Restos de Colecção

25 de novembro de 2015

Portugal Previdente - Companhia de Seguros

A “Portugal Previdente - Companhia de Seguros”, foi fundada em 4 de Março de 1907, com sede na Rua do Alecrim, 10 1º andar, em Lisboa. Em 1954, mudaria a sua sede para a Avenida da Liberdade, 72. A delegação desta Companhia na cidade do Porto localizava-se, inicialmente, na Rua de Passos Manuel, 21 tendo sido transferida, em 1944 para a Rua Sá da Bandeira, 5 - 1º andar. Nesse mesmo ano são abertas delegações em Coimbra e Faro, e em 1909 em Aveiro e Braga.

Por debaixo da Companhia o conhecido “Cafe-Restaurant Royal”

Publicidade em 1906

Entretanto em 1908 a “Portugal Previdente” já contava com 372 agências em todo o país e, referindo-se à prevista abertura de uma sucursal em Espanha, afirmava-se: «É de notar que a Portugal Previdente á a primeira companhia portugueza que se abalança a ir procurar no estrangeiro o alargamento das suas operações (…)». Em 1910, esta agência em Espanha seria trespassada, devido a dificuldades dificuldades financeiras, e apesar de uma nova tentativa, em 1920, com o contrato para a exploração de seguros marítimos em Espanha e Marrocos, não resultaria de novo.

  No “Resistência”, em 19 de Março de 1908                    No “Diario Illustrado” de 31 de Dezembro de 1909

 

1910

                                                1913                                                                              1914

     

“Título de Uma Acção” , em 1915

Em 1917, e como se pode ler com mais pormenor, no anúncio seguinte, a Direcção da "Portugal Previdente" era composta por: Germano Arnaud Furtado, José Maria de Oliveira Simões e Pedro Simões Afra.

De notar «Seguros contra a fraude de empregados» … neste anúncio de 1917

Quanto ao seu emblema, o “Jornal de Seguros” de 15 de Abril de 1907, explicava: «Uma forte figura de mulher cuja nobre fronte é emoldurada pela coroa vitoriosa dos louros e cujo peito é defendido por uma couraça, na qual estão esculpidas as quinas (…); ergue com o braço direito o seu manto protector, acarinhando e protegendo duas crianças - o povo - que filialmente a ele se aconchegam; o braço esquerdo repousa e ampara-se sobre o escudo nacional, entrepondo-se entre ele e a mão, a paz representada n’um tronco de oliveira; encosta-se ao glorioso brazão lusitano em que se vêem os castelo heráldicos da pátria e, sob os seus pés, lêem-se as palavras Portugal Previdente».

    

A criação da “Portugal Previdente”, em 1907, tinha por objectivo a comercialização exclusiva do seguro de vida, no ramo “Seguros e Rendas Vitalícias”, tendo sido criado o “Seguro Portugal Previdente”.

Em 1908, foi solicitada autorização para « explorar todos os ramos de seguros de vida bem como terrestres contra fogo, marítimos, agrícolas, cereais, postais, cristais.» a qual foi concedida em Portaria de 24 de Outubro de 1908. Em 31 de Dezembro, do mesmo ano, obteria autorização para a comercialização de seguros de risco de roubo.

Interior da sede da “Portugal Previdente - Companhia de Seguros”, na Rua do Alecrim, em Lisboa

 

 

Exterior nos finais dos 40 do século XX, já com o “Hotel Bragança” instalado no edifício contíguo na Rua do Alecrim

 

Em 1934 a “Portugal Previdente” integra o grupo italiano “RAS - Riunione Adriatica di Sicurtà”. E em 1989 o “Grupo Allianz” torna-se accionista maioritário da RAS e por consequência a “Portugal Previdente” passa assim, também, a fazer parte do “Grupo Allianz”.

Calendário para 1938 e 1939

 

Em 1946, a “Portugal Previdente” passou a explorar o resseguro dos ramos em que já comercializava, tais como o seguro de “Vida”, “Acidentes de Trabalho”, “Acidentes Pessoais”, “Fogo”, “Agrícola”, “Automóvel e Responsabilidade Civil”, “Marítimo”, “Transportes Terrestres”, “Postal”, “Cristais”, “Roubo” e “Greves e Tumultos”.

Delegação da “Portugal Previdente” na Rua Sá da Bandeira, no Porto

1941

Em 1952, a Companhia passa a exercer a sua actividade seguradora nas colónias portuguesas de Angola (Luanda) e Moçambique (Lourenço Marques), e em 1957, por ocasião das comemorações do seu cinquentenário é editado um livro no qual se podia ler: «No campo das realizações económicas, a Portugal Previdente conseguiu desenvolver as suas carteiras de seguros, aumentar as suas reservas, adquirir imóveis e robustecer as suas receitas de prémios e os seus rendimentos, efectuando assim a sua consolidação.»

Medalha comemorativa do cinquentenário por J.P. Abreu Lima de Jorge Coelho

De referir que a “Portugal Previdente”, juntamente com outras oito companhias seguradoras, não foi alvo da onda de nacionalizações em 15 de Março de 1975, pelo facto de ser uma Companhia mista com capitais estrangeiros, ao contrário de muitas outras companhias seguradoras. (consultar página neste blog no seguinte link:Companhias Seguradoras (1791-2011)”

Em 1989, o “Grupo Allianz” torna-se accionista maioritário da “RAS” e por consequência a “Portugal Previdente” passa assim, também, a fazer parte do “Grupo Allianz”.

       

Em 1999, e por fim, dá-se a fusão da “Portugal Previdente - Companhia de Seguros” com a “Sociedade Portuguesa de Seguros, S.A.” dando origem à “Allianz Portugal, S.A.”.

Quanto ao antigo edifício onde esteve instalada a sede da “Portugal Previdente - Companhia de Seguros” , na Rua do Alecrim com a Praça Duque de Terceira, é hoje ocupado - conjuntamente com o edifício do antigo “Hotel Bragança -   pelo “LX Boutique Hotel Lisboa” de 4 estrelas.

Bibliografia: Foi consultado “Dicionário de História Empresarial Portuguesa” - Séculos XIX e XX - Volume II Seguradoras - INCM 2014                                      

fotos in: Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa, Colecções Senador

24 de novembro de 2015

Exposição de Electro-Radiologia

Entre 8 e 13 de Abril de 1957, realizou-se em Lisboa, na Aula Magna do “Instituto Superior Técnico” o “IV Congresso Médico dos Radiologistas e Electrologistas de Cultura Latina”, inaugurado pelo professor Francisco Leite Pinto, Ministro da Educação Nacional, e presidido pelo professor Aleu Saldanha.

Os trabalhos deste Congresso foram dividido em cinco secções: Radiologia, Radioterapia, Fisioterapia, Radiodiagnóstico e Medicina Nuclear.

Simultâneamante tiveram lugar, no pavilhão central do “Instituto Superior Técnico”, a “Exposição da Escola Portuguesa de Angiografia” e a “Exposição Internacional dos Aparelhos de Electro-Radiologia”, organizadas pelo artista Thomaz de Mello, cujas fotos abaixo dizem respeito.

Integrado nessas exposições, esteve, no exterior do IST,  patente ao público a viatura de rádio-rastreio e vacinação do “IANT - Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos”.

Semi-reboque modelo “Scammell” da marca “Bedford” comercializado pela “Auto-Industrial

Nota: acerca desta viatura, consultar neste blog o seguinte link: Viatura do IANT

“Exposição da Escola Portuguesa de Angiografia” e a “Exposição Internacional dos Aparelhos de Electro-Radiologia”

 

 

 

  

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

22 de novembro de 2015

Lis Hotel

A história do já desaparecido “Lis Hotel”, localizado na Avenida da Liberdade, junto ao Cinema-Teatro Tivoli”, começa em Novembro de 1923, quando o construtor civil José de Sousa Braz pede à Câmara Municipal de Lisboa autorização para construir um prédio no seu terreno da Avenida da Liberdade, destinado a albergar uma pensão. O projecto original sofreu alterações, uma vez que em Abril de 1925 era feito um requerimento para «substituir a fachada principal do prédio em construção» da responsabilidade do arquitecto Manuel Joaquim Norte Junior (1878-1962).

Nele, o arquiteto fazia sentir de forma mais evidente a sua traça eclética, coroando o pano direito da fachada com um frontão circular - semelhante ao modelo que utilizou na fachada lateral do palacete da Praça Duque de Saldanha ou nos armazéns da Soc. Com. Abel Pereira da Fonseca”, na Praça David Leandro da Silva, em Lisboa - onde se esculpia uma figura feminina com uma criança nos braços.

Manuel Joaquim Norte Junior (1878-1962)

Foto mais antiga que consegui com o Hotel, podendo-se avistar a fachada original do edifício só com rés-do-chão e primeiro piso apenas, no dia 9 de Abril de 1927 dia da comemoração do 9º aniversário da “Batallha de La-Lys”

Com o edifício composto de rés-do-chão e primeiro piso apenas, é dado como concluído em 1926. Nele se instala, em regime de aluguer, em Novembro de 1926 a “Boa Pensão”, que mudaria de designação em 1927, para “Pensão Tivoli”, propriedade de Joaquim Machaz e José Francisco Cardoso.

                     15 de Dezembro de 1926                                                          19 de Dezembro de 1927

 

Neste ano de 1927, seria atribuído a este edifício e ao seu arquitecto Manuel Norte Júnior o Prémio Valmor de Arquitectura  de 1927.

Em Junho de 1930, Joaquim Machaz e José Francisco Cardoso, proprietários da “Pensão Tivoli” abrem o primeiro "Hotel Tivoli", no lado oposto da Avenida da Liberdade, ocupando o “Palacete Rosa Damasceno”, e cujas alterações e ampliação do mesmo ficaram a cargo, também do arquitecto Manuel Norte Júnior.

Primitivo “Hotel Tivoli” inaugurado em Junho de 1930

Nota: Acerca da história do “Hotel Tivoli”, consultar neste blog o seguinte link: “Hotel Tivoli

Com o edifício desocupado, José de Sousa Braz volta a apresentar novo pedido de obras, desta feita para ampliar o edifício em dois andares. O Conselho de Arte e Arquitectura da Câmara Municipal de Lisboa deu veemente parecer negativo à obra, alegando que o novo projecto se sobrepunha «com menos valor artístico» ao existente «destruindo por completo o interessante remate» e afirmando que o edifício premiado com o “Prémio Valmor de Arquitectura”, «que consiste num pequeno e notável conjunto de arte, não pode ser sacrificado por um excerto que lhe duplica a altura», embora reconhecesse que a alteração era um projeto de «boa arquitectura».

Vista aérea da construção dos dois pisos no edifício da futura “Pensão Lis”

 

O projeto de alteração foi também assinado por Norte Júnior, que cinco anos depois da construção assumia a ruptura com o projecto original, que foi o seu último prémio Valmor e, também, o derradeiro programa de gosto eclético da primeira fase da sua carreira. A polémica apreciação do conselho camarário não alterou, no entanto, a decisão final, e o projecto foi aprovado, sob a condição de ser retirada da fachada a placa do “Prémio Valmor 1927”. No entanto, a placa nunca seria retirada e a obra foi concluída em Novembro de 1932.

A partir de então, e com um amplo edifício que ocupava toda a profundidade do terreno da Avenida, a “Pensão Tivoli” dava lugar à “Pensão Lis”, até 1937 altura em que se torna no “Lis Hotel”, tendo sido criada a firma sua proprietária a  “Lis Hotel, Lda.” que que aí funcionou até ao final dos anos 70 do século XX.

“Pensão Lis” já com o “Victoria Hotel” à direita na foto e inaugurado em 1 de Julho de 1936

Nota: Acerca da história do “Victoria Hotel”, consultar neste blog o seguinte link: “Victoria Hotel

Já com “Lis Hotel” com a inscrição na janela «Antiga Pensão Lis» na foto da esquerda

        

 


Postais publicitários. O da esquerda com gravura datada de 1938 e o da direita dos anos 60 do século XX

 

Etiqueta de bagagem

 

Calendário de 1957, publicitando o “Lis Hotel” e o “Hotel Miraparque” , ambos com a mesma gerência

Em 1 de Maio de 1965 o “Lis Hotel” é trespassado à firma “Sociedade Dias Garcia, Lda.”

Na década de 90, depois da demolição da estrutura, a fachada do antigo “Lis Hotel” foi recuperada integrada no conjunto de escritórios e espaços comerciais, integrados no “Tivoli Forum Tivoli” entretanto ali construído.

Fachada do “Lis Hotel” integrada no complexo “Tivoli Forum”, na Avenida da Liberdade

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa,  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Delcampe.net