Restos de Colecção

13 de abril de 2014

Máquinas “Singer” em Portugal

A presença das máquinas de costura “Singer” em Portugal terá tido início por volta de 1874, com uma sucursal/filial da “Singer Manufacturing Company”, na Praça do Loreto, cuja foto publico a seguir. Ao mesmo tempo abria agências espalhadas pelo país. Mais tarde viria a instalar-se definitivamente, em Portugal,  com uma subsidiária da “Singer Manufacturing Company”, - fundada como I.M. Singer & Co.” em 1851 por Isacac Merritt Singer - e que a partir de 1963 se passou a designar “The Singer Company”.

Primeira loja das máquinas “Singer”, em Portugal na Praça do Loreto em Lisboa

  

1874

Aqui fica uma pequena amostra, da presença dos primeiros 100 anos em Portugal das máquinas de costura “Singer”.

                                 1875                                                                                      1876

 

                                                                                           1899

Loja no edifício do “Avenida Palace Hotel

                                             1909                                                                                      Logótipo

  

Sede da “The Singer Company” em Portugal na Avenida 24 de Julho e fábrica na Rua do Cais do Tojo, ambas em Lisboa

  

Reclamo luminoso no Rossio ( “Singer Cose Melhor” )

A atrás mencionada primeira loja das máquinas “Singer”, mais moderna e nos finais dos anos 50 do séc. XX

     

   

 

  

1963

                                          1971                                                                                        1974

  

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, Delcampe.net, Rua dos Dias que Voam

11 de abril de 2014

Restaurante “Montes Claros”

Em 1934 foi promulgado o Decreto-Lei nº 24625, pelo então Ministro das Obras Públicas engenheiro Duarte Pacheco, lei que propunha a criação do “Parque Florestal de Monsanto” estabelecendo um prazo de seis meses para a elaboração do projecto, que impõe à Câmara Municipal de Lisboa a sua divulgação e promoção, ao Ministério da Agricultura a sua arborização, e definindo um regime de expropriações inédito em Portugal. Em 1938, embora o prazo estabelecido pela lei criada por Duarte Pacheco - entretanto já acumulando o cargo de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa -  já tenha expirado, é contratado o arquitecto Francisco Keil do Amaral para o projectar, e o Parque começa a ser uma realidade.

O plano foi executado por secções, os trabalhos de arborização iam avançando consoante eram realizadas as expropriações, e ao mesmo tempo era construída a auto-estrada e os equipamentos. As intervenções começaram na 1ª e 2ª zona, que corresponde à faixa poente da Serra, entre o Estádio do Pina Manique e Montes Claros. É nesta fase que se desenvolvem vários projectos de Miradouros, como o Miradouro e Casa de Chá de Montes Claros, o Miradouro dos Moinhos do Mocho, o Miradouro Moinho de Alferes, o Miradouro Pedreira do Penedo e o Miradouro da Luneta dos Quartéis.

Mocidade Portuguesa” plantando árvores em Monsanto, em 1938

Em finais de 1940 já tinham sido plantadas cerca de 300.000 árvores, construídos 10 quilómetros de estradas, 3 quilómetros de caminhos, movimentos de terras, muros de suporte, 3 miradouros, o parque Infantil, e um campo de tenis.

O “Pavilhão de Chá”, projecto do arquitecto Keil do Amaral, seria inaugurado em 9 de Julho de 1942, simultaneamente com a “Pista para Cavaleiros”. Assistiram à inauguração destes dois equipamentos o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, engenheiro Duarte Pacheco, o Governador Militar de Lisboa, os embaixadores do Brasil, de Espanha, o Ministro de Itália, etc.

Miradouro e “Pavilhão de Chá” de Montes Claros, em 1942

 

 

“Pavilhão de Chá”, em 1942

 

No “Guia do Parque Florestal de Monsanto” podia-se ler:

«Em Montes-Claros vem funcionando com carácter provisório um botequim que vai ser adaptado a restaurante e se conta inaugurar em 1951 perfeitamente equipado.
Conta-se também ter em exploração em 1952/53 o pavilhão e esplanada próxima do Teatro ao ar livre, num local de onde se disfruta a mais bela vista sobre a Cidade. Pequenos botequins estão previstos em diversos locais e serão construídos à medida que o movimento de visitantes o justifique.
Nalgumas zonas do Parque, far-se-ão, quando as árvores atingirem o necessário desenvolvimento, parques para merendas, com locais para fazer fogos e com água canalizada. Até lá, e não querendo privar desse prazer aqueles que já hoje demandam o Parque de Monsanto, roga-se-lhes apenas que não prejudiquem os arvoredos, não acendam fogos, nem abandonem papéis sujos, latas e restos de comida.»

O projecto para a ampliação do “Pavilhão de Chá” dos Montes Claros para restaurante, não se alterando o seu miradouro,  foi elaborado, em 1949, pelo arquitecto Francisco Keil do Amaral, com a colaboração dos arquitectos Alberto José Pessoa e Hernâni Gandra. Os painéis de azulejos no topo da sala de refeições principal, no piso superior, são de autoria da pintora Maria Keil.  Neste ano seria também  construído o “Clube de Ténis de Lisboa” em Monsanto, num projecto dos arquitectos Keil do Amaral e Hernâni Gandra.

Restaurante e Salão de Chá “Montes Claros”, em 1951

O novo restaurante e casa de chá “Montes Claros”, propriedade da “Sociedade Restaurante Montes Claros, Lda.” cujos sócios eram Mário Antunes de Carvalho, Alberto Nunes, João Teixeira e João Sá, seria inaugurado em 29 de Dezembro de 1951. 

 

Ementa da passagem de Ano de 31 de Dezembro de 1964


gentilmente cedida por Carlos Caria




Na cerimónia de inauguração estiveram presentes o tenente-coronel Álvaro Salvação Barreto, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, o coronel Óscar de Freitas, inspector-geral dos Espectáculos, comandantes do Regimento de Sapadores Bombeiros, e da Polícia Municipal, e pelo SNI- Secretariado Nacional de Informação Guilherme de Carvalho, além de outras individualidades e convidados.

“O «Montes Claros» servirá almoços e jantares, havendo «soirées» diárias, até ás 3 e30, e «matinées» dançantes aos sábados e domingos." in: Diário de Lisboa

Durante muitos anos a Câmara Municipal de Lisboa, patrocionou o evento das “Noivas de Santo António”, oferecendo a seguir à cerimónia religiosa, o “Copo de Água” neste restaurante.

Restaurante Montes Claros.23    Restaurante Montes Claros.23.1

Depois de ter sido mais uma churrascaria da cadeia “Chimarrão”, encerrou e foi alvo duma profunda remodelação e recuperação, pelo seu proprietário a Câmara Municipal de Lisboa. Depois de concurso público de exploração em 2011, passou a designar-se de “Montes Claros Lisbon Secret Spot”, dando origem a um local de referência dedicada à realização de eventos. Apesar da traça arquitectónica se manter por fora, por dentro tudo foi remodelado para dar lugar a quatro espaços contemporâneos, versáteis e tecnologicamente avançados, distribuídos pelos dois pisos.

“Montes Claros Lisbon Secret Spot”

  

 

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Malomil, Hemeroteca Digital, Montes Claros Lisbon Secret Spot

9 de abril de 2014

8 de abril de 2014

Baden-Powell em Lisboa em 1929

O paquete "Duchess of Richmond", atracou no cais da Rocha Conde d'Óbidos a 4 de Março de 1929, após um longa viagem de cruzeiro, em que o General Robert Baden-Powell, fundador do escutismo, acompanhado de sua mulher e filhas, vistaram portos do Mediterrâneo, Costa Ocidental de África, e ilhas do Atlântico.

            Paquete “Duchess of Richmond” em Lisboa                                     Recepção de Baden-Powell a bordo

 

Baden Powell fez uma curta escala em Lisboa, sendo aguardado no cais por grupos de escuteiros do “Corpo Nacional de Scouts” e da “Associação de Escoteiros Portugueses”, e populares desejosos de conhecer uma das mais representativas figuras mundiais da época.

No dia seguinte, 5 de Março de 1929, o general Baden-Powell seria recebido no salão nobre do Palácio da Cidadela, em Cascais, pelo Presidente da República, General Óscar Carmona.

«Os catolicos - "Centro Nacional de Scouts" - deram, realmente, uma nota interessante á parada.
Vieram, de varios pontos do país, Cêrca de 300, divididos em "alcatéas" de "lobinhos" - dos 9 aos 12 anos - "lôbos" - dos 12 aos 16 - e "velhos lôbos"  - de 16 para cima.
Antes da parada juntaram-se na Igreja da Encarnação, sede do nucleo", dali saíndo precedidos pela banda de música do grupo de Braga que é constituida apenas por pequenitos e que se ouve com verdadeiro agrado.
No Terreiro do Paço tambem compareceu,acompanhando o grupo daquela instituição, a banda do Asilo Maria Pia.»
in: Diário de Lisboa

 

Dali, formados, seguiram para a Sociedade de Geografia para uma breve sessão solene de homenagem a Baden-Powell. que numa das janelas os esperava.

Na mesa da presidência da sala "Portugal" da Sociedade de Geografia tomaram lugar Baden-Powell, o Conde de Penha Garcia, Dr. José Francisco dos Santos, José de Lencanstre do CNS, e o dr. Tovar de Lemos e Sigvald Wiborg da AEP.

 

Encerrada a sessão o general Baden-Powell dirigiu-se para bordo do paquete "Duchess of Richmond", que já noite zarpou com destino a Inglaterra.

«Apesar do pouco tempo que esteve em Lisboa, foi sem dúvida um dia de festa, de alegria e de grande emoção para toda a familia escutista portuguesa que teve a honra de receber Baden-Powell no nosso país.»

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian