21 de outubro de 2018

A Confidente

A empresa “A Confidente”, propriedade da firma “Alípio Antero & Filhos, Lda.”, foi fundada por Alípio Antero, no Porto, em 1 de Setembro de 1933, no prédio de gaveto da Rua de Sá da Bandeira com a Rua Passos Manuel.

Sede de “A Confidente” no prédio de gaveto da Rua de Sá da Bandeira com a Rua Passos Manuel, no Porto

 

“A Confidente”, que foi a maior organização do país na hipoteca, compra e venda de propriedades, era especializada em créditos hipotecários, ajudando a particulares ou pequenos negócios em nome individual. A este tipo de firmas, recorriam em momentos difíceis de tesouraria, lavradores e proprietários que davam como garantia os seus terrenos ou outros bens imobiliários, e particulares com as mais diversas profissões, que muitas hipotecavam seus automóveis.

                                                       1947                                                                                          1954

 

Carros alegóricos no Carnaval portuense de 1954 e 1955 

 

Em 1954 a sociedade “Alípio Antero & Filhos, Lda.”, tinha como sócios Alípio Antero, João Antero, Abílio do Amaral e José Santos. e seria neste ano a 6 de Fevereiro de 1954, que “A Confidente” abria a sua filial em Lisboa, no prédio de esquina da Rua Augusta com o Rossio, no 1º andar por cima da “Loja das Meias”. A sua gerência ficou entregue a Fernando Soares.

Por ocasião da sua inauguração o “Diario de Lisbôa” escrevia:

«As instalações são mobiladas com requintes de luxo.Os escritórios, compõe-se de um amplo salão, com balcão coberto de tampos de cristal, onde o público é atendido. Em frente ao balcão, na parte reservada ao público, em volta da sala, estão dispostos belos sofás estofados. Segue-se um gabinete confortável, destinado a receber os clientes. O gabinete dos sócios gerentes, também obedece ao mesmo sentido de conforto e sobriedade. Estas instalações são, sem dúvida, no género, as primeiras em obediência a um plano moderno e confortável.
A Confidente pensa ainda alargar a sua esfera de acção á construção de prédios, segundo nos declararam os seus sócios.
Durante o dia, os escritórios foram visitados por elevado número de pessoas de todas as categorias sociais, entre as quais se viam alguns banqueiros e capitalistas. Foram também recebidos telegramas de pessoas residentes no Norte. Esta noite,
os sócios de "A Confidente", reunem-se num banquete de confraternização, no Hotel Metrópole, para solenizar a inauguração da sua filial em Lisboa.»

  

1 de Setembro de 1958

 

Com o Decreto-Lei n.º 43767, de 30 de Junho de 1961, regula-se o exercício da actividade comercial de mediador na compra e venda de bens imobiliários e na realização de empréstimos com garantia hipotecária, sujeitando-o à fiscalização do Ministério das Finanças através da Inspecção-Geral de Crédito e Seguros. ”A Confidente”, expande a sua área de intervenção, e muitas foram as firmas do ramo que a acompanharam. Exemplo foram:  “Empresa Predial Nortenha” (Porto); “A União Predial e Comercial” (Lisboa); “A Predial Liz” (Lisboa); “A Financiadora” (Lisboa), “A Luzáfrica” (Lisboa), etc.

“Edifício Roma” construído e comercializado por “A Confidente”, em 1963, na Avenida Frei Miguel Contreiras, em Lisboa

“A Confidente” abriria, na primeira quinzena de Março de 1972, a extensão da sua sucursal em Lisboa, no 1º andar do edifício esquina da Rua do Ouro com o Rossio, onde anteriormente estava a “Agência de Viagens Santa Maria”, por cima da sucursal do “Diario de Noticias”.

Novas instalações da sucursal lisboeta de “A Confidente”

Medalha alusiva à inauguração das novas instalações em Março de 1972

“A Confidente” no andar acima da “Loja das Meias” e no andar acima da sucursal do “Diario de Noticias”

1972

 

A seguir a 25 de Abril de 1974, as actividades de crédito destes agentes sofreram algumas alterações que conduziram a que essa actividade, passasse em exclusivo para a Banca. Restou a mediação imobiliária para essas empresas.

Não consegui saber quando a firma “Antero & Filhos, Lda. - A Confidente” terá encerrado as suas actividades ou sido dissolvida, mas a referência mais recente, vi num site um calendário para 1984, oferta de “A Confidente”.

fotos in: Arquivo Municipal do Porto,  Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Municipal de Lisboa,

3 comentários:

ricardo figueiredo disse...

Interessante a arquitectura "moderna" do cartaz de 1947!!

ZÉ TRISTE COM TUDO ISTO disse...

Amigo José Leite sou seguidor deste seu fantástico trabalho, á algum tempo
Já o parabenizei por isso, mas nunca fiz nenhum comentário. Vou faze-lo agora porque conheci bem a historia desta empresa, porque tenho um tio com cerca de 90 anos que foi mestre de obras da confidente durante décadas,fui muitas vezes com ele aos escritórios por cima do diário de noticias para ele tratar de assuntos de trabalho.
tudo o que diz neste trabalho é corretíssimo sou testemunha.
guardo a maior recordação desta empresa, pelo facto a Confidente organizar uma festa de Natal todos os anos no Clube Estefânia,que penso que ainda existe e os filhos dos funcionários da empresa receberem um saco de prendas, sendo uma delas de excelente qualidade,o meu primo recebia todos os anos essa dita prenda. Quanto a mim, como a confidente mandava sempre fazer prendas a mais,eram distribuídas pelos sobrinhos e amigos dos funcionários. Ainda guardo de recordação duas delas.
(Quis deixar este comentário porque ao ler este seu trabalho,magnifico diga-se enchi-me de nostalgia e de recordações de tempos que já não voltam obrigado)

Anónimo disse...

O Edificio Roma foi o primeiro a ter aberto ao publico um "andar modelo". Foi uma autentica romaria para entrar e apreciar o apartamento que tinha dimensões nunca vistas e com um preço igualmente gigantesco: Mais de mil contos, (1750 se bem me lembro), o que era uma enormidade para a época. A comercialização do prédio durou anos devido ao preço.