Restos de Colecção

7 de agosto de 2013

Sanatório Sousa Martins

Professor Dr. José Tomás de Sousa Martins (1843-1897) chegou a todas as camadas da sociedade. Era inigualável no trato com os seus doentes. Foi um grande professor de faculdade, muito amigo e afável com os seus alunos, e estudioso e combatente contra a tuberculose, acabando por se suicidar para não sucumbir à doença. Tornou-se uma figura venerada pelo meio académico mas, sobretudo, pela população. «Ao deixar o mundo, chorou-o toda a terra que o conheceu. Foi uma perda irreparável, uma perda nacional, apagando-se com ele a maior luz do meu reino», disse, sobre ele, o rei D. Carlos I. Lisboa homenageou-o com uma estátua em frente da Faculdade de Medicina no Campo de Santana.

                        Dr. Sousa Martins (1843-1897)           Estátua do Dr. Sousa Martins frente à Escola Médica de Lisboa

                                 

As origens do "Sanatório Sousa Martins" remontam aos finais do século XIX, período em que Portugal começou uma luta organizada e metódica contra a doença da tuberculose. O envolvimento da sociedade científica e médica do pais no estudo da climoterapia surge somente depois da célebre expedição científica à Serra da Estrela organizada pela Sociedade de Geografia de Lisboa em 1881, na qual participaram diversos especialistas de diferentes áreas, destacando-se o médico Dr. Sousa Martins. A constatação da excelência do clima de altitude na cura da tuberculose, levou o eminente médico a propagandear os seus efeitos benéficos, no prólogo do livro “Quatro dias na Serra da Estrela” do jornalista Emygdio Navarro, editado em 1884. Sousa Martins divulga, assim, publicamente e sob o aspecto científico, a especificidade do clima da Serra da Estrela. Mas a acção metódica e concertada na luta contra a tuberculose vai ser protagonizada pela "ANT - Assistência Nacional aos Tuberculosos", criada em 1899, pelo empenhamento da Rainha D. Amélia, do seu médico Dr. António de Lencastre e do Dr. Sousa Martins.

                                     Rainha D. Amélia de Orleans                                  Cartaz de 1930

                                        

                                           "Instituto Rainha D. Amélia" na Avenida 24 de Julho em Lisboa

                             

Nos seis anos que se seguiram, a cidade da Guarda desenvolveu uma intensa actividade médica na luta contra a tuberculose, com o Dr. Lopo de Carvalho à frente. A Guarda foi “invadida” por doentes que, temporariamente, aqui residiam ou mesmo estabeleciam e fixavam residência, praticando assim a chamada cura livre – vivência em clima de montanha, sem acompanhamento médico regular ou outros cuidados. Nos primeiros meses do ano de 1907 a cidade viveu tempos de expectativa.

Artigo acerca da tuberculose em Portugal na “Illustração Portugueza” em Agosto de 1910

O principal objectivo de Sousa Martins era a construção de um sanatório na Serra da Estrela que de forma permanente pudesse acolher e tratar doentes com tuberculose pulmonar. Apesar do seu esforço e da sua influência junto da Coroa, já que desde 1888 era médico honorário da Real Câmara de Suas Majestades e Altezas, e do Governo, a iniciativa, aclamada por todos, tardou em materializar-se e o sanatório proposto apenas seria construído após a sua morte.

Cartaz de 1928

A construção do sanatório da Guarda, ficou a dever-se à "ANT - Assistência Nacional aos Tuberculosos", instituição que sob a presidência da rainha D. Amélia de Orleães conseguiu reunir os fundos necessários e materializar a construção e equipamento. A inauguração do sanatório, o primeiro a ser construído pela ANT e o terceiro de Portugal, ocorreu a 18 de Maio de 1907, com a presença de suas majestades o Rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia, quase uma década após o falecimento de Sousa Martins. A inauguração incluiu uma homenagem àquele pioneiro da luta contra a tuberculose, cuja acção e dinamismo a rainha já evocara 1899 em intervenção pública integrada numa campanha de profilaxia da tuberculose.

Rainha D. Amélia e Rei D. Carlos I na inauguração do Sanatório Sousa Martins a 18 de Maio de 1907

                      "Diario Illustrado" em 18 de Maio de 1907                "Diario Illustrado" em 19 de Maio de 1907

       

Vistas do complexo do Sanatório Sousa Martins

 

                       Pavilhão Dr. Lopo de Carvalho                                                   Pavilhão Rainha D. Amélia

 

Galeria de cura do pavilhão Dr. Lopo de Carvalho

                                     Pavilhão nº 2                                                                   Casa do raio X e farmácia

 

Chalet

                               Galeria com doentes                                                                         Chalets

 

No "Diario Illustrado" de 18 de Maio de 1907 podia-se ler:

«Para a fundação e edificação do novo sanatorio concorreram em muito a iniciativa e a actividade dos srs. D. Antonio de Lencastre e dr. Lopo de Carvalho, dois homens da sciencia e de coração, que dedicadamente coadjuvaram a obra piedosa de Sua Majestade a Rainha.»

«Possue esse sanatorio installações para 28 doentes pobres, 28 remediados e 20 ricos, tendo além d'isso, dentro dos seus terrenos, por enquanto, 6 chalets construidos e já alugados.
A renda d'esses chalets garante já a receita destinada a supprir os outros encargos.
Faz parte do sanatorio, tambem, um hospital para tratamento dos tuberculosos internados, que forem atacados de qualquer outra doença, possuindo alem de lavanderias, encanamento de aguas, e, enfim, todos os aperfeiçoamentos e confortos aconselhados pela sciencia e exigiveis n'um estabelecimento d'aquella natureza.»

"Diario Illustrado" em 21 de Maio de 1907

                                    Central eléctrica                                                                           Consultório

 

               Consultório dentário                                      Radiografia                                              Radioterapia

         

                               Aparelho de Raio X                                                                      Banho circular

                               

                               Estufa de desinfecção                                                                      Lavandaria

 

                                     Dois tipos de quartos para doentes                                                                Capela

                

                               Sala de jantar                                                                Biblioteca e sala de convívio

 

Apesar do tempo decorrido após o falecimento do Dr. Sousa Martins, em sua homenagem, a nova instituição foi denominada "Sanatório Dr. Sousa Martins" e por ela passaram muitos milhares de doentes ao longo de mais de meio século de funcionamento. A sua importante acção deixou o nome ligado à zona serrana com tal perenidade que o principal hospital da cidade da Guarda o mantém o Dr. Sousa Martins como patrono.

O que resta deste Sanatório, há muitos anos abandonado, situa-se dentro dos terrenos do actual "Parque de Saúde da Guarda" onde está instalado o "Hospital Sousa Martins".

 

fotos in: Biblioteca Nacional de Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa, Guarda.pt, Delcampe.net, Lugares Esquecidos

5 de agosto de 2013

Porto de Lisboa (10)

                                                                             Arsenal da Marinha                                                             

 

                                                             Delegação Aduaneira de Alcântara Norte

                               

                                               Laboratório da AGPL (Administração Geral do Porto de Lisboa)

                                

                                                                       Entreposto de Santa Apolónia

                                

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Old Portugal

2 de agosto de 2013

Grande Casino de Paris

O “Grande Casino de Paris”, na Avenida da Liberdade em Lisboa, pertença de Santos Libório abriu as suas portas em Outubro de 1906.

«Graças à iniciativa de um homem de gosto e de emprehendimento, Santos Liborio, Lisboa tem um casino,e, o que é mais, um casino elegante, vasto, confortavel, podendo soffrer confronto com os melhores das grandes capitaes.»in revista “Brasil-Portugal”.

Palco

Salões

 

1907

O seguinte texto retirado da revista “Brasil-Portugal” reflecte, na escrita da época, as razões que nortearam o aparecimento desta sala de espectáculos e alguns pormenores:

«Esse, de phantasia converteu-se em realidade, e eil-o ahi, em plena Avenida, no coração da cidade, a mostrar com ufania que Lisboa não é tão selvagem como a pintavam, que os seus habitantes já teem onde passar aprasivelmente algumas horas da noite e que os estrangeiros, que não frequentavam os theatros porque não comprehendiam a lingua, tenham de hoje em diante, como em todas as cidades civilizadas, uma casa elegante, uns salões amplíssimos, profusamente illuminados, decorados com arte, satisfazendo todas as exigencias do moderno, confortable, onde as primeiras horas da noite lhes correriam rapidas joviaes, saboreando finos pitéos e bebidas excellentes, ouvindo deliciosos trechos de música, desopilantes scenas comicas e assistindo a danças e cançonetas excitantes, que põem por momentos, clarões no espírito e fremitos no sangue.»

Alguns artistas que actuaram no “Grande Casino de Paris” na sua inauguração

                      “Las Pastors” , bailarinos                    Nadège, artista lírica                    La Camargo, bailarina

 

                                                  A oferta lisboeta de Casinos e Animatógrafos, em 1908

                               

«É caso de felicitarmos por este melhoramento, ha tanto reclamado, a cidade inteira ou antes o paiz, e de felicitarmos sinceramente aquelle que o emprehendeu e com tanto brilho o vê realisado.» in revista “Brasil-Portugal”.

fotos in: Hemeroteca Digital