Capas de partituras de canções, algumas do teatro de revista, do início do século XX.
fotos in: Ephemera
Capas de partituras de canções, algumas do teatro de revista, do início do século XX.
fotos in: Ephemera
Em 1940, panfleto da União Nacional
Em 1961 …
E mais tarde … 1974
Panfletos in: Biblioteca Nacional Digital, Ephemera
A “Auto Agência Bolhão”, fundada no início do século, por Raul Teixeira e Amadeu Coelho Pereira. Ficava situada na Rua Fernandes Thomaz, na cidade do Porto e no mesmo edifício dos famosos “Grandes Armazéns da Estamparia do Bolhão”.
Foi de Raul Teixeira, um dos primeiros automóveis importados para Portugal no tempo em que « (...) tomavam o seu carro, pelas aldeias, como um enviado do diabo e que por se fazer uma viagem de quarenta quilómetros era já meter uma lança em África!». O ruído que produzia assustava pessoas e animais.
De recordar que a sua mecânica e acessórios eram de difícil utilização. Para pôr o motor em marcha, era necessário manobrar várias alavancas e abrir uma série de válvulas e não existia ainda motor de arranque, pelo se recorria a uma manivela. A iluminação era feita através de lanternas ou faróis de carboneto. As rodas eram revestidas a borracha maciça, o que tornava as viagens muito desconfortáveis. Só mais tarde seria generalizado o pneumático.
Recolha de automóveis
Este estabelecimento tinha secções de pintura, estofo, construção de carrosseries, mecânica, etc. Nas oficinas de construção de carrosseries, eram fabricados desde o ‘torpedo’ à ‘limousine’ passando pela ‘laundaulette’ das mais baratas às mais luxuosas.
Oficina de estofador
Construção de carosseries
A “Auto Agência Bolhão”, tinha na direcção de pessoal um engenheiro francês de seu nome Paul Barnaud, vindo da “École d'Arts et Métiers Diderot”, de Paris no fabrico dos motores “Sultan”.
Paul Barnaud , ao centro na foto
Este estabelecimento era também representante das marcas de automóveis “Daimler” inglesa, “Mitchell’” americana e “Protos” alemã. «A primeira destas marcas tem tido em Portugal um exito completo. Bastará dizer que o sr. Raul Teixeira tem vendido mais de cento e sessenta d'esses carros.»
“Daimler’” com carroserie fabricada na “Auto Agência Bolhão”
Fotos in: Hemeroteca Digital, Do Porto e Não Só
Reclamos luminosos no Rossio
“Avenida-Parque”, em 1922
Quarto de Pensão
Salão de Cabeleireira
O primeiro submarino adquirido pela Marinha de Guerra portuguesa foi o NRP “Espadarte” em 15 de Abril de 1913 e o último, até hoje, foi o NRP “Arpão” em 28 de Abril de 2011.
As primeiras experiências submarinas na Península Ibérica tiveram lugar no rio Tejo, em 1538, quando se experimentou uma espécie de câmara em forma de sino para alojar mergulhadores. Poucas décadas mais tarde em 1580, mergulhadores portugueses atacaram por debaixo da água uma frota espanhola fundeada em Lisboa.
Mais tarde, em 1889, o 1º Tenente João Augusto Fontes Pereira de Mello concebeu um submersível para a Armada portuguesa de 39 metros de comprimento e capaz de uma autonomia à superfície de 2.500 milhas. Este submarino seria movido por baterias de acumuladores, em imersão, e por um motor de petróleo em superfície. Chegou a construir um pré-protótipo sem motorização que mostrou capacidade para submergir e voltar à superfície. Nessa época, os submersíveis navegavam quase sempre à superfície, só submergindo para o ataque. Mesmo à superfície eram de detecção muito difícil e apresentavam um alvo diminuto para as peças dos navios de superfície.
O submarino "Fontes" acabou por nunca se tornar uma realidade porque as autoridades navais não quiseram arriscar numa construção nacional da qual poderia ter surgido uma indústria e hoje ser Portugal um construtor e exportador de submarinos.
O “NRP Espadarte”, foi o primeiro submarino a entrar ao serviço activo da Marinha Portuguesa. Este submarino do tipo “Laurenti-Fiat”, foi encomendado em 1907, construído nos estaleiros “FIAT-San Giorgio, Muggiano” , em La Spezia - Livorno, Itália, tendo sido entregue no dia 15 de Abril de 1913 e tornando a Marinha Portuguesa uma das primeiras do mundo a ser equipada com este tipo de arma.
Lançamento à água do “Espadarte”, e o responsável pelo projecto engº Orlando
Pintura in: Revista da Marinha
A viagem desde Spezia até Lisboa foi deveras atribulada. Logo à saída de Spezia o mar bravo fez partir o embolo de ar de lavagem do cilindro nº 2 do motor de estibordo, o que obrigou o “Espadarte" a regressar ao estaleiro. Depois de reparada esta avaria, a 100 milhas do estaleiro o motor de bombordo avariou, pois o desajuste entre o veio do motor com o veio da hélice rebentou com os parafusos. Reparada esta avaria como era possível rumou até Marselha onde à entrada do porto, a camisa do compressor de baixa pressão rebentou.
O comandante saindo da torre
Reparada mais esta avaria o "Espadarte" seguiu viagem em 8 de Junho mas não tardou que, no mar alto, se partissem os parafusos do prato da embraiagem do motor de bombordo e verificando-se também uma rotura no tubo do compressor. Por este motivo teve de arribar ao porto de Barcelona no dia 9 de Julho, demorando-se ali 11 dias, depois dos quais rumou a Gibraltar. Mas novamente os parafusos se partiram e o "Espadarte" foi forçado a arribar a Valência. Saindo deste porto, verificou-se que rachara a parede interna do cilindro nº 3 do motor de estibordo, o que depois de comunicado o sucedido à empresa construtora esta concordou em ser reparado em Alicante. Feitas as reparações rumou a Gibraltar.
Colocação dum torpedo no “Espadarte”
Durante a viagem de Gibraltar para Lisboa, o "Espadarte" ainda teve de arribar a Lagos, por se verificar uma passagem de ar compressor do motor de estibordo de alta para a baixa pressão. Veio de Lagos para Lisboa só com o motor de bombordo a funcionar, apesar de ainda ter tido de arribar a Sagres para remediar estas avarias. Finalmente a 5 de Agosto de 1913 o submarino “Espadarte” entra no Tejo, 76 dias depois da sua partida de Spezia …
Chegada a Lisboa, com a nau D. Fernando e Glória ao fundo …
… e com a Praça do Comércio ao fundo
Comandante com a sua tripulação Comandante e sua família
fotos in: Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa
Em 1914 é constituída a Escola de Navegação Submarina o que faz dela uma das mais antigas do mundo.
Juntamente os submarinos da Classe Foca, de características semelhantes mas mais aperfeiçoados, adquiridos em 1917, o "Espadarte" formou a 1ª esquadrilha de submarinos da Marinha Portuguesa. Esta esquadrilha serviu durante a 1ª Guerra Mundial sendo desactivada com a entrada ao serviço de novos submarinos em 1934, apesar do "Espadarte" ter sido desarmado ainda antes, em 1928.
Posteriormente veio uma flotilha nos anos trinta de construção britânica, em que o nome "Espadarte" foi novamente atribuído a um dos submarinos da nova “Classe Delfim”, no ano de 1934. Outra, em segunda mão, também britânica, mas quase nova, após a guerra de 1945 e no fim década de sessenta e início da de setenta os actuais três de construção francesa da classe "Daphne". Foram quatro unidades, mas uma foi devolvida à França, por ordem do Conselho da Revolução, e depois vendida ao Paquistão.
Características do NRP “Espadarte”
Comandante: 1º Tenente Joaquim de Almeida Henriques
O último submarino adquirido pela Marinha de Guerra portuguesa, depois do NRP “Tridente” entregue a 8 de Setembro de 2010, da mesma classe, foi o NRP “Arpão”, entregue em 28 de Abril de 2011, pela empresa alemã Ferrostaal, tendo entrado em Lisboa a 11 de Maio de 2011.
“Arpão”, na carreira pronto para ser lançado à água
O projecto do Tridente / U-214 resulta da fusão das características oceânicas dos U-209 mais antigos, com um casco mais resistente com as características hidrodinâmicas, sistemas mais modernos de propulsão e electrónica derivados do modelo de submarino alemão U-212. Por sua vez, o U-212, de que deriva o U-214 no que respeita a sistemas, linhas exteriores e electrónica, foi desenhado para a marinha alemã, que opera essencialmente no mar do norte e no mar báltico, por isso, não tem nem a mesma autonomia, nem a mesma capacidade de mergulho, nem pode disparar mísseis dos seus tubos.
Os Tridente / U-214 serão os primeiros submarinos de origem alemã na marinha portuguesa, por onde já passaram submarinos Italianos, Ingleses e Franceses.
Do ponto de vista estratégico, o U-214 será uma considerável mais-valia na garantia de defesa das águas portuguesas e na garantia igualmente importante do direito de ligação marítima entre o continente e os arquipélagos da Madeira e dos Açores. A existência destes submarinos, pode parecer insignificante. No entanto as suas características "Stealth" que o transformam numa arma quase virtualmente invisível, tornam-no numa arma a temer, por quem quer que seja, que durante o seu tempo de vida útil, possa negar a Portugal o seu direito de navegação nas águas do oceano Atlântico.
Chegada do “Arpão” à Base Naval do “Arsenal do Alfeite”
Lançadores de torpedos
Duas perspectivas da Escotilha (exterior e interior)
Motor eléctrico, ao fundo, que é a o principal propulsor, tendo como auxiliares outros dois a diesel
fotos in: Estação Cronographica
Características do NRP “Arpão”
Comandante: Capitão-tenente Nuno Baptista Pereira
Notar que o U-214 é um submarino híbrido. Assim, a sua potência quando opera apenas com o auxilio do sistema AIP, lhe permite apenas a velocidade de 8 nós (reduzindo para 5 a 6 dias a autonomia) ou de 4 a 5 nós, o que permite ao navio navegar submerso durante muito mais tempo. Ele pode no entanto utilizar a propulsão convencional, dispondo de dois motores com uma potência total de 5.600 cv.
Instalado na Praça da Batalha, na cidade do Porto, o "Hotel Sul-Americano" foi propriedade de Álvaro de Azevedo, ex-emigrante no Brasil no estado de Rio Grande do Sul, que ao regressar a Portugal adquiriu este hotel e que, após profunda remodelação tornou este hotel num dos melhores da cidade do Porto.
Hotel Sul-Americano na Praça da Batalha
Era preferido pelos viajantes da América do Sul essencialmente «brazileiros de torna viagem». Por essa razão toda a sua decoração foi pensada em agradar aos viajantes provenientes desses paragens. Exemplo foram os painéis de azulejos que decoravam o interior do hotel, representando o Alto do Corcovado, o Caes Pharroux com a sua Ilha das Cobras, a Ilha Fiscal e o Botafogo.
«Do lado esquerdo de quem entra, dando sobre a praça, está a sala de jantar, clara e alegre. As pequenas mezas sobre cujas toalhas de linho alvíssimo brilham os critaes e abundam as flores, alinham-se pela vasta sala iluminada a jorros de luz electrica».
«Os quartos serviram de modelo a muitos hoteis que se alinham na categoria de luxuosos (...).O mobiliário ao mesmo tempo simples e luxuoso, feito expressamente pela casa Correia d'Abreu, tambem no Porto, é de nogueira nos quartos de primeira classe,e de freixo americano, tudo em estilo inglez, nos de segunda. Luz electrica, agua, esgotos em todos eles, desde o de maior preço até o mais modesto (...)»
Fotos in: Hemeroteca Digital
«Em aceio, higiene e comodidade não é possível exigir mais. Eis porque o sr. Álvaro de Azevedo conseguiu firmar em bases sólidas o crédito do seu estabelecimento que, a despeito de ter sofrido ha bem pouco tempo uma remodelação completa na sua instalação, se prepara para novas obras de ampliação a que o seu proprietário se vê obrigado pelo movimento sempre crescente da sua casa.»
citações in: Ilustração Portuguesa
1913
1935
1941
No final de 1944, o “Hotel Sul-Americano”, deu lugar ao "Grande Hotel do Império", iniciativa do industrial Joaquim Ribeiro de Almeida, após grandes transformações exteriores e interiores. Lembro que em 13 de Outubro de 1944, já este industrial tinha inaugurado em Lisboa o “Hotel do Império”, que ainda hoje existe sob o nome de “Hotel Britania”.
O “Grande Hotel do Império”, é referido pelo grande actriz Milú no filme “O Leão da Estrela” de 1947, em mais uma mentira ao amigo Simão Barata: «(…) não é possível, já temos quartos reservados no Hotel do Império …», ao que Simão Barata responde: «Ah! É muito bom Hotel …»
“Grande Hotel do Império” (ex-“Hotel Sul-Americano”)
foto in: Do Porto e Não Só
Hoje em dia é o “Quality Inn" Praça da Batalha”, de três estrelas e com 113 quartos