploração do Casino e do Hotel, resolveu colocar à venda todo o recheio do “Palácio Hotel”, bem como o edifício, ou entregar o aluguer deste a quem o quisesse explorar até 31 de Dezembro de 1958. Esta questão iria causar graves prejuízos à vila e ao seu turismo.

Em 1958 a concessão seria entregue à nova empresa “Sociedade Turismo de Espinho”, constituída em Junho de 1958 por José Dias Vieira de Magalhães e José Gonçalves Pinto Roma e que se manteria até 1968. Excepcionalmente, e devido à mudança da concessionária, o “Casino de Espinho” abriria só a 10 de Julho de 1958.

No início de Fevereiro de 1974 foi deliberado em Conselho de Ministros, presidido pelo Professor Marcello Caetano, que seria a “Solverde” a próxima concessionária do “Casino de Espinho” pelos 15 anos seguintes.

Como todos os contratos de concessão anteriormente feitos, também a Solverde ficou obrigada a realizar diversos investimentos na cidade e na região, donde se destaca a construção de um novo Casino, sem qualquer participação pública, apesar de se manter como património do Estado e a ocupar dois quarteirões.

Com o projeto do novo Casino, e como contrapartida a esse investimento a fundo perdido, foi acrescentada a edificação, como propriedade plena da “Solverde” nos dois quarteirões a sul, onde se demoliu o velho “Palácio Hotel”, de um Centro Comercial com um Apart-Hotel de 13 pisos, o mais alto edifício de Espinho; e no quarteirão a norte um outro centro comercial de dois pisos, com parque de estacionamento subterrâneo, revertendo este no fim da concessão para a autarquia.

           

A 25 de Fevereiro de 1976 deu-se a abertura do novo “Casino de Espinho”. As obras foram divididas em duas fases, a primeira começou em finais de 1976, nos terrenos a poente do Casino onde outrora existia a “Pensão Demétrio” (edifício que tinha sido adquirido pela “Solverde” em 1972). Nessa primeira fase de edificação do novo Casino, tudo continuava a funcionar no edifício existente. Ao fim de três anos, a 14 de Agosto de 1979 ficava pronta a primeira fase das obras, abrindo ao público o novo Casino e sendo encerrado o antigo.

  

Em Janeiro de 1980, tiveram ínicio a 2ª fase das obras com a demolição do antigo Casino, no entanto nem tudo correu bem. A empresa responsável pela demolição começou pelos interiores retirando tudo o que tinha valor comercial e desaparecendo de seguida. Por consequência, a “Solverde” assumiu diretamente a execução das obras de demolição para que os prazos estabelecidos pudessem ser cumpridos.

O novo, e já completo, “Casino de Espinho” seria inaugurado a 25 de Setembro de 1982, com a presença do ministro Dr. Ângelo Correia em representação do, então, Primeiro-Ministro, Dr. Francisco Pinto Balsemão.

 

Bibliografia:  Dissertação do Mestrado em História Contemporânea de Filipe Matos do Nascimento: "O Casino de Espinho. Jogo e Lazer (1905-2005)" - 2016 - Faculdade de Letras da Universidade do Porto

fotos in: Delcampe.net, Hemeroteca Municipal de Lisboa

14 de junho de 2018

Instituto Dr. Navarro de Paiva

O “Instituto Dr. Navarro de Paiva” foi criado, pelo Decreto nº 18.375, de 17 de Maio de 1930, enquanto entidade destinada ao internamento de menores, entre 9 e 16 anos, delinquentes e indisciplinados do sexo masculino, portadores de deficiência mental e sujeitos à jurisdição dos tribunais de menores, constituindo-se um serviço especial do Refúgio Anexo à “Tutoria Central da Infância de Lisboa”.

O juiz conselheiro Dr. José da Cunha Navarro de Paiva deixa, em 1924, um legado testamentário destinado à fundação de uma instituição para a reeducação de menores delinquentes. Por consequência, e pela Portaria nº 3.981, de 7 de Abril de 1924, o Estado aceita o legado testamentário do juiz conselheiro Navarro de Paiva, de 670 contos (670.000$00), que é entregue à “Administração e Inspecção-Geral dos Serviços Jurisdicionais de Menores”, organismo responsável pela jurisdição de menores, optando-se pela criação de um instituto destinado a menores delinquentes portadores de deficiência mental. A Portaria 4.882 de 6 de Maio de 1927, viria a classificar os menores delinquentes em categorias e respectivas medidas privativas da liberdade, incluindo os classificados de «anormais».

Em Maio de 1931 é apresentado o anteprojecto do “Instituto Dr. Navarro de Paiva” no “IIº Salão dos Independentes”, ocorrido na “Sociedade Nacional de Belas Artes” em Lisboa. Em 17 de Dezembro são transferidos para o “Reformatório Padre António de Oliveira” 12 «anormais patológicos», devido à carência de instalações adequadas.

Em 1932, a “Direcção Geral dos Serviços Jurisdicionais de Menores” (DGSJM) adquire uma propriedade, situada na Estrada de Benfica, com cerca de 10.000 m², que integra duas antigas construções localizadas junto à estrada e um terceiro pavilhão, com uma área de 465 m². A propriedade situa-se na imediação de outros equipamentos afectos aos Serviços Tutelares de Menores, nomeadamente: a Secção Agrícola do Refúgio da Tutoria Central da Infância, que confina o terreno a Sueste; a residência do Director do Refúgio do Tribunal Central de Menores e o Reformatório Feminino de Lisboa, fronteiro ao Instituto, instalado desde 1928 na Quinta da Infanta.

 

O projecto definitivo do “Instituto Dr. Navarro de Paiva”, elaborado pelo arquitecto Carlos Chambers Ramos, viria a ser aprovado em Janeiro de 1932. O conjunto a construir compunha-se de 7 pavilhões, três deles ligados por galeria coberta a outros três edifícios, traduzindo uma organização funcional e um programa reeducativo assente no conceito de pequeno grupo ou família. O Instituto, com capacidade para internar 45 menores, dispunha ainda de um Patronato, campos de cultivo e áreas de recreio. A sua construção seria iniciada em 9 de janeiro de 1933, sob a coordenação da DGEMN, com um orçamento de 1.093.294$65.

Em 1934, as obras seriam suspensas por determinação superior do ministro das Obras Públicas e Comunicações, engº Duarte Pacheco, por falta de financiamento. Tinham sido construídos apenas 4 dos 7 pavilhões projectados: 2 destinados ao internato (B e C) e 2 correspondentes aos serviços comunitários (H e I); Em Maio de 1941 a obra era retomada. Com condições para albergar dois terços da lotação programada, ficam por construir um dos três pavilhões educacionais (D), um pavilhão destinado aos serviços da direcção, biblioteca, secretaria e economato (G) (funções temporariamente asseguradas pela direcção do Refúgio da Tutoria Central da Infância de Lisboa), a instalação eléctrica e o arranjo dos terrenos circundantes.

A inauguração dos pavilhões do “Instituto Dr. Navarro de Paiva”, tem lugar a 28 de Maio de 1957, com a presença do ministro da Justiça, João de Matos Antunes Varela, acompanhado pelo director do Instituto, Artur Oliveira Ramos (entre 1957 e 1961), João dos Santos e o arquitecto Carlos Ramos.

Entrada para o “Instituto Dr. Navarro de Paiva”

“Instituto Dr. Navarro de Paiva” em fotos de 1957

 

 

Em 1961, e através do Decreto-Lei n.º 42607, de 20 de Abril, o “Instituto Dr. Navarro de Paiva” deixa de estar sob a direcção do Refúgio, passando a depender directamente da DGSJTM. Alarga a sua actuação ao tratamento de menores do sexo feminino, mediante um acordo celebrado entre o Estado e o antigo “Instituto Médico-Pedagógico Condessa de Rilvas” . A secção feminina só seria inaugurada a 15 de Janeiro de 1979, funcionando, neste meio tempo, numa das alas do “Instituto de S. Domingos de Benfica”, posteriormente designado de “Colégio da Infanta”, desactivado em 1 Janeiro de 2001.

Entretanto, a “Direcção Geral de Serviços Tutelares de Menores”, elabora, em Maio de 1964, um projecto para a expansão das estruturas do Instituto, atendendo à necessidade de aumento da lotação, obtenção de máximo rendimento do funcionamento interno e às novas prerrogativas fixadas pela OTM, o que contempla as áreas de: internamento, semi-liberdade, consulta externa (tratamento e observação ambulatórios), serviços centrais, oficinas, zonas de convívio e de desporto, sala de leitura-estudo-biblioteca, sala para trabalhos manuais, residências para funcionários, bem como a remodelação das zonas de convívio, adaptação de dependências para psicoterapia, beneficiação dos lavabos, das dependências para armazenamento de víveres, lavandaria e rouparia, o arranjo da cozinha e o aproveitamento do ginásio existente para oficinas.

Em 1965,  o “Instituto Dr. Navarro de Paiva” já ultrapassava largamente a lotação prevista, obrigando à acomodação dos menores nos corredores dos dois pavilhões, que mantêm as funções originais ao nível do piso térreo, pelo que em Maio de 1965 é encetado um programa de obras para a ampliação e remodelação do Instituto elaborado pela Comissão das Construções Prisionais de acordo com as intenções fixadas pela DGSTM e pelo director Alambre dos Santos. Em 1970, dá-se a expansão do estabelecimento para Sul, ocupando a propriedade da antiga Secção Agrícola.

 

 

 

  

O Decreto-Lei nº 314/78 de 27 Outubro de 1978, introduz as primeiras alterações estruturais ao estabelecimento, que passa a designar-se “Instituto Médico-Psicológico Dr. Navarro de Paiva”, alargando o acolhimento dos menores até aos 18 anos. O texto legislativo vem reforçar a orientação estabelecida no sentido da reinserção social, pelo que a formação escolar, profissional e cultural dos menores passa a ser ministrada fora do estabelecimento, mantendo os regimes de funcionamento de internato e semi-internato, e acrescentando o serviço ambulatório. Em Janeiro de 1979, é iniciado o projecto de execução para os lares de semi-liberdade, consulta externa, Internato masculino, serviços administrativos e lares de semi-internato. Os lares de semi-internato seriam concluídos em Março de 1983.

Em 18 de Outubro de 1984, tem lugar o auto de entrega do edifício, e em Novembro do mesmo ano, adaptação do edifício projectado para os lares de semi-liberdade, internato e consulta externa e para as actividades do “Registo Nacional de Pessoas Colectivas”. A 8 de Agosto de 1989, e face à deterioração dos pavilhões e sua permanente sobrelotação, os edifícios previstos para lares de semi-liberdade foram ocupados pelos menores, rapazes e raparigas, que embora instalados em alas distintas partilhavam as zonas de refeitório e a formação escolar. Nos pavilhões implantados na plataforma Norte passavam a funcionar a direcção, os serviços administrativos, o ginásio e oficinas, a rouparia e lavandaria.

O Decreto-Lei nº 58/95, de 31 de Março 1995, extingue a “Direcção Geral dos Serviços Tutelares de Menores” e publica a Lei Orgânica do “Instituto de Reinserção Social”. O Instituto sofre algumas alterações significativas ao nível do seu funcionamento e organização internos, alterando-se a sua designação para “Colégio Dr. Navarro de Paiva”, que a partir de 14 de Setembro de 1999, passaria a designar-se por “Centro Educativo Dr. Navarro de Paiva”. Este viria a acolher e a cumprir medidas tutelares a menores e jovens com idades compreendidas entre os 12 e 16 anos, que embora portadores de quadros psicopatológicos, apresentem suficientes capacidades cognitivas para a compreensão da medida aplicada

 

A partir de 20 de Dezembro de 2000, o “Centro Educativo Dr. Navarro de Paiva” passa a acolher e executar medidas tutelares a jovens de ambos os sexos, entre os 12 e os 21 anos de idade, apenas em regime semi-aberto, extinguindo-se a sua acção no domínio médico-psicológico.

fotos in: Delcampe.net, Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitectónico