Restos de Colecção

4 de outubro de 2018

Sassetti & C.ª

A casa “Sassetti & C.ª ” foi fundada em 1 de Janeiro de 1848, por João Baptista Sassetti (1817-1889), na, então, Rua Nova do Carmo (actual Rua do Carmo), em Lisboa. Tratava-se de uma casa para venda e aluguer de pianos e pautas de música, tornando-se, mais tarde, numa das primeiras casas editoras discográficas do país.

João Baptista Sassetti, nascido em Sintra em 9 de Agosto de 1817, tinha uma cultura artística sólida, já que tinha estudado música no "Seminario Patriarchal" , tornando-se excelente pianista sob a orientação de seu mestre Frei João Marques. Tinha 31  anos de idade, quando, com o auxílio de um capitalista e amigo, montou o estabelecimento.

João Baptista Sassetti (1817-1889)

Activo empreendedor, conhecendo profundamente o ramo, A "Sassetti & C.ª" imprimiu um apreciável incremento ao negócio e, alargando o seu comércio, tornou-se também editor. Para esse efeito montou uma oficina de gravura de música, pelo processo de calcografia, e publicou grande quantidade de obras musicais em todos os géneros, especialmente para piano e canto. As edições impressas nas sua casa distinguiram-se pela perfeição e nitidez, sendo comparáveis às melhores que, no seu tempo, se importavam do estrangeiro.


8 de Setembro de 1849

24 de Dezembro de 1849

Loja “Sassetti & C.ª ” e sua localização (dentro da elipse desenhada), na Rua do Carmo, 56

  

Sassetti & C.a.3

Loja da “Sassetti & C.ª ” depois de ser substituída pela “Materna” e inaugurada em 18 de Dezembro de 1963

João Baptista Sassetti, era filho de Victor Domingos Sassetti dono do Hotel Victor Sassetti em Sintra, e que tinha vindo viver para Portugal em 1801. Por morte de Victor Domingos Sassetti sucedeu-lhe na gerência do Hotel seu filho Victor Sassetti, nascido em 19 de Novembro de 1811. Este abrevia o nome do Hotel para "Hotel Victor", tornando-o num dos hotéis, mais requintados e requisitados pela aristocracia e turistas estrangeiros que, ou passavam férias e temporadas ou simplesmente visitavam a Vila de Sintra. Acerca da história ilustrada deste Hotel consultar neste blog o seguinte link: “Hotel Victor em Sintra”.

Hotel Victor” em Sintra

Acerca de João Sassetti o “Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes” de Ernesto Vieira, e publicado em 1900, relatava:
«Nasceu em Cintra no anno de 1817. Estudou musica no Seminario Patriarchal, e tornou-se excellente pianista, tendo
tido por mestre frei José Marques.
Activo e emprehendedor, entendeu-se com um capitalista que lhe forneceu os meios de estabelecer uma casa para venda
e pianos e musicas, casa que se inaugurou no mesmo local onde ainda existe, em principios de janeiro de 1848.
A casa prosperou, e Sassetti foi progressivamente alargando o seu commercio tornando se também editor. Estabeleceu uma officina de gravura de musica, pelo processo da calcographia, e fez publicar grande quantidade de obras em todos os generos, especialmente para piano e para canto.
As edições impressas na casa Sassetti são muito perfeitas e nitidas, absolutamente identicas ás melhores que no seu tempo vinham do estrangeiro. Graças a essa vantagem, e tambem á concorrencia que faziam os editores Figueiredo e Lence, cujas publicações eram litographadas, o commercio da musica entre nós viveu e prosperou quasi independente da industria estrangeira. Hoje acha-se infelizmente perdida de todo essa independencia, que tão util nos seria.
João Baptista Sassetti falleceu a 3 de outubro de 1889, deixando aos seus herdeiros uma bella fortuna e um nome muito considerado pela sua importancia e probidade commercial. »

Quanto à abertura  da loja "Sassetti & C.ª", na Rua Nova do Carmo, 56, em Lisboa e em 1848, a "Revista Universal Lisbonense" escrevia a propósito:

«... Na mesma rua abriu um elegante armazem de musica e de pianos pertencente ao Sr. Sassetti e C.ª. Vimos nesta loja alguns objectos de gosto vindos da Allemanha.
Entre outros, dous quadros a oleo, que merecem ser admirados: um é o estudo de uma cabeça de um velho; e o outro representa um veterano visitando o cemiterios; e expressão do veterano é feliz e contrasta com a figura do coveiro, que lhe fica ao pé. pareceu-nos este quadro mais bem acabado, do que o outro, que talvez não tenha os acessorios em harmonia, com a verdade do colorido da carne.
A collecção de musica é variada e bem escolhida. Não admira, porque tendo parte neste estabelecimento o Sr. Sassetti, bem conhecido como excelente mestre de piano, é uma boa garantia em favor da nova loja, que não poderá deixar de prosperar. Os nossos desejos é que isto aconteça não só a esta, mas a todas.»

Das primeiras capas de partituras editadas pela “Sassetti & C.ª”

                                               1853                                                                                          1855   

 

                                              1860                                                                                          1861

 

O “Novo Guia do Viajante em Lisboa e seus Arredores” de .J.Bordalo, em 1863, anunciava

1865

Mas, quanto a músicas, já em 5 de Julho de 1872 a concorrência “apertava”, neste anúncio no “Diario Illustrado”

Anúncio à "Sassetti & C.ª ", em 10 de Julho de 1874

As edições impressas na casa “Sassetti & C.ª” eram perfeitas e nítidas, e idênticas às melhores que no seu tempo vinham do estrangeiro. Graças a essa vantagem, e também à concorrência que faziam os editores “Lence & Viuva Canongia” (Viuva Canongia, ex “J.J. Canongia & Comp.ª”), estabelecidos na Rua Nova do Almada, e “José de Figueiredo - Antiga Casa Ziegler”, estabelecida na Rua Nova do Carmo, cujas publicações eram litografadas, o comércio da Música entre nós viveu e prosperou quase independente da indústria estrangeira.

“J.J. Canongia & Comp.ª” 

 

“Lence & Vª Canongia”

A propósito da qualidade das publicações da casa "Sassetti & C.ª" o livro “Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes” de Ernesto Vieira, já atrás mencionado,  ao referir-se à vida do desenhador litógrafo José Adrião de Figueiredo, que tinha uma loja na mesma Rua Nova do Carmo, relatava:
«Causou-lhe prejuizo o seu competidor Sassetti, que em 1848 se lhe estabeleceu defronte e procurou dar ás suas publicações a mais bella aparência, com o que adquiriu a supremacia.»

                           1892                                                               1894                                                             1895

1892


1895

João Baptista Sassetti faleceu em 3 de Outubro de 1889 e deixou aos seus dois filhos, José Correa Sassetti e Victor Correa Sassetti, uma grande fortuna e um nome muito considerado. Estes deram continuidade ao negócio, honrando as tradições da "Sassetti & C.ª ". Por morte sucessiva de ambos a firma passou para a posse do filho de José Correa Sassetti, João Vicente Sassetti, que já anteriormente colaborara com seu pai e seu tio, tendo sabido aumentar extraordináriamente as edições musicais, tornando o seu estabelecimento na principal casa editora do país.

No início do século XX, a “Sassetti & C.ª” era representante em Portugal da editora italiana “C. Ricordi & Cte” de Milão, servindo de intermediário no aluguer de partituras de ópera para o “Teatro Nacional de São Carlos”, actividade que assegurava a viabilidade económica da empresa. Em meados do século XX funcionava, nesta empresa, uma escola denominada “Viveiro Musical”, cujo responsável e professor era Gonçalves Simões.

                                                     1901                                                                                           1906

 

1913

                                                                                          1924

  

1927

 

Stand da “Sassetti & C.ª” no “I Salão de Outono de Elegância Feminina e Artes Decorativas Voga”, em 1928

O sector do grupo “Sassetti & C.ª” dedicado à edição de música impressa, afirmou-se como uma das mais importantes editoras de música do País desde o início do séc. XX, não só pela quantidade de obras editadas, como pela continuidade do seu movimento editorial, dando sequência ao projecto iniciado em meados do séc. XIX. Esse movimento editorial abrangeu vários domínios:

- Música ligeira: edição dos números de sucesso do teatro de revista, do cinema e da rádio. Nos autores mais representados incluem-se Alves Coelho, Belo Marques, Nóbrega e Sousa, Joaquim Luís Gomes, Tavares Belo, Raul Ferrão, Frederico de Freitas, Ferrer Trindade e António Melo. As obras eram quase exclusivamente para voz e piano, destacando-se em todas as edições o relevo dado aos intérpretes, entre os quais se podem citar Max, Francisco José ou Tony de Matos, Rui de Mascarenhas, Alberto Ribeiro ou Luís Piçarra. Os géneros incidem sobretudo sobre o fado, bolero,  tango marcha popular e outras canções. A maior parte destas obras data das décadas de 40 e de 50 do século XX, contando-se por largas centenas. Estas partituras eram ilustradas por artistas plásticos como Almada Negreiros ou Stuart de Carvalhais.
- Música erudita: predominou a edição de música para piano, em segundo plano para voz e piano, e uma reduzida incidência na música para conjunto, raramente mais de dois instrumentos. Os autores mais representados foram Viana da Mota, David de Sousa, Óscar da Silva, Luís de Freitas Branco, Cláudio Carneiro, Hernâni Torres, Tomás de Lima ou Armando José Fernandes, e diversos autores estrangeiros, principalmente do romantismo.
- Didáctica ou Teoria Musical: incluiu livros de teoria e de solfejo de Artur Fão, bem como a «transcrição fácil» de obras para piano, revistas e dedilhadas por Campos Coelho. A qualidade da impressão foi sempre boa, o que contrasta com a qualidade do papel, que no entanto teve a vantagem de tornar as edições mais acessíveis. A “Sassetti & C.ª” teve ainda a representação de casas estrangeiras, nomeadamente das que editaram compositores.

Salas de Música em casas particulares, em 1933

            Casa de D. Ema Fonseca da Câmara Reis                              Casa de D. Sarah da Mota Ferreira Marques

 

                                             1930                                                                                            1932

     

Algumas capas de partituras de músicas editadas pela “Sassetti & C.ª”

                              1921                                                        1928                                                         1930

                              1931                                                        1933                                                         1939

                              1943                                                          1947                                                        1956

Em 1962, e depois de estar sediada na Rua do Carmo, 56 em Lisboa, cerca de 100 anos, mudar-se-ia para Av. Visconde de Valmor, 20-B. A sua loja da Rua do Carmo viria a ser ocupada pela loja “Materna” inaugurada em 18 de Dezembro de 1963. 

Depois da primitiva designação “Sassetti & Cª”, passaria a “Sassetti & C.ª, Lda.” Entretanto em 1968, era fundada a empresa "Guilda de Música - Sociedade Difusora do Disco", por António Marques de Almeida e Maria Elvira de Sousa, com sede na Rua Tomás Ribeiro, em Lisboa, tendo como objecto social «o exercício do comércio de discos de gramofone, bem como os outros artigos directa ou indirectamente ligados à reprodução musical escrita ou sonora». Esta empresa viria a adquirir a “Sassetti & C.ª, Lda.” em 1970.

“Sassetti & C.ª” ainda viria a mudar mais uma vez de instalações, para a Rua Nova do Almada, 60-62. Nos anos 80 do mesmo século, tinha lojas na Rua Castilho e no “Centro Comercial das Amoreiras”.

                                             1973                                                                                          1975

  

Depois destas empresas se terem juntado às “Organizações Zip-Zip”, dá-se a fusão das três, nos últimos meses de 1973, e é criada a "Sassetti, Sociedade Portuguesa de Música e Som, S.A.R.L.", com um capital social de 8.000 contos (8 milhões de escudos, tinha como objecto social «a edição e comércio de discos fonográficos e o comércio de todos os artigos ligados à produção musical escrita ou sonora.» Tinha como administrador-delegado da Sassetti, António Marques de Almeida, e a restante administração era composta por Francisco Reis Granadeiro e Carlos Martinez Gil.

Anúncio por ocasião dos 125 anos da Sassetti, em 1973

                                              1971                                                                                           1975                    

 

A "Sassetti - Sociedade Portuguesa de Música e Som, S.A.R.L", seria mais uma vítima do pós 25 de Abril de 1974. Em Março de 1975 entrava num regime de autogestão, durante a qual a produção discográfica cairia significativamente, o que conduziu ao seu colapso comercial. As alterações verificadas na editora, sobretudo ao nível da produção fonográfica, aproximam o percurso da mesma ao furor revolucionário que afetou várias empresas nesse período. Porém, os fonogramas editados neste período permitem igualmente aceitar uma continuidade e possível reforço, sobretudo no que diz respeito ao campo da “música ligeira” e dos “discos falados”, na linha editorial anterior ao 25 de Abril e na proeminência de repertório e intérpretes da canção de protesto. Apesar de José Mário Branco ter abandonado a editora pouco depois do seu regresso a Portugal e de José Jorge Letria não ter chegado a acordo para gravação de discos, a empresa editará diverso repertório musical criado nesse período assim como de poesia e fonogramas de documentos falados.

O seu riquíssimo espólio seria votado ao esquecimento ao longo de toda a década de 80 do século XX. Quando a empresa volta a ser gerida pelos seus proprietários em 1990, o seu espólio e catálogo viria a ser comprado, em 1991, pela editora "Strauss" , com loja na Rua do Carmo 60-62.

Em 1993 Nuno Rodrigues funda a “Companhia Nacional de Música”. Como empresa editora, produtora e distribuidora de fonogramas e videogramas musicais, tem como missão a produção, valorização e divulgação de obras de âmbito cultural. Em 2003 adquire a editora “Strauss”, que detinha já o catálogo das extintas “Sassetti” e “Zip-Zip”, representando nomes fundamentais da música portuguesa, que lhe permite a produção de edições especiais e uma forte aposta no tratamento do Fado.

Loja da “Companhia Nacional de Música”, na rua Nova do Almada, onde esteve instalada a última loja da “Sassetti”

 

 

Com esta aquisição a “Companhia Nacional de Música” tornar-se-ia proprietária  da loja “Strauss” da Rua Nova do Almada, inicialmente da “Sassetti & C.ª, Lda.”, sendo actualmente a loja de música mais antiga do país.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Municipal de LisboaArquivo Municipal de Lisboa, Do Porto e Não Só, Biblioteca Municipal de Alpiarça, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, IÉ-IÉ, Biblioteca Nacional de Portugal

2 de outubro de 2018

Teatro Gil Vicente em Cascais

O "Theatro Gil Vicente", localizado em Cascais e propriedade de Manoel Rodrigues de Lima, foi inaugurado em 15 de Agosto de 1869, com o drama "Ermitão da Cabana" e a comédia "Matheus o Braço de Ferro", interpretada por um grupo que faziam parte da extinta "Sociedade Recreativa Cascaense", fundada em 1844.

Este Teatro foi construído no local onde tinha existido outro pequenino, adaptado dum armazém e adega, na Rua da Victoria. A sua construção começou em 8 de Março de 1868, tendo sido seu construtor José Vicente Costa, o «carpinteiro de Caparide».

Depois da morte do seu primeiro proprietário, Manoel Rodrigues de Lima, o "Theatro Gil Vicente" foi adquirido em hasta pública pelos Condes de Magalhães, que por falecimento destes seria herdado pela Marqueza de Lierta, que, e segundo Souza Bastos, era a proprietária em 1909.

«E' n'este theatro presentemente a séde da "Associação Humanitaria Recreativa Cascaense" com 4 secções: bombeiros voluntarios, phylarmonica, grupo dramatico e socios contribuintes. O theatro aluga-se com iluminação musica, porteiros, policia, bombeiros e pessoal do movimento do palco por uma percentagem sobre a receita bruta, de 10 a 25% conforme a qualidade do espectaculo e os preços, mas nunca podendo receber menos de 20$000 réis, que devem ser garantidos por deposito no acto do aluguer. Não fornecendo musica, o aluguer nunca será mais de 20%.
(...) Tem o theatro uma friza para a auctoridade, outra para a direcção da sociedade arrendataria e 10 para alugar; na 1ª ordem o camarote da proprietaria, a tribuna real e mais 14 para alugar; 14 camarotes de 2ª ordem, 140 cadeiras e 12 logares de galeria.»

 

Foi também a inauguração do “Theatro Gil Vicente”, com toda a animação que a envolveu, que motivou o Rei D. Luís I e a Corte Portuguesa, a escolherem Cascais como estância de veraneio a partir de 1870, tendo a Família Real assistido, de forma reiterada, a várias peças de teatro e inúmeros eventos culturais nas cadeiras deste novo espaço de entretenimento.

Pelo “Theatro Gil Vicente”, passaram as maiores figuras do teatro de então, como: Vale, Beatriz Rente, Mercedes Blasco, Pereira da Silva, etc. Ao mesmo tempo, que acolhia récitas de amadores, animadas até pelo Rei D. Luís I, que era espectador habitual. Em 1915, um facto pouco conhecido: a estreia de uma revista composta e cantada pelo então jovem Pedro de Freitas Branco (1896-1963) que se viria destacar na música portuguesa como maestro.

 

1908

10 de Maio de 1931

Em 1941 o “Theatro Gil Vicente” era propriedade de Francisco del Poso y Pastrana. No dia 2 de Junho de 1942 o Dr. Manuel Ribeiro e o Dr. Ricardo do Espírito Santo Silva puseram à disposição da “Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascais” a importância de 20 mil escudos, destinada à aquisição do “Teatro Gil Vicente”, no seguintes moldes: Dois mil escudos oferecidos pelo Dr. Manuel Ribeiro Espírito Santo Silva. Dois mil escudos como oferta do “Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa”; Seis mil escudos oferecidos pelo Dr. Ricardo do Espírito Santo Silva e os restantes dez mil escudos emprestados sem juro e sem prazo para o seu pagamento. No ano seguinte resolvem oferecer este débito à AHBVC

No dia 4 de Junho de 1942 foi assinada a escritura de compra do “Teatro Gil Vicente”, ficando como sede própria da AHBVC depois de um pleito que durou 13 anos. Intervieram como outorgantes Dr. Francisco Honorato da Costa Ramos, Presidente da Direcção da Associação e o Dr. Luís Forcada, como procurador do vendedor. À tarde, na janela do edifício, foi içada a bandeira da Associação, queimando-se de seguida centenas de morteiros e foguetes em sinal de regozijo.

      

Em 1952, têm lugar obras de remodelação e adaptação do “Theatro Gil Vicente” a Cinema, com a colocação de uma cabina de projecção na 1ª Ordem. Após vistoria da Inspecção Geral dos Espectáculos, no início de 1953, esta conclui que poderão ser permitidas exibições teatrais e cinematográficas depois de executadas várias modificações, tais como: colocar corrimões nos dois lados de todas as escadas de acesso ao público; colocar letreiros indicativos da saída e do destino das diversas dependências; dotar a plateia com a coxia circundante, com a largura regulamentada; dar aos assentos das cadeiras da plateia e balcão as dimensões regulamentares; dotar o teatro de iluminação suplementar; fixar a lotação em 350 lugares, para teatro, e em 356 lugares, para cinema. Mesmo sem as obras efectuadas, o ”Teatro Gil Vicente” reabriria em 26 de Janeiro de 1953, com a reposição da opereta “Senhora dos Navegantes”.  Em 1959 era-lhe retirada a licença de utilização permanente por falta de condições de segurança. A licença viria a ser concedida de novo em 1962, depois de efectuadas as obras exigidas em 1953.

Opereta “Senhora dos Navegantes” em 1944 e Programa da mesma em 1953

 

É neste “Teatro Gil Vicente” que Carlos Avilez inicia, em 1965, a actividade do “Teatro Experimental de Cascais” (TEC), onde se manteve na direcção da companhia até 1977. Importa ter presente que as versões/encenações de Carlos Avilez no TEC assumiram sempre uma expressão de modernidade, mesmo quando se trata de autores clássicos ou românticos, nacionais ou estrangeiros, como: Gil Vicente, António José da Silva, António Ribeiro Chiado, André Brun, Paço d’Arcos, Bernardo Santareno, Alice Vieira, Norberto Ávila, Shakespeare, Frederico Garcia Lorca, etc.

"Elenco do “Teatro Experimental de Cascais” em 1960

7 de Maio de 1966

Actualmente, o “Teatro Gil Vicente”, no Largo Rodrigues de Lima, em Cascais, e com uma lotação de 273 lugares em plateia e balcão, mantém-se sob gestão da “Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascais”, sendo a sua Companhia permanente o Grupo Cénico da “A.H.B.V.C.”.

“Teatro Gil Vicente” actualmente

 

                             2012                                                        2014                                                          2018

  

Fotos in: Real Villa de Cascaes, Arquivo Municipal de Cascais, Biblioteca Nacional Digital, Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascais