Restos de Colecção

26 de março de 2013

Caminhos de Ferro Portugueses (6)

              Chefe de Estação apitando para a partida                                  Passageiro solitário aguardando

 

                       «Tender» na placa giratória                                        Agulha feita, apito de corneta do agulheiro

 

                               Lubrificação de rodado                                 Colocando carta na "Ambulância-Postal" ferroviária

 

                            Mãe e filho partindo                                              Cozinha a bordo do comboio presidencial

 

fotos de Varela Pècurto in: Fundação Museu Nacional Ferroviário

25 de março de 2013

Aeroporto de Pedras Rubras

O “Aeroporto de Pedras Rubras”, também chamado de “Aeroporto do Porto”, situado em Pedras Rubras na freguesia de Moreira no (Maia), foi  construído durante os primeiros anos 40 do século XX, como aeródromo relvado e concluído como aeroporto em 1945, iniciativa e responsabilidade da Câmara Municipal do Porto em colaboração com o Estado português.


Até então a cidade do Porto era servida, em termos de transportes aéreos, pelo “Campo de Aviação de Espinho” (Campo de Silvalde) inaugurado em 25 de Outubro de 1925. Tratava-se de um campo de aviação militar mas com utilidade civil por ter sido construído com ajuda material da população.

No início de 1938 arrancaram os estudos de engenharia com vista à construção de um aeródromo perto da cidade do Porto. A obra foi aprovada em 1940. Dos cofres do Estado, saíram, na altura, cerca de 1.150 contos para pagar os estudos, os projectos e a compra dos terrenos necessários para a construção.

 

                                                                                          1945

                                 

As obras para construir o aeródromo começaram no início de 1942, com duas pistas relvadas. Três anos mais tarde, em 1945, teve início a construção da aerogare e, nesse ano, ficou concluída a plataforma de estacionamento de aeronaves, em frente à aerogare – uma plataforma já pavimentada com betão, um investimento de 700 contos. Apenas em 1947 foram concluídas as obras da aerogare e, nos dois anos seguintes, foram alcatroadas as duas pistas.

 


 

Em  2 de Dezembro de 1945 eram inaugurados os serviços aéreos entre Lisboa e Porto pela C.T.A. - Companhia de Transportes Aéreos”, no Aeroporto de Lisboa (Portela), pelo Presidente da República General Óscar Carmona.

                     Presidente Óscar Carmona, na inauguração dos serviços da C.T.A. no Aeroporto de Lisboa

                               

                                                        

Neste dia o Diário de Lisboa noticiava: «levantaram vôo para o Porto os quatro aviões - três bimotores "Dragon" e um monomotor "Percifal Proctor" - da companhia, tripulados pelos srs. capitão Benjamim de Almeida, tenente Maia, tenente Marcelino, e major Costa Macedo e pelos radiotelegrafistas Serpa, Lemos, Pereira e levando os seguintes passageiros (...)».

                                                                 «De Havilland» DH89 Dragon Rapide

                                          

                                                                                «Percifal Proctor»

                                           

               Anúncio de 31 de Dezembro de 1946                                                     Anúncio da C:T.A.

 

Relativamente à inauguração do Aeroporto de Pedras Rubras o mesmo vespertino noticiava: «Quando surgiram no espaço, vindos de Lisboa, os 4 aviões da C.T.A. que vão servir na linha aérea diária Lisboa-Porto, e que conduzem diversas entidades oficiais da capital, a multidão saudou-os com uma grande salva de palmas e com vivas entusiásticos. Após a aterragem dos aparelhos, a qual marcará a inauguração do aeroporto, efectuar-se-á uma cerimónia comemorativa nos respectivos edifícios.»

As cerimónias de inauguração contaram com a presença do Subscretário de Estado das Obras Públicas Frederico Ulrich, em representação do governo, General Gaudêncio da Trindade, comandante da 1ª Região Militar, Brigadeiro Alfredo Sintra, comandante da aviação militar, tenente-coronel Humberto Delgado, director do Secretariado da Aeronáutica Civil, dr. Mário de Almeida , governador civil do Porto, o engenheiro Luiz de Pina, presidente da Câmara Municipal do Porto, entre outras individualidades.

De referir que entretanto, a 21 de Abril do mesmo ano já um avião bimotor, «Douglas» DC-3 Dakota, já tinha efectuado o primeiro voo oficial, e doméstico, a estrear a nova estrutura aeroportuária do país

                               

O primeiro voo internacional teve lugar em 1956 e quatro anos mais tarde foi dado início ao serviço de voos regulares com destino a Londres.

Em 1975, dado o crescimento da procura do “Aeroporto de Pedras Rubras”, a pista foi aumentada para 3480 metros. Já em meados da década de 1980 foi inaugurado um terminal de carga.

                               

Em 1990 deu-se a inauguração da nova aerogare e na altura a designação das instalações passou de “Aeroporto de Pedras Rubras” para “Aeroporto Francisco Sá Carneiro”. Foi assim homenageado o primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro, falecido a 4 de Dezembro de 1980 num desastre de avião em Camarate, quando viajava de Lisboa para Pedras Rubras.

                                                                         Aeroporto Francisco Sá Carneiro

           

Actualmente este aeroporto conta com uma pista com 3.480 m de comprimento e 55m de largura asfaltada, sendo o limite das linhas de pista 45m, e é considerado o melhor aeroporto de Portugal em termos de espaço na aerogare. Em termos de movimentos aéreos de carga e de passageiros é o segundo maior de Portugal, a seguir ao Aeroporto de Lisboa. Catorze  companhias aéreas operam neste aeroporto, de onde é possível voar para 64  destinos.

Com um tráfego anual de mais de 6 milhões de passageiros, o Aeroporto do Porto foi considerado em 2011 como o 3 º Melhor Aeroporto Europeu, pelo ACI (Airport Council International), sendo este o 7º prémio atribuído em seis anos consecutivos.

Fotos in: ANA, Matosinhos S. Roque, Amigos de Portugal, Retratos de Portugal, Calçada da Miquinhas, Clube Filatélico de Portugal 

Apêndice:

Por ocasião da inauguração Campo de Aviação Militar de Espinho em 25 de Outubro de 1925 - referido no 2º parágrafo deste artigo - foi feito um pequenino filme/documentário (mudo) para registar o evento, pela produtora portuense “Invicta Film”. Pelo que publico as matrizes em papel vegetal dos intertítulos do filme intitulado “Inauguração do campo de aviação militar em Espinho” (1925), que recolhi da Cinemateca Portuguesa.

                                              

              

              

              

24 de março de 2013

O Telefone em Portugal (13)

                               Montagem de telefones                               Telegramas telefonados nos anos 60 do séc. XX

      

                        Cartaz de 1933 de João Botelho                                   Anúncio da Companhia dos Telefones

       

             Morris Commercial R Type Van de 1932                                          Morris Minor 5 cwt Van de 1932             

 

                                                                           Alguns modelos de telefones

 

            Morris 8 Van de 1938 dos serviços técnicos                     Viatura dos serviços técnicos da Cª dos Telefones

 

fotos in: Fundação Portuguesa das Comunicações

22 de março de 2013

Junta de Província da Beira Litoral

A "Obra Antituberculosa de Coimbra" nasceu de um plano gerado pela "Junta do Distrito de Coimbra", continuado pela "Junta de Província da Beira Litoral" a que presidiu o professor Doutor Bissaya Barreto, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e figura de eminente projecção, eleito para o cargo em 15 de Dezembro de 1945, vindo a tomar posse a 2 de Janeiro de 1946.

                               Junta de Província.47     

                                                          Professor Doutor Bissaya Barreto (1886-1974)      

                                                                             

                               

«A criança que tem fome deve ser alimentada. A criança doente deve ser assistida. A criança em atrazo deve ser amparada. A criança que se desencaminhou deve ser reconduzida. A criança que é orfã, ou exposta, deve ser recolhida e tutelada.» Lema desta exposição "Obra Social nas Beiras",  na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa.

                               

                           1928                                                      1933                                                       1935

Esta importante Obra concebeu, e pôs em execução um vasto programa de assistência de apoio e protecção à criança, combate à tuberculose, protecção à grávida, através de acções de higiene e profilaxia social paralelas, de educação, etc., implementadas num largo número de instituições (Casas da Criança, Dispensários, Preventórios, Asilos, Colónias, casa de Educação e Trabalho, escolas Profissionais, etc.).

                   "Preventório de Penacova" e  "Casa da Criança Rainha Dona Leonor", em Castanheira de Pêra

 

                                                Hospital Civil de Santo Agostinho em Vila Nova de Ourém

                             

     Hospital Sanatório da Colónia Portuguesa do Brasil, na Quinta dos Valles, perto de Covões concelho de Coimbra

  

Este programa assistencial desenvolvido durante o Estado Novo, através da "Junta de Província da Beira Litoral" e já anteriormente esboçado pela Junta-Geral do Distrito, decorreu da necessidade de transformar a acção reduzida e meramente caritativa que até então velava pelos mais necessitados, por acções com função de apoio social efectivo, junto dos tuberculosos, das grávidas, das crianças e dos idosos. Acções de verdadeira profilaxia que se tornavam tanto mais urgentes, quando comparados os assustadores índices de crescente mortalidade e os níveis de estagnação no desenvolvimento dos meios de combate á doença e flagelo social de todos quantos se tornavam iminentes alvos de contágio. 

                          

Assim dentro do espírito uno da Obra, distinguiram-se em Coimbra: a "Obra de Protecção à Grávida e Defesa da Criança", e a "Obra de Protecção à Infância". Da primeira fez parte, como guarda avançada, um Dispensário com consultas externas, que funcionou anexo ao "Ninho dos Pequenitos", onde se velava pela assistência pré-natal, prolongando-se os seus cuidados à 1ª e 2ª infância. Deste modo eram encaminhadas as mulheres grávidas, reconhecidas como indigentes, à Maternidade. Tratando-se de uma mãe tuberculosa, o seu recém-nascido era defendido do contágio sendo recolhido no "Ninho dos Pequenitos", onde permanecia até á idade de 3 anos.                                                                                       

                               

 

                               Postais editados em 1942 pelo "SPN  - Secretariado de Propaganda Nacional"

O "Ninho dos Pequenitos" era uma instituição onde viviam permanentemente crianças recolhidas com menos de 3 anos de idade, a partir do 1º dia de vida. Ali podiam ser alojadas as crianças em perigo de contágio tuberculoso ou cuja vida corria risco de qualquer espécie. Funcionava conjuntamente com a maternidade que a povoava, vestia os seus pequenitos pobres, e promovia consultas externas de pediatria que lhe alargava a campo de acção.

                                                                           "Ninho dos Pequenitos"

 

 

 

 

Do mesmo modo, entravam no "Ninho" as crianças abandonadas, órfãs ou em perigo de vida pela ameaça da miséria. Esta instituição, com instalações sanitárias e de higiene regulares, possuía capacidade para 70 crianças. Daí, muitas transitavam para o "Preventório de Penacova", preparado para acolher as crianças até aos 10 anos de idade, atingidos os quais, tratando-se de rapazes, ingressavam na "Escola Profissional de Agricultura de Semide" recebendo aí uma contínua educação e a aprendizagem de um ofício até ao 18 anos. Tratando-se de raparigas, estas transitavam do Preventório para a "Casa de Educação e Trabalho D. Helena Quadros" (Na Quinta do Linheiro em Sever do Vouga) onde, da mesma forma, se ministravam diversos ofícios e misteres de utilidade doméstica, na sua maior parte, e noções de higiene e sanidade.

                      "Escola Profissional de Agricultura de Semide" e "Quinta do Linheiro" em Sever do Vouga

  

           

                                                                           Preventório de Penacova

Junta de Província.41 Junta de Província.42

 

A 2ª Obra (de Protecção à Infância) procurou colmatar o terrível flagelo da mortalidade infantil através de programas de educação e acompanhamento de crianças expostas, filhas de indigentes, de pai ou mãe incógnitos, pais reclusos, dementes, etc., vivendo em situação de abandono ou em reconhecido ambiente de "perigo moral".

Procurou, assim, a Obra tudo fazer, começando desde logo pela educação higiénica das mães, ao mesmo tempo que criava creches e parques infantis, centros de educação física, aquilo que numa palavra se chamou de "Casas de Assistência Infantil" e onde se cuidaria dos menores até aos 7 anos de idade.

 

                               

 

Aparecem assim: o "Jardim de Infância D. Maria do Resgate Salazar" e o "Parque Infantil Doutor Oliveira Salazar" (anexo ao "Ninho dos Pequenitos") e as Casas da Criança de Vila Nova de Ourém, de Estarreja-Salreu, de Santa Clara ("Rainha Santa Isabel" em Coimbra), de Castanheira de Pêra ("Rainha D. Leonor"), do Loreto ("D. Joana do Avelar" em Coimbra), dos Olivais ("D. Filipa de Vilhena" em Coimbra) e da Figueira da Foz ("Infanta D. Maria") e nas quais se instalaram Dispensários de Puericultura, Creches e Parques Infantis.

 

 

 

 

 

Mercê de contingências administrativas, pelas quais a Junta de Província da Beira Litoral passaria a abranger os distritos de Coimbra, Aveiro e Leiria, ficariam ainda a cargo desta Obra o “Asilo-Escola Distrital de Aveiro” (com secções diferenciadas por sexos, para crianças dos 7 aos 16 anos) e o Asilo Distrital de Leiria, também com secções diferenciadas para rapazes e raparigas dentro da mesma faixa etária e outra para idosos.

fotos in: Biblioteca Nacional de Portugal, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian