Restos de Colecção

25 de setembro de 2012

Antigamente (47)

                                                          Moto com «side-car», na Madeira

                           

                                                                  Hotel Aliança no Porto

  

                                       Avenida António Augusto de Aguiar, em Lisboa, em 1909

                          

                                                Caminhos de Ferro do Minho e Ponte do Leça

                           

fotos in: Site do Inocente, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Albuminas e Etc

23 de setembro de 2012

Oficinas e Armazéns Gerais da CML

As Oficinas Municipais encontravam-se dispersas pela cidade de Lisboa, em pequenos núcleos oficinais de apoio às diversas actividades. Só em 1914 se deu inicio a construção do Complexo de Alcântara, entrando em funcionamento apenas nos finais desta década. Este espaço agrupava as oficinas de serralharia, carpintaria civil e de carros e oficinas de pintura. Mais tarde, no início dos anos 20 do século XX, deu-se um processo de concentração de todas as oficinas municipais, com excepção das afectas ao Corpo dos Bombeiros, tomam então a designação de "Oficinas e Armazéns Gerais da CML".

              Hipomóveis dos talhos municipais e de transporte de passageiros no início do século XX

          

                                            Entrada e vista geral das Oficinas e Armazéns Gerais

 

                                    Administração                                                               Edifício nº 1

 

                    Escritório de expediente geral                                                 Sala de contabilidade

 

Em 1926/1927, este espaço, que ocupava uma área de 3.687 metros quadrados, congregava todas as oficinas municipais: Serralharia, Carpintaria, Carroças, Cantaria, Pintura, Funileiros, Canalizadores, Tipografia e Encadernação, Correeiros, Tanoeiros e Electricistas. entre outros. Integravam também estes serviços, a fábrica de tijolos e vasos e o forno de cal, nelas laborando 654 operários.

Direcção dos Serviços Técnicos-Especiais em 1940 :

1ª Repartição (Iluminação e Aferições) : eng. José Máximo de Castro Nery
2ª Repartição (Viação e Transportes) : eng. João leal Mendes de Abreu (interino)
3ª Repartição (Oficinas, Armazéns e Subsolo) : eng. João lela Mendes de Abreu
Batalhão de Sapadores Bombeiros: Comandante - Capitão Joaquim Fernandes de Conceição Gomes Marques

                        Carpintaria de carroças                                       Fundição de metais e oficina de carroças

 

                                Oficina de ferreiros                                                        Oficina de correeiros

 

Direcção dos Serviços de Salubridade em 1940 :

1ª Repartição (Limpeza e Regas) : eng. Jaime Pereira
2ª Repartição (Higiene Urbana) : Dr. José Chaves Ferreira

                                 

                           Oficina de serralharia civil                                            Oficina de serralharia mecânica

 

                      Oficina de torneiros mecânicos                                           Oficina de carpintaria civil

 

                           

                                Oficina de tipografia                                                      Oficina de encadernação

 

Ao departamento de Aferições cabia-lhe fiscalizar os pesos e as medidas do comércio, a qualidade dos materiais usados nessas medidas e ainda a permanente aferição dos taxímetros e automóveis, cuja actividade em 1938 se resumiu a:

Utensílios de pesar e medir aferidos : 21.778
Utensílios de medir, conferidos : 8.187
«Táxis» aferidos : 1.959
«Táxis» reaferidos : 1.079
Contadores de água: 5.304
Contadores de gás : 8.228
Averbamentos realizados : 1.201
Requisições para serviço externo : 2.913
Requisições de taxímetros : 3.037

                                                              Departamento de Aferições

                           

 

Com o final da II Guerra Mundial verificou-se a recuperação dos transportes mecânicos da Câmara Municipal de Lisboa existentes e sua substituição gradual por equipamentos mais modernos. Assim passam a integrar a frota municipal uma nova tipologia de veículo desenvolvida pelo exército norte-americano que seria a percursora da marca «Jeep». Deste modo são adquiridos tanto veículos desta marca como de outras marcas europeias como a «Land-Rover», marca que substituirá a hegemonia da «Jeep» neste sector da frota municipal.

Lembro que os "Transportes Mecânicos" da CML integravam desde «Hipomóveis» (carros de tracção animal), motorizadas, carros de distribuição de carnes para os talhos municipais, carros de remoção de lixos, para regas, salubridade, de transporte diverso, para reparação de iluminação pública, transporte de água etc.

Em 1935, a frota dos serviços de limpeza era constituída por 30 viaturas automóveis, com  os  respectivos "chaufeurs" e 439 hipomóveis, dirigidas por 310 carroceiros. No final da década, o número de viaturas automóveis aumentou para 114 e os hipomóveis ganharam mais 55 unidades.

                                       Veículos de transporte e especiais da CML em 1939 

                   
                    1939.4

Nas instalações das "Oficinas e Armazéns Gerais da CML", além dos serviços já referenciados, destaque para uma nova Garagem, com uma área útil de 3.890 m2 e capacidade para albergar 170 viaturas, e uma nova Estação de Serviço, que contemplava um recinto de lavagem e desinfecção de viaturas mais consentâneo, com as novas exigências impostas ao serviço. Em 1921 foi contratado o primeiro mecânico de automóveis

                                                       Garagens e estação de serviço

                         

                         

Durante o período pós-guerra a renovação da frota, resultou da seguinte forma:

  • A quantidade de viaturas motorizadas disponíveis, com um numero de aquisições que rondam as 366 viaturas (78% das quais correspondem a viaturas pesadas e 15% a viaturas ligeiras).
  • A diversidade de funções e soluções técnicas aplicadas, que permitem aumentos significativos dos níveis de desempenho, nos sectores tradicionais e a aplicação de viaturas motorizadas a novas funções.
  • A significativa redução da percentagem de «Hipomóveis Municipais» em circulação, valor que decresce dos 40% do total da frota em 1946, para um valor residual situado abaixo dos 4% em 1951.

Em 1954, a remoção com hipomóvel ficou reduzida a 2,6%. Nos anos 60, a frota ganhou viaturas de remoção com sistema rotativo, que no início dos anos 80 foi apetrechada com o sistema de remoção hermética. Consultar o post Recolha de Lixos e Lavagem de Ruas .

De momento, nestas instalações mantêm-se ainda alguns serviços e um grande refeitório para funcionários. As oficinas e as garagens das viaturas de recolha dos resíduos sólidos saíram de Alcântara para os Olivais, no final da década de 80.

                                        Aspecto actual da entrada das instalações em Alcântara

                     

fotos in: Museu dos Transportes Municipais de Lisboa, Hemeroteca Digital

21 de setembro de 2012

Palácio de Cristal Portuense

«Segundo o boceto histórico do sr. Conde de Samodães, em 30 de Agosto de 1861, reuniram-se no edifício da Bolsa, os fundadores do Palácio de Cristal Portuense, sob a presidência do sr. Guilherme Augusto Machado Pereira, sendo eleitos para a direcção e conselho fiscal os srs. Alfredo Allen, Francisco Pinto Bessa, Visconde da Trindade, José Joaquim Pereira de Lima e José Frutuoso Aires de Gouveia Osório.»

                                

                                 

Em 3 de Setembro de 1861, o Rei D. Pedro V inaugurou os trabalhos de construção do futuro "Palacio de Crystal Portuense" lançando um punhado de terra num carrinho de serviço. A planta, perfil, alçado e cortes do edifício foram feitos pelo arquitecto inglês Thomas Dillen Jones.

                                 Medalha comemorativa da inauguração dos trabalhos, e início das mesmas em 1861

           

No dia seguinte à inauguração o Rei D. Pedro V partiu para Lisboa, tendo-lhe sido entregue, antes de embarcar, o diploma de presidente honorário da "Sociedade do Palacio de Crystal Portuense". A obra de pedra, ferro e cristal, segundo o Dr. Carlos de Passos, foi entregue aos empreiteiros "C. D. Young & Cª." por 108 contos de reis, sob a inspecção do engenheiro F. W. Shields e direcção do engenheiro Gustavo Adolfo Gonçalves de Sousa. Emilio David, jardineiro-paisagista alemão, encarregou-se do desenho dos jardins e do parque. As decorações forma entregues a um pinto inglês e a direcção coube a F.W. Shields.

O edifício media 150 metros de comprimento por 72 metros de largura e era dividido em três naves cobertas de ferro e vidro. No fundo da nave erguia-se um magnifico órgão construído por C. W. Vidor, um dos melhores do mundo. No interior dos jardins foi mandado edificar, pela princesa de Montléart, a capela de Carlos Alberto da Sardenha, que lá repousa desde 1849, data da sua morte. A capela de granito, em linhas e adornos de influência italiana, encontra-se junto ao lago.

                                 

      

                                                                     Nave Central com o órgão ao fundo

                                 

                                 Restaurante                                                                         Merendeiro

      

Aos 18 de Setembro de 1865, o rei D. Luís I, Dona Maria Pia, o príncipe herdeiro D. Fernando e o Infante D. Augusto inauguraram o "Palacio de Crystal Portuense", à semelhança do "Crystal Palace", em Londres, e a primeira "Exposição Internacional Portuguesa". Estas exposições serviam para a actualização científica e tecnológica e para, através de contactos internacionais, se aumentarem as trocas comerciais.

Excerto do discurso do Rei D. Luís I, no artigo alusivo à inauguração em "O Jornal do Porto"

«(...) Assim Portugal depois de atravessar longos periodos de desventuras, que o fizeram descer do fastigio da sua passada grandeza, se vê agora, graças á Providencia, entrado em uma época de esforços e commettimentos, que fomentados e fortalecidos pela paz e pela liberdade lhe hão de assegurar em proximo futuro o logar que outr'ora occupou entre as nações mais cultas e afortunadas.
(...) Este certame do trabalho, esta festa verdadeiramente nacional, é um marco tão glorioso que levantamos no caminho dos nossos progressos, abre á industria nacional uma época de tantos e taes aperfeiçoamentos, e promette ao paiz tão variadas vantagens, que sinto verdadeira ufania em que este grande successo se realisasse, como feliz presagio no começo do meu reinado.
(...) aos votos que fazeis pela minha felicidade e da minha excelsa esposa, pela do principe real, do meu augusto pae, do serenissimo infante D. Augusto e mais familia real, correspondo com os mais fervorosos votos pelo engrandecimento e ventura do paiz que nos serviu de berço.»

                                                                      Gravura do dia da inauguração

                                            

O artigo concluía:

«Concluindo diremos que a exposição portugueza é dignissima de attenção e estudo, e que foi de todo ponto brilhante a festa da sua inauguração. Podemos dizel-o desfogadamente sem receio de que nos hajam por suspeitos: a direcção do Palacio de Crystal excluindo-nos do recinto da exposição, vendeu-nos pela ridicula quantia de 12$000 reis o direito de a elogiarmos sem remorso. Recebam os directores mil agradecimentos por nos darem tão barato este prazer».

                  Anúncio no dia da inauguração                                                  Exposição de um dirigível

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                                                                          Casino do Palácio de Cristal

                                     

 

A "Exposição Internacional Portuguesa" foi organizada pela então "Associação Industrial Portuense", hoje "Associação Empresarial de Portugal". Esta exposição contou com 3.139 expositores, dos quais 499 franceses, 265 alemães, 107 britânicos, 89 belgas, 62 brasileiros, 24 espanhóis, 16 dinamarqueses e ainda representantes da Rússia, Holanda, Turquia, Estados Unidos e Japão.

Depois desta outras lhe seguiram como foi o caso da "Exposição da Rosas", em 1879, "Exposição Colonial Portuguesa" em 1894 inaugurada por D. Carlos, constituindo um dos elementos memorativos do "V Centenário Henriquino", e a "Exposição Agrícola" em 1903. Foi neste recinto que se realizou o I Salão Automóvel em Portugal a 22 de Junho de 1914.

                     "Exposição da Rosas", em 1879                       "I Salão Automóvel do Porto" a 14 de Junho de 1914

        

                 O “Farman-Maurice” no Palácio de Cristal em 1912. Um dos Primeiros Aeroplanos em Portugal

                                            

Em 1933 a Câmara Municipal do Porto adquiriu o "Palácio de Cristal Portuense" e seus anexos, entretando num elevado estado de degradação, tendo-lhe introduzido importantes melhoramentos.

Entre Junho e Setembro de 1934 acolhe a primeira "Exposição Colonial Portuguesa". Esta exposição, cujo comissário foi o Capitão Henrique Galvão, estava inserida numa política estruturada na afirmação da ordem social, económica e financeira estendendo-se a todo Império Colonial.

                                                                     "Exposição Colonial Portuguesa"

         

                                 

                                 

                                             Arraial da "Legião Portuguesa" organizado durante a Exposição

                                                   

O Palácio de Cristal foi ainda um importante espaço de cultura, contendo um órgão de tubos que era dos maiores do mundo. Foi neste local que se realizaram importantes concertos do compositor Viana da Mota ou da virtuosa violoncelista Guilhermina Suggia. Multidões como a que se pode ver na foto seguinte, que Aurélio da Paz dos Reis fotografou na Nave Central do Palácio de Cristal, em 1906, acorriam a este espaço histórico para assistir a concertos sinfónicos. Durante décadas, a vida musical no Porto foi intensa e muito participada, desde as operetas e zarzuelas que ocupavam o Teatro Baquet aos Concertos Populares no Águia d'Ouro e aos muitos recitais com várias das grandes figuras da cena musical internacional, como Cortot, Rubinstein e Ravel, que actuavam na cidade do Porto.

                                                                              Concerto em 1906

                               

Em 1950 nos jardins do Palácio de Cristal instalou-se a Feira Popular.

O "Palácio de Cristal Portuense" não foi capaz de atrair multidões de visitantes, não alcançando, por isso o sucesso desejado. Na verdade, associado ao Palácio de Cristal está a história de um rol de desaires financeiros que, em grande parte justificaram a impossibilidade de preservação do edifício e legitimaram o vaticínio da sua morte, em 1951, por parte do governo do Dr. Oliveira Salazar, face à necessidade de se encontrar um local para a construção de um recinto capaz de receber os campeonatos da Europa e do Mundo de hóquei em patins em 1952.

                               

                                                   

O actual "Pavilhão Rosa Mota", originariamente designado também ele por Palácio de Cristal ou Pavilhão dos Desportos, teve projecto arquitectónico de José Carlos Loureiro e projecto de engenharia de António Soares. Em 1952 teve início a construção do pavilhão dos desportos e em Junho de 1952, ainda sem cobertura, o pavilhão acolheu o Campeonato de Hóquei em Patins; depois disto as obras foram interrompidas, tendo sido retomadas em 1955 com a conclusão da cúpula; O amplo recinto coberto por calote esférica, apresenta um carácter polifuncional, tendo em linha de conta que o seu programa arquitectónico teve em vista várias finalidades: alberga eventos desportivos, exposições, reuniões formais e/ou informais com uma constante; um enorme afluxo de público.

fotos in: Do Porto e Não Só, Atébloguinho!, Gaveta de Postais, Delcampe.net, Hemeroteca Digital, Arquivo Nacional Torre do Tombo