Restos de Colecção

25 de setembro de 2013

I Feira do Livro de Lisboa

«Lisboa descobriu que sabe ler (…). Realmente, isto nunca tinha acontecido. Fazer do Rossio a Feira do Livro. Pôr livros no Rossio para a gente saber ... que sabe lêr. Porque ha coisas de que o publico se esquece: de que os livros são bons amigos, e vale mais um livro bom do que um mau conselho.
O Rossio tinha sido Forum, mercado, circo, parada, quartel, jardim, terreiro, cêrca de hospitaleiros, cêrca de lidadores, cêrca de vendilhões. Nunca tinha sido cêrca de letrados.» in “Diário de Lisboa” noticiando a Semana do Livro.

«O Rossio transformado em Mercado de Livros» (Diário de Lisboa)

A "Semana do Livro" iniciativa da Associação dos Livreiros, e inserida nas Festas da Cidade de Lisboa, foi inaugurada em 29 de Maio de 1931, com a presença do Presidente da República General Óscar Carmona, o Ministro da Instrução Pública Gustavo Cordeiro e Ventura Abrantes secretário da Associação dos Livreiros.

O Presidente da República General Óscar Carmona, ao centro, à sua direita Ventura Abrantes secretário da "Associação dos Livreiros", e à sua esquerda o Ministro da Instrução Pública, Gustavo Cordeiro

 

Editores e livreiros presentes:  Aillaud Bertrand, António Maria Teixeira, Franco da Travessa de S. Domingos, Guimarães da Rua do Mundo, Portugal-Brasil, Café Chiado, Parceria Pereira, Livraria Rodrigues, Livraria Morais, Literatura Fluminense, Renascença Gráfica, Ventura Abrantes, Nunes Carvalho, ABC da Rua do Alecrim, João Romano Torres, Sociedade Portuguesa de Publicações, Livraria Evangélica, Sociedade Bíblica, etc…

 

Em Maio de 1932 teria lugar a II Feira do Livro no Rossio

Aproveito para lembrar que, com vista à maior vigilância e seletividade na composição dos recheios bibliográficos das bibliotecas disponíveis à população portuguesa, o “Secretariado Nacional da Informação” (SNI) - designação adoptada entre 1945-1968 do anterior “Secretariado de Propaganda Nacional” (SPN) - cria o serviço público de “Biblioteca Ambulante de Cultura Popular”, que vigorou entre 1945-1949.

 

 

fotos in:  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital

24 de setembro de 2013

Antigamente (78)

«Citröen» 5 HP de 1925

Theatro Julia Mendes (1885-1911) na Feira de Agosto em Lisboa

 

Viaturas da “FNAT – Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho”  (hoje INATEL)

“Bungalows” da “Orbitur”

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Old Portugal

20 de setembro de 2013

Água Castello

Para melhor se entender a génese da “Água Castello”, vou transcrever um texto da revista “Serões” de Julho de 1908:

«A excellencia das aguas de Moura, tão afamadas não só no paiz como mui especialmente na visinha Hespanha, tem sido um propulsor importantissimo para o desenvolvimento da villa, devido ao grande numero de aquistas que alli convergem em época propria.
É junto ao baluarte do Castello, que são exploradas tres grandes nascentes que abastecem as fontes de Santa Comba e das Tres Bicas, para uso dos habitantes.
A agua fornecida para uso nos banhos, provém de duas outras nascentes, tambem com a sua origem no Castello, a uma altitude de 180 metros, sendo a nascente d'agua mineral, a mais importante, que brota a pequena distancia do convento junto aos muros da villa e da torre de menagem.
A reputação benefica d'estas aguas provém do meiado do seculo passado, em que se começou a reparar no rarissimo numero de doenças digestivas e calculosas das vias urinarias nos habitantes da villa, e , bem assim, nas melhoras produzidas, e mesmo curas, que experimentavam pessoas vindas de outros pontos, atacadas d'aquellas doenças, sendo uma d'essas o Duque de Palmella, que em 1850, a seu rogo, obteve que pela primeira vez fossem estas aguas analysadas.»

                       Fonte das Três Bicas e Estabelecimento Termal                            Tomada de água e engarrafamento

    

                  Fonte das Três Bicas e Câmara Municipal de Moura                                         Fonte Santa Comba

 

«Actualmente uma empreza explora as qualidades beneficas d'estas aguas, em um amplo e bem montado estabelecimento publico de banhos, e devido ás suas qualidades therapeuticas, inumeras curas se teem produzido, sendo bastantes d'ellas consideradas maravilhosas.
Alli concorrem grande quantidade de banhistas em busca de lenitivo, alojando-se ou no Hotel da Empreza das Aguas, ou em grande numero de casas que se alugam para esse fim, imprimindo então á villa um aspecto alegre e festivo, espalhando-se pelos arredores, que são de uma beleza notavel,(...).
Moura é servida por um ramal de caminho de ferro pertencente as linhas do Sul e Sueste, que partindo de Beja a trinta e oito kilometros, toca em Serpa, para ter o seu terminus na propria villa, junto á estação da circunvallação.»

Primeiros rótulos

Primeiras iniciativas publicitárias

1900

                                                                                            1905

 

1910

  

1911

Esta água mineral natural gaseificada “Água Castello” foi lançada em 1899 pela empresa “Águas de Moura”, pertencente à firma “Assis & Cª.,Lda.”. Foi nesse ano que foi feito o arrendamento a esta firma,  ficando obrigada à construção de um balneário e de um hotel. Esse estabelecimento termal entrou em funcionamento em 1901, e em 1903 foi a inaugurado o do “Grande Hotel” de Moura.

“Grande Hotel” de Moura, na Praça Gago Coutinho

 

1946

A “Água Castello”, foi pioneira no sector  das águas minerais gaseificadas, tendo-se destacado pela qualidade e inovação ao ser a primeira, em 1910, a adoptar cápsulas coroa, - vulgo “carica” – e a ser engarrafada industrialmente e dispondo de laboratório privado destinado ao controlo de qualidade. Permaneceu, deste modo, uma marca de referência ao longo dos mais de 100 anos da sua comercialização nacional e internacional, tendo sido  premiada em várias exposições nacionais e internacionais e , até à implantação da República em 5 de Outubro de 1910, foi a água consumida na mesa da Casa Real.

 

           Pavilhão de captação da nascente de Pizões                                    Complexo industrial em Pizões

 

A oficina de engarrafamento pertencia a “Assis & Cª - Empresa de Águas de Moura Lda”, que em 1906 iniciou também a exploração da nascente de água de Pizões, a 3 km da vila de Moura. Em 1937 a unidade foi transferida do interior das muralhas para onde é engarrafada atualmente, em Pizões. Neste mesmo ano, a marca lança a sua primeira publicidade televisiva, protagonizada pelo actor António Silva.

Fotogramas a partir de um filme publicitário de 1937 protagonizado por António Silva

  

Diálogo inicial entre o cliente (António Silva) e o empregado da esplanada:

Cliente: Não! Não! Eu pedi Água Castello!
Empregado: Mas é a mesma coisa …
Cliente: É a mesma coisa qual carapuça!!! Eu pedi Água Castello e é Água Castello que eu quero!! Que intrujice!?
Cliente falando para a câmara:
Vossas excelências desculpem! Estas discussões são sempre desagradáveis.
Se há coisa que me irrite, é quererem-me impingir gato por lebre!
Então em tratando-se de Água Castello, eu perco a cabeça por completo!!

 

 

Em 1949, instala a primeira linha automática existente em Portugal para engarrafamento de água mineral na sua fábrica em Pizões.

A “Assis & Cª - Empresa de Águas de Moura Lda”, chegou a encomendar uma peça musical dedicada a Sallúquia, da autoria de Alfredo Keil, intitulada “Sallúquia - A Bella Moura”.

Capa da partitura

Adquirida pelo grupo “Nestlé”, em 1981, a “Sociedade das Águas de Pisões Moura” voltaram a ser vendidas, em 2007, a um grupo de investidores criado pelas sociedades “Libarache SL” e “Moka Iinvestements SARL”. Por consequência, é criada a empresa “Mineraqua Portugal”.

Em 12 de Julho de 2011, foi inaugurado um núcleo museológico, criado pela empresa “Água Castello”, nas suas instalações de Pizões, que testemunha mais de um século de ligação da empresa ao concelho de Moura.

fotos in: Hemeroteca Digital, Avenida da Salúquia, Garfadas On Line, Delcampe.net, Água Castello