18 de junho de 2012

H. Vaultier & Cª.

“H. Vaultier & Cª.”  foi fundada em 1897, pelo francês Henry Vaultier. Inicialmente com sede na Rua Vasco da Gama, em 1936, já possuía  filiais e fábricas na Rua da Alfândega, na Rua da Junqueira (Quinta do Almargem), e ainda na doca de Alcântara.

A pequena oficina estabelecida por este notável industrial, foi amplamente desenvolvida por seu filho Maxime Vaultier, e em 1937 já possuía três fábricas de correias de couro para transmissões, de puados para cordas e de mangueiras de linho para combate a incêndios, oficinas de silos e aparelhos para moagem, dos mais simples aos mais complexos, secções de borracha industrial, ferro, aço e outros metais. Como representações contavam-se a "Magyruz", todo o material de incêndio da "R.Holl & Cº.”, de sedas para moagens, empanques de "Turrer & Garlock", máscaras contra gases e fumos "Degea" adoptadas pelo BSB. Também já era importadora de óleos e lubrificantes, de entre os quais as marcas "Eagloil" e “Essolube” .

              Maxime Vaultier (à direita na foto) recebido pelo Presidente da CML, General França Borges, em 1962

                                    

                               

No início dos anos 40 do século XX, esta empresa já tinha filiais e delegações no Porto, Caldas da Rainha, Covilhã, Coimbra, Évora, Estremoz, Luanda, Funchal, Ponta Delgada e S. Vicente de Cabo Verde.

                                                                       Delegação de Évora, em 1937

                                                   

                                                                                           1944

                                                   

                                                                 Novo edifício na Rua D. Luís I, em 1945

                                       

Em 1946 o edifício na Rua D. Luís I, em Lisboa,  obra do arquitecto José Simões, datada dos anos 40 do século XX,. e em fase de construção, para o "Instituto Superior Técnico", herdeiro do "Instituto Industrial", foi adquirido, em 1944, pela “H. Vaultier & Cª.”. Esta completou as obras e em 6 de Outubro de 1945, estas novas instalações são inauguradas com a presença do Presidente da República General Óscar Carmona.

                                                                Anúncio de 1946 da "Burmeister & Wain"

                                             

Aqui instalou um armazém de ferro, fábrica de mangueiras, correias e puxados, uma oficina de viaturas agrícolas e de combate a incêndios, exposição de materiais e um refeitório para os cerca de 150 trabalhadores que aqui exerciam actividade. Em 1969 este edifício foi adquirido pelos CTT funcionando, hoje, a Fundação Portuguesa das Comunicações.

                              

       

                                

Na foto abaixo e do lado esquerdo, encontram-se rolos de mangueira em lona. Estas mangueiras eram vendidas em lanços com 20 metros ou 25 metros. Tinham de ser aramadas a junções fêmea de 1"1/2 pelos bombeiros que faziam posterior vistoria no local da sua localização, e colocadas, posteriormente, numa caixa vermelha, com as letras “S.I.”,  juntamente e ligada a uma boca de incêndio tipo "Teatro" ou tipo "Globo", e na extremidade oposta a uma agulheta de latão. Nesta caixa também existia uma chave de cruzeta em ferro para abrir o fornecimento de água à mangueira. Este tipo de equipamento era muito utilizado nas escadarias de prédios altos, garagens, teatros e cinemas, etc.

       

                              Mangueiras com lanços de 20 mts. com três tipos de junções utilizadas actualmente

                    

                                      

Ainda hoje são usadas apesar de terem sido substituídas em equipamentos recentes por outro tipo de combate a incêndio de seu nome "Caixa de Carretel" que possui uma mangueira tubular de borracha revestida, em vez desta em lona, não utilizando a boca tipo "Teatro" mas apenas uma válvula, para abastecimento de água.

A área de actuação da “H. Vaultier & Cª.” compreendia o território nacional extendendo-se às ilhas adjacentes e colónias portuguesas. Maxime Vaultier além de importante industrial foi conselheiro da Câmara do Comércio Exterior de França e administrador neste país de empresa “Scipat”.

                                                                                           1947

                                      

E só por curiosidade estes autocarros de 2 andares chegariam a Lisboa em 19 de Maio de 1947. Foram entregues as primeiras duas unidades.

                Cerimónia da entrega no Porto de Lisboa                    Primeira carreira nº 201 com autocarro de 2 pisos

       

                                                           Depois de terem sido devidamente testados

                                      

                                                                                            1950

                                              

                                           1950                                                                                    1954

      

                                                                                            1957

                                                    

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca de Lisboa

14 comentários:

APS disse...

Belo trabalho!
Recordo-me perfeitamente daquele grande letreiro que existia no "LARGO VITORINO DAMÁSIO".
Passava no eléctrico e havia a tendência de olhar para o "H. VAULTIER & Cª.".
Um abraço
APS

José Leite disse...

Caro Agostinho

Grato pelo seu sempre amável comentário

Abraço

José Leite

Maria disse...

Também havia uma filial em Caldas da Rainha...
Gostei de ler.

José Leite disse...

D. Maria

Agradecido pela sua informação adicional, e pelo seu comentário

Cumprimentos

José Leite

Teixeira disse...

Olá.
Eu tenho uma debulhadora fabricada pala H. Vaultier e Cª de marca VAULTIER. Creio que seja uma raridade. Alguém conhece onde foi fabricada?

Orlando Teixeira

florence disse...

Ficai Comovida por ver este trabalho sobre a H.Vaultier , sou a neta de Maxime Vaultier , e claro Bisneta de Henry Vaultier. Agradeço o seu belíssimo trabalho sobre esta empresa que era a Paixão do meu Avô.
Merci

Florence Vaultier

José Leite disse...

D. Florence

Não tem que agradecer.

Eu é que agradeço o seu comentário

Cumprimentos

José Leite

Anónimo disse...

Olá,

Nos Bombeiros de Estremoz existe um carro (pronto-socorro) Dodge de 1939 que foi feito na H.Vaultier e está restaurado. Gostava de completar a sua história com mais dados sobre o fabrico.
Se tiverem documentos ou informações que possam facultar
Agradeço

Fernando (fjafa@clix.pt)

Portas e Travessas.sa disse...

Vaultier . morava na s. Domingos à lapa - onde os miudos (eu próprio) jogavam à bola conhecia a familia Vaultier - tinha 2 filhas lindas - era boa gente.

Com muitas saudades da meninice

FPereira

Carlos Horta disse...

E eu hoje com 60 anos que tenho saudade dessa grande casa e GRANDE nome do Srº,que eu miúdo ia junto com o meu pai á filial de Évora comprar material e havia de tudo que se necessitava e nada mais existe hoje e quando hoje precisamos pensamos que havia tudo nesse tempo e quando se vê estes estabelecimentos fica-se com muita saudade como já foi referido em cima.

Viana do Alentejo

Carlos Horta:

heitor disse...

Na foto de 1962, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa já não era o general Salvação Barreto, mas sim o general França Borges.

José Leite disse...

Caro Heitor

Tem toda a razão já procedi á rectificação.

Com os meus agardecimentos, os meus cumprimentos

Marcelo Vaultier Mathias disse...


Muitos parabéns por esta tão vasta informação sobre a Casa H. Vaultier.

Sou seu neto e fiquei naturalmente muito comovido com os elementos que aqui divulgou no seu blog. São dados preciosos e muito relevantes.

Muito obrigado.
Bem haja.

Marcelo Vaultier Mathias

Luís Garcia disse...

Belo trabalho acerca da casa Vaultier, como era conhecida. O meu avô Herculano Garcia -Silva foi o Grenteski da filial de Ponta Delgada durante mais de 40 anos, desde finais dos anos 40 até ao início dos anos 80.
Luis Miguel Garcia