O actual “Pavilhão Carlos Lopes”, conhecido por “Pavilhão dos Desportos”, localizado no alto do “Parque Eduardo VII” em Lisboa, foi projetado pelos arquitectos Guilherme e Carlos Rebello de Andrade e Alfredo Assunção Santos.
Este Pavilhão, foi fabricado em Portugal, assim como os restantes pavilhões da representação portuguesa, com estrutura em ferro, transportado posteriormente para o Brasil para incorporar a grande “Exposição Internacional do Rio de Janeiro”, que abriu a 21 de Maio de 1922 e que se prolongou até 30 de Março de 1923, por altura das comemorações do “I Centenário da Independência do Brasil”. Foi um dos pavilhões portugueses no certame tendo sido este o “Pavilhão Português das Indústrias”.
A propósito destes pavilhões da representação portuguesa, o jornal “A Vanguarda” escrevia em 23 de Maio de 1922:
«Esta resolução teve ainda a vantagem de deixar em Portugal a maior parte do dinheiro que os pavilhões custam; é por isso mesmo que o esqueleto deles é em ferro e os demais elementos que os constituem são na sua maioria susceptíveis de larga duração, permitindo que sem avarias os pavilhões, finda a exposição, se possam desarmar e utilisar em qualquer outro local.»
“Pavilhão Português das Indústrias” na “Exposição Internacional do Rio de Janeiro”
“Pavilhão de Honra” de Portugal (arquitecto Carlos Ramos) na “Exposição Internacional do Rio de Janeiro” inaugurado em Dezembro de 1922
O “Pavilhão Português das Indústrias”, permaneceu no Rio de Janeiro e depois de ter estado fechado por uns anos, acolheu entre 1 e 16 de Agosto de 1925 a “Primeira Exposição de Automobilismo do Rio de Janeiro”.
Em 1929 este pavilhão de Portugal, construído sobre uma estrutura metálica, foi desmontado e transportado para Portugal. Depois de reconstruído e montado, no “Parque Eduardo VII” em Lisboa, com a supervisão do arquitecto Jorge Segurado, foi-lhe dado o nome de “Palácio das Exposições e Festas”. A sua abertura deu-se em 3 de Outubro de 1932 com a “Grande Exposição Industrial Portuguesa”. A propósito, o jornal “Diario de Lisbôa” escrevia:
«Mas se de uma maneira geral, a Grande Exposição está de pé, e, como sucede sempre, se se fôsse a esperar que tudo estivesse no seu lugar nunca mais se abria a Feira Industrial do Parque Eduardo VII.
A Exposição - iniciativa triunfante, dizemos já - divide-ase em dois sectores: O Palacio e o ar livre.
No Palacio de Festas, formoso edifício cuja ossatura foi aproveitada do pavilhão que figurou na Exposição do Rio de Janeiro, está uma parte grande dos 1.000 «stands», que tantos são os que figuram no catálogo.»
Exemplos de 2 painéis do mestre Jorge Colaço, concluídos em Julho de 1922 e fabricados pela “Fábrica de Loiça de Sacavém”, que enriquecem o exterior do Pavilhão
“Palácio das Exposições e Festas” em 3 de Outubro de 1932 na abertura da “Grande Exposição Industrial Portuguesa”
Vista aérea da área envolvente ao “Pavilhão de Festa e Exposições” em 1934
Em 1946 foi transformado para ser o “Pavilhão dos Desportos”, onde se disputou, em 1947, o “Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins”, e que Portugal venceu. Em 27 de Agosto de 1984 mudou novamente de nome para “Pavilhão Carlos Lopes”.
Algumas actividades ao longo das décadas de sua existência
Festa do, ainda, “Batalhão de Sapadores de Bombeiros” Desfile do concurso das “Marchas de Lisboa”
Área envolvente do “Pavilhão dos Desportos” em 1950
“Salão Automóvel de Lisboa” de 1934 Exposição da “APT - Anglo Portuguese Telephone”
O “Pavilhão Carlos Lopes” encontra-se actualmente em estado de abandono, esperando por melhores dias …
Na última década, a sua recuperação foi já projectada como espaço multiusos, museus do desporto, discoteca, centro de congressos e até pista de gelo… Em 24 de Fevereiro de 2015, a “Assembleia Municipal de Lisboa” aprovou, por unanimidade, uma recomendação para que a Câmara promova a recuperação e reabilitação do “Pavilhão Carlos Lopes”.
fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa