Restos de Colecção

28 de novembro de 2017

Cinema do “Casino Estoril”

O primeiro Casino Estoril”, foi promovido por Fausto de Figueiredo, e projectado pelo arquitecto Raoul Jourde, em estilo Art Déco e inaugurado em 15 de Agosto de 1931. Com ele o primeiro Cinema do “Casino Estoril”.


6 de Setembro de 1931

 

Cartaz de 1932 e publicidade de 1934 com referência ao Cinema do primeiro “Casino Estoril”


1946

“Programa” do Cinema do primeiro “Casino Estoril”, para o período de 10 a 16 de Agosto de 1964

Programação semana no jornal “Diario de Lisbôa” em 23 de Dezembro de 1941

O novo Casino Estoril’”, viria a ser inaugurado em 28 de Março de 1968. Projectado pelos arquitectos Filipe Nobre de Figueiredo (1913-1990) e José Almeida Segurado (1913-1988), o projecto de decoração de interiores ficou a cargo de Daciano da Costa e José Espinho (“Móveis Olaio”), tendo este último desenhado todo o mobiliário.



Plantas do Corte Longitudinal e do Tecto da autoria de Eduardo A. Dias de Fevereiro de 1967 (© copyright Daciano da Costa Office)

Maqueta da sala (© copyright Daciano da Costa Office)

O cinema, teatro e anfiteatro, do novo “Casino Estoril”, com lotação para 452 espectadores, seria inaugurado em 2 de Abril de 1968 como o filme da “Walt Disney”, intitulado “Bailarina”. Esta sala de espectáculos foi projectada e decorada pelo arquitecto, professor, pintor e designer Daciano Henrique Monteiro da Costa (1930-2005), que  tinha iniciado a sua actividade em 1947, e estabelecido um atelier próprio em 1959.


Entrada do cinema do “Casino Estoril”



Sala de cinema, teatro e anfiteatro 

Quanto à sua inauguração em 2 de Abril de 1968, o jornal “Diario de Lisbôa” descrevia no dia seguinte:

«Cadeiras forradas a um tom verde mar, paredes de um castanho claro, mostrando os veios da madeira fina, um tecto de belos efeitos (recordando o do Teatro Villaret), alcatifas de verde-azul-marinho escuro, reposteiros igualmente azulados. Uma cortina que abre lateralmente para descobrir um 'ecran' de belas proporções.
Iniciada a sessão veríamos também que a projecção obedecia a todas as regras (pelo menos no refere ao 'ecran normal' que 'Bailarina' exigia). Iluminação correcta, óptimo som, boa visibilidade.
Lotação máxima. 452 lugares. Autor do projecto de decoração: Daciano da Costa, auxiliado por Jorge Vieira e Eduardo Afonso Dias. (...)
Este cinema do Casino Estoril destinar-se-á, em princípio, a 'reprises' de estreias recentes. A sua estreia de ontem justifica-se como inauguração solene da sala.»

 

Capa e contracapa de “Programa” do Cinema para o período de 20 a 29 de Setembro de 1968

“Programa” do Cinema para o período de 16 a 22 de Agosto de 1971

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Horácio Novais), Hemeroteca Digital, Biblioteca Nacional Digital, Atelier Daciano da Costa

26 de novembro de 2017

Farmácia Barral

A "Farmácia Barral"  foi fundada em 1835 na Rua Áurea, em Lisboa, por José Maria Barral. Em 1849, seus irmãos Dr. António Francisco Barral, Dr. João Pedro Barral prestigiados professores da Escola Médica, e outro irmão Raimundo António Caetano Barral, associaram-se a José Maria Barral e formaram a firma "Barral & Irmão", e logo se transformou numa das mais importantes farmácias do país.

“Farmácia Barral” na Rua Áurea

Anúncio em 1863

Começa então um período de enorme actividade, fornecendo Hospitais, Laboratórios e Companhias, iniciando-se transacções importantes com as Ilhas e Colónias, mantendo a supremacia na venda, não só de artigos farmacêuticos, como toda a espécie de instrumentos de precisão.

Como tal, é a "Farmácia Barral" que fornece a nossa Marinha Mercante e Marinha de Guerra, a aparelhagem para os postos meteorológicos de Moçambique, Angola, Índia, Cabo Verde e Madeira, assim como as mais reputadas firmas de então e as mais nobres famílias da segunda metade do século XIX, incluindo a Casa Imperial do Brasil.


Por falecimento de Raimundo António Caetano Barral em 1879, assume a direcção seu parente Luís Barata Diniz, empreendedor e com a noção clara das necessidadesda época e que imprimiu à farmácia um forte movimento de progresso.

Em 1891, sucedeu-lhe seu primo António Alves Barata, farmacêutico, formado pela Universidade de Coimbra, espírito dotado de uma grande tenacidade e que soube dar ao seu comércio enorme impulso, nunca esquecendo a parte técnica inerente à sua responsabilidade profissional, que valorizou brilhantemente.

1909


1912

Ainda no século XIX a "Farmácia Barral" destacou-se pela excelência dos seus produtos, designadamente os manipulados, alguns dos quais, como o “Barral Creme Gordo”, conseguiram a rara proeza de confundir a marca comercial com o próprio produto. Ainda hoje, quando se diz «Creme Barral», quer dizer-se «Creme Gordo».

Tendo em conta a elevada procura do produto, são criados os “Estabelecimentos Barral” que permitem industrializar a produção de "Barral Creme Gordo". 

Rapidamente o negócio cresceu, atingindo tais proporções que os manipulados farmacêuticos da "Farmácia Barral" foram autonomizados em laboratórios próprios, chegando a ser os maiores do país. A sua produção foi notável e dos seus laboratórios, excelentemente apetrechados, saíram preparados farmacêuticos que ainda hoje são procurados. Concorrendo com os seus produtos a várias exposições internacionais, a "Farmácia Barral" em todas foi recompensado com honrosos prémios.

Laboratórios da “Farmácia Barral”  





1943



Em meados do século XX a "Farmácia Barral" adquiriu a "Farmácia Avelar", também muito conceituada na época e com instalações na Rua Augusta e Rua dos Sapateiros. Depois de vender as suas instalações originais e de absorver a farmácia então comprada realiza-se a mudança da "Farmácia Barral" para o número 225 da Rua Augusta, onde permanece até então.

Por morte de António Alves Barata, a "Farmácia Barral", passou a ser dirigida por Jayme Alves Barral, pessoa de incontestáveis méritos profissionais, que dotou o estabelecimento com todos os requisitos exigidos pela técnica moderna de então, impondo-o entre os mais categorizados e de maior destaque.








Ao longo do séc. XIX e da primeira metade do séc. XX o grupo foi crescendo e afirmando-se, transferindo a comercialização dos seus produtos do retalho para a distribuição e daqui para a indústria, sector onde alcançou o seu apogeu, nos anos 20 e nos anos 60 do séc. XX, sempre nas mãos da mesma família.

Envelope em 1931 

1951

1953

 Stand na “Feira das Indústrias de Lisboa”, em 1957

  

Após 1974 e o simultâneo falecimento do seu líder de então, o grupo entrou em declínio e acabou fraccionado, sendo os seus activos vendidos separadamente.

Em 2000 a marca “Barral” é vendida à empresa “Angelini Farmacêutica”, e em 2006 esta emblemática farmácia muda de novo de proprietário e dá o nome de "Rede Barral", iniciando um novo ciclo de existência.  

          

Cerca de 2013, a "Farmácia Barral", na Rua Augusta, sendo uma das mais antigas e mais relevantes farmácias portuguesas sofreu profundas obras de remodelação. No espaço agora modernizado, e que passou a contar com duas entradas, pratica-se hoje a mais avançada actividade de farmácia.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Farmácia Barral