Restos de Colecção

11 de novembro de 2010

Que “Ordem Nova” mais confusa ….

Este foi o Volume I do Ano I da revista “Ordem Nova” publicada em 1926.

                         Revista Ordem Nova 1926

Foram editados doze exemplares, entre Março de 1926 e Fevereiro de 1927. A revista tinha quarenta páginas, de periodicidade mensal, e alguns anúncios que a sustentavam. A assinatura anual custava 24$00. A Redacção era na cidade de Coimbra e a Administração em Lisboa.

"Violou-se a lei [Constituição de 1911, derrubada pelo 28 de Maio de 1926] sem hipocrisia, sem máscara. Ninguém pode negar aos ditadores uma coragem moral e um desassombro que os partidos políticos nunca tiveram (...) É por isso que aplaudimos a violação de quantas leis sejam necessárias violar, conquanto que se faça justiça ..." [Marcello Caetano, nº 11, Janeiro de 1927]

Nota: Dr. Marcello José das Neves Alves Caetano foi Comissário Nacional da Mocidade Portuguesa,  ministro das Colónias (1944-1947), da Presidência (1955-1958), Presidente do Conselho de Ministros (1968-1974) em substituição do Dr. Oliveira Salazar. Deposto com a revolução do 25 de Abril de 1974, viria a falecer no Rio de Janeiro em 26 de Outubro de 1980.

Vivendo dificuldades financeiras, a direcção mandou distribuir panfletos publicitando esta revista, em que se podia ler: “a revista-panfleto mais reaccionária que hoje se publica em Portugal”.

Foto e citação de Marcello Caetano in: Almanaque Republicano

7 de novembro de 2010

Campanhas de Fundos …

Em anos que já lá vão, os partidos colocavam cartazes nas ruas, também, para angariar fundos, com alguns prémios bem tentadores para a altura, desde automóveis, motos, televisões ( a cores !!) e até viagem à URSS ….

 

 

                         

  

De outros partidos não encontrei, até hoje, propaganda de angariação de fundos.

Hoje em dia, pelo menos os partidos com assento na Assembleia da República, não precisam de gastar dinheiro, em propaganda e sorteios para angariar fundos, o Estado atribui subvenções a  esses, além de outros generosos donativos provenientes de outras fontes …..

6 de novembro de 2010

Antigos Jornais de Lisboa

O jornal “O Século” foi fundado em 1881 por Magalhães Lima e seu primeiro director. Esteve instalado no antigo palácio que pertencera à família Berderode, na Rua do Século antiga Rua Formosa. O segundo director foi, a partir de 1896, José Joaquim da Silva Graça, tendo o jornal sob sua orientação conhecido tempos áureos. É propriedade deste jornal a famosa revista “Ilustração Portugueza”..

O jornal “O Século” representava a vanguarda da imprensa. Foi de José da Silva Graça o palacete, na Av. Fontes Pereira de Melo, onde se viria a instalar o Hotel Aviz, onde viveu Calouste Gulbenkian.

Jornal de cariz monárquico, sofreu bastante com a implantação da República, tendo sido adquirido em 1922 pela Companhia Portugal e Colónias. O sucesso de “O Século” foi reerguido por João Pereira Rosa, novo director logo a seguir ao golpe de 28 de Maio de 1926.

Nos anos 70’s este jornal foi comprado por Jorge de Brito dono do Banco Intercontinental Português, altura em que a banca investiu forte na imprensa, tendo sido nacionalizado indirectamente em virtude da nacionalização da banca em 1975. O 1º governo constitucional de 1976 suspendeu a publicação e não voltou mais às bancas.

                                                  Jornal “O Século” na Rua do Século

 

O jornal “O Mundo” foi fundado em 16 de Setembro de 1890 por França Borges. Defensor dos ideais republicanos, e tendo dirigido anteriormente os jornais dirigiu as redacções do “Vanguarda”, de “O Paíz”, do jornal “A Lanterna” e do periódico “A Pátria”, dirigiu “O Mundo” até à sua morte, e que utilizou como forma de luta contra o regime monárquico.

A sede inicial ficava na Rua das Gáveas, num edifício que foi englobado na nova edificação, cuja fachada principal ficava na Rua da Misericórdia. Por altura da aquisição do edifício pelo “Diário da Manhã”, em 1931, o globo em pedra da fachada desapareceu depois de ter sido retirado. Jornal matutino, tinha a concorrência de outros três matutinos republicanos “A Lucta”, “O Paíz” e “A Capital”. Estes quatro jornais republicanos por sua vez competiam com os “grandes” jornais informativos “O Século” e o “Diário de Notícias”.

Em 1922, já depois da morte do seu fundador em 1915, Urbano Rodrigues assumiu a direcção substituindo Carlos Trilho, consequência de várias crises que este jornal passou, tendo mesmo interrompido a sua publicação em diversos momentos. Com o golpe de 28  de Maio de 1926, o jornal pró-regime, “Diário da Manhã” comprou este edifício. Mais tarde o jornal “A Época” sucessor do “Diário da Manhã”, viria a ser extinto após o 25 de Abril de 1974.

                                                  Jornal “O Mundo” na Rua da Misericórdia”

 

O Jornal “República” foi fundado a 15 de janeiro de 1911, por António José de Almeida, tendo-se destacado  a par do “Diário de Lisboa”, na luta, possível, oposicionista ao regime de Salazar. Jornal republicano, ligado desde o início a figuras de relevo da maçonaria portuguesa, sobrevive à instauração do regime do Estado Novo. As suas instalações estiveram na Rua Garrett e na Largo da Trindade e finalmente na Rua da Misericórdia. Os seus últimos directores foram: Carvalhão Duarte (republicano) José Magalhães Godinho (socialista) e Raúl Rego (socialista)

Em Maio de 1975 um conflito entre jornalistas e tipógrafos, não querendo os últimos imprimir o que os jornalistas escreviam, ditou a saída destes  do jornal. Após o 25 de Novembro de 1975 encerrou definitivamente.

                                                     Jornal “República” na Rua da Misericórdia            

      

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

5 de novembro de 2010

O Telefone em Portugal (2)

Na sequência do post de 5 de Junho de 2010 com o título “O Telefone em Portugal (1)”, na qual fiz uma breve resenha histórica da introdução do telefone em Portugal, publico mais umas fotos alusivas ao assunto.

                       Central da APT em Lisboa                                        Casa das Máquinas da Estação Norte

  

                      Pilar telefónico de rua, em 1932                                 Cabine Telefónica de rua

          

                                 Novas viaturas da APT junto ao Pavilhão dos Desportos de Lisboa

                        

  fotos in: Fundação Portuguesa  das Comunicações

3 de novembro de 2010

Antigos Cinemas de Lisboa (3)

Cinema / Teatro  Monumental, na Praça Duque de Saldanha         Cinema Central, nos Restauradores

 

O Cine-Teatro Monumental, foi projectado pelo arquitecto Raúl Rodrigues Lima, e inaugurado em 14 de Novembro de 1951. Foi demolido em 1982. Além da sala de cinema principal e da sala de teatro, mais tarde foi criada uma pequena sala de cinema no mesmo edifício, e no último piso, de seu nome “Satélite”,  á semelhança da sala “Estúdio” no antigo cinema Império. Possuía 1848 lugares distribuídos por plateia e 2 “balcões”. Albergou na ala lateral da Av. Fontes Pereira de Melo, o famoso café-restaurante Monumental.

O Cinema Central  foi inaugurado em 1908. Era na altura a sala de cinema mais luxuosa de Lisboa. Foi construída na capela do Palácio Foz. A partir de 1917 o cinema foi equipado com uma orquestra para acompanhar os filmes, que eram mudos na altura. Albergava 425 espectadores. Em 1958 foi reformado e passou a albergar a Cinemateca Portuguesa até ao ano de 1980. A partir de 1980 passou a funcionar como Cinemateca Júnior até hoje, com a denominação de “Salão Foz”.

           Cinema Lumiar, na Calçada de Carriche                                Cinema Odéon, na Rua dos Condes

 

O Cinema Lumiar, situado na Calçada de Carriche, foi inaugurado em 1967, e depois de encerrado em 1977, ainda hoje se encontra devoluto.

O Cinema Odéon, situado na Rua dos Condes, foi inaugurado em 1927,  e modernizado em 1931 recebendo as galerias metálicas. Albergava 691 espectadores distribuídos por plateia, 2 balcões e camarotes. No piso térreo teve um restaurante-cervejaria de seu nome também “Odéon” . Este cinema encerrou em 1993.

 

                 Cinema “Salão Portugal”, na Ajuda                                    Cinema Capitólio, no Parque Mayer

 

O Salão Portugal foi inaugurado em 1928. Tinha capacidade para 510 espectadores. Encerrou em 1972. Hoje depois de recuperado e remodelado é sede do Comité Olímpico de Portugal desde o ano 2000.

Cinema Capitólio, projecto do arquitecto Luís Cristino da Silva, foi inaugurado em 1931, e era o único cinema do Parque Mayer, onde abundavam os teatros de revista. A sua sala de cinema albergava 1391 espectadores sendo o cinema de maior lotação da época. Possuía um terraço cujo acesso era por escadas rolantes uma novidade na altura. Encerrou em 1980.

Fotos in: Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

2 de novembro de 2010

Os Navios-Escola “Sagres”

Navio-Escola é uma embarcação, muitas vezes sendo uma réplica histórica e melhorada de uma belonave (qualquer embarcação, fluvial ou marítima, para ser utilizada em combate) antiga, que brilhou em combate numa parte da história naval, cuja principal função é propiciar instrução de marinharia, guerra e náutica, para aspirantes a oficiais das diversas academias ou escolas militares de marinha.

A corveta “Sagres”, também referida por “Sagres I”, foi construída em madeira, pelos estaleiros ingleses Young de Londres. Foi entregue em 1858, e tratava-se de uma corveta mista (propulsão a velas a vapor). Esteve ao serviço entre os anos de 1858 e 1898

                                                             Corveta “Sagres” em Massarelos no rio Douro

                                 

características:

Deslocamento: 1381 tons.
Dimensões: 62,4 (comprimento) x 9,9 (boca) x 4,4 (calado) em metros
Armamento ( em 1858): 10 peças: ( em 1892): 4 peças de 76 mm:
Propulsão: 1 máquina de baixa pressão de 300 h.p. - 1 veio, atingindo a velocidade de 12,6 nós
Guarnição: 137 homens

Ao longo da sua carreira de 40 anos desempenhou missões diplomáticas e coloniais. Em 1876 deixou de navegar, sendo transformada em Escola de Alunos Marinheiros, estando permanentemente ancorada em Massarelos no rio Douro na cidade do Porto até 1898.

O navio-escola “Sagres II” , foi construído nos estaleiros Rickmers Werft em Bremerhafen, na Alemanha e lançado à água em 1896 e colocado ao serviço do armador Rickmers Reismühlen, com o nome “Rickmer Rickmers”. Em 1912 foi rebatizado de “Max”, depois de ter sido vendido a um armador de Hamburgo.

Na I Guerra Mundial, e em consequência de Portugal ter decretado o apresamento dos navios alemães e austro-húngaros ancorados nos portos portugueses, o “Max”, que se encontrava,  no porto da cidade da Horta, nos Açores, no ano de 1916, foi apresado. Foi posteriormente emprestado ao Reino Unido e durante o resto da guerra, o navio foi usado pelos britânicos, com o nome “Flores”

Em 1924 o navio foi devolvido a Portugal e passou a integrar a marinha portuguesa com o nome de NRP “Sagres”. Em 1927, foi decidida a sua conversão em navio-escola para cadetes da Escola Naval. Como já tinha existido um navio com a mesma finalidade , a corveta, também de seu nome “Sagres”, esta NRP “Sagres” passou a ser conhecida pela Sagres II.

                        Navio-escola NRP “Sagres”                             em Hamburgo com o nome de “Rickmer Rickmers”

        

características:

Deslocamento: 3 176 tons.
Dimensões: 80,1 (comprimento)* 12,2 (boca) * 5,7 (calado) em metros
Armamento: 4 peças de salva de 47 mm.
Propulsão: 2 motores diesel Krupp de 70 b.h.p. 1 veio
Velocidade: 8 nós (a motor)
Guarnição: 181 + 196 cadetes

Quando em 1962, esta navio foi substituído pelo Sagres III, foi renomeado de “Santo André”. Em 1973 foi entregue a uma associação naval alemã,em troca do veleiro “Polar” que o restaurou e o transformou em navio museu, ancorado, no porto de Hamburgo, com o nome original “Rickmer Rickmers”.

O actual, e terceiro,  navio-escola “Sagres”, por isso conhecido por “Sagres III”, foi construído nos estaleiros da Blohm & Voss, em Hamburgo em 1937, para desempenhar funções como navio-escola da marinha alemã, com o nome de “Albert Leo Schlageter”.

Na II Guerra Mundial foi apresado pelos Estado-Unidos da América e em 1948, vendido pelo valor simbólico de 5.000 US$ , à Marinha do Brasil, para navio-escola, mudando o nome para “Guanabara”. Ficou na posse do Brasil até 1961, ano em que foi adquirido pela Marinha Portuguesa por 150.000 US$, tendo entrado ao serviço de Portugal em 8 de Fevereiro de 1962

                                                                                Navio-Escola “Sagres”

                                      

características:

Deslocamento: 1 869 tons.
Dimensões: 70 (comprimento) * 12 (boca) * 5,2 ( calado) em metros
Armamento: 2 peças de salva de 47 mm.
Área vélica: 1935 metros quadrados
Propulsão: 2 motores diesel MTU 12V 183 TE92 - 1 veio
Velocidade: 10,5 nós ( a motor )
Guarnição: 162 + 200 cadetes

Ao serviço da marinha portuguesa já deu duas voltas ao mundo, a primeira em 1978-1979 e a segunda em 1983-1984. Em 19 de Janeiro de 2010 partiu para a terceira volta ao mundo. No total, a viagem terá uma duração estimada de 339 dias, dos quais 71 por cento a navegar e 29 por cento nos portos.