3 de janeiro de 2016

Cinema “Londres” e o “Bólide”

O cinema “Londres”, localizado na Avenida de Roma, em Lisboa e considerada, na época, a melhor sala-estúdio de Lisboa, foi projectado pelo arquitecto Eduardo Goulart de Medeiros, e inaugurado em 30 Janeiro de 1972. Foi seu fundador José Castello Lopes.

Cinema “Londres” em foto de 1976

Entrada, “Foyer”, Snack-bar e Bar “The Flag”

Snack-bar

 

O “Londres” veio ocupar o espaço outrora ocupado pelo “Bólide”, que abriu as suas portas em 1 de Novembro de 1956 por Carlos Alberto Santos Silva, ex-inspector da companhia de seguros "La Equitativa" e que trouxe a ideia de Barcelona. O “Bólide” era um conjunto, único em Lisboa, que reunia no mesmo espaço, restaurante, snack-bar, boite "Tropical", barbearia, tabacaria, discoteca e bowling.

                            1 de Novembro de 1956                                                     15 de Novembro de 1956

 

Quanto ao Bowling Carlos Silva afirmava: «aqui joga-se de manhã à noite, disputando-se renhidos campeonatos. Há dias especiais para os jogadores americanos, para os suiços, para os alemães, para os franceses e para os portugueses. Olhe, por acaso, às quartas-feiras de manhã só jogam raparigas portuguesas.»

Bowling do “Bólide”


factura gentilmente cedida por Carlos Caria

E quanto à boite "Tropical" referia: «A minha ideia, ao instalar aqui um dancing, foi dedicá-lo aos sócios do Clube Naval de Cascais e do Sky Clube de Portugal, mas a certa altura numerosas famílias começaram a pedir cartões de ingresso e hoje o "Tropical" constitui, com os seus sócios, uma espécie de clube como é frequente encontrarmos em Londres.»

Em 13 de Maio de 1964 seria inaugurado, neste mesmo espaço o “Supermercado “Bólide”.

Panorâmica da Avenida de Roma, ainda sem o “Bólide” instalado no edifício da esquina à direita

                            30 de Dezembro de 1961                                                       8 de Fevereiro de 1964

 

13 de Maio de 1964

Panorâmica, já com o “Bólide” instalado ao lado do stand da “C. Santos, Lda.” à direita na foto

Em 1962, o “SNI - Secretariado Nacional de Informação“ distingue o restaurante e snack-bar “Bólide” como a «melhor refeição ao melhor preço».

                                         Outubro de 1965                                                         Novembro de 1965

   

Outubro de 1965

Julho de 1967

Segundo o blog “IÉ-IÉ”, foi nesta boite “Tropical” que o famoso conjunto “Sheiks”, - formado, na altura, por  Paulo de Carvalho, Fernando Chaby, Carlos Mendes e Jorge Barreto - deram o seu último espectáculo ao vivo, em 28 de Outubro de 1967.

Entretanto deixei de ver referências publicitárias ao “Bólide” a partir de 21 de Novembro de 1967, pelo que arriscaria a dizer que, se não fechou definitivamente por volta dessa data, foi pouco tempo depois, já que tenho informação de que o espaço ficou devoluto por um tempo, até ser adquirido pela “Socorama Castello-Lopes”, nos finais de 1969.

Entrada do “Bólide” antes do seu encerramento definitivo

A propósito, o sobrinho do proprietário do prédio (adquirido em 1948), António Serralha Ferreira recordaria:

«Quando aquilo deixou de ser [um salão] de bowling, ficou devoluto e o meu tio pediu-me para ver se havia hipótese de arranjar alguém, uma entidade do Estado, nomeadamente a obra social do Ministério das Corporações, que tinha um supermercado [que ocupasse o espaço]. Essa hipótese pôs-se, chegou-se a estudar, mas entretanto apareceu a Socorama»

1976 Cinema Londres         Londres A Flauta Mágica (29-10-1976)

O cinema “Londres”, seria inaugurado em 30 de Janeiro de 1972, com a exibição do filme “Morrer de Amar” de André Cayatte,  esta confortável sala de cinema com 460 lugares, equipado com cadeiras que desciam quando o espectador se sentava, através dum sistema hidráulico. Juntamente com o cinema e no mesma área, abriria um snack-bar e um «pub» de seu nome “The Flag”, reflectindo o conceito de ver cinema, comer e conversar, criando deste modo «um ambiente propício à apropriação dos filmes, permitindo que os espectadores permanecessem no local depois das sessões» (Margarida Acciaiuoli).

Dezembro de 1977

Já no século XXI, a sala principal do “Londres” foi dividida dando origem a uma segunda mais pequena. A “Sala 1” que podia acomodar 219 espectadores e a “Sala 2”, 114 espectadores, ao que se juntava o “Café-Bar Magnólia”.

O cinema “Londres” encerraria no dia 21 de Fevereiro de 2013 na sequência da falência da “Socorama Castello-Lopes”, então o 2º maior exibidor cinematográfico em Portugal. Apesar de, na altura, o encerramento ter sido dado como  provisório, a verdade é que a histórica sala não voltou a abrir as portas.

No lugar do cinema “Londres” e depois de alguma polémica e interrupção de obras, lá abriu a «loja chinesa» “Londres Shopping” em 1 de Setembro de 2015.

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, IÉ-IÉ

3 comentários:

Graça Sampaio disse...

Uma pena as salas de cinema estarem a desaparecer. Especialmente as do conceito do século passado. Quando eu andava na Faculdade, o Londres era a «coqueluche». E o gozo que era as cadeiras a descerem quando nos sentávamos... Belos tempos!

Cumprimentos

Anónimo disse...

Tudo tem um tempo e o tempo do Cinema Londres acabou. É uma pena!

Besnico di Roma disse...

Não conheço o cinema Londres. Sei onde fica claro!
Penso que já nem Lisboa conheço, muito menos a Av. de Roma, onde vivi os primeiros 30 anos da minha vida.
Recordo, isso sim, com muita saudade o “Bólide” onde disputávamos renhidos campeonatos de bowling.
Recordo ainda figuras dessa época, o senhor Sidónio, não sei se era o gerente, mas era o nosso anfitrião e que nos indicava a pista livre onde podíamos jogar.
Recordo o senhor Keley, velhote americano, que tinha sempre o seu nome inscrito no 1º lugar do quadro de honra, pela melhor pontuação do dia, que nunca conseguimos bater.
Recordo ainda a avenida de Roma dos anos 60, as suas gentes, o comércio e os cafés, apenas já não me recordo de mim…

Besnico di Roma