Restos de Colecção

7 de novembro de 2011

Hotel Tivoli

Os dois empresários fundadores do “Hotel Tivoli”,  Joaquim Machaz e José Francisco Cardoso, começaram com uma pensão, em 1926, situada no lado oposto da Avenida da Liberdade, junto ao Cinema Tivoli onde foi buscar o nome tendo-se transferido para o quarteirão em frente e alugado o Palacete Rosa Damasceno que transformaram em hotel.

“Pensão Tivoli”, ao lado do Cinema-Teatro “Tivoli”

Edifício do “Lis-Hotel” onde esteve instalada a “Pensão Tivoli”

18 de Fevereiro de 1928

A “Pensão Tivoli” desde 1926 ocupava o edifício pertencente a José de Sousa Braz, e projectado, para este fim, pelo arquitecto  Manuel Norte Júnior e que seria Prémio Valmor em 1927. Esta obra foi alterada logo em 1930. Sendo ampliado o edifício deu lugar ao Lis Hotel , que foi demolido em 1980, à excepção da fachada.

Palacete Rosa Damasceno, futuro “Hotel Tivoli”

 Primeiro “Hotel Tivoli”

       

Este primeiro “Hotel Tivoli”, inaugurado em Junho de 1930, tinha 45 quartos dos quais 8 com casa de banho e telefone, tendo a gerência transitado da “Pensão Tivoli”.

Interiores e publicidade numa colecção de postais de 18 de Março de 1933







Interiores do primeiro “Hotel Tivoli” nos finais dos anos 40 do século XX

 

1940

1941

O primeiro edifício do actual “Hotel Tivoli”, foi construído no terreno que tinha sido ocupado pelo Palacete Rosa Damasceno, continuando a ocupar o primitivo edifício de esquina, nº 179, e que terá tido alterações de ampliação pelo arquitecto, Manuel Norte Júnior, mostrando que os proprietários estavam desde cedo interessados em expandir o seu estabelecimento e que se apoiavam nos arquitecto de renome à época.

Conjunto do Hotel Tivoli e palacete à sua esquerda

Ambos revelaram um apurado sentido empresarial, sabendo aproveitar as oportunidades. Dois marcos fundamentais para o crescimento e consolidação do primitivo Hotel Tivoli foram a guerra civil espanhola e a II Grande Guerra Mundial.

Hotel Tivoli  Hotel Tivoli.1

O actual edifício do “Hotel Tivoli” é na realidade composto por dois blocos. Numa 1ª fase, em 1956, um bloco de oito andares, a Nordeste, onde se desenvolve a fachada e as principais zonas comuns do Hotel, projectado pelo arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, que resulta da demolição do Palacete Rosa Dasmaceno . Dois anos depois é demolido o primitivo “Hotel Tivoli” e constrói-se a outra parte, correspondendo ao bloco Sul que abrange as varandas no gaveto, já sob o projecto do arquitecto, seu sobrinho, António Pardal Monteiro e Anselmo Fernandez tendo o primeiro colaborado no projecto desde o seu início. A construção fica concluída em 1958.

1ª Fase do novo “Hotel Tivoli”, em 1958

Maquetas já incluindo o 2º bloco, a Sul, após a demolição do Palacete Rosa Damasceno

 

Anúncio em 1958

Versão definitiva

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), IÉ-IÉ

Numa 3º fase, de construção na década de 70 do século XX, o arquitecto Artur Bentes, projecta e é construído, um 3º bloco, sobre 1º piso já existente, com o aumento de 6 novos quartos por piso no bloco a Noroeste.

Em 1981, é construída a piscina e court de ténis. E no ano 2000 é criada uma mezzanine no “Restaurante Beatriz Costa”. Esta famosa actriz do teatro e cinema português viveu até à sua morte em 1996, neste hotel.

Lobby, Bar e Sala da Jantar no início dos anos 70 do século XX

         



Folheto gentilmente cedido por Pedro Madeira

Hoje o “Tivoli Lisboa” , pertence à cadeia “Tivoli - Hotels & Resorts” .Nos seu 8 pisos alberga 329 quartos sendo 30 suites e suites juniores.  O 1º piso, com ampla sala rectangular com colunatas após a zona de entrada onde estão a recepção à esq. e a caixa e bengaleiro na direita. Após pequena escadaria, sala de convívio e no piso superior ligação às salas de reuniões. A ligação entre os dois pisos é feita pelas escadas laterais à direita ou pelo “Restaurante Beatriz Costa” instalado no gaveto. No 10º piso, encontrar-se o “Restaurante Terraço” com vista panorâmica.

O “Tivoli Lisboa”, actualmente

                                           Lobby                                                                                   Brasserie

       

                                            Quarto                                                                            Restaurante Terraço

        

4 de novembro de 2011

Antigamente (19)

                                                                     Vendedor de Lotaria

                                  

                                                    Distribuição de bilhas de água de Caneças

                                  

                                                Peça de artilharia a bordo dum vaso de guerra

                                  

                                                             Taberna do início do século XX

                                  

fotos in: George Eastman House

Panfletos Políticos (4)

                                 “Comissão Administrativa dos Condutores de Carroças”, em 1925

                            

                                                                “Frente Nacional” em 1959 …

                            

                                                           … “Jornada Cultural” em 1975 …

                             

panfletos in: Biblioteca Nacional Digital, Ephemera,

3 de novembro de 2011

Paquete “Moçambique”

O primeiro paquete “Moçambique” (1912-1939) e ainda movido por máquina a vapor foi adquirido pela “CNN - Companhia Nacional de Navegação”, em 1912 para a carreira da África Oriental. Tratava-se de um navio usado mas quase novo, construído na Escócia, em 1908, para a “Compagnie Maritime Belge” com o nome “Bruxellesville”, com 5.771 toneladas, 122 metros de comprimento e equipado com uma máquina a vapor de 4.950 lhp, e 133 tripulantes.

                                                                     Paquete “Moçambique (1912-1939)                   

                                        

                                         Moçambique.10

Em Outubro de 1918 , este paquete foi alvo de uma epidemia de pneumónica, na viagem de regresso de Moçambique para Lisboa, e supostamente contraída em Cape Town, da qual resultou a morte de 191 passageiros, dos 819, e 2 tripulantes, dos 133. Após ter chegado a Lisboa a 20 de Outubro, o navio permaneceu fundeado em Belém durante mais três dias para quarentena, e no final da qual os passageiros foram transferidos para o Lazareto de Porto Brandão.

                                                                                            1926

                                       

Este primeiro paquete “Moçambique” navegou com a bandeira da CNN até 1939 ano em que foi desmantelado.

O novo paquete “Moçambique” (1949-1972), e o seu gémeo do “Angola” de (1948-1974), foram os primeiros paquetes portugueses equipados com motores diesel, sendo na altura o maior e mais moderno navio de passageiros da CNN.

                                                                 Paquete “Moçambique (1949-1972)

                   O paquete “Moçambique” em manobras de aproximação e atracação ao cais de Alcântara em Lisboa

         

Construído no estaleiro “Swan,Hunter & Wigham Ricaherdson, Ltd.”, em Newcastle, foi lançado á água em 1 de Dezembro de 1948 e entregue à “Companhia Nacional de Navegação” em 15 de Outubro de 1949.partindo para a sua viagem inaugural, a partir de Lisboa, em 19 de Novembro de 1949.

                           Escadaria de acesso à 1ª classe                                          Sala de Jantar da 1ª classe

         

                               Sala de música da 1ª classe                                                       Varanda-café

         

Nas suas viagens regulares às Áfricas Ocidental e Oriental escalava habitualmente os portos da Madeira, S. Tomé, Luanda, Lobito, Moçâmedes, Cape Town, Durban, Lourenço Marques, Beira, Nacala e Porto Amélia.

Mais uma um paquete com o nome de “Moçambique” estaria ligado a uma epidemia … Em 1957 e de regresso de África em 1957, transportou passageiros contaminados com a perigosa gripe asiática; que contaminaria Lisboa e, de seguida o resto do país.

                                                                                           Piscina

                                       

Características:

Tonelagem de arqueação (t.a.b.): 12.796 t
Propulsão: 2 motores diesel “Doxford Engine” de 6.500 BHP cada. Potência total: 13.000 BHP
Veios de hélices: 2
Comprimento: 167,50 m 
Boca (largura): 20,50 m
Velocidade máxima: 18 nós
Passageiros: 749, assim distribuídos:
1ª Classe - 93
2ª Classe - 141 
3ª Classe - 102
3ª Classe suplementar - 413
 
Tripulação: 212

                                                                        Publicidade da CNN, em 1949

                                              

                                                                                             1960

                                                          

fotos in: Hemeroteca Digital, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Navios e Navegadores, Blogue dos Navios e do Mar

O paquete “Moçambique é vendido em 29 de Setembro de 1972, para ser desmantelado para sucata em Kaohsiung, na Ilha Formosa (Taiwan).

Para a feitura deste artigo foi consultado também o livro: «Paquetes Portugueses», de Luís Miguel Correia, Edições Inapa, Lisboa, 1992

1 de novembro de 2011

Restaurante “O Faroleiro”

Presume-se que o restaurante “O Faroleiro”, frente ao forte da Crismina, no Guincho perto de Cascais, terá começado como uma barraca de petiscos, instalada no "Casal de São João", pertença de João Pedro ("João Pedro do Cabo") um ex-faroleiro do farol do Cabo Raso, ali bem perto. Foi a primeira casa do género a abrir no Guincho, tendo-se lhe seguido nos anos seguintes “O Mestre Zé”, “O Muchaxo”, “O Porto de Santa Maria”, etc .




O proprietário Sr. João Pedro na foto

Terá sido transformado em restaurante e casa de chá de seu nome “Chalet de São João”, já nos anos vinte do século XX. Pelo que se disse na época, terá tido uma preciosa ajuda duns salvados de um naufrágio de um navio, para o mobilar. De qualquer modo sempre funcionou mais como casa de chá.


Depois de já ter mudado o seu nome para “O Faroleiro”, em 1976 tornaram-se seus proprietários e gerentes José Pratas, na altura chefe de sala, e Marcelo Gonçalves chefe de cozinha.

Actualmente o exterior e o interior do restaurante são completamente diferentes. Desapareceram arquinhos com imitação de tijolo e outros pormenores e, desde as obras de há uma década, à excepção da tijoleira vermelha, tudo é branco ou bege-claro nas salas podem acolher até 130 pessoas.

“O Faroleiro” actualmente