Restos de Colecção

24 de maio de 2011

Cine-Teatro Joaquim de Almeida

Situado na cidade do Montijo, o Cine-Teatro Joaquim de Almeida foi inaugurado em 1957, sob o projecto doa arquitecto Sérgio Gomes. Outrora construído em madeira e localizado na Rua Miguel Pais, foi inaugurado no mesmo ano do Mercado Municipal, e no local da antiga Praça de Touros. O seu nome é em homenagem a um antigo actor português Joaquim de Almeida que viveu entre o século XIX e século XX.

                                                                     Exterior, em 1957

                              

Em 21 de Dezembro de 1910, acerca da passagem à reforma do actor, o jornal O Século noticiava que “o glorioso artista Joaquim de Almeida, a cuja velhice os governos da monarquia não quiseram atender, obstinando-se ingratamente a conceder-lhe a reforma que pedia e a que tinha jus, acaba finalmente de conseguir do governo da República o galardão material que lhe podia caber, depois de tantos anos de serviço consagrados ao levantamento da arte nacional ”.

                                                                         Sala de projecção

 

Possuí no seu interior peças escultóricas da autoria de Martins Correia e José Farinha, aliando o talento às artes, representa as musas inspiradoras – Teatro, Poesia, Dança, Música e Talento.

                                                                                   Foyers

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

Este cine-teatro funcionou até 1991. Em 1999 foi adquirido pela Câmara do Montijo tendo sofrido obras de melhoramento e reabrindo ao público em 14 de Agosto de 2005 - dia do XX aniversário da elevação a cidade do Montijo - após várias remodelações realizando-se-se as mais variadas actividades culturais. A traça original foi respeitada e a estrutura da sala de espectáculos foi mantida. Para conferir as condições “modernas”, “o palco foi alargado e o número de lugares foi reduzido de forma a tornar a sala mais intimista.

 

Equipado com uma sala principal, três foyers, cafetaria/Espaço Mediart, dois gabinetes de tradução simultânea, baby-sitting, terraço e jardim, o Cinema-Teatro Joaquim d’Almeida permite reforçar e alargar o projecto cultural e socioeconómico do concelho do Montijo, oferecendo excelentes condições para a realização de qualquer evento.

23 de maio de 2011

Fábrica Robinson de Cortiça

A “Fábrica Robinson” pertença da “Sociedade Cortiçeira Robinson Bros. Lda.”, situava-se na zona alta da cidade de Portalegre, em plena zona histórica, junto à Praça da República. Ocupou o antigo Convento de São Francisco único edifício que resta da época em que a cidade de Portalegre recebeu foral. Trata-se de obra de D. Sancho II que pretendia dotar a nova urbe com uma instituição religiosa. Da construção primitiva, datada de 1275 ainda são visíveis duas capelas laterais góticas

Em 1835, um cidadão da nação inglesa, George Robinson, rumava a estas paragens para se documentar mais profundamente sobre a matéria-prima que há longa data vinha processando em Halifax, na Inglaterra. Por volta de 1840 adquire a Thomaz Reynolds, o direito de exploração da “Fábrica da Rolha” , que estes tinham instalado no edifício em ruínas do extinto Convento de São Francisco, em 1837.

George Robinson

“Fábrica Robinson” e Quartel de Infantaria 22, no Sítio do Outeiro

Rapidamente faz progredir a sua actividade, adquirindo extensas áreas de montado, estabelecendo contratos de 50 anos para retirada de cortiça, diversificando produções. Traz consigo os novos conceitos de industrialização. Instala tecnologias até então desconhecidas do incipiente meio corticeiro. A pequena unidade rapidamente se transforma num importante centro corticeiro.

Fábrica Robinson em fotos de 1944

 

 

Mas será o seu filho, George Wheelhouse Robinson a figura mais marcante da história da fábrica de cortiça de Portalegre, entretanto empregando já 560 operários. Introduz profundas alterações tecnológicas (máquina a vapor, gerador eléctrico, novos métodos de corte e brocagem de rolhas, etc), racionaliza lay-out’s produtivos, melhora produtividades. Alarga a sua actividade industrial à Extremadura Espanhola, adquirindo diversas fábricas em San Vicente de Alcântara.

 

Na sua fábrica, George Robinson dispunha, desde 1872, de um motor com potência de 20 cavalos-vapor, que fazia mover doze tornos para fabricar rolhas, destinados a trabalhar cortiça de pior qualidade, bem como máquinas de calibrar e de contar. A produção mecânica de rolhas era residual no conjunto da actividade, sendo a ela destinada a matéria-prima de pior qualidade, na medida em que o fabrico manual era mais versátil no aproveitamento das melhores partes dos quadrados de cortiça. Ainda segundo o representante da empresa, as rolhas de fabrico manual eram melhor aceites pelos mercados de exportação.

Preocupa-se com a segurança dos seus operários. Em 1900, a “Fábrica da Rolha” como então era conhecida, concentrava mais de 2000 trabalhadores. Wheelhouse Robinson cria o primeiro sindicato operário da história da actividade corticeira, uma creche para os filhos dos operários e a cooperativa de abastecimento operária. Patrocina sistemáticas actividades anónimas de apoio aos mais necessitados. Está na origem da “Associação de Bombeiros de Portalegre”, fundada em 1899. Em 1903, funda a sua própria Corporação de Bombeiros Privativos.

Publicidade a máquina de processar rolhas

George Robinson, em 1897: «Preciso da cooperação dos operários e confio em que não me faltará; bem como em que patrão e operários andarão sempre unidos, porque da sua união há-de nascer o bem de um e outros».

 

Durante a II Guerra Mundial a “Fábrica Robinson”  viveu dias difíceis devida não só á guerra como à postura pseudo-neutral do Governo de Salazar que terão tido o seu contributo no agudizar das dificuldades. A fábrica chegará a estar encerrada por um período de cerca de 3 anos. Em 1942, os herdeiros da casa Robinson vêem-se na contingência de se desfazer da centenária fábrica. Um grupo português passa a comandar os destinos da fábrica. Respeitosamente, conservará a denominação de origem. Nos 10 anos seguintes, a centenária fábrica recupera a vitalidade produtiva e comercial.

No início dos anos 40, inicia-se na produção dos aglomerados puros expandidos, vulgo aglomerado negro. Os anos 60 do século XX correspondem a um novo período áureo para a actividade da “Fábrica Robinson” o qual se prolongará pela década de 70. A revolução de Abril de 1974, corporizada pelas profundas mutações sociais e políticas vividas no Alentejo, deixa marcas na actividade da velha corticeira.  Os sinais de envelhecimento tornam-se cada vez mais evidentes: nas máquinas, nos edifícios e na vontade dos Homens.

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Robinson

1955

A década de 80 clama por mudanças estruturais que acabam por não acontecer com a profundidade desejada. Apesar das dificuldades nos anos 90 do século XX, apesar da debilidade óbvia, subsiste um espaço comercial no universo dos produtos corticeiros que viabiliza o prosseguimento da actividade corticeira, sob a nova designação “Robinson Industria Aglomerados de Cortiça’”,tendo sido transferida para as antigas instalações da ex-“Johnson Controls”. Mas em 9 de Julho de 2009 é decretada a insolvência da ‘Robinson Industria Aglomerados de Cortiça’ , por dívidas ao fisco e segurança social, lançando no desemprego 150 funcionários. A “Robcork” inaugura em 2010 uma nova fábrica de cortiça, tambem em Portalegre e emprega grande parte destes trabalhadores da ‘Fábrica Robinson’.

No antigo espaço da “Fábrica Robinson” foi criado o “Núcleo Museológico da Fábrica Robinson”.

Panfletos Políticos (2)

Clicar em todos, para melhor leitura

      

      

      

     panfletos in: Ephemera

21 de maio de 2011

Antigamente (11)

                                        Automóvel “Delage D8” na Semana da Tuberculose, em 1931

                                       

                                                Estação de Caminhos de Ferro de Lourenço Marques

                                        

                                            Vasco Santana, a mercearia, o bacalhau, o telefone, etc

                                        

                                                         Cerimónia Naval, frente á Torre de Belém

                                         

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

20 de maio de 2011

Ponte entre o Beato e Montijo

O atravessamento contínuo do rio Tejo na área urbana da capital, uma aspiração quase secular, foi traduzido em termos técnicos, e pela primeira vez, pelo Eng.º Miguel Pais que propôs em 1876, em desenho, uma ponte entre o Grilo e o Montijo. Esta proposta contemplava uma solução mista para os tráfegos rodoviário e ferroviário, de tabuleiro duplo e com setenta e seis tramos, dos quais setenta e quatro tinham 60 m de vão e os dois extremos, 48 m.

                                                 Projecto do Engº  Miguel Pais, em 1876

                               

Em 1889, apareceu o projecto  elaborado pelo engenheiro Seyrig, construtor da ponte D. Luis, no rio Douro, entre o Porto e Vila Nova de Gaia. O projecto consistia numa ligação ferroviária entre Lisboa e Almada. Este projecto viria a provocar outro do engº português André de Proença Vieira, combatendo até certo ponto aquele, fundado em razões geologicas da inconveniencia em perfurar o subsolo de Lisboa com um túnel entre a Estação do Rossio e a Rocha de Conde de Óbidos, onde seria a entrada da ponte.

                                       Projecto da ligação Lisboa-Almada do Engº Seyring, em 1889

           

Nova proposta, de 1890, de uma ponte para travessia Beato-Montijo pela empresa alemã Maschinenbau-Actien-Gesellschaft de Nuremberg

Já no século XX, em 1913, foi proposto ao Governo, por uma firma portuguesa, fazer a ligação entre a Rocha do Conde de Óbidos e Almada.

Porém, em 1919, a empresa H. Burnay & C.ª, considerava que a travessia do Tejo deveria ser feita através de um túnel e não de uma ponte. Este túnel teria 4500 m de extensão e ligaria a capital a Almada entre Santa Apolónia e Cacilhas.

Dois anos mais tarde é feita nova sugestão para outra ponte mista, pelo Eng.º Alfonso Pena Boeuf, espanhol, a implantar entre a Rocha do Conde de Óbidos e Almada, com um comprimento total de 3347 m. Curiosamente, esta proposta previa apenas um tabuleiro com via férrea dupla e quatro vias para circulação rodoviária. Em 1926, estando ainda de pé esta proposta, a empresa do Arq.º José Cortez - Cortez & Bruhns, apresentou, em esboço, a sugestão duma grande ponte suspensa de três vãos a lançar entre a parte alta da Rua do Patrocínio e as proximidades de Almada

                                                         

Excertos de notícias publicadas, em 1934, sobre o projecto e concurso para adjudicação construção da “Ponte sobre o Tejo” entre o Beato (Lisboa) e o Montijo, lançado pelo então Ministro das Obras Públicas, o  Engº Duarte Pacheco. Os textos falam por si.

                                                      Projecto do Engº Duarte Pacheco em 1934

                                       

                                          

                                                    

                                                    

Este concurso público de 1934,  não teve resultados concretos, visto que nenhuma das propostas correspondeu ao que o caderno de encargos estipulava sobre o regime de concessão. Quatro anos mais tarde, retomada por um dos concorrentes - “United States Steel Products” - esta proposta também não obteve acordo, apesar da simplificação e redução de custo apresentadas.

                                   página 1 …                                                                … página 2 …

                                                                           … página 3

                             

Publicações in: Hemeroteca Digital

Em 1942 foi nomeada uma comissão para o estudo das comunicações entre a zona oriental de Lisboa e o Sul do país, como consequência de diligências promovidas pelas Câmaras Municipais do Barreiro, Alcochete, Moita e Seixal para a melhoria das comunicações entre as sedes dos respectivos concelhos e Cacilhas. Porém, com a decisão da construção da Ponte de Vila Franca de Xira, foram suspensos os trabalhos desta comissão. O eng.º Alfonso Pena Boeuf, em 1951, sugeriu uma nova travessia entre Almada e o Alto de Santa Catarina em Lisboa, propondo uma ponte suspensa.

Quando se lançou de novo um projecto para a construção duma terceira “Ponte sobre o Tejo”  ligando Lisboa à outra margem do Tejo, em 3 de Abril de 2008 o relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil dizia: « A construção da terceira travessia do Tejo entre Beato e Montijo é "preferível" à ligação Chelas-Barreiro em termos de operacionalidade e segurança das operações portuárias».

Malfadada esta opção desde 1934, o Governo decidiu-se, a 3 de Abril de 2008, com base num estudo comparativo do LNEC, que deu vantagem à opção já avançada pelo Governo, em detrimento da Beato-Montijo, proposta no estudo sobre o novo aeroporto de Lisboa, encomendado pela Confederação da Indústria Portuguesa (CIP).
O documento referia: «em termos da operacionalidade e segurança das operações portuárias (Porto de Lisboa), a ligação no corredor Beato-Montijo (túnel ou ponte) é preferível à ligação (ponte) no corredor Chelas-Barreiro. Restrições nas manobras de acostagem dos navios ao terminal de contentores de Santa Apolónia devidas à proximidade do vão da ponte e à passagem de navios que actualmente atracaram a montante da ponte, devidas ao tirante de ar (altura do mastro da embarcação) que ficará disponível (47 metros), são as desvantagens da solução Chelas-Barreiro na margem direita do Tejo”.

Por estes motivos, concluía o estudo do LNEC, "a solução Ponte Beato-Montijo, desde que respeite os condicionamentos que a Administração do Porto de Lisboa vier a definir para as zonas de atravessamento, revela-se mais vantajosa do que a solução (em ponte) Chelas-Barreiro, dado que, por estar mais a montante desta, interferirá, em princípio, em muito menor grau com a navegação portuária e não obrigará à deslocalização de qualquer nas infra-estruturas portuárias actualmente existentes no Porto de Lisboa».

19 de maio de 2011

Greves dos Eléctricos em 1912

A primeira greve dos eléctricos no ano de 1912 ocorreu em 29, 30 e 31 de Janeiro, e foi consequência da greve geral do operariado de Lisboa decretada para esses dias.

Esta greve geral teve origem na greve de Évora, motivada por os lavradores se recusarem a pagar aos seus trabalhadores pelos preços até então em vigor. Duma colisão entre grevistas e a tropa, houve alguns feridos, tanto operários como militares. Em consequência dos acontecimentos vieram a Lisboa delegados dos grevistas, a fim de reunirem com o Governo - governo do Partido Democrático tendo como 1º ministro Augusto César de Almeida de Vasconcelos Correia - após ter sido encerrada  a casa da sua associação, pelas autoridades.

Os membros da associação dos trabalhadores agrícolas de Évora, solicitaram ao governo de Lisboa que para que fosse finalizada a greve, fossem postos em liberdade os seus companheiros presos, aberta a sua associação em Lisboa, e demitido o governo civil de Évora.
Foi em vista da recusa a duas das suas imposições que se declarou a greve geral. Lisboa concorreu para isso de uma maneira mais saliente, visto ser nesta cidade a sede da Casa Sindical, sede das associações operárias.

                     Casa Sindical, na Rua do Século                                             Manifestação dos grevistas

 

Na manhã de 29 de Janeiro deixaram de circular os eléctricos e todos os meios de transporte, à excepção do Caminho de Ferro, impedidos pelos grevistas. Foi paralisado o trabalho nas fábricas , nos ateliers e em várias oficinas. Os jornais não foram postos à venda.

Sobre os eléctricos que tentavam circular foram arremessadas bombas, seguindo-se tumultos por toda a cidade, pelo que na tarde de 30 de Janeiro de 1912, o governo decidiu entregar Lisboa ás autoridades militares, sendo decretada a suspensão de garantias e pedindo-se aos cidadão o recolher obrigatório ao toque respectivo.

                                                    Eléctrico “assaltado” em Santo Amaro

                           

Curiosidade: O destino deste eléctrico era o Velódromo. Tratava-se do ‘Velódromo de Palhavã’ , que foi objecto dum post na semana passada dia 13 de Maio 2011

                                         Eléctrico “assaltado” na Rua de S. Joaquim em Alcântara

 

Se as três fotos anteriores fossem nos nossos dias e sem legendas, poder-se-ia pensar que era uma tentativa de bater algum record para o “Guinness Book of Records”. Talvez o record de número de “penduras” num eléctrico de Lisboa ….Chego-me a interrogar como aquela quantidade de gente se conseguia agarrar …. não há dúvida que o ditado popular “a necessidade aguça o engenho”…

Na madrugada de 31 de Janeiro de 1912, algumas forças de infantaria, com uma bateria de artilharia, cercaram a Casa Sindical na Rua do Século, intimando toda a gente a render-se que ali se encontrava, o que foi acatado sem a menor resistência.

                                                                       Outras fotos da greve

 

Em 8 de Junho de 1912 nova greve dos eléctricos em Lisboa, mas esta decretada pelos trabalhadores da Companhia Carris Ferro de Lisboa.

O pessoal dos eléctricos declarou greve após o despedimento de um condutor que agredira um revisor de quem recebera insultos. Exigiram então os grevistas não só a readmissão do colega mas também a de todos que tinham sido despedidos quando da greve geral de 29,30 e 31 de Janeiro, além de aumentos salariais para todas as categorias da companhia excepto revisores, expedidores e empregados de escritório que desta vez não tinham tomado o partido dos grevista. Após o envio de delegados à Companhia Carris de Ferro de Lisboa, a fim de negociar com a administração, estes não foram recebidos.

Por fim os grevistas pretendiam que o Governo ou a Câmara Municipal de Lisboa, sendo rescindido o contrato com a Carris. Após as negociações entre os grevistas e a direcção da Carris em Londres, ter fracassado os transportes de eléctricos de Lisboa paralizaram.

Para minorar os inconvenientes na população desta greve a Câmara Municipal de Lisboa, autorizou que carros de todo o tipo e de todo o distrito de Lisboa fizessem carreiras na cidade. Podiam-se ver diligências rurais, auto-diligências, carroças, etc.

                                             Exemplos dos transportes alternativos aos eléctricos

 

                                                Transportes alternativos, na Ilustração Portuguesa

                                     

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital