Restos de Colecção

4 de março de 2015

Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra

A “Biblioteca Joanina”, situada no “Palácio das Escolas” no pátio da Faculdade de Direito da “Universidade de Coimbra”, num estilo marcadamente rococó, é reconhecida com uma das mais originais e espectaculares bibliotecas barrocas europeias, e das mais belas do Mundo.

“Biblioteca Joanina” da Universidade de Coimbra

 

“Biblioteca Joanina” e “Capela de São Miguel”

Ficaria conhecida como “Biblioteca Joanina” em honra e memória do Rei D. João V (1707-1750), que patrocinou a sua construção e cujo retrato, da autoria de Domenico Duprà (1725), domina o espaço de uma das salas.

 

Em meados do século XV, a “Biblioteca de Coimbra” que tinha sua sede em Lisboa, foi transferida para Coimbra, passando a ser conhecida como “Casa do Livro” e ter status de Biblioteca Pública. Porém, com a reforma católica do Concílio de Trento, ela perdeu o status de pública - apesar de legalmente ser considerada assim. Somente no final do século XVII, é que a existência da Biblioteca de Coimbra seria formalizada, com a sua sede merecendo uma reforma, já que se encontrava em um local com mais de 700 anos. Para isso seu acervo foi transferido para o segundo andar enquanto aguardava a finalização da obra, que só aconteceu muitos anos depois, quando o reitor procurou o Rei D. João V, e argumentou de forma veemente que os estatutos da Universidade não estavam sendo respeitados, e que a Biblioteca não possuía um lugar condizente com seu rico acervo.

  

 

O Rei D. João V aceitou os argumentos, e nesse ano se iniciou a construção de uma das mais importantes Bibliotecas do Mundo, em Coimbra. A sua construção começou no ano de 1717, no exterior do primitivo perímetro islâmico, sobre o antigo cárcere do Paço Real, com o objectivo de albergar a biblioteca universitária de Coimbra, e foi concluída em 1728.

O mestre de obras foi João Carvalho Ferreira. A decoração pintada só foi realizada alguns anos mais tarde, já nas vésperas da Reforma Pombalina: os frescos dos tectos e cimalhas foram executados por António Simões Ribeiro, pintor, e Vicente Nunes, dourador. O grande retrato do Rei é atribuído ao italiano Domenico Duprà e a pintura e dourada das estantes foi realizada por Manuel da Silva. O mobiliário, em madeiras exóticas, brasileiras e orientais, foi executado pelo entalhador Francesco Gualdini.

 

 

A “Biblioteca Joanina”, receberia os primeiros livros depois de 1750. O edifício alberga mais de 200.000 volumes, nos seus três pisos.

Algumas das curiosidades da “Biblioteca Joanina” da Universidade de Coimbra:

- Uma das cópias das tábuas dos roteiros do vice-rei D. João de Castro na Índia é provavelmente a peça mais valiosa da biblioteca. Datada do século XVI, é a única com os desenhos. Como as outras maiores raridades do espólio de Coimbra, está guardada no cofre do edifício central.

- Quando a biblioteca fecha, as mesas são cobertas com peles para as proteger das fezes dos morcegos. Animais que não são exterminados porque se alimentam dos insectos que danificam os livros. Há registos de peles compradas à Rússia já no século XVIII para preservar as mesas.

- Os 59 mil livros guardados na “Biblioteca Joanina” podem ser consultados. Basta avisar com 24 horas de antecedência. A obra será transportada para o edifício da “Biblioteca Geral”, onde poderá ser estudada. No local do livro requisitado, fica um papel com o aviso de uma obra ausente.

“Biblioteca Geral”

- As obras mais raras estão no cofre, como uma primeira edição de "Os Lusíadas", uma "Bíblia" mais valiosa do que a primeira editada por Gutemberg, os roteiros de D. João de Castro ou a "Bíblia Hebraica", que cada embaixador de Israel colocado em Portugal faz questão de visitar pessoalmente.

- Manuscrita em pergaminho, a "Bíblia Hebraica" é uma das raras atribuível aos calígrafos de Lisboa. Datada da segunda metade do século XV, é raríssima, devendo haver apenas cerca de 20 exemplares em todo o mundo. A maior parte acabou queimada nas fogueiras da Inquisição.

- As madeiras da “Biblioteca Joanina” são pintadas com delicados motivos orientais. Conhecidas como as chinoiseries, visam representar o cosmopolitismo do reinado de D. João V, o patrono da biblioteca. Tinham-lhe pedido uma nova sala, mas o soberano construiu um edifício para guardar livros.

- Quando há doutoramentos «honoris causa», o cortejo de sábios vai da “Biblioteca Joanina” à “Sala dos Capelos”. Concertos e cerimónias também podem ali ter lugar. O conjunto da “Biblioteca Geral” da Universidade de Coimbra - o edifício e o conteúdo - é candidato a Património Europeu.

- O piso mais baixo da “Biblioteca Joanina” é a antiga prisão dos estudantes, que funcionou até 1832. Antes terá sido um antigo cárcere medieval do palácio real, construído sobre ruínas da zona muçulmana. Na exposição, uma cela deverá acolher um retrato do marquês de Pombal.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Coulthard Institut

3 de março de 2015

Antigamente (112)

“Sociedade de Geografia de Lisboa” fundada em 1875 na Rua Eugénio dos Santos em Lisboa

 

Sala do “Jardim Cinema”, na Avenida Álvares Cabral, em Lisboa

Chegada de recrutas para o exército à “Estação do Rossio” , em 1939

1939 Chegada de Recrutas

Gravação em estúdio, na RTP

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

1 de março de 2015

Colégio Valsassina

As origens do “Colégio Valsassina”, fundado em 1932, na Avenida António Augusto de Aguiar, em Lisboa, remontam a 1898, altura em que a professora Susana Duarte fundou uma pequena Escola Primária na Rua de Santa Marinha, na Freguesia da Graça. Tendo casado com o professor Frederico César de Valsassina, a então Escola Primária foi alargada ao Ensino Liceal para a preparação individual de alguns alunos.

“Colégio Valsassina” na “Quinta das Therezinhas”

Devido ao número crescente de alunos, a Escola transferiu-se para uma moradia em Benfica, nessa altura um bairro periférico de Lisboa, e já com cursos regulares, Primário e Secundário. Chamava-se então “Escola Moderna”. Foi encerrada em 1918, por dificuldades associadas aos efeitos da I Guerra Mundial e à situação económica do País, incluindo a falta de apoio ao Ensino Particular.

“Escola Moderna”, em Benfica

 

Anúncio de 1 de Outubro de 1914

Em 1919, ainda em Benfica, o professor Frederico César de Valsassina reabre novas salas de estudo para preparação individual de alunos, tendo-se posteriormente instalado na Praça Luís de Camões, no centro de Lisboa. Esta situação manteve-se até 1931. Em Setembro de 1932, já com o nome de “Escola Valsassina”,  instalou-se na Av. António Augusto de Aguiar n.º 130, tendo sido autorizada a funcionar como Escola Primária e Salas de Estudo.

Frederico César de Valsassina (1884-1951)

Em Outubro de 1934 a Escola transferiu-se para o “Palácio Lousã” situado na mesma Avenida António Augusto de Aguiar mas no n.º 148, onde começou a verdadeira existência do “Colégio Valsassina”. Dispondo de magníficas instalações para a altura, permitiu o lançamento de um projecto educativo inovador, com todos os tipos de Ensino - Infantil, Primário e Liceal - para cerca de 300 alunos e com regime de internato para  cerca de 80 alunos a partir dos finais dos anos 40 do século XX e até Setembro de 1959.  Em 1948 começou a funcionar a “Colónia de Férias” nas Azenhas do Mar, em Sintra, com uma capacidade que foi sendo continuamente melhorada e renovada para mais de 60 alunos.

Anúncio em 1 de Outubro de 1940

Edifício na Av. António Augusto de Aguiar como “Escola Valsassina”, e desocupado  para demolição

  

Devido à grande procura de terrenos no centro da cidade e dado o edifício onde funcionava o Colégio estar arrendado e o proprietário mostrar desejo de o demolir, a família procurou um local onde pudesse vir a ser construído um novo Colégio e desenvolvido o projecto educativo em curso. Em Novembro de 1948 foi adquirida a “Quinta das Therezinhas”, junto à Avenida Gago Coutinho, onde funciona actualmente o “Colégio Valsassina”. Durante o período de 1948-1959 funcionaram em simultâneo duas secções: uma na Avenida António Augusto de Aguiar com a designação de “Colégio Valsassina” e outra na “Quinta das Therezinhas” com o nome de “Colégio Suzana de Valsassina”.

Azinhaga de acesso ao “Colégio Suzana de Valsassina”, com início na Avenida Gago Coutinho

A partir de 1 de Outubro de 1959 as duas secções fundiram-se numa única, passando o “Colégio Valsassina” a funcionar somente na “Quinta das Therezinhas”, na altura já com cerca de 500 alunos, incluindo internato.

Colégio Valsassina.9   Colégio Valsassina.9.1

 

 

Entretanto, após a morte do Professor Frederico Valsassina em 1951, o seu neto, Frederico Lúcio de Valsassina Heitor, que se tinha licenciado em matemática após ter iniciado estudos em engenharia no Instituto Superior Técnicoem Lisboa, passou a colaborar nos destinos do Colégio, assumindo a direcção pedagógica. Em 1954 casou com Maria Manuela, educadora, que viria a assumir a partir dos anos 60 a coordenação dos ensinos infantil e primário. Ambos desenvolveram e aprofundaram o projeto educativo do Colégio, com base na profissionalização gradual de um corpo docente de qualidade e assente numa formação humanista de cariz laico.

Frederico Valsassina Heitor (1930-2010)

O “Colégio Valsassina” modernizou-se e expandiu-se, atingindo cerca de mil alunos no final dos anos 60 do século XX, tendo entretanto sido construídos quatro novos pavilhões - liceal, infantil, internato e ginásio - projectados pelos arquitectos Raul Tojal e Manuel Carvalho. O reconhecimento público do trabalho então desenvolvido foi manifestado pela atribuição, em 1958, do grau de “Oficial da Ordem de Instrução Pública” ao seu então Director, Mário Heitor.

 

 

Nos finais dos anos 70, após a sua morte e num novo contexto político e socioeconómico em Portugal, o internato e a Colónia de Férias foram extintos e o “Colégio Valsassina” voltou a expandir-se para a sua capacidade e configuração actual, com cerca de 1400 alunos, 50% dos quais nos ensinos infantil e primário. Em 1976 é concedido ao Colégio o chamado ”paralelismo pedagógico” por tempo indeterminado, tendo sido atribuída em 1984 ”autonomia pedagógica” para o Sector Primário, a qual seria alargada a todo o ensino ministrado no Colégio em 1986. O contínuo reconhecimento público ao trabalho do Colégio foi então manifestado pela atribuição, em 1985, do título de “Membro Honorário da Ordem de Instrução Pública” .

 

 

 

 

Dez anos mais tarde, em 10 de Junho de 1995, Frederico Valsassina Heitor foi agraciado com o grau de “Comendador da Ordem de Instrução Pública”. Entretanto, o seu filho João, bisneto dos fundadores, que colaborava na direcção do Colégio desde 1976, assumiu, no ano 2000, a direcção Pedagógica do Colégio, na qual passou também a colaborar a Professora Maria Alda Soares Silva. Frederico Valsassina Heitor estabeleceu então uma sociedade famíliar para assumir os destinos do Colégio, á qual presidiu até á sua morte inesperada em 2010. A partir de 2009 tinha passado a contar também com a colaboração da sua neta Maria, iniciando assim o envolvimento da 5ª geração sucessiva da família Valsassina que tem norteado os destinos do “Colégio Valsassina”.

“Colégio Valsassina”, actualmente

 

 

Bibliografia: texto histórico retirado e adaptado do site do “Colégio Valsassina”

Fotos in: Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Colégio Valsassina