Restos de Colecção

25 de novembro de 2012

Antigamente (55)

                                                Meios dos socorros a náufragos na praia da Nazaré, em 1913

                                          

                                        Na Serra da Estrela enquanto uns alegremente vão esquiar … outros …

 

                       «Lockheed Super-Constellation» e automóvel «Isa Isetta» no Aeroporto de Lisboa, em 1957

                                          

                                     VIII Grande Prémio de Portugal no Circuito de Monsanto (Lisboa), em 1959

          

Na foto anterior e da esquerda para a direita, os pilotos dos «Ferrari» 246, Phil Hill e Dan Gurney conversando com o Director Desportivo Carlo Chiti. Venceu esta prova, Stirling Moss em «Cooper Climax»

fotos in: Os Heróis, Matrix.Net, Old Portugal

23 de novembro de 2012

Cruzador "Rainha D. Amelia"

A construção do cruzador "Rainha D. Amelia",  iniciada a 18 de Agosto de 1897, ficou a dever-se ao então ministro da marinha (em Abril de 1899) conselheiro Jacintho Candido da Silva, que logo que tomou posse nos concelhos da corôa, em 1896, tratou de imediato da completa remodelação do Arsenal de Marinha, que se encontrava incapaz de satisfazer as várias exigências da sua missão.

                              Arsenal da Marinha nos finais do século XIX, antes e após as obras de remodelação

Arsenal da Marinha.0 Arsenal da Marinha.2

Faltando um experimentado técnico naval foi contratado o engenheiro francês Mr. Croneau.

                                                              

                                                                                     Projecto

                              

                              

                                            Início da construção do cruzador "Rainha D. Amelia" em 1897

                               

Abandonam-se os navios mistos e mandam-se construir modernos navios de aço e propulsão exclusivamente mecânica de que se destacam os cinco cruzadores que deram ao ministro o apelido de «Ministro dos Cruzadores». As construções destinadas ao Ultramar foram então exclusivamente de navios metálicos e desprovidos de aparelho vélico alternativo.

O velho Arsenal de Marinha foi remodelado e preparado para as novas construções que passou a executar ainda no século XIX, pelo que este engenheiro francês Mr. Croneau ao aperceber-se da difícil empreitada exigida, montou novas oficinas neste estaleiro, importou máquinas, educou e formou pessoal, conseguindo desse modo em vinte meses lançar à água o novo cruzador, construído sob sua direcção e planos.

Pelas 14h e 30 m da tarde de 10 de Abril de 1899, foi lançado à água o novo cruzador da Marinha de Guerra portuguesa de seu nome "D. Amelia", nos estaleiros do Arsenal da Marinha em Lisboa.

                               

     Cruzador D. Amelia.3    

«A assistir á festa, desde manhã que os felizes comtemplados com bilhetes se dirigiam para o arsenal, onde a entrada, a partir do meio dia, se tornou extremamente difficil, chegando a ahaver trop de zéle da polícia, que por vezes se excedeu, com brutalidades varias, não respeitando sequer senhoras nem creanças. Mas isso não admira.Os policias estavam de luva branca, mas d'espirito preto, pelo que até não reconheciamos bilhetes de livre transito, passados e assignados pelo seu commandante, pois que, desconsiderando a este e ás ordens de serviço, houve guardas que prenderam reporters de jornaes que apresentavam o bilhete de livre transito!». in: "Illustração Portugueza"

O aspecto dos palanques construídos no Arsenal para a cerimónia era muito bom, bem como o espectáculo que oferecia o Tejo, onde se destacavam centenas de barcos a remos e a vapor, entres os quais o «Victoria», que recebeu passageiros a troco de 300 reis cada um. Também cruzavam muitos escaleres de navios de guerra e os vapores «Berrio» e «Lidador» e rebocadores do Arsenal e alfândega, «fazendo estes afastar os demais barcos até á linha do ancoradouro dos navios de guerra, á terra da qual estava a boia a que o novo cruzador devia amarrar.».

                               

A guarda de honra chegou ao Arsenal da Marinha às 4h e 30m  da tarde formada por um destacamento de 80 praças do corpo de marinheiros e precedida pelo terno de corneteiros e a a bnad do corpo. De seguida chegaram . Maria pIa e D. Afonso seguidos de D. Carlos  e sua esposa, que foram recebidos por membros do ministério e oficiais generais do exército e da armada.

Atingida a praia-mar ás 2h e 15 m foram soltas as escoras «sendo a senhora D. Amelia quem, adiantado-se, disse n'essa occasiao: Vae, vae,vae, em nome d'el-rei. Vae com Deus.». Realizado o lançamento à água os navios de guerra no Tejo embandeirados, efectuaram uma salva de 24 tiros.

De assinalar a ocorrência de um acidente com o operário Caetano Duarte, das construções de ferro, que atingido por uma das escoras ao soltar o navio. «Segundo o exame medico, o pobre operario tem contusão na região lombo-sagrada, com paralysia da bexiga e dos membros inferiores.».

«Ao cair o novo barco á agua, houve muitos vivas. Os mais sympathicos foram estes: Viva a marinha! Viva o operariado portuguez!.
Na estação dos caminhos de ferro do sul e sueste venderam-se mais de 300 bilhetes de gare que foram utilisados por individuos que desejaram estar na ponte e vêr o laçamento.»

                                                               Cruzador "Rainha D. Amelia" em 1908

                             

Especificações Técnicas

Material de Construção: Aço (primeiro navio a ser construído neste material pelo Arsenal da Marinha)

Comprimento: 75 mts
Boca: 11,4 mts
Calado: 4,12 mts
Pontal: 6,6
Deslocamento: 1.683 Tons.

Motores: 4 Máquinas a vapor de tríplice expansão num total de 5.000 hp
Caldeiras: 8, do tipo Sigaudy Normand
Veios de hélices: 2

Artilharia:
4 peças de 150 mm T R Schneider
2 peças de 100 mm T R Schneider 
2 peças de 47 mm
2 peças de 37 mm
2 metralhadoras de 6,5 mm
Torpedos: 2 tubos para lançamento de torpedos Whitehead acima da flutuação

Velocidade: 18 nós

Guarnição: 263 homens, incluindo oficiais e praças.

                             

Ainda em Junho do mesmo ano de 1899 seria entregue pelos estaleiros "Armstrong Elwisck Shipyard" de New-Castle-on-Tyne, o cruzador "D. Carlos" após concurso de adjudicação aberto em 27 de Junho de 1894. Neste mesmo ano estavam sendo construídos em França, nos estaleiros da  "Compagnie Forges et Chantiers", os cruzadores "S. Gabriel" e "S. Raphael", que seriam entregues em Setembro de 1900.

                                                                    Cruzador "D. Carlos I" (1898-1923)

                              

                                                                    Cruzador "S. Gabriel" (1898-1924)

                               

                                                                    Cruzador "S. Raphael" (1898-1911)

                                                       

O cruzador "Rainha D. Amelia", já rebatizado de "Republica" em 5 de Dezembro de 1910, assim como o "Theatro D. Amelia" viria a ser igualmente rebatizado com a mesma designação no ano seguinte, encalhou junto ao Cerco da Consolação na praia de Peniche em 6 de Agosto de 1915 vítima do nevoeiro. Em consequência deste encalhe este navio foi dado como perdido e posteriormente desmantelado.

                                     

                               

fotos in: Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa

22 de novembro de 2012

Laboratórios Químicos em Lisboa

Alguns laboratórios químicos e farmacêuticos em Lisboa, nos anos 60 do século XX.

            Laboratório Sanitas, na Rua D. João V                               Laboratórios Novil, na Rua do Centro Cultural

 

                           Instituto Pasteur, na Avenida Marechal Gomes da Costa e na Rua Nova do Almada

 

     CIBA - Especialidades Químicas, na Av. 5 de Outubro                                     Laboratórios Lepetit

          

     Química Hoechst, S.A. na Avenida Duque d’Ávila                 Pfizer Portugal, Limitada na Rua Rodrigo da Fonseca

 

Outros laboratórios da indústria farmacêutica foram já alvo de posts específicos nos seguintes links:  "Laboratório Normal", "Dávi-Farmacêutica", "Instituto Pasteur de Lisboa", e "Farmácia Barral"

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa

21 de novembro de 2012

Igreja de Nossa Senhora de Fátima

A "Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima",  foi edificada na Avenida Marquês de Tomar em Lisboa, cujas obras foram iniciadas em 1934, com projecto do arquitecto Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957). Esta obra destacou-se no panorama nacional pela polémica que suscitou, designadamente ao nível político, cultural e arquitectónico. Este facto valeu-lhe a designação de “ igreja mais polémica do século XX ”, construída em Portugal.

A controvérsia iniciara-se quando o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Cerejeira anunciou a construção, na sua Diocese, de uma igreja dedicada a S. Julião (Inicialmente a igreja tinha por patrono S. Julião, uma vez que a igreja antiga foi demolida, para a ampliação das instalações do Banco de Portugal)  com características modernas, da autoria do arquitecto Pardal Monteiro.

 

 

O facto do arquitecto assumir publicamente a sua não religiosidade e de se considerar um cidadão laico, originou contestação por parte do sector conservador do Regime e da Igreja, que rejeitou simultaneamente a escolha do arquitecto e do projecto. Pardal Monteiro foi um dos arquitectos que mais contribuiu para a renovação da arquitectura em Portugal, tirando partido do conhecimento que dispunha sobre os movimentos internacionais a que estava ligado, era considerado um homem de ideias vanguardistas e, como tal, inadequado ao lema do Regime de Salazar: "Deus, Pátria e Família".

                                         Nave Central                                                                                   Cúpula             

 

                               

Inaugurada a "Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima" a 12 de Outubro de 1938 pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Cerejeira, e apresentada como uma obra importante para o país, dado marcar o início de uma nova era na arquitectura religiosa em Portugal foi criticada por individualidades tão díspares como o então Presidente da "Sociedade Nacional de Belas-Artes",o Coronel Arnaldo Ressano Garcia, o arquitecto Raul Lino, o escritor e advogado Tomaz Ribeiro Colaço, entre outras.

                                                            Notícia da inauguração na revista “Ilustração”

Em relação ao interior desta igreja constata-se que apesar da expectativa e da contestação gerada, são poucas as inovações. De planta centralizada, tipo basilical, possui o Baptistério junto à entrada do lado direito, a uma cota inferior e com duplo acesso, tanto pelo exterior como pelo interior. Em lado oposto, situa-se a capela mortuária, também com duplo acesso. Sobre a entrada principal situa-se o coro, onde assenta o órgão de tubos de grandes dimensões. Com um corpo de 65 metros de comprimento e uma nave de 50 metros por 24 de largura e uma capacidade para 800 fiéis, tem ainda como complemento duas naves laterais de acesso às capelas laterais e aos confessionários.

                                     Nave central                                                            Altar-mor, Presbitério e Cabeçeira

  

Artistas plásticos de renome nacional dão o seu contributo naquele que é considerado um dos edifícios religiosos com maior número de artistas intervencionados no século XX, em Portugal.

A Almada Negreiros pertencem todos os vitrais, os frescos da cúpula da ábside, os mosaicos e o portão do Baptistério; ao pintor Lino António correspondem as pinturas nos arcos e o fresco da Coroação da Virgem existente na guarda do coro; ao pintor Henrique Franco, a Via-Sacra; ao escultor Barata Feyo, o Cristo na Cruz; a Leopoldo de Almeida pertence o retábulo da Ressurreição de S. Lázaro, as imagens de N.ª Sr.ª de Fátima e de S. João Baptista sobre a pia baptismal; de Anjos Teixeira, filho, a porta do Sacrário e a St.ª Teresinha; a Raul Xavier, o St.º António; a António Costa a N.ª Sr.ª de Fátima existente no exterior e a Francisco Franco, o Cristo e os Apóstolos no alçado principal.

                               Baptistério                                                                    Capela de Santo António

 

Não obstante, o contributo destes autores a igreja foi interpretada como uma obra austera, de menor qualidade e inapropriada à arquitectura religiosa da então Capital do Império. Consciente das críticas, Cardeal Cerejeira manifestou-se por escrito, argumentando que «Copiar cegamente formas artísticas doutras épocas, será fazer obra de arqueologia artística; mas não é seguramente obra viva de arte» e defendeu convictamente o arquitecto e o seu projecto, mesmo quando Oliveira Salazar manifestou o seu desagrado, considerando-o arrojado e descaracterizado, por o estilo arquitectónico não se enquadrar com o estilo cooperativo do Estado Novo.

                                                                                  Alguns Vitrais

                                                 

             

A resposta da classe profissional dos arquitectos à controvérsia gerada veio com o Prémio Valmor de 1938.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital