15 de maio de 2016

Café “Palladium” em Lisboa

O edifício do Café e Salão de Chá “Palladium”, localizado na Avenida da Liberdade, 1, junto ao Elevador da Glória”, foi projectado pelo arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962) , em 1909 e concluído em 1912.

Edifício projectado pelo arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962), em foto de 1912

O 1º andar deste edifício, viria a ser ocupado, a partir de 1912, pela “Casa de Saúde para Cirurgia  Clínica Henrique Bastos”, vindo a ser ocupado, posteriormente, a partir de 1930, pela sede da “Philips Portugueza”. Quanto ao piso térreo, entre 1920 e 1923 foi ocupado pelo “Restaurant Club Avenida - Palais Royale”, vindo, posteriormente,  a ser ocupado pela firma “Bernardino Correa & Cia.” representante e importador dos automóveis “Dodge Brothers” e da “Unic”,  fabricante de camions e «omnibus».

Stand da firma “Bernardino Correa & Cia.”  representante e importador dos automóveis “Dodge Brothers” e da “Unic”

1929

     

Sede da “Philips Portuguesa” com o stand da firma “Bernardino Correa & Cia.”, em 1930

Em 17 de Dezembro de 1932, viria a ser inaugurado o Café e Salão de Chá “Palladium”, com a sua concepção e decoração da responsabilidade do arquitecto Raúl Tojal (1899-1969), e cuja propriedade era do avô paterno do escritor Luiz Francisco Rebello (1924-2011), que por sua vez era igualmente dono  do Café “Imperium”, localizado na Rua de Santa Justa junto ao “Elevador de Santa Justa”.

 

17 de Dezembro de 1932

Notícia da inauguração no “Diario de Lisbôa”

 

O “Palladium” era frequentado por actores de teatro, que entre o ensaio da tarde e o espectáculo da noite ali se reuniam em animadas tertúlias com escritores e jornalistas.

1935

Café Palladium.2 (1935)

Esplanada do “Palladium” na Avenida da Liberdade, projectada pelo arquitecto Cassiano Branco e construída em 1943

             1943                                                                     24 de Dezembro de 1953

 

Em 1979 o Café e Salão de Chá “Palladium”, seria transformado em centro comercial, denominado  “Palladium Shopping Center”, mantendo praticamente intactos os seus elementos decorativos e pormenores Art Déco de especial relevo, como sejam colunas, painéis alegóricos, plafonnières, gradeamentos e corrimãos.

 

 

Entretanto, depois de encerrado o “Palladium Shopping Center”, e ao consultar o blog “Cidadania Lx” em 6 de Abril de 2016, tive conhecimento que está em apreciação na CML o projecto de demolição do interior, como atesta excerto da carta enviada ao Vereador da CML, Arquitecto Manuel Salgado, pelos responsáveis deste grupo de intervenção urbana:

«Tivemos conhecimento de que se encontra em apreciação nos Serviços que V.Exa. tutela, um pedido de informação prévia (Proc. 291/EDI/2015) que prevê a demolição do interior do edifício que albergou no piso térreo (e na cave) o antigo Centro Comercial Palladium (Avenida da Liberdade, nº 1). (…)»

Lembro que existiu um Café “Palladium” , na cidade do Porto cuja história poderá ser consultada, neste blog, no seguinte link: Armazéns Nascimento e Café Palladium”.

Entrada do Café “Palladium” no Porto

fotos in: Hemeroteca Digital, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa SOS

2 comentários:

José Leite disse...

Aqui fica o comentário do confrade "Bic Laranja", que eu, por engano, apaguei em vez de "publicar":

«Hão-de demoli-lo. Estamos fatalmente condenados à pobreza da barbárie. Nem na queda do império romano se viu vandalismo tão sofisticado. Isto hoje passa por progresso.»

Com os meus agradecimentos, os meus cumprimentos
José Leite

José Miranda disse...

Realmente é triste a falta de respeito pelo tão rico património. Parece que estes o destes arquitectos contemporâneos,destroem por inveja,por incapacidade de criar além do Betão,ferro e solda. Fui empregado de mesa nos paladiums de Lisboa e do Porto nos anos 50/60.