Restos de Colecção

Notícias do Blog

A publicação de novos artigos foi retomada, com a resolução do problema que afectava o editor "Open Live Writer" // Lembro que a página "Ano ou Data de Inaugurações e Eventos", disponível no menú "Dados Históricos", é actualizada regularmente com novas entradas // Para conhecer as novas funcionalidades e aceder a novas plataformas de informação neste blog, consulte a "Folha Informativa", disponível na barra lateral    //    Para melhor conhecimento destas alterações aconselha-se, igualmente, uma visita, ou revisita, ao "Guia do Blog", disponível tambem na mesma barra lateral

21 de fevereiro de 2019

Ourivesaria da Guia

A "Ourivesaria da Guia", propriedade da firma "Olinda de Oliveira & C.ª, Lda.", foi fundada no gaveto da Rua da Mouraria com a Rua Martim Moniz, em 1875, junto da Ermida de Nossa Senhora da Guia, pela, então, “J. C. Oliveira Sucessores”.

 

Em Outubro de 1932, esteve presente na "Grande Exposição Industrial Portuguesa" que teve lugar no então, "Palácio de Exposições e Festas", actual "Pavilhão Carlos Lopes". O jornal "Diario de Lisbôa", a propósito da sua participação neste certame comentava:

«Na grande Exposição Industrial Portuguesa, que ora se está exibindo com tanto ruidoso sucesso, entre os stands que se impõe pela sua beleza, pelo encanto que ele dimana, marca ainda tambem pelo seu intrinseco valor, o stand da conhecidissima "Ourivesaria da Guia", na secção de pratas da galeria do Palácio de Honra, apresentado-nos numa rara nota artística, um completo mostruario de preciosas joias, de admiraveis pratas cinzeladas e de lindissimos trabalhos feitos em delicadas filigranas que causam a admiração de quem os vê, pela inexcedível perfeição como foram trabalhados.

(...) sendo uma das casas do genero, mais antigas da capital e das mais reputadas não só pela seriedade que imprime a todas as suas transacções, que são importantissimas, como tambem por todos os produtos que vende que são dos mais bem acabados e confeccionados com uma grande selecção, que justifica de uma maneira absoluta, a grande fama que disfructam não só no país como tambem no estrangeiro, para onde a "Ourivesaria da Guia" exporta os seus belos trabalhos de ourivesaria, em todos os generos e para todos os preços, contando com uma grande clientela internacional.»

Factura de 10 de Outubro de 1930 e anúncio de 1941

       

Contraste de 1837-1937 com a chancela da “Ourivesaria da Guia”

Quanto ao mercado internacional, o mesmo jornal referia ainda neste artigo:

«O Brasil, por exemplo, é um país que nos consome muitos dos nossos trabalhos de ourivesaria. A Espanha, a América do Norte e outras nações, tanto americanas como europeias, tambem são nossos grandes clientes, comprando-nos grandes quantidades dos nossos artisticos trabalhos, muitos especialmente pratas lavradas e as nossas delicadas fiigranas.
Assim a arte de ourivesaria tem um lugar de alto relevo no nosso país, sendo os trabalhos dos nossos ourives, lavrantes e filigranistas, apreciadissimos no estrangeiro.»

No final dos anos 50 do século XX, e resultado das grandes demolições efectuadas na zona do Martim Moniz, para requalificação daquele espaço, a “Ourivesaria da Guia”, teve de deixar o edifício onde estava instalada junto da Ermida de Nossa Senhora da Guia, em finais de 1957, o que a obrigou a procurar outro espaço, tendo-se mudado para bem perto, para a Rua Dom Duarte, para uma das lojas do “Hotel Mundial”. Ainda antes deste Hotel ser inaugurado oficialmente, em 3 de Dezembro de 1958, já a “Ourivesaria da Guia” abria a sua nova loja em Janeiro de 1958.

“Ourivesaria da Guia” já encerrada e com o prédio para demolição

Anúncio de 21 de Dezembro de 1957, antes da mudança para a Rua Dom Duarte conforme anúncio de Janeiro de 1958

 

“Hotel Mundial”

1967

Por lá ficou uns anos tendo encerrado já no final da década de 70 do século XX. A última referência que tive conhecimento foi num dos capítulos do guia turístico Fodor’s  sobre Portugal e na secção «Shopping in Lisbon - The Pick of Portugal», da autoria de E. C. Dessewffy, e editado em 1974, em que referia: «Ourivesaria da Guia, no edifício do Hotel Mundial, oferece uma vasta escolha de objectos encantadores.»

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa

17 de fevereiro de 2019

Hotel Vale de Lobos

O “Hotel Vale de Lobos”, localizado em Almargem do Bispo, Sabugo, junto a Belas no concelho de Sintra, e projectado pelo arquitecto Raúl Lino (1879-1974), abriu as suas portas em 1 de Julho de 1959.

 

Nos tempos áureos dos anos 50 e 60 do século XX, Vale de Lobos - a quem o Hotel apelidava de “Curia de Lisboa” - era um local de veraneio dos habitantes de Lisboa, onde existiu um casino o “Hotel Vale de Lobos” afamado pelos seus bailes no “Grupo Desportivo e Recreativo Os Lobinhos”, (fundado em 25 de Outubro de 1947) e pelas suas festas motards do “Motoclube Vale de Lobos”.

 

                                            1 de Agosto de 1959                                                            29 de Dezembro de 1960

 

24 de Junho de 1961

O “Hotel Vale de Lobos”, estava equipado com piscina, court de ténis, ringue de patinagem, sala de jogos, um magnífico jardim, e restaurante onde era servido a sua especialidade “Leitão à vale de Lobos”. Contava ainda com uma boite, inaugurada onze dias depois do Hotel, em 11 de Julho, com o “Conjunto Tony Dominguez”. A gerência e administração deste hotel foi confiada à mesma do “Hotel de Turismo da Ericeira”, inaugurado em 9 de Junho de 1956 pelo seu proprietário Raúl Duarte Gomes. Este Hotel foi lugar de estágio da selecção portuguesa de futebol, antes da sua participação no Mundial de 1966, em Inglaterra.

Sala de jantar

 

                                                          Boite e galeria                                                                   Etiqueta de bagagem

 

“Hotel Vale de Lobos” em finais dos anos 70 do século XX

Na segunda metade da década de 80 do século XX, o “Hotel Vale de Lobos” é adquirido por Adelino Cardoso Santos (1929-) dono da cadeia de “Supermercados A. C.Santos”, e ligado imobiliário. Entretanto, em conjunto com sua esposa D. Maria Amália Ferreira de Pina Santos, criam em 1988 a “Fundação A. C. Santos” com o intuito da aplicação dos valores altruístas em ações de índole humanitária e social, em prol dos grupos menos favorecidos.

        Adelino Cardoso Santos              Maria Amália de Pina Santos                          Fundação A. C. Santos

  

Assim, e depois de encerrado o Hotel em 1999, o edifício viria a ser adaptado para ser a “Casa de Repouso Vale de Lobos”, tendo aberto as suas portas em 27 de Julho de 2002.

 

Esta unidade classificada como “IPSS - Instituição Particular de Solidariedade Social“, tem 3 suites e 37 quartos, duplos e/ou individuais, todos decorados e equipados, com casa de banho privativa, ar condicionado e aquecimento central, televisão e mini bar, com capacidade para 49 idosos. O edifício dispõe de 3 pisos de área habitacional com elevadores, rampas de acesso e encontra-se preparado para receber idosos de ambos os sexos, em regime de alojamento temporário ou permanente, proporcionando-lhes qualidade de vida, com conforto e segurança.

Interiores da “Casa de Repouso Vale de Lobos”

 

 

fotos in: Delcampe.net, Fundação A.C.Santos, Casa de Repouso Vale de Lobos

14 de fevereiro de 2019

Antigamente (147)

Torre do submarino “NRP Golfinho” e seus oficiais, na doca do Bom Sucesso em 1918

I Volta a Portugal em Automóvel organizada pelo “Automóvel Club de Portugal” em Setembro de 1927. Fotos da chegada na Avenida da República, em Lisboa, e o automóvel vencedor «Overland” em exposição

 

“Peões por favor transitem pelos passeios” . Campanha do “ACP” na Rua Garrett, em 1935

Café e Restaurante “Caravela” em Algés em 1961

 

12 de fevereiro de 2019

Cartazes Publicitários (29)

Cafeteira “Edza” - “Estabelecimentos Edza” (Porto)

“Herminios” (Porto)

Compahia de Seguros “Atlantica”

Festival Mundial de Circo (1958)

11 de fevereiro de 2019

“Casa Memoria” de Santos Beirão

A “Casa Memoria” da firma “Santos Beirão & C.ª” foi fundada em 1880, no gaveto da Praça D. Pedro IV com o, então, Largo do Príncipe, em Lisboa, por José Pereira dos Santos Beirão (1856-1917).

“Casa Memoria” à esquerda na foto

Dentro da elipse desenhada a loja (no Rocio, 15) onde a “Casa Memoria” se instalaria em 1880

José Pereira dos Santos Beirão, nasceu em Lajeosa, Tondela, em 25 de Novembro de 1856, e tal como seus irmãos António e Marciano, veio novo para Lisboa, onde se lançou com grande sucesso na actividade comercial. Aos 24 anos era já proprietário da “Casa Memória”, que representava e comercializava em Portugal as máquinas de costura “Memoria”, as bicicletas “Clement” e “Gritzner” e as motocicletas “FN”, com magneto e forquilha elástica.

José Pereira dos Santos Beirão (1856-1917)

Anúncio seguintes de 1905

    

A actividade da “Casa Memoria” que a tornou mais conhecida, foi a comercialização de bicicletas, nos finais do século XIX e princípio do século XX. Num artigo que relembrava as origens do desporto velocipédico em Portugal, a revista “Tiro e Sport”, em 1906, referia José Beirão nos seguintes termos:

«A bicyclette começava a despontar em Portugal com a sua cohorte de admiradores e o seu juvenil grito de progresso. Foi moda então ter-se bicyclette e foi enorme e enthusiastico o recebimento d'esse 'cavallinho de ferro' que veio dar, especialmente a Lisboa, um cunho d'alegria e de coisa original a que não estavamos habituados.
E era ver a cara apalermada d'alguns habitantes da 'Lisbia' embascados n'aquella engenhoca, que elles não sabiam como caminhava só com duas rodas e com um homem em cima. Fez-se grande gasto do aparelho e que o confirme ainda o José Beirão com aquella patriarchal figura, que a rapaziada ainda hoje conhece, na venda desnumerada que elle fez n'aquelles tempos das suas reclamadas 'Clements'.
Chegou ao delirio a febre pela bicyclette e quem era do bom tom, quem se prezava de ser fino e ter alguma cotação na sociedade tinha uma bicyclette.»

1909

 

1910

Quando em 1895 surgiram os primeiros automóveis em Portugal, José Beirão passou a dedicar-se também ao seu comércio. Foi, igualmente, accionista, nomeadamente, da “Sociedade Portuguesa de Navegação” propriedade de seu  cunhado Artur Augusto de Oliveira, da Companhia de Seguros Comércio e Indústria e da “Companhia Cinematographica de Portugal” e membro da “Sociedade de Geografia de Lisboa”. Foi, também, um dos sócios fundadores da “Sociedade de Recreios Lisbonense”, proprietária do Colyseo dos Recreios, e da Praça de Touros do Campo Pequeno, dispondo nestes  dois estabelecimentos de um camarote vitalício.

Catálogo e tabela de preços de bicyclettes da “Santos Beirão” (clicar para aumentar)

Refira-se, que foi Santos Beirão o percursor dos postais ilustrados para fins comerciais, datando de 1895 a edição de um postal publicitário da firma “Santos Beirão & C.ª ”, proprietária da “Casa Memória”.

Por morte de José Pereira dos Santos Beirão em 25 de Outubro de 1917, sucede-lhe nos destinos dos negócios, seu filho Mário de Oliveira Beirão (1889-1973) que já o acompanhava na gerência dos mesmos. 

Mário de Oliveira Beirão (1889-1973)

 

A “Casa Memoria”, mudaria a sua designação para “Santos Beirão, Lda.”, passando, a dedicar-se à comercialização de instrumentos musicais tendo funcionado até 1985.

Casa de instrumentos musicais “Santos Beirão, Lda.”, atrás do burrito (na foto à esquerda) e dentro da elipse (fofo à direita)

 

1957

fotos in:  Arquivo Municipal de Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Ephemera, Beirões da Lajeosa do Dão