Restos de Colecção

4 de outubro de 2013

Hotel de Turismo de Abrantes

O “Hotel de Turismo de Abrantes”, localizado no centro de Abrantes e com vista para o vale do Tejo, foi inaugurado em 9 de Outubro de 1954. A sua construção deveu-se à iniciativa de investidores locais, de entre os quais, Albuquerque do Amaral Cardoso e Manuel Fernandes.Houve também investimento directo do Estado, que ainda é accionista da Sociedade Hotel Turismo de Abrantes SA, que foi dona do edifício até que o vendeu. Ambos já tinham sido os dinamizadores da fundação do Cine-Teatro S. Pedro , também em Abrantes, e inaugurado em 1949.

                                Hotel de Abrantes.1 

 

                                 

Este hotel foi projectado pelo arquitecto Vasco Lacerda Marques, tendo sido construído em apenas 10 meses. «Pode considerar-se, no seu género, o melhor do País.». A quando da sua inauguração, possuía apenas 25 quartos quase todos com varanda privativa, mas projectado de forma a ser aumentado, com facilidade, com mais 20 quartos.

«Todos os quartos possuem água quente e fria, banho e instalações sanitárias, havendo telefone em quase todos e telefonia em alguns. As casas de banho possuem luz e ventilação directas, o que representa uma originalidade que se não vê mesmo nos hotéis de luxo.»

O vestíbulo foi decorado com vitrais pintados segundo desenhos de Helena Perestrelo Marques. A sala de jantar «que faz lembrar um "deck" dum grande transatlantico», foi enriquecida com duas telas do pintor Lázaro Lozano, uma com auma interpretação de Adão Eva no Paraíso, e outra uma natureza morta.

«As instalações da cozinha são inteiramente eléctricas, o que é, também, original, em hotéis do país.»

Interior do Hotel de Turismo

Hotel de Abrantes.4 (Hall de entrada) Hotel de Abrantes.3 (Salão de Leitura)

                                     Hotel de Abrantes.7 (Quarto)

Hotel de Abrantes.5 (Bar) Hotel de Abrantes.6 (Sala de jantar)

                                  Hotel de Abrantes.15

1955

                                 

Etiqueta de bagagem

A “Sociedade Hotel Turismo SA.” antiga proprietária deste Hotel, vendeu-o  a um Fundo de Turismo e hoje é mera inquilina do dito Fundo.  É actualmente  administrado por um estranho grupo económico ligado a “Promociones el Santiscal”.

Actualmente, o “Hotel de Turismo de Abrantes”, classificado com 3 estrelas, mantém um ambiente anos 50 do século XX, com os seus 43 quartos e suites, com um charme clássico, de três estrelas. O restaurante, no piso térreo, serve cozinha regional.

 

                                      

                                                    

                                        Hotel de Abrantes.9

Em Novembro de 2012 o arquitecto Gonçalo Byrne apresentou do projecto da intenção de ampliação do “Hotel Turismo de Abrantes”, que, «apesar de estar ainda numa fase muito inicial, pretende enquadrar um novo edifício, espelhado, ao lado do existente, fazendo uma ligação entre a área que já existe e a nova. O objectivo é triplicar o número de quartos, mais concretamente passar dos actuais 42 para 125, por forma a que a unidade possa ganhar escala.». Por outro lado, a construção do novo edifício contempla ainda dois pisos de garagens, até agora inexistentes, e outros três com quartos, áreas técnicas e um spa e ginásio.

fotos in: Delcampe.net, Hotel Turismo de Abrantes

3 de outubro de 2013

Estações de Caminho de Ferro (7)

Estação de Amarante

Estação de Caldas de Moledo

Estação da Amadora

Estação de Algueirão-Mem Martins

2 de outubro de 2013

Maxim’s - Club dos Restauradores

O Club “Maxim’s”, propriedade de José Nunes Ereira, foi inaugurado em 1908 como “Club dos Restauradores”. Era em 1920 o expoente máximo da Lisboa elegante e boémia. Em forma de arrendamento, ocupou boa parte do “Palácio Foz”, antigo “Palácio Castelo Melhor, na Praça os Restauradores, em Lisboa.

Reclamo do “Maxim’s” na fachada do “Palácio Foz” com o “Central Cinema” e a “Pastelaria Foz”, entre outros


                                             1921                                                                                     1934

Pub.2    

O “Maxim’s”, foi o primeiro club a aparecer em Lisboa, com dancing, salas de jogo e roleta, bar e restaurante onde se podia comer pela madrugada dentro.

O “Club dos Restauradores” ou “Maxim's” e o “Clube dos Patos”, no Largo do Picadeiro ao Chiado, abrem portas antes da I Guerra Mundial como casinos, diversificando gradualmente os seus serviços de modo a conquistar mais público e, de certa forma, a camuflar a sua actividade original. Durante a Guerra mantêm-se abertos, a par de outras casas de jogo que proliferam na capital, alimentadas por novos-ricos ou estrangeiros refugiados em Lisboa. Contudo, segundo Reinaldo Ferreira, o “Repórter  X”, «o primeiro cabaré a sério - misto de clube, de dancing e de casino» seria o Palace Club”, inaugurado em pleno conflito, para encerrar pouco depois, em 1920

Entrada


 Salão de jantar e dancing

                                     Salão Nobre                                                     Salão Nobre utilizado como Sala de Jogo

 
fotos de Carlos Vasques (c.1922) in revista Contemporânea de Outubro de 1922

Quanto à descrição dos seus interiores, publico de seguida um artigo do “Diario de Lisbôa” de 21 de Junho de 1940, aquando da notícia do leilão do seu recheio, por motivo de entrega do imóvel ao seu novo proprietário, o Estado,  - cujo anúncio publico no final deste artigo - e que descreve pormenorizadamente este club

Em meados de Fevereiro de 1921, o grupo de estabelecimentos autorizados a estarem abertos das 0 às 4 horas, incluíam já o “Monumental Club”, o “Maxim’s”, o “Palais Royal”, o “Ritz Club” e o “Clube dos Patos”. Estes seis clubes continuavam a ter licença para encerrar apenas às 4 horas em meados de Março do mesmo ano.

Em 1920 as casas de jogo existentes em Lisboa eram:  “Maxim’s”, “Palace Club”, “Majestic Club”, “Regaleira Club”, “Ritz Club”, “Clube dos Patos”, “Bristol Club”, “Club Internacional”, “Palais Royal”, “Olympia Club” e o “Club Montanha”.

Acerca de clubs lisboetas do século XX, consultar o artigo neste blog no seguinte link: “Clubs Nocturnos de Lisboa”.


Os jogos de casino estavam proibidos em Lisboa.  O “Maxim’s” infringia a proibição e oferecia secretamente essa distracção a alguns clientes.  Era uma actividade exercida num local do Palácio Foz em que o acesso era demorado, bem longe da porta da rua e da escadaria monumental.

No primeiro andar, num corredor perto do topo da escadaria, havia um cubículo que durante algum tempo serviu de abrigo para um empregado que aí passava o seu tempo sentado numa cadeira e com uma mesa à sua frente, e estava ligado por um fio a uma campainha de alarme instalada na zona secreta do jogo.  A policia procedia a visitas frequentes, e quando os agentes chegavam ao local do «crime» já tudo tinha sido modificado. A própria mesa da roleta não estava visível, os clientes estavam sentados em sofás fumando, tomando bebidas e conversando descontraidamente, servidos por empregados que falavam uns com os outros baixinho…

Mas às vezes o dispositivo de segurança não funcionava bem e a policia descobria o disfarçe. E então o “Maxim’s” era imediatamente encerrado por tempo indeterminado.

                                             1922                                                                                          1925

 

Programa em que apresenta algumas fotos do “Maxim’s”

 

 

A frequência dos clubes nocturnos variava, mas os mais elegantes seriam de facto o “Maxim’s” e o Bristol Club”. O primeiro era sobretudo procurado pela elite política e económica de Lisboa. A selecção à porta era apertada, mas o ambiente era frenético, muito por culpa dos surpreendentes jogos de luzes, comandados diariamente por um electricista, a partir da sua cabina de distribuição eléctrica.

1922

 

   

As festas do “Maxim’s” e do Bristol Club tornaram-se célebres pela animação que ostentavam durante o Carnaval:

«O Bristol Club, um dos mais afamados da capital, emprestando a Lisboa a nota elegante de uma cidade civilizada, com o seu dancing, festejou este ano o Carnaval com a graça e o brilhantismo que era de prever. O aspecto de um baile do Club Maxim’s, um dos mais animados e divertidos dos que se realizaram nos clubs lisboetas» in revista ABC de 1927

O “Maxim’s” depois de encerrado no início de 1929 para melhoramentos e não só … reabriria em 17 de Novembro de 1929. A propósito o jornal “Diario de Lisbôa” escrevia: «Pois o Maxim's - que o Governo, e muito bem, escolheu para funcionar como dancing, nos termos da lei da regulamentação do jôgo - reabre amanhã.».

Em 1930 o que se salienta na imprensa em relação ao “Maxim’s”, continua a ser a distinção da sua clientela: «Os salões do Palácio Foz estiveram regurgitantes do que de melhor há em Lisboa, em nomes antigos com legendas nos melhores dos solares, na diplomacia, nas artes e nas letras.»

                                                 Etiqueta                                      Publicidade numa publicação estrangeira

        

Ficha de jogo

O “Clube dos Restauradores - Maxim’s”, terá encerrado definitivamente, a seguir ao Reveillon de 1939.

Último anúncio que encontrei do “Maxim’s”. Publicado no “Diário de Lisboa” a 30 de Março de 1940

Já encerrado definitivamente ainda funcionou, esporadicamente, por períodos de alguns dias, com acesso vedado ao público, para servir banquetes de iniciativa privada, muito distanciados. As sobras, desses banquetes, revertiam a favor dos empregados - alguns deles já a trabalhar no Grande Casino Internacional”, no Monte Estoril.

Finalmente, e em 21 de Junho de 1940 …

Lembro, mais uma vez, que para mais informação acerca de clubs lisboetas do século XX, consultar o artigo neste blog no seguinte link: “Clubs Nocturnos de Lisboa”.

Bibliografia: foi ,também, consultada a Tese de Mestre em História Moderna e Contemporânea “Clubes Nocturnos Modernos em Lisboa: Sociabilidade, Diversão e Transgressão (1917-1927) de Cecília Vaz Santos (Setembro de 2008)

Nota: Muito agradeço a colaboração do Sr. Fernando Pinheiro, em alguns relatos históricos.

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Digital, Colecções Senador, Museum of Gaming Story

1 de outubro de 2013

Prédios Antigos de Lisboa (3)

Avenida Duque d’Ávila

Anos mais tarde, no lugar destes prédios seriam construídos, além de outros, dois hotéis juntos um ao outro: “Hotel Príncipe” e “Hotel do Reno”, que exteriormente eram sensívelmente iguais. Ainda existem. O primeiro como “Hotel Príncipe Lisboa” , e o segundo como “Sana Reno Hotel”.

 

Rua D. João V

Rua Brancaamp

Rua dos Jerónimos em Belém

Pouco tempo mais tarde junto a estes prédios da Rua dos Jerónimos, seria edificado e inaugurado o “Hotel da Torre”, que ainda hoje existe.

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Delcampe.net