Restos de Colecção

24 de abril de 2014

Caminhos de Ferro Portugueses (15)

Chegada ao Cais do Sodré do primeiro comboio que circulou na “Linha do Estoril”

Bernardino Machado embarcando no comboio que o levaria ao exílio em Paris, após o golpe de Sidónio Pais

 

Comboio a vapor na linha de Cascais

Estação de Algés

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

23 de abril de 2014

Companhia Previdente

Tudo começou porque um rapaz com cerca de 18 anos, de nome Francisco José Simões, que em 1800 nasceu em Ferreira do Zêzere, decidiu rumar a Lisboa, e tentar a sua sorte. O facto de Portugal numa situação económica muito difícil, pelas sequelas das invasões francesas e da fuga da Corte e do Rei D. João VI para o Brasil, não impediu que  Francisco José Simões abrisse, em 1825, na Rua do Comércio nº 38, em Lisboa, uma casa de ferragens, com o seu nome, e mais tarde, em 1862, fundasse a sociedade “Indústrias Metálicas Previdente, Lda.”, com a família O’Neill.

Fábrica da “Indústrias Metálicas Previdente” na Rua do Instituto Industrial em Lisboa

 

 

“Companhia Previdente”, fundada em 1862, com a designação de “Indústrias Metálicas Previdente, Lda”, e posterioremnte como sociedade anónima SARL,  contando com 199 accionistas em 1907, é uma das mais antigas empresas industriais de Portugal. Com a expansão do grupo, este passou a abranger as mais antigas empresas em Portugal dedicada à indústria de pregaria, trefilaria e tubagem. A 10 de Novembro de 1917 adquire em Lisboa, a fábrica “Henrique Schalck”, situada no Campo de Santa Clara em Lisboa, que se dedicava ao fabrico de pregaria, botões metálicos, colchetes, etc,onde se manteve até ao início da década de 50. De referir que a indústria de pregaria era a mais mecanizada em Portugal, sendo as mais importantes a “Fábrica de Pregos de Joaquim Antunes dos Santos”, a “Perseverança”, a “Indústrias Metálicas Previdente, SARL”, e a “Henrique Schalck”.

1958

“Companhia Previdente” na Rua D. Luis I em Lisboa

Em 1947, António Carlos Simões e a famíla O’Neill, fundam em Sacavém a Companhia Portuguesa de Trefilaria, SARL que anos mais tarde viria a ser absorvida pela “Companhia Previdente”. Em 1948 a “Fábrica das Antas”, no Porto, já pertencia do universo da “Companhia Previdente”.

1934

Na comemoração do centenário da “Companhia Previdente”, foi inaugurada em 1962 a primeira fase das instalações fabris das “Indústrias Metálicas Previdente S.A.R.L.”, no Sobralinho, entre Alverca do Ribatejo e Alhandra,  a qual correspondeu a um momento de afirmação e expansão da empresa,e com a finalidade de aglutinar as unidades industriais e administrativas espalhadas pela zona de Lisboa. Nesta 1ª fase ainda não tinham sido construídas as secções administrativas e posto médico.

 

 

Esta unidade fabril da “Companhia Previdente” viria a ser inaugurada oficialmente em 30 de Junho de 1964, pelo Presidente da República Almirante Américo Thomaz.

30 de Junho de 1964

Em 1964 eram administradores da “Companhia Previdente” : Henrique Veiga Simões, Jorge O'Neill, José Manuel Simões, Freitas Simões, Joaquim Freitas Simões e Mário Costa. 

Entretanto a partir de meados dos anos 50 do século XX, a “Companhia Previdente” tinha desenvolvido um grupo que cresceu rapidamente com a entrada em novos negócios e tinha-se expandido internacionalmente. Tornou-se então um dos grupos portugueses mais importantes, com operações em Portugal, Espanha, Itália, Angola e Moçambique, abrangendo vários campos de actividade tais como arame de aço e seus derivados – posição dominante em Portugal –, mediação imobiliária, banca e seguros – Moçambique.

O complexo industrial, no Sobralinho, cuja construção teve início em 1957, foi da autoria do arquitecto Jorge Fernando Sotto-Mayor d’Almeida, sendo composto por três áreas funcionais distintas: portaria, serviços técnicos e administrativos; serviços sociais - balneários, refeitório, convívio; e, por fim, naves fabris oficinais distribuídas pelos seguinte sectores:

- Fabrico de redes;
- Fabrico de pregos e diversos artigos;
- Fabrico de artigos de chumbo e alumínio.

 

               

           

 

Esta unidade industrial que chegou a empregar cerca de 500 operários, foi encerrada em definitivo no ano 2000. Neste momento as instalações e terrenos desta unidade fabril, estão em fase de requalificação e criação do “Parque Urbano e Ambiental do Sobralinho”.

A actividade industrial actual do “Grupo Previdente” desenvolve-se essencialmente na produção e transformação de aços e alumínios através de processos de trefilagem e estampagem. Dedica-se também à comercialização destes ou outros produtos similares e outras actividades relacionadas.

 

 

 

A “Companhia Previdente” é actualmente controlada pelo grupo Espírito Santo e por António Simões, neto de António Carlos Simões que conduziu a empresa durante uma fase de rápido crescimento do negócio, tendo realizado um profundo trabalho de reestruturação, focando a sua actividade na produção e na comercialização de arame de aço. Durante este processo de reestruturação, a “Companhia Previdente” adquiriu a “Socitrel” (1989), a espanhola “Emesa-Trefileria” (2004) e as “Industrias Galycas” (2004).

Stand na “FIL - Feira das Indústrias de Lisboa” em 1957

 

Na última foto, pode-se observar no fundo do stand a maqueta da futura unidade industrial de Alverca (Sobralinho), que seria inaugurada, como referi em 1962.

Bibliografia: foi, também, consultado o projecto para obtenção do grau de mestre em Arquitectura, de Fábio Filipe Lavareda intitulado "Previdente - Projectar com o Lugar da Indústria" - Faculdade de Arquitectura (Nov. 2010)

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (estúdio Mário Novais)

22 de abril de 2014

Curiosidades Automobilísticas (10)

Um “Metalurgique” no stand automóvel da firma  “Vaquinhas e Cª Limitada”, na Avenida da Liberdade em Lisboa

Oficinas de automóveis, sendo a primeira da firma “Vaquinhas e Cª Limitada”

 

Posto de abastecimento “Auto-Gazo” na Avenida da Liberdade, em Lisboa em 1930

Stand da “Ford” em Lisboa

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

21 de abril de 2014

Complexo Turístico “Muxito”

O complexo turístico “Muxito”, no qual se incluíam o “Hotel do Muxito”, “Muxito Restaurante-Bar”, localizado em Vale de Gatos na freguesia da Amora no concelho do Seixal, distrito de Setúbal, foi inaugurado em 23 de Maio de 1957.

Era propriedade da firma “Lino & Zambarra, Lda.”, que «no adusto pinheiral e ermo sítio levantou aprazível estância de repouso, construindo casas de habitação, um restaurante, que no mais elegante meio da capital seria dos primeiros, e projectando para um futuro próximo, uma piscina!».
"Vale de Gatos foi outrora refúgio de malfeitores e depois depósito de gatos vadios. Hoje é sem dúvida, grito de progresso, bandeira de turismo do concelho do Seixal, orgulho da freguesia da Amora a que pertence e da qual dista cerca de 300 metros das suas primeiras casas.» in Tribuna do Povo

O complexo turístico apresentava uma traça inovadora, desenhada em função da comodidade, tranquilidade e bem-estar, no qual se incluíam  “Hotel Muxito” com 60 quartos, motel, apart-hotel, campos de ténis, parque infantil, parque de campismo, centro hípico, discoteca e a primeira piscina olímpica do país. Fazia ainda parte do projecto a construção de um grande centro comercial que teria sido o primeiro do país.

 

 

 

O Motel era constituído por 13 vivendas dispersas pelo bosque de muitos hectares que, para os turistas o explorarem eram facultadas motorizadas. Tinha também um lago artificial muito grande que permitia aos seus frequentadores andarem em barcos a remo.

A piscina olímpica era circundada por apartamentos, bar, e outros espaços de apoio o que revela bem a grandiosidade do projecto  : ainda hoje é raro encontrar projectos turísticos apoiados por piscinas de 50 metros. Esta possuía uma prancha de saltos com 10 metros de altura.

 

 

 

Em 1973, em consequência da morte do seu fundador, a firma “Lino & Zambarra, Lda.” faliu. O complexo turístico "Muxito" foi a leilão e a adquirido por uma empresa hoteleira, liderada pela jugoslava Gordana Bayloni, mas que «tinha por detrás dela,evidentemente, altos senhores do nosso país e organizações anónimas.». Foram realizadas obras a fim de tornar este complexo numa estância de turismo de luxo e requintado, mas por razões desconhecidas voltou à estagnação.

Em 7 de Março de 1975 o “Hotel do Muxito” viria a ser ocupado por partidos da extrema esquerda revolucionária (FSP-Frente Socialista Popular e LUAR) e por comissões de moradores, para ser colocado «ao serviço das classes exploradas» ... dando origem á "Comuna Che Guevara" …

   

Em 8 de Novembro de 1975 o jornal a "Tribuna do Povo" escrevia de novo:

«Muxito em foco: onde se prova que não basta ser revolucionário de boca (...). Ocupar realmente não basta ...
Para além da falta de limpeza e higiene, do desaparecimento do inventário de móveis após a ocupação, prática de sexo livre, desvios de dinheiros, inclusivé para pagamentos de despesas pessoais, hospedagens gratuitas a familiares e amigos de alguns, desvios para o ócio e sexo de grupos  estrangeiros ali chegados inicialmente com outro sentido.
Nem tudo por certo foi negativo nesta triste experiência, fica entretanto bem evidente o oportunismo hoje de tantos como estes, que sabem mandar para a frente nomes bem sonantes como  Che Guevara, para encobrir a sua própria miséria.».

O complexo do “Muxito”, seria utilizado até 1977 como infantário, encontrando-se abandonado  desde então, apesar de ter sido tentado o aluguer das casas a sete famílias em 2002, pela empresa dos herdeiros de Gordana Bayloni, a "Lare-i-rá", detentora da sociedade hoteleira.

 

Bibliografia: Jornal “Comércio do Seixal e Sesimbra”

fotos in: Homem.Sem.Blogue, Delcampe.net, Ephemera, Citizen Grave