20 de outubro de 2012

Feira das Indústrias Portuguesas

A "AIP - Associação Industrial Portuguesa" foi fundada em 28 de Janeiro de 1837 em Lisboa, em conformidade com os estatutos aprovados pela Secretaria de Estado dos Negócios do Reino. Entre 1860 e 1886, denominou-se "Associação Promotora da Indústria Fabril", retomando em 1886 a designação de "AIP - Associação Industrial Portuguesa". 

Antiga sede da "AIP - Associação Industrial Portuguesa"

          Revista nº 1 "Indústria Portuguesa" da AIP                                  Diploma de sócio da "Moagem Goya"

    

Além das pequenas exposições de 1861 e 1863 realiza, em 1887 a primeira "Exposição Nacional das Indústrias Fabris", evento que concentrou na actual Praça do Marquês de Pombal e Avenida da Liberdade, mais de 1200 expositores, dos quais 418 eram industriais da capital. No ano seguinte em 7 de Junho de 1888 promove a “Exposição Industrial Portugueza Com Uma Secção Agricola” ,

Em 1889, organiza a representação de Portugal na Exposição Universal de Paris, comemorativa da Revolução Francesa , para em 1929 organizar, no Estoril, a "Feira de Amostras da Indústria Nacional", preparativa da "Grande Exposição Industrial Portuguesa", realizada em 1932 no Parque Eduardo VII.

Entre 26 de Novembro e 18 de Dezembro de 1949, a AIP promove com a colaboração da "Associação Industrial Portuense", o 1º ciclo da "FIP - Feira das Indústrias Portuguesas", na praça do Império em Belém, onde estiveram representados sectores importantes da indústria portuguesa com cerca de 250 expositores. No ano seguinte realiza também em Belém entre 3 de Junho e 9 de Julho de 1950, o 2º ciclo da "FIP - Feira das Indústrias Portuguesas".

Cartaz de Fred Kradolfer

Pavilhão da “FIP - Feira das Indústrias Portuguesas” na “Exposição do Mundo Português em 1940

Publicidade à FIP em 1949

   

Feira das Indústrias Portuguesas (2º ciclo) em 1950

Pavilhão de Exposições de Belém

                   Stand da Tipografia Casa Portuguesa                                Stand da Sociedade Lusitana de Destilação

 

O edifício da "Feira das Indústrias de Lisboa" na Junqueira, projectado pelos arqitectos Keil do Amaral e Alberto Cruz, foi inaugurado em 26 de Maio de 1957 pelo Presidente da República General Craveiro Lopes. O complexo ia desde a Praça das Indústrias até à Cordoaria, delimitada pela Avenida da Índia e a Rua da Junqueira.

Apresentação da maqueta da FIL ao Presidente do Conselho Dr. Oliveira Salazar em 1951

Projectos em 1953

Podia-se ler num jornal vespertino desse dia: «(...) com efeito, o que está patente no antigo areal da Junqueira, onde ainda ontem cresciam cardos e os lagartos se regalavam ao Sol, é uma obra de prodígio que excede a escala habitual dos nossos empreendimentos».

1956

 

“Pavilhão Keil do Amaral” da Feira Internacional de Lisboa, na Junqueira

 

Novo edifício-sede da Associação Industrial Portuguesa inserido no complexo da FIL na Praça das Indústrias

 

Topo poente do complexo da FIL junto à Cordoaria

Nesse mesmo dia era inaugurado neste edifício o II Congresso da Indústria Portuguesa e o II Congresso dos Economistas Portugueses, realizados conjuntamente e aos quais presidiram não só o Presidente da República como o ministro da Presidência Prof. Marcello Caetano e o presidente da "AIP-Associação Industrial Portuguesa" Dr. Francisco Cortês Pinto.

O edifício da "Feira das Indústrias de Lisboa" (FIL), na altura, composto por duas grandes naves de exposição, respectivas galerias e uma zona ao ar livre para exposição de peças e máquinas de grande porte. Dispuseram-se stands de mais de 400 expositores, distribuídos pelas secções de borracha e derivados, calçado, couros e peles, electricidade, industrias químicas, indústrias alimentares, louças e vidros, material de escritório, materiais de construção, etc. e ainda as áreas do Ultramar. Foram expositores com presença de relevo: H. Vaultier, Laboratórios Barral, Sapec, Viúva Ferrão, Fábrica Portugal, Vinhos de Colares Visconde de Salreu, SEEL - Soc. de Equip. de Escritório, e a CUF - Companhia União Fabril.

                         Almoço do Dia do Cantoneiro em 1959                                           Pavilhão de Congressos

Dia do cantoneiro 1959  Congresso

Jantar de nacionalistas a favor de Salazar em 1959

Num dos discursos inaugurais o prof. Marcello Caetano diria: «é preciso que todos os organismos corporativos da indústria, o Estado, os comerciantes, insistamos na educação dos consumidores, de maneira a extirpar da nossa mentalidade o doentio desdem pelos produtos nacionais, preteridos, quantas vezes por produtos estrangeiros que não são nem melhores, nem mais baratos.. Sempre que e adquire um produto da indústria portuguesa, de uma indústria em que está investido capital português e que emprega trabalhadores portugueses, está-se a contribuir para o progresso da riqueza nacional e, portanto, para que prossiga o desenvolvimento económico do país.»

                     Laboratórios das Farmácias Barral                                 COPAM - Companhia Portuguesa de Amidos

 

                          Stand da Fábrica de Borracha Luso Belga

  

                            Instituto Pasteur de Lisboa                                                         Fábrica Santa Clara

 

A propósito da exposição de 1957 o leitor habitual e assíduo deste blog, Sr. João Celorico, em tom de comentário recordou:

«Como recordo a FIL de 1957!
A Farinha Amparo a oferecer um "pinto do dia" a quem comprasse 2 pacotes da dita farinha. Comprei 4 pacotes e a sorte foi tal que os pintos se tornaram num imponente galo e uma poedeira galinha. Quer um quer outro foram, um dia, tragados, mas a minha mãe, que bastas vezes matava “criação”, não teve coragem para ser ela a tirar-lhes a vida!
O stand da Olivetti, cheio de meninas dactilógrafas ali, ao vivo, iam batendo os teclados das modernas máquinas da marca!
Noutro stand, um laboratório, penso que o Azevedos, fabricava, embalava e distribuía ao público, uma embalagem com 2 comprimidos, suponho que para o estômago. Não sei se alguém alguma vez os utilizou. Eu, não!
Um fabricante de bicicletas, talvez a Famel, distribuía uns pequenos raios de roda de bicicleta.
No stand da Dexion (a cantoneira perfurada era uma novidade), corria um pequeno filme onde nos era mostrada a montagem duma bancada destinada ao público que iria assistir à cerimónia da independência do Gana, com a presença da rainha Isabel de Inglaterra. O teste da bancada foi feito colocando nela um batalhão do exército do novo país, a marcar passo. Teste talvez inédito mas pelos vistos, muito fiável.»

Nestes mesmos congressos foi formalmente aprovada a necessidade de internacionalização da economia portuguesa, encontrando parte da sua concretização regular a partir de da "I Feira Internacional de Lisboa" que teria lugar entre 9 e 23 de Junho de 1960 por iniciativa da AIP. Em Outubro do mesmo ano a FIL seria admitida na "UFI - Union des Foires Internationales" (fundada em 1925) , durante um congresso realizado em Casablanca.

Este edifício integrou também dois auditórios com capacidade para 250 e 100 pessoas respectivamente e que se destinavam a acolher manifestações paralelas a feiras e exposições.

Stands da Cidla e da Sacor

 

Caixa de Previdência dos Técnicos e Operários Metalúrgicos e Metalo-Mecânicos em 1957

  

 

Em 1958 seria entregue a exploração do restaurante da "Feira das Indústrias de Lisboa" e logo no reveillon desse ano o seguinte anúncio:

Vista exterior do Restaurante da FIP

Como este restaurante se mantinha aberto todo ano independentemente dos eventos da FIP, tinha uma entrada independente para o exterior na Avenida da Índia como se pode observar na foto anterior.

Cartaz de Tomás de Mello

Nos anos de 1984 e 1985 são construídos os actuais pavilhões 4 e 5 com o objectivo de acolher exposições temáticas e aumentar a àrea exposicional da "Feira Internacional de Lisboa" (FIL). Em 1989 é finalizado o Pavilhão Polivalente, posteriormente designado auditórios do Complexo das Feiras, Centro de Congressos da FIL e actualmente "Centro de Congressos de Lisboa". Esta infraestrutura que contava com 4 auditórios e 5 salas de reunião, com utilização conjugada com os restantes pavilhões da FIL, constituiu um factor decisivo ao crescimento sustentado do turismo de negócios em Lisboa e acolheu os maiores e mais prestigiados eventos internacionais que se realizaram em Portugal nas duas últimas décadas.

Centro de Congressos de Lisboa

Actualmente a FIL está implantada no Parque das Nações desde 13 de Março de 1999, e o antigo edifício chamado de chamado de "Centro de Congressos de Lisboa", é utilizado para congressos, conferências, reuniões empresariais, festas, feiras, exposições e outros eventos, chamado de "Centro de Congressos de Lisboa". Este Centro conta com uma área de 30.000 m2 repartidos por 8 auditórios (de 1.700 a 125 pax), 5 pavilhões (de 3.800 a 1.000 m2), 34 salas de reunião, 4 foyers, um restaurante para 400 pessoas e dois parques de estacionamento com 1.100 lugares.

A "AIP - Associação Industrial Portuguesa" muda de designação em 1997 para "AIP - Associação Industrial Portuguesa / CCI - Câmara de Comércio e Indústria", em 2006, para "AIP - Associação Industrial Portuguesa / CE - Confederação Empresarial". Presentemente designa-se "AIP - Associação Industrial Portuguesa / Câmara de Comércio e Indústria", tendo como seu Presidente do Conselho Geral, o eng. Jorge Rocha de Matos


fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, AIP, Marca das Ciências e das Técnicas, Retalhos de Bem-Fica, Fotolito

14 comentários:

aragonez disse...

Mais uma vez a grande alegria de ver no seu blog, imagens da minha juventude.
O tal meu Avô João Abel, co fundador do Café Chave d'Ouro, foi-o também da Copam - Companhia Portuguesa de Amidos.
Também por aí, nas máquinas, jardins e numa sequóia que com o meu Pai plantei, ficam muitas alegrias e recordações de outros tempos.
A árvore,que agora se vê da estrada, faz jus à fama de pertencer à espécie mais alta do mundo.

José Leite disse...

Caro Aragonez

Grato por mais uma vista sua por estes lados.

Cumprimentos

José leite

João Celorico disse...

Caro José Leite!
Como recordo a FIL de 1957!
A Farinha Amparo a oferecer um "pinto do dia" a quem comprasse 2 pacotes da dita farinha. Comprei 4 pacotes e a sorte foi tal que os pintos se tornaram num imponente galo e uma poedeira galinha. Quer um quer outro foram, um dia, tragados, mas a minha mãe, que bastas vezes matava “criação”, não teve coragem para ser ela a tirar-lhes a vida!
O stand da Olivetti, cheio de meninas dactilógrafas ali, ao vivo, iam batendo os teclados das modernas máquinas da marca!
Noutro stand, um laboratório, penso que o Azevedos, fabricava, embalava e distribuía ao público, uma embalagem com 2 comprimidos, suponho que para o estômago. Não sei se alguém alguma vez os utilizou. Eu, não!
Um fabricante de bicicletas, talvez a Famel, distribuía uns pequenos raios de roda de bicicleta.
No stand da Dexion (a cantoneira perfurada era uma novidade), corria um pequeno filme onde nos era mostrada a montagem duma bancada destinada ao público que iria assistir à cerimónia da independência do Gana, com a presença da rainha Isabel de Inglaterra. O teste da bancada foi feito colocando nela um batalhão do exército do novo país, a marcar passo. Teste talvez inédito mas pelos vistos, muito fiável.
Recordo muito mais, duma época em que Portugal, país atrasado, mostrava muito do que ... produzia.

Cumprimentos,
João Celorico

José Leite disse...

Caro João Celorico

Muito obrigado pelas curiosidades históricas narradas, que enriquecem o tema tratado.

Não resisti em transcrevê-las para o texto do post.

Cumprimentos

José Leite

José Leite

João Celorico disse...

Caro José Leite,

quanta gentileza da sua parte. O meu bem haja.

Cumprimentos
João Celorico

José Leite disse...

Caro João Celorico

Não tem que agradecer.

A gentileza foi sua em transmitir as suas vivências e partilhá-las.

Por considerá-las uma mais valia publiquei-as.

Eu é que agradeço, não só a sua regular visita como a sua estimável participação.

Cumprimentos

José Leite

Graça Sampaio disse...

Visitei-a "in the very fisrt beginning"... porque ainda morava, criancinha, em Algés. Depois, na minha juventude, fui lá a bons bailes...

Margarida Elias disse...

Espero que não se importe, mas desejava utilizar uma imagem da FIL numa apresentação que vou fazer dia 18 - com a devida referência ao seu blogue. Obrigada, Margarida Elias.

José Leite disse...

D. Margarida Elias

Esteja à vontade e utilize o que necessitar, sem problema.

Os meus cumprimentos

José Leite

Joaquim Moedas Duarte disse...

Boa noite

Excelente documentário sobre a FIP desde o seu início em 1949. Refiro-me ao texto e às ilustrações.
Estou a fazer um trabalho académico sobre a Casa Hipólito de Torres Vedras e sei que esta empresa participou na primeira FIP.
Pergunto: tem imagens dessa participação, que possa facultar-me? Ficaria muito agradecido.

Creia-me com elevada consideração

Joaquim Moedas Duarte
Torres Vedras
TM - 962435928

José Leite disse...

Bom dia

Infelizmente não o consigo ajudar.

Os meus cumprimentos

José Leite

Joaquim Moedas Duarte disse...

Agradeço a sua pronta resposta.

Continuarei a visitar este espaço com interesse e proveito.

Com a estima do

Joaquim Moedas Duarte

Hélder Martins disse...

Caro José Leite,

O seu trabalho é magnífico e único. Parabéns.

Só tem futuro quem conheça e estime o passado.

Hélder Martins

(ps: comecei a trabalhar na FIL em 1978...)

José Leite disse...

Caro Hélder Martins

Grato pelas suas amáveis palavras.

Cumprimentos.
José Leite