30 de maio de 2011

Inauguração dos Caminhos de Ferro em Portugal

Em 13 de Maio de 1953 é assinado o contrato entre o Governo Português e Hardy Hislop, director e representante da ‘Companhia Central Peninsular dos Caminhos de Ferro’ em Portugal, para a construção de uma linha férrea de Lisboa à fronteira de Espanha, passando por Santarém, na bitola de 1,44 m.

Em 28 de Maio de 1853,a Rainha D. Maria II, inaugura o início das obras da primeira linha de comboio em Portugal entre Lisboa (Estação de Santa Apolónia) e o Carregado, a “Linha do Leste”

Mas em 15 de Dezembro de 1855, Fontes Pereira de Melo, ministro das Obras Públicas, após ter rescindido o contrato da empreitada com a ‘Companhia Central Peninsular CFP’, assina novo contrato com a ‘Shaw & Waring Brothers’.

No dia 26 de Outubro de 1856, foi inaugurado o primeiro serviço público de Caminhos de Ferro em Portugal, a “Linha de Leste”  ligando, neste dia, Lisboa ao Carregado na distância de 36,454 Kms. Juntaram-se na Estação de Santa Apolónia, o Cardeal Patriarca de Lisboa, Sua Alteza a Infanta D. Isabel Maria, Sua Majestade o Rei D. Pedro V, acompanhado pelo pai, princesas e infantes, o corpo diplomático e altos funcionários.

O primeiro comboio a circular em Portugal iria ser composto por catorze carruagens e duas locomotivas, indo na carruagem do centro a família real e na primeira a guarda real dos archeiros. Uma das locomotivas era a locomotiva a vapor nº 1 de seu nome “D. Luiz” .

Locomotiva “D. Luiz” e carruagem “D. Maria Pia”

  

                           D. Luiz e D. Maria Pia                         Interiores da carruagem real “D. Maria Pia”

  

  

Construída no ano de 1855 em Manchester, nas oficinas ‘Beyer Peacock & Cª. Ltd’, é a locomotiva a vapor portuguesa mais antiga. Foi-lhe dada o nome de “D. Luiz”, o então infante irmão do rei D. Pedro V. Esta locomotiva trabalhou durante mais de 50 anos.

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

Partindo de Lisboa cerca das onze horas da manhã, a viagem durou quarenta minutos de Lisboa ao Carregado. Três quartos de hora depois partiu um segundo comboio, composto de nove carruagens, puxadas por única locomotiva, transportando accionistas e convidados.

Chegados ao Carregado, foram brindados com um banquete volante no pavilhão montado na estação provisória. Nele existiam três compartimentos ricamente decorados.Um para a família real, outro para o Cardeal e clero, e o último para o corpo diplomático e corte. Ao lado e fora da estação foi montado um grande anfiteatro com toldo para os convidados.

                          Pavilhão na estação provisória do Carregado                                    Chegada ao Carregado               

  

Medalha comemorativa

Pelas quatro horas e meia da tarde o comboio real regressou à capital. Esta viagem de volta a Lisboa, durou duas horas, porque houve uma demora de cerca de uma hora em Sacavém devido a uma avaria nas tubagens de uma das locomotivas. Este comboio era composto por catorze carruagens e duas locomotivas. Como uma das locomotivas ficou inutilizada, a outra conduziu o comboio, agora só com seis carruagens uma das quais transportando a família real, a Lisboa. Chegados a Lisboa a locomotiva regressou a Sacavém para trazer as outras seis carruagens. Às dez da noite já todo resto da comitiva e convidados tinham regressado à capital.

Em 1956 capa do número comemorativo da Gazeta dos Caminhos de Ferro, do  1º Centenário dos Caminhos de Ferro Portugueses

ultimas fotos in: Hemeroteca Digital

2 comentários:

Trigo disse...

Gostaria de começar por lhe dar os parabéns, nunca tinha visto um blog com tanta informação e imagens da época, sobre temas quase esquecidos. Faço modelos à escala de diferentes tipos de peças com historia e curiosas (eléctricos, quiosques, carroças, barcos, etc).

Ando a tentar fazer o comboio real à escala, mas tenho pouca informação e não consigo tirar fotos ao vivo, como tal andava na net à procura, foi isso que me conduziu ao seu blog.

Parabéns e vou tentar estar atento

Cumprimentos

João Trigo

José Leite disse...

Muito agradecido pelas suas palavras.

Cumprimentos

José Leite