Restos de Colecção

5 de junho de 2022

Antigamente (164)



Construção do monumento a D. Pedro IV, no Rossio, que seria inaugurado em 29 de Abril de 1870


Seixal em 1886


Fila para abastecer numa "garage", no Largo da Madalena em Faro. Talvez algum aumento da gasolina ...


Estabelecimentos comerciais na Praça Carlos Alberto, no Porto


Distribuição de carne congelada


1 de junho de 2022

Perfumarias "Nally" e Cremes "Benamôr"

Tudo começa cerca de 1915, quando o farmacêutico J. Nobre abre a "Farmacia J. Nobre", na Rua da Mouraria 35-37, em Lisboa, e criando ao mesmo tempo os "Laboratórios J. Nobre", localizados no Campo Grande, 189, igualmente em Lisboa.


Loja onde esteve instalada a "Farmácia J. Nobre" (dentro da elipse desenhada). Foto de 1951

Interior da farmácia "J. Nobre", na Rua da Mouraria


25 de Dezembro de 1915


1915

Em Março de 1916, muda a sua farmácia da Mouraria para a Praça D. Pedro IV (Rossio), 109-110 em Lisboa. Poucos anos mais tarde já os "Laboratórios Nobre" tinham-se transformado na "Fábrica Nally" instalada no Campo Grande, 189 em Lisboa - nas traseiras do "Horto do Campo Grande". Dedicava-se  à fabricação e comercialização de perfumaria, sabonetes, batons, vernizes para as unhas, pastas dentífricas, etc. Em 1935 eram seus proprietários e diretores-gerentes Fortunato Abecassis, Henrique Abecassis e Luiz Belo. Para atender à grande procura, em 1933 foi transformada numa importante unidade produtiva que chegou a empregar cerca de 200 trabalhadores.


"Farmacia J. Nobre" na Praça D. Pedro IV


13 de Março de 1916




1918


1921

Desde então, daqui saíram muitos cosméticos e perfumes de muito gabarito e grande popularidade, com direito até a referência nas comédias portuguesas dos anos 40 do século XX, como no filme “O Pai Tirano” (1941) - quando na "Perfumaria da Moda" Arthur Duarte promete oferecer um frasco de "Noite de Prata" («dos maiores que houver!») à empregada- e apreciados por clientes como Dr. Oliveira Salazar e a Rainha D. Amélia. 

Cena do filme "O Pai Tirano" atrás referida e rodada na "Perfumaria da Moda"

Entretanto em 1925 J. Nobre, registava o creme para o rosto e as mãos "Benamôr", um «adorável produto de beleza que transmite à pele um encantador tom de frescura». Por volta de 1925/1926 é inaugurada, na Rua Augusta, 200, em Lisboa, a "Perfumaria Benamôr", que vinha substituir a "Farmácia J. Nobre" da Praça D. Pedro IV. 


"Perfumaria Benamôr", na Rua Augusta


1926

Capa de partitura de música composta e editada em 1927

A seguir uma série de fotografias do interior da "Fábrica Nally" (ex-"Laboratórios J. Nobre"), localizada no Campo Grande, 189 em Lisboa.





Notícia no "Diario de Lisbôa" de 5 de Junho de 1935, onde é descrita a "Fábrica Nally"



Num texto publicado no Expresso, assinado por Catarina Nunes pode-se ler:
« ... Nasceram depois um pó de arroz e uma água de colónia e a constituição da fábrica Nally (ainda no Campo Grande). Um produto dedicado à queda do cabelo (Petróleo Químico) teve sucesso em 1934, a que se seguiram um bronzeador e a produção para marcas internacionais como Helena Rubinstein, Pantene e Schwarskopf-Sillouet. 1999 foi um ano terrível com o incêndio na fábrica e destruição do espólio e décadas de trabalho.»




gentilmente cedida por Carlos Caria








Stand na "Grande Exposição Industrial Portuguesa" em Lisboa e em Outubro de 1932

Nos anos 60 do século XX a "Fábrica Nally", entra em falência e um funcionário administrativo Sr. Nunes, adquire a fábrica à família Abecassis. Esta família de industriais detinha na altura, também, a "Lusalite", "Cel-Cat" e a "A Mundial Companhia de Seguros", além de fábricas em Angola e Moçambique.

Expositor da "Nally-Benamôr" da Drogaria Howell Guedes, no Cartaxo (in: Jornal de Cá)

1956



Actualmente, a "Sociedade de Perfumarias Nally, Lda.", instalada no Carregado e que detém a marca "Benamôr", tem como sócio principal o francês Pierre Starck, em sociedade com Filipe Serzedelo e Takehide Takase. «Este parisiense, que durante vários anos trabalhou no marketing do grupo "L’Oréal" e foi o responsável em Portugal por marcas como Lancôme ou Biotherm, apaixonou-se pela história da empresa de cosmética que ainda conserva a sua fábrica em Sacavém, acabando por adquiri-la em finais de 2015. Desde então, já conseguiu romper fronteiras, e a sua intensão é transportá-la pelo mundo.»


"Perfumaria Benamôr", na Rua Augusta, em 2013, entretanto já encerrada



Tudo continue a ser feito como antes: os produtos na fábrica da "Sociedade de Perfumarias Nally, Lda.", no Carregado, as bisnagas de alumínio na "Sociedade Artística MQM, Lda.", em Monção, parceira de há 90 anos, e as caixas de papel em Braga.

Na nova loja, flagship, "Benamôr Lisboa 1925", inaugurada em Novembro de 2017 na Rua dos Bacalhoeiros, em Lisboa, reflete a imagem de marca de todas as lojas. Os rótulos das embalagens ligeiramente retro brilham no mármore da grande bancada que ocupa o centro da sala. Nas paredes foram emolduradas fotografais antigas e uma carta da rainha D. Amélia, então no exílio, a falar sobre os cremes que usava. 


Loja na Rua dos Bacalhoeiros, em Lisboa

Loja "Benamôr Lisboa 1925", na Rua das Flores, no Porto em 2020

fotos in:  Hemeroteca Digital de LisboaBiblioteca Nacional DigitalArquivo Municipal de LisboaArquivo Nacional da Torre do TomboBiblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian