26 de dezembro de 2017

Confeitaria Nacional

A "Confeitaria Nacional", foi fundada por Balthazar Roiz Castanheiro, "Juiz mais velho" da “Irmandade de Nossa Senhora da Oliveira”, Padroeira dos Confeiteiros, em 22 de Dezembro de 1829, na Rua da Bitesga, em Lisboa.

Balthazar Roiz Castanheiro

Foi na “Confeitaria Nacional”, que inicialmente só tinha duas portas e ocupando apenas uma parte das lojas, que foram instalados os primeiros telefones de Lisboa, entre a sua fábrica e a Confeitaria. Mais tarde, depois de constituída a “Anglo-Portuguese Telephone Company”, em 14 de Setembro de 1887, foi entregue a essa Companhia a sua conservação, e ainda hoje se mantém esse telefone privativo, com um número simbólico, sem ligação para a rede.

Balthazar Roiz Castanheiro morre em 1869, e o seu filho mais novo, Balthazar Castanheiro Júnior herdou a empresa, que desde logo primou pela irreverência e pela inovação.

Balthazar Castanheiro Júnior

Em 1871 foi inaugurada na “Confeitaria Nacional” a iluminação a gás, «do qual se gastaram em Setembro 373 m3 a 60 reis cada, fornecidos pela “Companhia Lisbonense d’Iluminação a Gaz”. Com o aluguer do contador (para 50 luzes), pagou-se nesse mês a “elevada” quantia de 22$980».

Gravura no jornal “Diario Illustrado” em 22 de Dezembro de 1872

Em 1872 é aberto um salão no primeiro andar, com tamanho requinte que mereceu notícia de primeira página no jornal "Diario Illustrado" de 22 de Dezembro de 1872, que comentava:

«Dotado d'aquella perspicacia, que sabe segredar ao commerciante intelligente as suas verdadeiras conveniencias, o sr. Castanheiro emprehendeu e realisou n'esse mesmo anno importantes melhoramentos no seu estabelecimento, que occupa hoje, além das lojas desde nº 57 a 63, uma grande parte do 1º andar, aonde fundou um elegante salão, com gabinetes explendidos.
N'este pavimento vende no verão, alem de todos os refrescos, vinhos especiaes e pastelaria que ali encontram durante todo o anno, sorvettes de variadas especies, carapinhadas, soda nevada e a deliciosa bebida gelada a que os hespanhoes chamam ‘chufas’.»

Factura de 1872

22 de Dezembro de 1872

O prestígio conquistado entre os lisboetas levou a “Confeitaria Nacional”, em 1873, a pedir o estatuto de fornecedor da Casa Real Portuguesa, declarando ter «bom crédito e reputação comercial». O estatuto foi-lhe concedido por alvará do Rei D. Luis I. Nos anos que se seguiram a “Confeitaria Nacional” conquistou diversos prémios em exposições internacionais internacionais:  Viena de Áustria em 1873; Filadélfia em 1876; Paris em 1878 e Lisboa em 1884.

24 de Dezembro de 1875

 

 

Foi Balthazar Castanheiro Junior que trouxe de Paris para Portugal, em 1875, o “Bolo-Rei”, confeccionado com base no francês “Gateau des Rois”, tendo sido a “Confeitaria Nacional” quem introduziu o famoso “Bolo-Rei” em Portugal, e cuja receita ainda é a mesma utilizada na sua confecção actualmente.

24 de Dezembro de 1912

Em 1913, Rafael Castanheiro Viana, bisneto do fundador, assume o negócio. Com uma visão inovadora, promove, desde logo, a “Confeitaria Nacional” nos meios publicitários e jornalísticos da época. Informado das novas técnicas de publicidade, nos anos 40 do século XX, Rafael Castanheiro encomendou um novo logotipo estilizado, que marcou o seu período de gestão. Ainda hoje o logotipo da “Confeitaria Nacional” é baseado neste.

“Confeitaria Nacional”, na Rua da Betesga, no início do século XX

 

23 de Dezembro de 1929

“Confeitaria Nacional” em 1937

Anúncio publicitário em 1930

Edifício da “Confeitaria Nacional”, na Praça da Figueira em 1950

Actualmente a “Confeitaria Nacional” diversificou e abriu novas instalações sucursais da casa-mãe. A referir a “Confeitaria Nacional Belém”, junto à Torre de Belém com cais privativo para o seu barco “Confeitaria Nacional River Cruise”. A “Confeitaria Nacional Aeroporto”, no Aeroporto da Portela, em Lisboa e o “Confeitaria Nacional Quiosque” implantado no “Amoreiras Shopping Center”, em Lisboa.

 

 

“Confeitaria Nacional Belém”, com cais privativo para o seu barco “Confeitaria Nacional River Cruise”.

 

“Confeitaria Nacional Aeroporto” e o “Confeitaria Nacional Quiosque” 

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Lojas com História, Biblioteca Nacional Digital, Confeitaria Nacional

3 comentários:

Bernardino Santos disse...

Muito confrangedor o anúncio ao "Bolo Nacional" ("antigo Bolo Rei"). De vez em quando alguém decide retocar a pintura, mas a casa qualquer dia cai de vez. Muitos parabéns pela informação que nos traz e desejo-lhe um Bom Ano Novo.

José Leite disse...

Caro Bernardino Santos

Grato pelo seu comentário e pelos votos de Bom Ano Novo, que retribuo para si e sua família.

Os meus cumprimentos
José Leite

Majo Dutra Rosado disse...

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Gostei de saber.
Abraço
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