Restos de Colecção

4 de janeiro de 2013

Automóvel Club de Portugal

O “Real Automóvel Club de Portugal” foi fundado na Sociedade de Geografia de Lisboa no dia 15 de Abril de 1903, data em que foi aprovado o projecto dos respectivos Estatutos e em que foram eleitos, por aclamação, os primeiros corpos gerentes.

Dois Sócios fundadores do Real Automóvel Club de Portugal

                        D. Eduardo de Noronha                                  Sebastião Teles (Director do RACP)

   

Na foto anterior Sebastião teles está ao volante dum “Renault” Type NN 40 Cv Landaulet de 1926.

O Real ACP, passaria a ter existência legal a 31 de Maio de 1903, aquando da aprovação dos seus Estatutos pelo Governador Civil de Lisboa, figurando como Presidente Honorário o Rei D. Carlos, como Vice-Presidente Honorário o Príncipe D. Luís Filipe e como Presidente Perpétuo da Assembleia Geral o Infante D. Afonso.

O emblema do Real ACP seria aprovado em sessão de 7 de Junho desse mesmo ano, apresentando a particularidade de ter sido desenhado pelo punho do próprio Rei D. Carlos que colocou à consideração da direção os seis estudos que realizou.

A ação desenvolvida pelos dirigentes do Real ACP nos anos que se seguiram à fundação apontou, desde logo, quais os caminhos que o clube deveria trilhar no futuro: luta constante e persistente por leis mais justas e condições mais favoráveis para o automóvel e para os automobilistas; esforços e iniciativas tendentes a melhorar o estado das estradas e a segurança da circulação rodoviária; promoção a todos os níveis do desporto automóvel; desenvolvimento do turismo e incremento das relações com os clubes congéneres estrangeiros.
 
Em Novembro de 1907, por ocasião do Congresso da Associação Internacional dos Automóveis Clubes reconhecidos, foi criada a Comissão Desportiva Internacional, ficando o Real ACP nela representada por um Delegado, posição que ainda hoje se mantém.

Primeira sede do ACP no Largo das Igrejas ao Chiado

Em sinal de luto pelo assassinato do Rei D. Carlos e do Príncipe D. Luís Filipe, em 1908, o Real ACP não realizou corridas nem concursos, mas prosseguiu a sua acção no que se refere à luta em prol dos direitos dos automobilistas. Durante o período que antecedeu a República, o Real ACP obteve ainda outros benefícios importantes, conseguindo que o Governo mandasse reparar várias estradas e construir novos troços.
 
Alguns dias após a implantação da República, em 28 de Outubro de 1910, a Direcção do Club depôs o seu mandato nas mãos do Vice-Presidente da Assembleia Geral, sob a presidência do Marquês de Castelo Melhor, que se reuniu 6 de Março de 1911 e, além de proceder à eleição de novos corpos gerentes, decidiu eliminar o título Real, que perdera o significado com o termo da Monarquia, passando a designar-se “Automóvel Club de Portugal”. A Direcção eleita era presidida pelo Dr.António Macieira.

                                                               

Com a eleição, em 1928, de uma nova Direcção, presidida por Ricardo O'Neill, o ACP entrou numa fase de enorme desenvolvimento. Foi neste período, em que as iniciativas e realizações se sucederam em ritmo acelerado, que surgiu o “Boletim Oficial do Club” e foi editado, pela primeira vez, o “Mapa das Estradas”.

                                          1929                                                                               1930

         

Veículos de “Pronto Socorro em Estrada

                                                                                    Reboque de 1937

 

No final dos anos 20, a expansão entretanto verificada levou o Club a procurar Sede própria, mudando-se para o “Palácio de Palmela”, no Calhariz e adquirindo, posteriormente, o Palacete de Tarouca, na Rua Rosa Araújo. Consultar artigo, neste blog, no seguinte link: : “Antiga Sede do Automóvel Club de Portugal

 

O ACP foi reconhecido oficialmente como Instituição Pública, a 21 de Março de 1931, por proposta dos Ministros das Finanças e da Instrução Pública. Em  5 de Outubro de 1932 foi feito Comendador da Ordem de Benemerência.

Em Julho de 1934, foi inaugurada a Escola de Condução do ACP”, seguida das do Porto em 1935 e de Coimbra em 1960.

Primeiros automóveis de instrução do ACP

  

Para mais pormenores de veículos de instrução do ACP consultar, neste blog o seguinte link: “Automóveis de Instrução do ACP

Escola de Condução no Palácio Palmela no Calhariz

 

Para história e imagens desta secção do ACP, consultar, neste blog, o seguinte link: Escola de Condução do ACP

                           Mapa das Estradas                                                      Cartão de Sócio

      

No ano seguinte, o ACP criou uma secção designada por “Centro Português de Turismo”, que passou a representar o País na “Alliance Internationale de Tourisme” (AIT) e deu imediatamente início a numerosas acções, tendentes a promover o Turismo. Neste mesmo ano, foi conferida ao ACP a Comenda da Ordem de Benemerência.

Revista do ACP de 1931

                                             1943                                                                                      1952

     

Em 1950 é inaugurada a actual Sede do ACP na Rua Rosa Araújo em Lisboa, ficando esta assinalada pela entrega ao Club das insígnias da Comenda da Ordem de Cristo. Consultar artigo, neste blog, no seguinte link: “Sede do Automóvel Club de Portugal

                                                                     Sede do ACP na Rua Rosa Araújo

ACP Palácio de Tarouca (Sede)

 

A Sede do ACP na Rua Rosa Araújo foi alvo dum post específico no seguinte link:  Sede do Automóvel Club de Portugal

  

                   

Instalações da Escola de Condução e Assistência de Pronto Socorro na Avenida Barbosa du Bocage

       

Em 1953 o “Automóvel Club de Portugal” comemora o seu Cinquentenário.

                                                         

                                                                   Visitas de Estado na Sede do ACP

      Presidente da República General Craveiro Lopes                        Presidente do Conselho Dr.Oliveira Salazar

 
 
Em Abril de 1959  é inaugurada a nova Sede da Secção Regional do Norte e, por deliberação da Câmara Municipal do Porto, é-lhe conferida a Medalha de Ouro de Mérito Desportivo.

                                                       Sede da Secção Regional do Norte do ACP, no Porto

 

                              

No campo do desporto automóvel, foram inúmeras as iniciativas ao longo dedécadas promovidas e patrocinadas pelo “Automóvel Club de Portugal”.

       

Em 28 de Setembro de 1978 o “ACP - Automóvel Club de Portugal” é feito Membro-Honorário da Ordem do Infante D. Henrique.

Em 2003 o “Automóvel Club de Portugal” perfez e comemorou 100 anos de existência, através de variados eventos, de entre os quais se destacaram:

• emissão de um bilhete da lotaria nacional comemorativo do Centenário ACP;
• publicação do livro “100 anos do Automóvel Club de Portugal”, da autoria de João Lopes da Silva; Sessão Solene na Sociedade de Geografia de Lisboa, no mesmo local em que o Club foi fundado, com a presença do Presidente da República, Jorge Sampaio, sendo o ACP agraciado com o Colar de Honra do Mérito Desportivo;
• Exposição Fotográfica “1903 – 2003 A História do ACP em Fotografia”;
• cunhagem de medalha comemorativa dos 100 anos, com efígie do rei D. Carlos  ao volante do seu automóvel;
• lançamento de uma série de 3 selos pelos CTT (100 anos da fundação, assistência automóvel e desporto automóvel);
• realização do Estoril International Historic Festival que concentrou no Autódromo do Estoril carros de Fórmula 1, Sport, Fórmula Júnior e do Rallye de Portugal;
• criação do ACP Golfe, ao abrigo dos estatutos do Club, com o objecto de fomentar e facultar as sócios a prática desta modalidade.

          
 
E no ano seguinte, em 2004, a “Revista do ACP” completou 75 anos de existência em Janeiro desse ano, tornando-se a mais antiga publicação da especialidade em Portugal.

                                 

                                                              Actual Presidente do ACP Carlos Barbosa

                                                             

Outros posts como, “Antiga Sede do ACP” no Palácio Palmela, “Assistência na Estrada do ACP”, “Campanha de Segurança do ACP”, serão publicados brevemente.

Nota: Texto publicado neste post teve como base a história do ACP publicada no seu site oficial.

Fotos in: Centro de Documentação do ACP, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

3 de janeiro de 2013

Aeroporto de Lisboa (13)

                                                      Inauguração da linha da TAP Lisboa-Paris em 1948

                                

                                           Abastecimento de uma aeronave da "PAA - Pan American Airways"

                                                    

                                                            Movimentação de um «Douglas» DC-3 Dakota

  

                                                                        Aeroporto de Lisboa em 1963

                                 
                                fotos in: Old Portugal

2 de janeiro de 2013

Fábrica Confiança

No ano de 1883, António Silva e Cunha instalou na Rua de Santa Catarina, no Porto, uma pequena e modesta casa, a "Camisaria Confiança". Não existia, então, no país a indústria de camisaria em condições de abastecer o mercado nacional, e muito menos o mercado da exportação.

                                                           "Fábrica Confiança" na Rua de Santa Catarina

           

                                                                                         1898

                                                 

Foi este industrial quem lançou as bases, progredindo pouco a pouco e ampliando as suas instalações adquirindo as mais modernas máquinas, para em 1894 inaugurar a "Fábrica Confiança".

A primitiva "Camisaria Confiança" ocupava uma área de 600 m2, tendo a "Fábrica Confiança" ocupado uma área de 4.800 m2, de área ocupada pelo estabelecimento de vendas e oficinas anexas. Estava localizada mesmo ao lado do "Grande Hotel do Porto" inaugurado em 1880. Nesta fábrica trabalharam cerca de mil mulheres, que com o seu trabalho nas 125 máquinas de costura movidas a electricidade produzida por uma central a vapor de 30 hp., permitiram conquistar o mercado do ultramar português e brasileiro.

                        Loja de exposição e vendas                                                  Fábrica situada nos fundos da loja

 

 

Numa área de 1.300 metros quadrados,a fábrica dividia-se nas seguintes secções: ateliers de corte; ateliers das costureiras; lavandaria com secador a vapor; oficina de brunis; ateliers de roupa branca para homem e em especial para roupas de senhora e criança; fabrico de caizas de cartão; e finalmente o luxuosos e vasto salão de vendas.

Na "Fábrica Confiança" produzia-se «desde o simples lenço de linho a mais custosa toilette de senhora.».

«Nas nossas colonias e no Brazil a Fabrica Confiança tem ja de tal forma colocado os seus produtos que hoje, póde dizer-se com verdade, peza bastante na balança de exportação do nosso paiz.» in: "Illustração Portugueza".

                                      1907                                                                                1910

                

Em 1907 a "Fábrica Confiança" abre uma sucursal em Lisboa, na esquina da Rua Augusta com a Rua da Betesga, com a designação de "Camisaria Confiança". Mais tarde este edifício viria a ser transformado no "Hotel Internacional" em 1914. Actualmente o espaço outrora ocupado pela "Camisaria Confiança" é ocupado por uma agência bancária.

                                                          "Camisaria Confiança" em Lisboa, em 1913

            

                                                                                          1913

                                                   1913 Fábrica Confiança

                                         Stand da Fábrica Confiança no Palácio de Cristal no Porto em 1913

                               

Ficou na história do cinema em Portugal a "Fábrica Confiança" quando a  12 de Novembro de 1896, tem lugar a primeira sessão do "Kinetagrapho Portuguez", no "Teatro do Príncipe Real" (Porto), com a projecção de "Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança" de Aurélio da Paz dos Reis e Francisco de Magalhães Bastos Júnior. Consultar o seguinte link neste blogue: "Cinematógrafos e Animatógrafos".

                                      Cena («quadro») da "Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança"

                                            

«Foi com bastante pesar que deixamos a Fabrica Confiança, lamentando não podermos alargar as nossas considerações como era justo.» in "Illustração Portugueza"

Fotos in: Porto, de Agostinho Rebelo da Costa aos Nossos Dias, Hemeroteca Digital, Arquivo Nacional da Torre do Tombo