Restos de Colecção

8 de agosto de 2014

Hotel do Guincho

Em 1762, no contexto da “Guerra dos Sete Anos”, Portugal esteve à beira de entrar em guerra com Espanha, pelo que D. José ordenou uma reforma do exército, dirigida pelo Conde de Lippe, que incluiu o «(...) reforço da defesa terrestre e marítima do Reino». Para reforçar a defesa da barra do Tejo, a Coroa mandou edificar quatro fortalezas na linha de Cascais, a de Catalazete, em Oeiras, e as Baterias de Crismina, Galé e Alta, no Guincho. Apresentando planimetrias semelhantes, a estrutura destas baterias correspondia a um corpo angular, com parapeito e plataforma, atrás da qual foi edificado o paiol e o espaços dos aquartelamentos.

Com o final do conflito, estas fortificações perderam as suas funções militares, sendo progressivamente desactivadas, até que nas primeiras décadas do século XIX apresentavam «sinais profundos de arruinamento». Durante as Guerras Liberais, em 1831, D. Miguel ordenou que fossem realizadas obras de reparação nas três baterias, de modo a que pudessem receber novamente peças de artilharia e as respectivas guarnições. Com a vitória das tropas de D. Pedro em 1833, as fortalezas são novamente desactivadas e votadas ao abandono.

                               Antiga Bateria no Guincho                                                            Forte do Abano

 

     Forte São Jorge de Oitavos (entre o Guincho e Cascais)

 

No final do século XIX, as baterias foram desclassificadas como fortificações militares e vendidas em hasta pública. A “Bateria Alta ao Norte da Praia da Água Doce”  no Guincho, a 7 quilómetros de Cascais, foi praticamente destruída, e depois de abandonada até 1956, ano em que mudou de proprietário. Esta última aquisição já era parte de um ideia de construir um hotel no que restou da fortificação. Construído sobre o projeto do arquitecto Jorge Santos Costa, foi inaugurado em 1959, sob o nome inicial da “Estalagem do Guincho”, passando ainda no mesmo ano a “Hotel do Guincho”, tendo-se aproveitado muito pouco do que restava da fortificação.

Plano de arranjo da Marginal em 1934, entre a Praia do Abano (à esquerda) e a Praia de Cresmina (à direita) com a praia do Guincho ao centro

Construção da "Estalagem do Guincho"


Antiga “Bateria Alta a Norte da Praia da Água Doce” e o projecto executado para a ”Estalagem do Guincho”

Em Portugal, a fixação de instalações hoteleiras em fortes, fortalezas e castelos remonta à década de 1940. Na maior  parte dos casos, a configuração dos edifícios pré-existentes não foi facilmente adaptável a estrutura hoteleira. Quatro exemplos de hotéis fortificados ou pousadas dos anos 1950 e 1960 são: Pousada da Berlenga, Pousada de Setúbal, Pousada de Palmela e Fortaleza do Guincho Hotel.

 

 

 

30 de Dezembro de 1959

Em Novembro de 1998 o antigo “Hotel do Guincho”  propriedade da “Sociedade Estoril-Sol”,  e depois de uma profunda transformação, dá lugar ao “Fortaleza do Guincho Hotel e Restaurante”, já propriedade do “Grupo Lisboa” do Dr. Stanley Ho,  também accionista maioritário da mencionada “Sociedade Estoril-Sol”.

“Fortaleza do Guincho Hotel e Restaurante”

 

 

 

“Fortaleza do Guincho Hotel e Restaurante”, de 5 estrelas e com o  seu restaurante premiado, em 2001, com 1 estrela Michelin, oferece 27 quartos assim distribuídos:

- 8 Quartos “Courtyard”, localizados no claustro, com vista mar lateral através uma pequena janela de fortaleza.
- 16 Quartos “Superiores”, no piso superior, todos com varandas fechadas com chaise longue.
- 3 Suites “Júnior”, também no piso superior.

 

 

O “Fortaleza do Guincho Hotel e Restaurante”, é membro da prestigiada associação hoteleira "Relais & Chateaux", fundada em 1941 e com sede em Paris.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Delcampe.net, Hotel Fortaleza do Guincho - Relais & Chateaux

7 de agosto de 2014

Praias a Norte do Cabo da Roca (1)

Uma série de 2 artigos em que publicarei fotos, dos anos 50 e 60 do século XX, de praias situadas a Norte do “Cabo da Roca” até Aveiro. Acerca do farol do “Cabo da Roca”, e de outros, consultar o seguinte link neste blog: Faróis Portugueses

Praia da Adraga em Almoçageme, Sintra

Praia Grande a sul da Praia das Maçãs, Sintra

Praia das Maçãs, Sintra

Praia da Ericeira (praia do Sul)

Praia de Porto Novo e o “Hotel Golf Mar”, no Vimeiro

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

6 de agosto de 2014

Ponte Giratória do Cais da Rocha

A antiga ponte eléctrica e giratória da Rocha do Conde de Óbidos, foi inaugurada pelo Presidente da República General Óscar Carmona, no dia 28 de Agosto de 1927. Neste dia, seriam inaugurados, também, um grande guindaste de 15 toneladas entre as docas secas 1 e 2, e dois transportadores aéreos, com capacidade para 2 toneladas de transporte por operação, na muralha sul da “Doca de Alcântara”.

Obras de construção do estreito onde seria colocada uma ponte levadiça

A primeira ponte a ser montada neste estreito que dá acesso à “Doca de Alcântara” (também conhecida por “Doca do Espanhol”), a fim de permitir a ligação por peões e veículos entre Rocha do Conde de Óbidos ao Posto Marítimo de Desinfecção, seria levadiça.

Antiga ponte levadiça ligando Rocha do Conde de Óbidos ao Posto Marítimo de Desinfecção, em 1906

Ponte levadiça e paquete “Ambaca” (1889-1917) da “Empresa Nacional de Navegação

Anos mais tarde seria montada uma ponte giratória neste mesmo lugar, que seria mais tarde removida, e o local sofreria importantes obras de alargamento e transformação para aí ser montada esta nova ponte em 1927.

 

Na véspera da inauguração, o “Diario de Lisbôa”, informava:
«Realiza-se amanhã a inauguração de uma obra importante do nosso Porto de Lisboa, e que vem aumentar o já consideravel desenvolvimento dos serviços do nosso porto que, apesar de precaria situação do Tesouro português, é hoje um dos melhores da península e mesmo da Europa.
Trata-se da grande ponte giratória electrica, melhoramento que a actual administração, á frente da qual está o ilustre comandante sr. Paiva Curado, teve a felicidade de fazer concluir, tendo a iniciativa partido da administração transacta. (…)
O comandante sr. Paiva Curado tem amanhã a satisfação de vêr inaugurados alguns importantes melhoramentos e, certamente, não serão os ultimos. O seu esforço, a sua boa vontade de realizar iniciativas anteriores, suspensas ou pendentes, são de assinalar-se.»

Na cerimónia da inauguração teve lugar um desfile pela eclusa, para dentro da Doca de Alcântara, a fim do Chefe de Estado passar revista a todos os barcos e materiais da "Administração do Porto de Lisboa". Igualmente teve lugar um cortejo de navios de guerra e flotilhas dos clubes náuticos além da actuação da banda da Armada, exercícios de socorros, de salvamento e provas náuticas desportivas.

Cerimónia da inauguração

 

A ponte eléctrica giratória, que na altura ligava a Rocha do Conde de Óbidos ao Posto Marítimo de Desinfecção,  tinha um peso de 160 toneladas, largura de 8 metros e 58 metros de comprimento. Custou 10.000 libras, as fundações 260 contos e a montagem 20 contos.

Equipamentos e movimento do “Porto de Lisboa” em 1927, segundo o “Diario de Lisbôa”

Notícia no jornal “O Domingo Ilustrado”

Vista aérea, em 1967, identificando-se, além da ponte giratória, o paquete “Vera Cruz” e os navios “Lugela” e “São Thomé”

Ao fundo a “Gare Marítima do Cais da Rocha do Conde de Óbidos

Ponte giratória actual e só para utilização de peões

fotos in:  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Foto-Reportér Por-Lisboa

5 de agosto de 2014

Antigamente (101)

Sala de aula na “Escola Médica” no Campo de Sant’Ana

Pintor Veloso Salgado pintando um mural na Sala dos Grandes Actos da “Escola Médica”, em 1906

Gelados “Esquimaux”

Lavadouro Público Municipal nº 5 na Rua da Palma em Lisboa

 

Na foto do exterior do Lavadouro, podem ser vistos os “Pelotiqueiros” (vulgo “vendedores de banha da cobra”) montando os seus postos de venda …

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

3 de agosto de 2014

Piscina Municipal do Areeiro

A "Piscina do Areeiro" localizada na Avenida de Roma, em Lisboa, e projectada pelo arquitecto Alberto José Pessoa, foi inaugurada em 17 de Abril de 1966. Estiveram presentes na inauguração o Chefe de Estado Almirante Américo Thomaz, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa  General França Borges, o subscretário da Juventude e Desportos, os directores do “INEF - Instituto Nacional de Educação Física” e da “FNAT - Federação Nacional para a Alegria no Trabalho”, além de outras individualidades. A inauguração contou com actos simbólicos, provas desportivas e exibições de natação artística.

Fases de construção

 

«O recinto da piscina estava repleto de público, que saudou, calorosamente o Chefe de Estado. Ao longo do parapeito formavam as nadadoras e nadadores do Sport Algés e Dafundo, do Clube Nacional de Natação, do Clube Sportivo de Pedrouços, do Belenenses, do Sporting, do Alhandra e do CDUL, com os seus estandartes, estando também alinhadas as nadadoras do «ballet» aquático da Munique.» in: “Revista Municipal”

«Cantado o hino nacional pelo Orfeão do Pessoal do Município de Lisboa e, após o descerramento no átrio do recinto duma lápida comemorativa, oferecida pelo Círculo dos Antigos Nadadores, será feito o percurso inaugural da piscina pelo antigo nadador internacional José da Silva Marques. Seguem-se as seguintes provas: 50 metros livres femininos, 100 metros costas masculinos, 50 metros bruços femininos, 100 mariposa masculinos, estafetas 4 por 50 , estilos femininos, saltos humorísticos por elementos do Algés e do Pedrouços e «ballet» aquático pelas famosas nadadoras do Schwin Damen de Munique.
A segunda parte abre com a audição de canções populares portuguesas, pelo orfeão do Município, havendo seguidamente, provas de 100 metros bruços masculinos, 50 metros costas femininos, 100 metros livres masculinos, 50 metros mariposa femininos, estafetas 4 por 50 estilos masculinos, saltos aquáticos e «ballet» pelas nadadoras alemãs.» in: “Diário de Lisboa”

A “Piscina Municipal do Areeiro” tinha 25 metros de comprimento e seis pistas. Dispunha de bancadas na ala esquerda longitudinal da piscina, com capacidade para mais de 300 pessoas. Durante décadas, foi a única piscina permanentemente coberta e com bancadas para o público em Portugal, apta para competições de toda a ordem, passando por festivais, campeonatos regionais, nacionais e até competições internacionais.

 

Encerrou no ano de 2006  e ficou até 2013 em avançado estado de abandono e degradação. Em Outubro de 2013 foi iniciada a sua demolição.

 

Foi objecto de concurso internacional, concurso esse que foi ganho pelo grupo “Sidecu”, que explora os “Centros Supera”. Assim a antiga “Piscina Municipal do Areeiro” vai passar a ser o “Centro Desportivo Areeiro”, com 2 piscinas, uma sala para Fitness e outras modalidades, 4 salas para várias actividades e um parque para 21 automóveis. Os responsáveis apontam para que o “Centro Desportivo Areeiro” seja inaugurado entre Setembro e Outubro de 2014.

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Comércio do Areeiro

1 de agosto de 2014

Travessia de Lisboa a Nado em 1927

A “VII Travessia de Lisboa” a nado, entre Xabregas e Algés, numa distância de 12 quilómetros, teve lugar a 21 de Agosto de 1927. A realização deste evento foi promovida, mais uma vez , pelo “Sport Algés e Dafundo”, responsável pelos seis eventos anteriores desde 1921.

Partida da “Travessia de Lisboa” em Xabregas

 

                       Passagem por Santa Apolónia …                                                … e pelo Terreiro do Paço

 

Chegada a Algés

A edição de 1927 foi ganha pelo nadador Moitinho de Almeida, do “Sport Algés e Dafundo”. tendo percorrido a distância de 12 quilómetros, em: 2h 26m 35s.

Notícia do evento do “Diario Lisbôa”

fotos in:  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital