Restos de Colecção

26 de abril de 2015

Pavilhão dos Desportos de Lisboa

O actual “Pavilhão Carlos Lopes”, conhecido por “Pavilhão dos Desportos”, localizado no alto do “Parque Eduardo VII” em Lisboa, foi projetado pelos arquitectos Guilherme e Carlos Rebello de Andrade e Alfredo Assunção Santos.

 

Este Pavilhão, foi fabricado em Portugal, assim como os restantes pavilhões da representação portuguesa, com estrutura em ferro, transportado posteriormente para o Brasil para incorporar a grande “Exposição Internacional do Rio de Janeiro”, que abriu a 21 de Maio de 1922 e que se prolongou até 30 de Março de 1923, por altura das comemorações do “I Centenário da Independência do Brasil”. Foi um dos pavilhões portugueses no certame tendo sido este o “Pavilhão Português das Indústrias”.

A propósito destes pavilhões da representação portuguesa, o jornal “A Vanguarda” escrevia em 23 de Maio de 1922:

«Esta resolução teve ainda a vantagem de deixar em Portugal a maior parte do dinheiro que os pavilhões custam; é por isso mesmo que o esqueleto deles é em ferro e os demais elementos que os constituem são na sua maioria susceptíveis de larga duração, permitindo que sem avarias os pavilhões, finda a exposição, se possam desarmar e utilisar em qualquer outro local.»

“Pavilhão Português das Indústrias” na “Exposição Internacional do Rio de Janeiro”

 

“Pavilhão de Honra” de Portugal (arquitecto Carlos Ramos) na “Exposição Internacional do Rio de Janeiro” inaugurado em Dezembro de 1922

 

O “Pavilhão Português das Indústrias”, permaneceu no Rio de Janeiro e depois de ter estado fechado por uns anos, acolheu entre 1 e 16 de Agosto de 1925  a “Primeira Exposição de Automobilismo do Rio de Janeiro”.

 

Em 1929 este pavilhão de Portugal, construído sobre uma estrutura metálica, foi desmontado e transportado para Portugal. Depois de reconstruído e montado, no “Parque Eduardo VII” em Lisboa, com a supervisão do arquitecto Jorge Segurado, foi-lhe dado o nome de “Palácio das Exposições e Festas”. A sua abertura deu-se em 3 de Outubro de 1932 com a “Grande Exposição Industrial Portuguesa”. A propósito, o jornal “Diario de Lisbôa” escrevia:

«Mas se de uma maneira geral, a Grande Exposição está de pé, e, como sucede sempre, se se fôsse a esperar que tudo estivesse no seu lugar nunca mais se abria a Feira Industrial do Parque Eduardo VII.
A Exposição - iniciativa triunfante, dizemos já - divide-ase em dois sectores: O Palacio e o ar livre.
No Palacio de Festas, formoso edifício cuja ossatura foi aproveitada do pavilhão que figurou na Exposição do Rio de Janeiro, está uma parte grande dos 1.000 «stands», que tantos são os que figuram no catálogo.»

Exemplos de 2 painéis do mestre Jorge Colaço, concluídos em Julho de 1922 e fabricados pela “Fábrica de Loiça de Sacavém”, que enriquecem o exterior do Pavilhão

 



“Palácio das Exposições e Festas” em 3 de Outubro de 1932 na abertura da “Grande Exposição Industrial Portuguesa”

 

Vista aérea da área envolvente ao “Pavilhão de Festa e Exposições” em 1934

Em 1946 foi transformado para ser o “Pavilhão dos Desportos”, onde se disputou, em 1947, o “Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins”, e que Portugal venceu. Em  27 de Agosto de 1984 mudou novamente de nome para “Pavilhão Carlos Lopes”.

Algumas actividades ao longo das décadas de sua existência

  Festa do, ainda, “Batalhão de Sapadores de Bombeiros”                   Desfile do concurso das “Marchas de Lisboa”

 

Área envolvente do “Pavilhão dos Desportos”  em 1950

                   “Salão Automóvel de Lisboa” de 1934                           Exposição da “APT - Anglo Portuguese Telephone”

 

O “Pavilhão Carlos Lopes” encontra-se actualmente em estado de abandono, esperando por melhores dias …

Na última década, a sua recuperação foi já projectada como espaço multiusos, museus do desporto, discoteca, centro de congressos e até pista de gelo… Em 24 de Fevereiro de 2015, a “Assembleia Municipal de Lisboa” aprovou, por unanimidade, uma recomendação para que a Câmara promova a recuperação e reabilitação do “Pavilhão Carlos Lopes”.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Hemeroteca DigitalArquivo Municipal de Lisboa

24 de abril de 2015

Hotel Borges

"Hotel Borges" já existia em 1874, conforme atesta o anúncio de 4 de Novembro do mesmo ano, que publico de seguida, e tinha estado instalado na Rua Garrett mas do outro lado da rua (onde fica a Igreja dos Martyres). Em 1882 inauguraria as suas novas instalações, na então Travessa de Estêvao Galhardo (actual Rua de Serpa Pinto), onde, anos antes, existira o "Hotel Universal". Este, que iniciara a sua existência com simples hospedaria, remonta a data anterior a 1850. Ali esteve ate 1883, ano em que foi ocupar o "Palacio Barcelinhos" - o antigo Convento da Pedreira, mais tarde os "Grandes Armazéns do Chiado". Inclusivé se pode ler no 2º anúncio que publico a seguir à foto seguinte «O proprietario d'este antigo estabelecimento ...»

4 de Novembro de 1874

"Grande Hotel Borges", propriedade de António Borges Areias, abriu as suas portas em 29 de Outubro de 1882 na, então, Rua das Portas de Santa Catharina, actual Rua Garrett, em Lisboa. Inicialmente este hotel oferecia 100 quartos, e era um dos principais hotéis de Lisboa no final do século XIX. Após a morte do seu fundador passou a ser propriedade da firma “Viuva Antonio Borges & Cª.”.

"Grande Hotel Borges" à esquerda na foto ao lado do extinto "Hotel Alliançe"

    

Notícia e anúncio publicitário em 31 de Outubro de 1882

"Hotel Borges" à esquerda no postal de 1907

Entrada do “Grande Hotel Borges”, ao lado da “Pâtisserie Benard”  (1868), e o edificio ocupado pelo mesmo, com a extinta “Livraria Sá da Costa” (1913)

 

1888

1903

1909

 

“Hotel Borges” nos anos 60 do século XX


Autocarros da empresa "Capristano & Ferreira, Lda." à porta do "Grande Hotel Borges"

                                       1906                                                                                        1911

  

Aqui fica a lista dos principais hotéis de Lisboa no final do século XIX.

Hotel Central - Praça Duque de Terceira - inaugurado por volta de 1842
Hotel de l'Europe - Rua do Carmo - inaugurado em 1845
Hotel Itália - Largo do Chiado - inaugurado por volta de 1850
Braganza Hotel - Rua Víctor Cordon - inaugurado por volta de 1845
Hotel Alliance - Rua Garrett - inaugurado em 1864
Hotel Francfort - Rua de Santa Justa - inaugurado em 1867
Hotel Duas Nações - Rua da Vitória - inaugurado em 1879

Hotel das Nações - Rua da Betesga, esquina com a Rua Augusta - inaugurado em 1880
Grande Hotel Borges - Rua Garrett - inaugurado por volta de 1884
Hotel das Nações - Largo da Magdalena - inaugurado em 1887
Avenida Palace Hotel - Rua 1º de Dezembro - inaugurado em 1892
Francfort Hotel - Praça D. Pedro IV (Rossio) - inaugurado em 1894

Dos oito hotéis que existiam no Chiado em 1884, restavam quatro em 1913.

«Foi fundador do Hotel Borges que o installou primeiro no predio onde hoje é a Casa Ramiro Leão. Na sua actual séde o Borges está ha mais de 30. Ao todo o magnifico hotel que é no Chiado, uma verdadeira instituição, possue 170 optimos quartos, 75 dos quaes possuem salas annexas, casa de banho, installações hygiennicas as mais aperfeiçoadas, etc.
O balneario do Hotel Borges é esplendido, e não ha hotel em Lisboa onde se respire atmosphera do mais conforto como outro não ha com ar mais aristocratico e distincto.
Os actuaes gerentes do Borges, srs. Horta e Costa e Humberto Zenoglio, teem sabido acumular n'este hotel tudo o que pode representar um melhoramento, por pequeno que seja e contribuir para o impor cada vez mais à sua clientella. Brevemente contam elles inaugurar os seus jantares-concertos, os quaes constituirão festas esplendidas, profundamente aristocraticas, que darão brado em Lisboa.» in “A Capital” ano 1916.

Etiquetas de bagagem

   

No edifício contíguo ao “Hotel Borges” esteve instalado, desde 1864 até 1936, o “Hotel Alliance”, assim como a centenária Casa Havaneza”, fundada entre 1855 e 1861.

“Hotel Alliance” no edifício contíguo ao “Hotel Borges”

E respectiva publicidade em 1913

   O antigo “Hotel Borges”, - actual “Hotel Borges Chiado” - é o hotel  mais antigo  de Lisboa, ainda em actividade, seguido do “Hotel Duas Nações”, inaugurado em 1875 na Rua da Victória esquina com a Rua Augusta, também ainda em actividade e cuja história poderá ler neste blog no seguinte link:  Hotel Duas Nações

1933

O actual“Hotel Borges Chiado” , classificado de três estrelas, e após a última renovação em 2014, dispõe de 114 quartos, salas de reuniões e conferências, bar e restaurante.

 

 

fotos in: Arquivo Nacional Torre do Tombo, Hemeroteca Digital, Hotel Borges Chiado