19 de maio de 2011

Greves dos Eléctricos em 1912

A primeira greve dos eléctricos no ano de 1912 ocorreu em 29, 30 e 31 de Janeiro, e foi consequência da greve geral do operariado de Lisboa decretada para esses dias.

Esta greve geral teve origem na greve de Évora, motivada por os lavradores se recusarem a pagar aos seus trabalhadores pelos preços até então em vigor. Duma colisão entre grevistas e a tropa, houve alguns feridos, tanto operários como militares. Em consequência dos acontecimentos vieram a Lisboa delegados dos grevistas, a fim de reunirem com o Governo - governo do Partido Democrático tendo como 1º ministro Augusto César de Almeida de Vasconcelos Correia - após ter sido encerrada  a casa da sua associação, pelas autoridades.

Os membros da associação dos trabalhadores agrícolas de Évora, solicitaram ao governo de Lisboa que para que fosse finalizada a greve, fossem postos em liberdade os seus companheiros presos, aberta a sua associação em Lisboa, e demitido o governo civil de Évora.
Foi em vista da recusa a duas das suas imposições que se declarou a greve geral. Lisboa concorreu para isso de uma maneira mais saliente, visto ser nesta cidade a sede da Casa Sindical, sede das associações operárias.

                     Casa Sindical, na Rua do Século                                             Manifestação dos grevistas

 

Na manhã de 29 de Janeiro deixaram de circular os eléctricos e todos os meios de transporte, à excepção do Caminho de Ferro, impedidos pelos grevistas. Foi paralisado o trabalho nas fábricas , nos ateliers e em várias oficinas. Os jornais não foram postos à venda.

Sobre os eléctricos que tentavam circular foram arremessadas bombas, seguindo-se tumultos por toda a cidade, pelo que na tarde de 30 de Janeiro de 1912, o governo decidiu entregar Lisboa ás autoridades militares, sendo decretada a suspensão de garantias e pedindo-se aos cidadão o recolher obrigatório ao toque respectivo.

                                                    Eléctrico “assaltado” em Santo Amaro

                           

Curiosidade: O destino deste eléctrico era o Velódromo. Tratava-se do ‘Velódromo de Palhavã’ , que foi objecto dum post na semana passada dia 13 de Maio 2011

                                         Eléctrico “assaltado” na Rua de S. Joaquim em Alcântara

 

Se as três fotos anteriores fossem nos nossos dias e sem legendas, poder-se-ia pensar que era uma tentativa de bater algum record para o “Guinness Book of Records”. Talvez o record de número de “penduras” num eléctrico de Lisboa ….Chego-me a interrogar como aquela quantidade de gente se conseguia agarrar …. não há dúvida que o ditado popular “a necessidade aguça o engenho”…

Na madrugada de 31 de Janeiro de 1912, algumas forças de infantaria, com uma bateria de artilharia, cercaram a Casa Sindical na Rua do Século, intimando toda a gente a render-se que ali se encontrava, o que foi acatado sem a menor resistência.

                                                                       Outras fotos da greve

 

Em 8 de Junho de 1912 nova greve dos eléctricos em Lisboa, mas esta decretada pelos trabalhadores da Companhia Carris Ferro de Lisboa.

O pessoal dos eléctricos declarou greve após o despedimento de um condutor que agredira um revisor de quem recebera insultos. Exigiram então os grevistas não só a readmissão do colega mas também a de todos que tinham sido despedidos quando da greve geral de 29,30 e 31 de Janeiro, além de aumentos salariais para todas as categorias da companhia excepto revisores, expedidores e empregados de escritório que desta vez não tinham tomado o partido dos grevista. Após o envio de delegados à Companhia Carris de Ferro de Lisboa, a fim de negociar com a administração, estes não foram recebidos.

Por fim os grevistas pretendiam que o Governo ou a Câmara Municipal de Lisboa, sendo rescindido o contrato com a Carris. Após as negociações entre os grevistas e a direcção da Carris em Londres, ter fracassado os transportes de eléctricos de Lisboa paralizaram.

Para minorar os inconvenientes na população desta greve a Câmara Municipal de Lisboa, autorizou que carros de todo o tipo e de todo o distrito de Lisboa fizessem carreiras na cidade. Podiam-se ver diligências rurais, auto-diligências, carroças, etc.

                                             Exemplos dos transportes alternativos aos eléctricos

 

                                                Transportes alternativos, na Ilustração Portuguesa

                                     

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital

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