Interior da loja "Sassetti & C.ª", na Rua do Carmo em Lisboa, aquando da "Semana dos Artistas" em 1928
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27 de junho de 2021
Antigamente (159)
23 de junho de 2021
Litografia de Portugal
A "Lithographia de Portugal, S.A.R.L." foi fundada em 27 de Março de 1893, por um grupo de conhecidos comerciantes e industriais de Lisboa, tendo-se instalado na Rua da Rosa , no Bairro Alto, em Lisboa. Os seus fundadores foram: Jacinto José Pinto da Silva - 1º administrador - Rogério Moniz, Alfredo Guedes - grande aguarelista e gerente técnico da empresa - e José Rufino Peres, que foi administrador por mais de 40 anos.
Esta empresa teve origem na aquisição da sociedade "Lithographia de Portugal" que estava instalada na Rua Vinte e Quatro de Julho, 282 a 288, em Lisboa, pelo valor de 10:500$000 réis. O novo capital social foi de 25:000$000 réis. Os nove maiores associados eram, por ordem decrescente: José Lopes Leal (12,4%), João Patrício Álvares Ferreira (12%), William Graham Junior & C.ª (6%), Knowles & C.ª (6%), Gualdino de Carvalho Junior (4,4%), André Michou (4%), Bensaude & C.ª (4%), Ernesto Pinto Basto & C.ª (4%) e o Dr. Henrique Carlos de Carvalho Kendall (4%), os quais assumiam, em conjunto, 56,8% da empresa.
Trabalharam na "Litografia de Portugal", embora não fossem dela funcionários, artistas como Casanova (grande aguarelista espanhol, litógrafo e professor dos príncipes reais), Constantino Fernandes, Roque Gameiro e Alfredo de Morais.
A "Editora de David Corazzi" (futura "Companhia Nacional Editora"), no Largo do Conde Barão e a "Lithographia de Portugal", foram os mais altos expoentes da arte litográfica, utilizando-a não só no livro e na revista como na embalagem e publicidade, colocando os seus enormes recursos técnicos e artísticos, já que estas duas empresas vieram revolucionar o meio gráfico daquela época e foram os percursores do grande progresso hoje alcançado pela Litografia.
Em 27 de Julho de 1907 a "Lithographia de Portugal", para solucionar problemas de apetrechamento, adquire, por 3.000$000 réis, a João Francisco do Livro, as oficinas da "Lithographia Universal", localizada no Largo do Carmo, 16 e 17, e que tinha sido fundada em 7 de Julho de 1898 - englobando na compra toda a maquinaria, pedras, utensílios e matérias primas assim como a própria firma de que nunca chegou a utilizar-se.
Em 1912, instala uma secção impressora sobre folha-de-flandres, - utilizada principalmente em latas de conserva - estendendo, deste modo, a sua acção por mais uma especialidade que, anteriormente, era privativo de algumas raras oficinas dedicadas exclusivamente a esta área.
A seguir alguns exemplos de pedras litográficas:
1939
A "Litografia Portugal" ao completar 75 anos de existência no ano de 1968, tinha como seu administrador Carlos Moreira da Silva Peres. Por cada máquina nova adquirida, a empresa cuidava da formação profissional dos que com ela iam trabalhar, e é assim que, no próprio ano do seu septuagésimo quinto aniversário, ao comprar um «scanner» electrónico da marca "Rudolf Hell", são enviados à Alemanha dois dos seus colaboradores que na sede da fábrica em Kiel ensaiaram a reprodução de dispositivos a cores.
Com o 25 de Abril de 1974, e devido ao período conturbado que se seguiu, a "Litografia de Portugal" não escapou a problemas de vária ordem. Mas a empresa estava bem preparada e estruturada, tinha sempre praticado uma política em relação aos seus funcionários que hoje se poderia denominar de concertação de interesses, visando o progresso da empresa, pelo que os desmandos revolucionários não a afectaram tão gravemente como noutros casos.
Em 1977 a "Litografia de Portugal" reinicia o seu processo contínuo de investimento e conquista uma sólida posição no mercado. A empresa disporá nesta altura, de um cortante a laser, o primeiro em Portugal, e será das primeiras empresas a procurar parceiros no estrangeiro e a fazer intercâmbio de conhecimentos técnicos.
Lutando com falta de espaço nas suas instalações do Bairro Alto, em 1987 a empresa adquire um terreno com 25.000 m2 (incluindo um edifício quase pronto) no Cabeço de Montachique, Fanhões no concelho de Loures. para as suas novas instalações. Assim em 1988 a empresa inicia a transferência das primeiras máquinas do sector de transformação e acabamento. Com a expansão da empresa, novas obras começam com a construção de um novo edifício destinado a armazém recepção e expedição de mercadorias com cais para cargas e descargas e báscula apta a receber camiões TIR até 5 tons. Assim a "Litografia de Portugal" passa a dispor de 9.000 m2 de área coberta de um reservatório de água captada por um furo artesiano. No primeiro edifício tinha sido construída uma placa de 1.000 m2, onde se instalaram os serviços comerciais, a secção de pré-impressão, de gravura e cartografia, salas de reuniões e gabinetes da administração.
Em 1990, a "Litografia de Portugal" dispõe de um moderníssimo parque de máquinas de nível do melhor da Europa, trabalham 209 funcionários que na parte oficinal são dirigidos por Carlos Manuel Correia da Silva Peres, director-geral, diplomado em Engenharia Gráfica pela Universidade Gráfica de Watford, em Inglaterra. Em 27 de Abril do mesmo ano a "Litografia de Portugal, S.A." aumenta o seu capital social de 100.000.000$00 para 200.000.000$00.
Em 1993 é celebrado o centenário da fundação da "Litografia de Portugal" em em 2002 é consumada a fusão de três empresas líderes na embalagem em Portugal, duas das quais a "Valentim Santos" de Vila Nova de Gaia e a "Litografia de Portugal", formando a "Graphicsleader", com sede em Seixezelo, tornando-se numa das maiores empresas de embalagens da Península Ibérica.
20 de junho de 2021
Estúdio Apolo 70
A sala "Estúdio Apolo 70" foi inaugurado, em conjunto com o "Drugstore Apolo 70", no dia 27 de Maio de 1971, na Avenida Júlio Dinis, 10 em Lisboa. O Drugstore foi construído em 14 meses, nos 8.000 m2 de dois pisos de uma antiga garagem, com projecto do arquitecto Augusto Silva e decoração de Paulo Guilherme.
À inauguração do "Apolo 70" (Drugstore e Cinema) - terceiro drugstore de Lisboa, depois do "Sol a Sol", na Av. da Liberdade (26 de Dezembro de 1967) e do "Tutti-Mundi", na Avenida de Roma (19 de Dezembro de 1968) - estiveram presentes além dos administradores da empresa proprietária, "Copeve, S.A.R.L." - Miguel Sotto-Mayor Aires de Campos, Manuel Braamcamp Sobral, Francisco José de Sousa Machado, Nuno Barroso e Lourenço de Almeida e José B. P. Vasconcelos - o secretário de Estado da Informação e Turismo, Dr. César Moreira Baptista e o secretário de Estado do Comércio Dr. Xavier Pintado, os directores-gerais dos Espectáculos e do Turismo Caetano de Carvalho e Álvaro Roquette respectivamente, o governador-civil de Lisboa Dr. Afonso Marchueta, e o comandante-geral de PSP general Tristão de Carvalhais (comandante-geral da PSP).
No dia seguinte à inauguração o jornal "Diario de Lisbôa" escrevia:
Ou seja, lisboa tem um novo cinema; pela primeira vez um cinema cuja programação é da responsabilidade de um crítico de cinema, quer dizer, de uma pessoa que ama o cinema e que os nossos leitores conhecem desde há muito: Lauro António. »
«Quando abriu, era uma coisa por demais. Havia porteiros fardados, uma coisa fina. O chão era alcatifado e tinha de haver um bocadinho de restrição na entrada, porque as pessoas eram aos montes» recorda o sr. Joaquim Pinto, cabeleireiro e o mais antigo inquilino do centro.
O "Estúdio Apolo 70" localizado no primeiro piso do Drugstore, era uma excelente sala de cinema, com capacidade para trezentos espectadores. A exemplo do Drugstore também ela projetada pelo arquiteto Augusto Silva e decorada pelo pintor Paulo Guilherme. Foi equipada com uma aparelhagem Philips de projecção para 35 mm (ecrã normal e cinemascope). O filme de estreia foi "O Vale do Fugitivo" ("Tell Them Willie Boy Is Here") de Abraham Polonsky.
Horários: Sessões aos dias de semana: 14:30 - 16:45 - 21:45; aos Sábados e Domingos: 14:30 - 16:45 - 19:00 - 21:15. Sessões especiais: Filmes em retrospectiva: 19:00 (de 2ª a 6ª feira) Meia-Noite Fantástica: 23:30 (Sábados) Manhãs Infantil: 11:00 (Domingos).
Preços: Tardes de semana: 15$00; Noites de semana: 25$00; Tardes e Noites de Sábados, Domingos, feriados e estreia: 30$00; Filmes em Retrospectiva: 15$00 (estudantes: 10$00); Meia Noite Fantástica: 20$00 e Manhã Infantil: 15$00 (crianças 7$50).
Esta sala vinha inserir-se num conjunto de outras que Pedro Caldas lembra: «O Londres era a casa de Bergman e Woody Allen estreavam-se sempre ali. Íamos ao Londres ver um tipo de cinema, e íamos ao Quarteto ver outro. Era uma década de fidelidades e de circuitos delineados. Alvalade, Avis, Éden, Odeón, Politeama ou Roma passavam cinema europeu, de terror ou popular; Castil, Condes, Império, Monumental, São Jorge, Star, Terminal, Tivoli, Vox tinham cinema popular ou de prestígio; Apolo 70, Cinebloco, Estúdio, Estúdio 444, Londres, Nimas, Quarteto, Satélite eram arte e ensaio.»
Nota. à excepção das salas "Cinebloco", "Terminal", "Nimas", todas referidas no parágrafo anterior têm as suas histórias explanadas neste blog. Para mais fácil aceder, consultar a seguinte listagem: "Cinemas de Lisboa (1896-2011)" na barra de menús e clicar nos links respectivos.
O "Drugstore Apolo 70" revolucionou a forma como se ia às compras e ao cinema em Lisboa, neste último ao introduzir as sessões da meia-noite, que o seu programador Lauro António tinha experimentado dias antes noutra sala: o "Vox", nas traseiras do "Teatro Maria Matos", com o filme "Frankestein Criou a Mulher" - «uma sessão à meia-noite completamente esgotada, obrigando a, na mesma noite, fazer mais duas sessões já que o público se recusava a voltar para casa sem ver o filme.»
Os preços mais baratos disponíveis para estas sessões, com o nome "As Meias-Noites Fantásticas", tornaram-se rapidamente um grande sucesso e um acontecimento na capital. O triunfo desta sala de cinema foi, decerto, ter Lauro António como programador, com os seus fantásticos desdobráveis (programas), repletos de comentários críticos aos filmes em exibição, que eram entregues aos espetadores, o que deixou de acontecer em meados dos anos 80 do século XX.
Programa comemorativo do 1º aniversário do "Estúdio Apolo 70"
Para além de filmes em estreia o "Apolo 70" dinamizou o seu horário apresentando "Filmes em Retrospectiva", "Meia Noite Fantástica" (reservada ao terror, ao fantástico, à ficção científica e ao maravilhoso) e ainda "Manhãs Infantis", nas quais eram apresentados filmes para maiores de 6 anos.
A seguir ao "Drugstore Apolo 70" abriria o "Centro Comercial Castil", com a sala de cinema exterior "Castil", em 1 de Novembro de 1973.
Se o "Centro Comercial Apolo 70"chegou aos nossos dias, e continua aberto ao público, o "Estúdio Apolo 70" encerrou definitivamente no final de 1990, tendo sido substituído por um restaurante.
Anúncio em 29 de Novembro de 1990 na véspera do encerramento definitivo do "Diario de Lisbôa"
Foto actual aquando dos seu 50º aniversário (in: revista "Visão")
fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, Estúdio Apolo 70