Restos de Colecção

26 de maio de 2010

A C.U.F. e a Segurança

A “CUF - Companhia União Fabril”,  possuía os seus próprios corpo de Bombeiros nas suas instalações fabris no Barreiro.

                                                             Quartel dos Bombeiros da CUF

                             

                                                                   Auto-Maca, de 1940

                                    

                             Dois carros auto-bomba de combate a incêndios de épocas diferentes

        

Antigos Autocarros de Passageiros (3)

                                             Mercedes M 949 em 1929 na cidade do Funchal

                                   

                                                       Dodge de 1937 da Empresa Rodoviária

                                   

                                                        Maudslay, de 1952 da Sintra-Atlântico

                                  

                                                DAF da mesma empresa, numa foto de 1963

                                   

Antigos Hotéis de Lisboa (2)

Nesta gravura de 1874 o Grand Hotel du Matta no Largo das Duas Igrejas, (mais tarde mudando o nome para Largo do Chiado) no edifício conhecido por Palácio do Loreto. O nome Matta era o apelido do 1º dos grandes chefes de cozinha portugueses João Matta. 

                                         Grand Hotel du Matta (Chiado) 1779

Este edifício albergou também em 1844 o Hotel Peninsular, a seguir o Hotel Itália, em 1850. Em 1864 foi a 1ª sede do extinto Banco Nacional Ultramarino (integrado no grupo CGD em 1975). Em 1914 albergou a sede da Cª de Seguros "A Mundial". Hoje este edifício é conhecido pelo Palácio Pinto Basto.

                        Hotel Peninsular                                                   Cª de Seguros “A Mundial”, em 1914

 Hotel Península 1914 Cª Seguros A Mundial

                                                          Hotel Bragança, na Rua do Alecrim  

                                       Hotel Bragança (R. do Alecrim) 1958

                                                                           Hotel L’ Europe 

                                       

23 de maio de 2010

2 Gerações e 2 significados para SUV

Hoje em 2010 quando se fala de SUV (Sport Utility Vehicle) vem logo á ideia um tipo recente de veículo automóvel tipo "station-wagon" construído num chassis "light-truck". Perdoem-me estes "inglesismos" mas quando nós portugueses tentamos traduzir termos genuinamente ingleses (ou americanos...) saí-mo-nos mal.

Mas ... em 1975, a sigla SUV tinha outro significado no nosso país ... SUV era sigla de: "Soldados Unidos Vencerão". Em pleno "Verão quente" realiza-se o II Congresso da LCI (Liga Comunista Internacionalista), no qual surgem quatro tendências e são apresentadas cerca de meia centena de moções. Vence a corrente liderada por Francisco Vale, que é favorável à integração da LCI na FUR (Frente de Unidade Revolucionária), grupo que inclui também o MES (Movimento da Esquerda Revolucionária), o PRP (Partido Revolucionário do Proletariado) e a LUAR (Liga Unitária de Acção Revolucionária).

Em Agosto, a LCI constitui os SUV (Soldados Unidos Vencerão), grupos de militares clandestinos, que actuam no interior dos quartéis com vista a promover a auto-organização política dos militares. Os SUV actuam sob a direcção de Ferreira Fernandes, Manuel Resende, José Carvalho e Heitor de Sousa, entre outros.

                                  


                                                            Manifesto de Setembro de 1975 ...

                            
                                       Foto in:
Biblioteca Nacional Digital    

                                Depois da manifestação em Lisboa em 25 de Setembro de 1975... 



                          ... a 1ª Conferência de imprensa no Porto em 6 de Outubro 1975

                            
                                       Foto in: esfcastro.pt

22 de maio de 2010

Duarte Pacheco

O engenheiro Duarte José Pacheco (1899-1943) nasceu em Loulé a 19 de Abril de 1899, quarto filho (de onze) de José Azevedo Pacheco e Maria do Carmo Pacheco. Orfão de mãe aos seis anos de idade e orfão de pai aos catorze anos, frequentou o ensino em Loulé até ao terceiro ano do liceu. No ano lectivo de 1916-17 transitaria para o Liceu de faro, cocluindo o 7º ano com 17 valores. 

                                                           

Formou-se em engenharia electrotécnica pelo IST em 1923 com 19 valores. Características como a inteligência, o raciocínio rápido e matemático e a invulgar capacidade de trabalho de Duarte Pacheco e que a máquina do Estado Novo foi hábil em transformar num ícone do regime, não explicariam a obra, apenas a glorificaram num jogo de propaganda.

Na foto seguinte o "Instituto Superior Técnico", em Maio de 1948 durante a "Exposição de Obras Públicas". No lado oposto da Alameda Afonso Henriques viria a ser  construída a "Fonte Luminosa" também iniciativa deste estadista.

                                                                   Instituto Superior Técnico (1942)

                                  

                                                                          Fonte Luminosa (1948)

                                  

Em Outubro de 1925 Duarte Pacheco ingressou no corpo docente do IST como professor da disciplina de Matemáticas Gerais e dois anos depois tomou posse como director da mesma escola. Aos 28 anos foi Ministro da Instrução Pública e com 32 anos Ministro das Obras Públicas e Comunicações. Com 38 anos foi Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

                                                              Emissora Nacional, em Pegões (1938)

                                    

É autor de projectos dos bairros sociais de Alvalade, Encarnação, Madredeus, e Caselas em Lisboa.

                                  Bairro de Caselas                                                             Bairro de Alvalade

      

O Instituto Nacional de Estatística, a Casa da Moeda, Emissora Nacional, a Fonte Luminosa na Alameda Afonso Henriques, a Gare Marítima de Alcântara, a Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, Estádio Nacional, Aeroporto da Portela, Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo, Parque Florestal de Monsanto, etc …são muitas das obras mandadas construir por Duarte Pacheco.

                 Instituto Nacional de Estatística (1935)                                           Casa da Moeda (1941)

       

                       Gare Marítima de Alcântara (1943)                  Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos (1948)

       Gare Marítima de Alcantara.12 Gare Marítima da Rocha de Conde D'Óbidos.3

                               Estádio Nacional (1944)                                                  Aeroporto de Lisboa (1942)

        

Mandou construir as auto-estradas Lisboa-Estádio Nacional e  Lisboa-Vila Franca de Xira, pioneira da A1. Projectou a actual Av. de Roma, em Lisboa, e o bairro de Alvalade da forma como ainda hoje permanece, do ponto de vista imobiliário. Portugal deve-lhe a modernização dos serviços dos correios e telecomunicações.

Mandou construir a Estrada Marginal Algés-S.João do Estoril em 1934 tendo ficado concluída em 1940.

                                                                         Estrada Marginal (1942)

                                   

Duarte Pacheco dando início aos trabalhos de florestação de Monsanto (Lisboa) em 1938

                                                          Auto-Estrada Lisboa-Estádio Nacional (1944)

                                    

No desempenho dos cargos públicos que lhe foram confiados, foi distinguido com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, em 29 de Junho de 1933, e com a Grã-Ordem de Santiago da Espada, a 9 de Dezembro de 1940. A 9 de Junho de 1941 foi homenageado pelos municípios do País, como forma de agradecimento pela pronta resposta como reagiu aos prejuízos causados pelo ciclone de 15 de Fevereiro desse mesmo ano.

Escritório particular de Duarte Pacheco

 

 

                                      

Morreu no Hospital de Setúbal, consequência de hemorregias internas causadas pelo esmagamento de uma das pernas, a 16 de Novembro de 1943  na sequência de um acidente de automóvel, ocorrido na véspera, no regresso da visita às obras da estátua de D. João IV em Vila Viçosa, e a caminho de um Concelho de Ministros. O acidente ocorreu na estrada nacional 4 em Montemor-o-Novo, perto das instalações da Marconi. Quando o «Buick Roadmaster» se despistou na Nacional 4, a 15 de Novembro de 1943 ….. Portugal perdeu o melhor Ministro das Obras Públicas e Comunicações até hoje. Tinha apenas 44 anos de idade.

                                                                    Carro acidentado de Duarte Pacheco

                                       

Da acção política de Duarte Pacheco resultou um enorme edifício que compõe uma obra vasta. A mesma obra que, na sequência de uma morte brutal e prematura, o regime político tornou mito.

                                                                              Funeral de Duarte Pacheco

                  

Em 16 de Novembro de 1953, com a presença do Presidente do Conselho Dr. Oliveira Salazar, foi inaugurado em Loulé um monumento em memória do engenheiro Duarte Pacheco

               

«É complicado tentar descrevê-lo usando frases que não terminem em pensamentos de como seria Portugal, hoje, se tal não tivesse acontecido. Duarte Pacheco era progresso, era vontade de fazer e de melhorar e foi vitima da sua força e paixão de viver a vida.»

Fotos in:  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Old Portugal

Estrada Marginal da Costa do Estoril (1)

Em Abril de 1933, o Ministro das Obras Públicas e Comunicações engenheiro Duarte Pacheco entregara a Alfred Agache «a traça a que haveriam de obedecer no futuro todos os elementos de aproveitamento e valorização da magnífica faixa marginal a ser servida pela nossa primeira estrada de turismo». O Ministro recorrera aos serviços do vice-presidente da Sociedade Francesa de Urbanistas, para que se procedesse ao estudo preliminar de urbanização da zona de Lisboa ao Estoril e Cascais.

Em Setembro de 1934 a "JAE - Junta Autónoma das Estradas", criada em 1932, ficava encarregue de realizar o levantamento topográfico da região entre Algés e cascais, de modo a demarcar com rigor a rede de estradas que serviam a região. Segundo o plano original, esta "Estrada Marginal da Costa do Estoril" deveria prolongar-se num troço, nunca construído, que circundaria Lisboa, entre Algés e Moscavide, seguindo, aproximadamente o actual itinerário da CRIL.

Em 26 de Junho de 1942 está concluída a construção desta Estrada Marginal e do primeiro troço da Auto-Estrada Lisboa-Cascais ao Jamor. Em fase de conclusão estavam também a Gare Marítima de Alcântara, Aeroporto de Lisboa.

O bloco de imagens seguinte é referente ao troço desde o Algés até Carcavelos, nos anos 40 e 50

                                              Estrada Marginal junto às esplanadas de Algés

                                    Algés.2

O “Alto da Boa-Viagem”. Aqui confluíam a Estrada Marginal de quem vinha de Algés e o acesso à auto-estrada Lisboa-Jamor. Nesta confluência existia um restaurante de seu nome “Restaurante Boa Viagem”, inaugurado em 1948 sob o projecto do arquitecto João Faria da Costa, que se poderá ver do lado direito da foto.

                                   

                                                      Continuando em direcção a Caxias …

                                   

                                          … a descida para a praia de Santo Amaro de Oeiras …

                                    

                              … e em Carcavelos junto ao Sanatório Doutor António José d’Almeida