6 de agosto de 2014

Ponte Giratória do Cais da Rocha

A antiga ponte eléctrica e giratória da Rocha do Conde de Óbidos, foi inaugurada pelo Presidente da República General Óscar Carmona, no dia 28 de Agosto de 1927. Neste dia, seriam inaugurados, também, um grande guindaste de 15 toneladas entre as docas secas 1 e 2, e dois transportadores aéreos, com capacidade para 2 toneladas de transporte por operação, na muralha sul da “Doca de Alcântara”.

Obras de construção do estreito onde seria colocada uma ponte levadiça

A primeira ponte a ser montada neste estreito que dá acesso à “Doca de Alcântara” (também conhecida por “Doca do Espanhol”), a fim de permitir a ligação por peões e veículos entre Rocha do Conde de Óbidos ao Posto Marítimo de Desinfecção, seria levadiça.

Antiga ponte levadiça ligando Rocha do Conde de Óbidos ao Posto Marítimo de Desinfecção, em 1906

Ponte levadiça e paquete “Ambaca” (1889-1917) da “Empresa Nacional de Navegação

Anos mais tarde seria montada uma ponte giratória neste mesmo lugar, que seria mais tarde removida, e o local sofreria importantes obras de alargamento e transformação para aí ser montada esta nova ponte em 1927.

 

Na véspera da inauguração, o “Diario de Lisbôa”, informava:
«Realiza-se amanhã a inauguração de uma obra importante do nosso Porto de Lisboa, e que vem aumentar o já consideravel desenvolvimento dos serviços do nosso porto que, apesar de precaria situação do Tesouro português, é hoje um dos melhores da península e mesmo da Europa.
Trata-se da grande ponte giratória electrica, melhoramento que a actual administração, á frente da qual está o ilustre comandante sr. Paiva Curado, teve a felicidade de fazer concluir, tendo a iniciativa partido da administração transacta. (…)
O comandante sr. Paiva Curado tem amanhã a satisfação de vêr inaugurados alguns importantes melhoramentos e, certamente, não serão os ultimos. O seu esforço, a sua boa vontade de realizar iniciativas anteriores, suspensas ou pendentes, são de assinalar-se.»

Na cerimónia da inauguração teve lugar um desfile pela eclusa, para dentro da Doca de Alcântara, a fim do Chefe de Estado passar revista a todos os barcos e materiais da "Administração do Porto de Lisboa". Igualmente teve lugar um cortejo de navios de guerra e flotilhas dos clubes náuticos além da actuação da banda da Armada, exercícios de socorros, de salvamento e provas náuticas desportivas.

Cerimónia da inauguração

 

A ponte eléctrica giratória, que na altura ligava a Rocha do Conde de Óbidos ao Posto Marítimo de Desinfecção,  tinha um peso de 160 toneladas, largura de 8 metros e 58 metros de comprimento. Custou 10.000 libras, as fundações 260 contos e a montagem 20 contos.

Equipamentos e movimento do “Porto de Lisboa” em 1927, segundo o “Diario de Lisbôa”

Notícia no jornal “O Domingo Ilustrado”

Vista aérea, em 1967, identificando-se, além da ponte giratória, o paquete “Vera Cruz” e os navios “Lugela” e “São Thomé”

Ao fundo a “Gare Marítima do Cais da Rocha do Conde de Óbidos

Ponte giratória actual e só para utilização de peões

fotos in:  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Foto-Reportér Por-Lisboa

2 comentários:

João Celorico disse...

Esta ponte giratória, apesar do aparato da sua inauguração poder parecer despropositado, era bastante importante se tivermos em conta a sua utilização diária por milhares de trabalhadores e alguns veículos que não seriam tantos naqueles tempos mas que, ainda assim, teriam de dar uma grande volta. Do lado de lá da eclusa haviam as oficinas e armazéns da Companhia Colonial de Navegação, da Sociedade Geral e da Companhia dos Carregadores Açoreanos, além da própria Gare Marítima e instalações do Porto de Lisboa, assim como o Posto de Desinfecção (depois Posto de Vacinação).
A sua falta era bem sentida quando estava em reparação. Tinha que se improvisar uma “ponte”, com barcaças e umas passarelas para as pessoas poderem atravessar e ficava a Doca do Espanhol inoperativa por uns dias.
Como diz o seu texto, já naquele tempo era precária a situação do Tesouro Português. Isto é quase como a fama do Brandy Constantino, já vem de longe!
Quanto às fotos, tenho a dizer o seguinte em relação às 4 últimas:
Na vista aérea de 1967, o “Lugela”, está atracado na ponta da eclusa e o “S. Thomé” está na doca nº1 do Estaleiro da Lisnave, presumo que em manobra de saída da doca.
Na foto onde se diz “Ao fundo a Gare Marítima do Cais da Rocha do Conde de Óbidos”, presumo que seja dos princípios dos anos 50. Isto porque a av. 24 de Julho ainda só tem uma faixa central para todo o trânsito automóvel. A faixa lateral, ainda empedrada era para as carroças que me parece ver já equipadas com rodados pneumáticos.
O edifício da administração do Estaleiro (então CUF), ainda só tem um piso e sinais do edifício do refeitório, começado em 1957, nem vê-los.
Por último, posso dizer que a foto foi tirada entre as 12.00 e as 13.00h. É só ver o pessoal alinhado no chão, junto ao edifício da esquerda. Era o refeitório popular de quem recebia o almoço trazido por mulher, filha ou afins num cestinho e marmitas. Àquela hora, dava ali a sombra e era assim, ao ar livre, em ambiente familiar! Pode observar-se a presença do elemento feminino.
As cancelas da via férrea ainda eram de correr e uma delas, decerto, estava em reparação.
Nas duas últimas fotos, a ponte mais moderna e mais leve, já tem mais trabalho para abrir e fechar, para deixar passar iates, do que para servir o público. Se olharmos em volta o que vemos são restaurantes e bares no que antigamente eram oficinas e armazéns.
É a “evolução”!

Melhores cumprimentos,

João Celorico

José Leite disse...

Caro João Celorico

Muito grato por mais este comentário mui elucidativo, aliás como já vem sendo hábito da sua parte, e que muito enriquece e acrescenta valor aos artigos que venho publicando.

Os meus cumprimentos

José Leite