7 de outubro de 2018

Grande Hotel do Luso

O “Grande Hotel das Termas do Luso”, promovido pelos comerciantes e industriais Messias Baptista e António Maria Lopes e projectado pelo arquitecto Cassiano Viriato Branco (1897-1970), foi inaugurado em 27 de Julho de 1940. Inicialmente oferecia 200 quartos, «com comodidade, higiene e conforto».

O projecto do “Grande Hotel das Termas do Luso”, nasce na altura em que o Professor Fernando Bissaya Barreto (1886-1974) era Presidente do Conselho de Administração da “Sociedade da Agua de Luso, S.A.R.L.” e à qual esteve ligado durante mais de quarenta anos. É em  1937, que foi proposta em Assembleia Geral Extraordinária, por inciativa do Professor Bissaya Barreto, a construção de um hotel e de uma piscina, a qual relatava que: «(…) nestes dois últimos anos, tem merecido o maior cuidado ao Conselho de Administração o estudo da construção de um hotel para o engrandecimento das nossas Termas de Luso».

 

«No meio deste período caracterizadamente moderno da arquitectura de Cassiano Branco, inscreveu-se um projecto utilizando uma linguagem característica do Estado Novo. É o caso do Hotel do Luso, que ele projectou em 1938 para uma área geográfica a que viria a ficar ligado, não só por possuir uma residência de férias na Curia, como pela sua obra futura no Portugal dos Pequeninos em Coimbra» in "Cassiano Branco uma obra para o futuro" - Fernando Gomes Silva.

 

Por outro lado e no mesmo livro, José Perdigão descrevia:
«Ao longe, a serra do Buçaco encimada pela Cruz Alta; da mata, emerge o Palace, mais abaixo, a mancha do casario do Luso, dominada pelo Grande Hotel. Na sua volumetria, repete-se uma dominante vertical como que ancorando o volume do
edifício estruturado por um hall principal e acessos verticais e por um longo corredor em curva, servindo os quartos. Os salões principais abriam sobre a piscina, onde o olhar se estendia até ao cimo da mata. As fachadas seguem o movimento do corredor acentuado pelos planos das varandas e floreiras, em linhas curvas contínuas que se enrolam nas extremidades, relembrando o "Victória ". Resta a imagem estática dos volumes do telhado, dos corpos da recepção, das colunas, dos
cachorros e das balaustradas.»

 

 

 

Ao longo dos mais de 70 anos de história do, actual, “Grande Hotel do Luso”, e ao acompanhar as novas tendências e exigências, é de relembrar alguns momentos marcantes da sua já longa vida. A construção do Hotel, a concretização do projecto do auditório, salas de conferência, piscina interior e túnel de acesso às “Termas de Luso”, a reclassificação do Hotel para 4 estrelas e, no presente, e a execução do projecto de remodelação.

O referido projecto, de 2011, foi da autoria do “Atelier Reimão Pinto” que teve como ponto de partida a criação de uma nova imagem para o “Grande Hotel de Luso” respeitando a identidade e o espaço arquitectónico original do edifício, ao potenciar os elementos modernistas, utilizando apontamentos Art Déco e valorizando a singularidade da sua arquitectura.
«O maior desafio foi conseguir simultaneamente uma marca de originalidade e modernidade mantendo viva a memória do hotel com o objectivo de proporcionar uma experiencia de bem-estar a quem o visita. A nobreza das madeiras, a simplicidade das linhas e contenção dos elementos decorativos caracterizam os espaços, as cores quentes e fortes garantem o conforto em ambientes de um calmo requinte.»

 

 

 

 

Actualmente, o “Grande Hotel de Luso” dispõe de 132 quartos, incluindo 15 suites e quartos comunicantes, restaurante, bar com vistas panorâmicas sobre o ex-líbris do hotel que é a sua piscina olímpica, piscina interior, ligação directa à “Malo Clinic Termas Luso”, court de squash, snooker, parque infantil e jardins.

1 comentário:

Anónimo disse...

As primeiras férias de que tenho memória são 8 dias passados no Grande Hotel do Luso...no verão de 1975!

Em função daquela época conturbada no país, grande parte da habitual clientela desta gama de hotéis estava provisoriamente (ou definitivamente) no estrangeiro, o que forçou o estabelecimento a lançar promoções para compor a sua taxa de ocupação.
São estas promoções que permitem então a uma classe média débil (à escala do país da altura) ter acesso a um tipo de férias inédito...

A piscina exterior era uma das duas ou três únicas olímpicas de 50 metros existentes no país, com pranchas de saltos tão altas que nem cabiam na imaginação de uma criança que nem sabia nadar, quanto mais saltar delas!

Existia mini golfe ao lado da piscina, uma espécie de jogo gigante que se podia fazer ao ar livre e onde até os adultos participavam!

No restaurante do hotel, as refeições vinham em travessas e bandejas prateadas e cobertas, transportadas em carros de serviço empurrados pelos empregados...entre tudo o mais que já não lembro, recordo umas omeletes fantásticas!...

Anos mais tarde voltei a essa mesma piscina, tinham pintado o seu fundo de azul, como na foto do blog (anteriormente era verde escuro), já conseguia atravessá-la a nado mas lembro-me de parar e levantar a cabeça para perceber onde estava, porque a piscina parecia não ter fim (estava sensivelmente a 3/4 do seu comprimento)...nessa altura já usei a prancha de saltos intermédia...

Quem usualmente passava férias neste hotel e podia ser visto frequentando a esplanada sobre a piscina era o antigo marechal António de Spinola.

António C.