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7 de janeiro de 2018

Café Majestic

O “Majestic Café”, abriu as suas portas em 17 de Dezembro de 1921, ainda com o nome de “Elite”, e projectado pelo arquitecto João Queiroz, na Rua de Santa Catarina, na cidade do Porto., e propriedade da firma “Majestic-Café, Lda.”

“Majestic Café” à direita na foto, com a famosa “Fotografia Alvão” a seu lado

Arquitecto João Queiroz (1892-1982)

Recordo que o arquitecto João Queiroz, também foi o responsável pelo projecto do “Olympia” Kinema e Teatro, inaugurado em 18 de Maio de 1912 na Rua Passos Manuel, na cidade do Porto. A história deste cinema pode ser consultada neste blog no seguinte link: Cinema Olympia no Porto.

A sua abertura ao público foi um sucesso, mas sem que a denominação “Elite” atribuída não gerasse polémica já que esta designação dava-lhe uma aura monárquica não condizente com o ambiente republicano, burguês e chic dos portuenses contemporâneos. O glamour e a elite cultural parisiense eram referências para a cultura portuguesa da altura, tendo influenciado a escolha do novo nome de “Majestic” dentro do ambiente de “Bélle Epóque” que se respirava na altura.

«Lá dentro, inalava-se o perfume dos bancos aveludados e das madeiras envernizadas, confundindo-se os cinco sentidos nos tectos de gesso decorado e abundante espelharia em cristal flamengo. Mármore e metal ligavam-se com requinte inigualável. Nas traseiras a natureza espreitava através do jardim de Inverno, que ligava a Rua de Santa Catarina à Rua de Passos Manuel.»

«É um dos mais nobremente suntuosos que conhecemos, pelo que se justifica bem o seu título: Magestic. Tem um salão grandisos de cubagem e beleza decorativa e um serviço em que se revela uma distinção e uma urbanidade imcomparáveis.» in Revista Ilustração Portuguesa (vide figura seguinte)

Artigo na revista “Illustração Portugueza” em 10 de Março de 1923

O “Majestic” era propriedade da “Sociedade Majestic - Café, Lda.” da qual faziam parte « ... um núcleo de rapazes incansáveis e inteligentes que muito amam o progresso da cidade invicta».

Em 1927 e sob projecto do arquitecto Raúl Lino, aprovado em 8 de Julho do mesmo ano, é construído o “Pavillon Majestic” , e sua esplanada, na Foz. Tratava-se de uma cervejaria amovível, localizada na Avenida Brazil, em frente à Rua do Crasto, onde mais tarde esteve o “Bar do Molhe” e onde hoje em dia se encontra a “Pizza Hut”.

1924 Café Majestic (Foz do Douro)

Entretanto, no ano seguinte de 1925 é construído o pátio interior do “Majestic Café”, arquitectado como se de um jardim de Inverno se tratasse. Sob a direcção do mestre Pedro Mendes da Silva, este espaço simboliza uma nova era do “Majestic Café”. A construção do bar e da ligação ao café por meio de uma escadaria, permitiu abrir uma nova frente, a da rua Passos Manuel, «...onde será posto à venda vinho do Porto. Para isso, escolheu-se o estilo regional da nossa arquitectura, não só para a construção do bar, mas também para a vedação do muro».

«A nova fachada foi subsequentemente idealizada e executada seguindo moldes diferentes dos adoptados para o interior. Se este é ao gosto internacional, o novo espaço, não o renegando apresenta um estilo mais rústico, manifestando o que mais tarde Raul Lino designou por casa portuguesa.»

Nesse mesmo ano o “Majestic Café” volta a chamar o arquitecto João Queiroz, para abrir uma modesta mas graciosa janela no muro remodelado, virada para a rua Passos Manuel, onde passaria a vender tabaco e rapé. Um ano depois, em 1926, o espaço é ampliado e cedido à exploração da firma “Tinoco & Irmãos”, construindo uma «pequena cabina (…) para servir de tabacaria»

Neste espaço, em que o seu piso inferior era ocupado por um salão de bilhares, passaram a convergir vultos intelectuais da cidade, como José Régio, Teixeira de Pascoaes, Leonardo Coimbra, entre outros, em que nas suas tertúlias aconteciam acesos debate, entre figuras públicas e as que viriam a sê-lo, das questões políticas, sociais e filosóficas mais prementes. O seu ambiente atraía alunos e professores da “Escola de Belas Artes do Porto”, aos que se juntavam artistas de nomeada, como Júlio Resende.

Em 1934, após ter sido alvo de obras de renovação, cria uma cervejaria no seu terraço, onde se poderia comer a especialidade da casa: Bife à Majestic.

Na revista “Ultramar” em 15 de Julho de 1934

Nos anos 60 do século XX, coincidindo com um certo adormecimento forçado das manifestações culturais do País, o “Majestic Café” começa, a entrar num lento mas contínuo declínio, até que já em fase de visível degradação, em  24 de Janeiro de 1983, é decretado “Imóvel de Interesse Público”, ano em que Agostinho Barrias o compra. Três anos depois, a nova gerência estudaria a forma de devolver o Café à cidade, e vários desafios tiveram que ser ultrapassados. Esteve para ser encerrado devido às condições sanitárias e ao teto degradado. Predisposto a devolver ao povo portuense aquele espaço, realizou obras para que este respondesse a todos os requisitos necessários.

Agostinho Barrias, sócio maioritário da “Majestic - Café, Lda.” e do “Grupo Barrias, Lda.”

Pelo que, em 4 de Outubro 1992, e 71 anos após a sua inauguração, o “Majestic Café” é encerrado para obras de restauro e transformação do piso inferior, sob a responsabilidade da arquitecta Teresa Mano Mendes Pacheco. A 15 de Julho de 1994 reabre as suas portas, depois da substituição do pavimento interior e da reposição do mobiliário original. Quem lá entrar pode encontrar agora exposições, pequenos espectáculos, eventos, etc. na galeria criada no piso inferior - outrora salão de bilhar - e equipada com piano e bar de apoio.

 

Majestic.17 

 

 

Bibliografia: Foi consultado o site oficial do Majestic Café, a nível da sua história e fotos

fotos in:  Majestic Café, Hemeroteca Municipal de Lisboa

3 comentários:

Anónimo disse...

Hoje quando vamos ao Porto, temos 20 pessoas à nossa frente para entrar, com "arrumador" à porta. Perde-se logo o apetite... Novos tempos!
Bom Ano.
Gonçalo

José Leite disse...

Bom Ano de 2018 também para si Gonçalo.

Cumprimentos
José Leite

João Vasco Santos Ribeiro disse...

Excelente trabalho. Obrigado.