8 de maio de 2016

Política e Ensino

A propaganda política, - principalmente após a instauração da I República em 1910 - em diversas formas esteve sempre presente nas escolas, desde o Ensino Primário até ao Universitário.

Em 1917 , depois da implantação da República em 5 de Outubro de 1910, e pouco antes da intervenção de Portugal na I Grande Guerra, e do golpe de Estado entre 5 e 8 de Dezembro de 1917, liderado por Sidónio Pais e consequente instauração da ditadura militar, foram produzidos e publicados uma série de 12 cartazes apelidada de “Quadros Educativos”.

Esta série, da qual eu reproduzo 11 dos 12 cartazes, foi elaborada pelos ilustradores e cartoonistas A. Quaresma, Hebe Gonçalves, F. Guedes, Hipólito Collomb, as irmãs Helena e Mamia Roque Gameiro, Rocha Vieira, Alonso, Alberto Souza  e Stuart Carvalhais.

Os “Quadros Educativos” foram colocados nas paredes das escolas tanto do Ensino Primário como no Secundário

Esta série teria uma continuação - políticamente mais incisiva e doutrinal - 21 anos depois, a partir de Abril de 1938, durante o Estado Novo. No projecto do Ministro da Educação Nacional, Dr. António Carneiro Pacheco, as primeiras letras bastariam para que a Nação aprendesse a “Lição de Salazar”, outra série de 7 cartazes com fins doutrinários.                                        

Para comemorar o 10º aniversário da investidura do Doutor Oliveira Salazar como Ministro das Finanças, foi editada uma pequena colecção de 7 cartazes intitulada "Escola Portuguesa" em Abril de 1938. Estas gravuras foram desenhadas por Raquel Roque Gameiro Otolini, Martins Barata e Emérico Nunes e á semelhança da série “Quadros Educativos”, eram colocadas nas paredes dos estabelecimentos de ensino com se pode observar na foto anterior.

 

 

 

Outros exemplos

    

Interior do “Livro da Primeira Classe” de 1954

Capa de Caderno Escolar e Caixa de lápis de cor “Viarco”

 Lápis Viarco.2

Mas a propaganda política nas Escolas, dirigidas aos estudantes e professores, durante o Estado Novo não terminaria aqui …

    

            

Nos anos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974, acentuou-se fortemente a intervenção política nas escolas e universidades, com o aparecimento das Juventudes partidárias, associações de estudantes, etc.

fotos in: Almanak Silva, Biblioteca Nacional Digital, Ministério da Educação e Ciência, Faculdade de Aveiro

9 comentários:

Graça Sampaio disse...

Bela resenha! Sempre atento, sempre interessado em dar a conhecer o nosso (triste) passado.
Obrigada.

José Leite disse...

D. Graça Sampaio

"Triste" ou não, é a nossa história, e de muitas décadas, que não podemos nem devemos apagar.

Os meus cumprimentos

Miriam Matias disse...

Excelente artigo, os meus parabéns para o senhor.
Gostaria de saber se existe alguma forma de ter disponíveis esses livros de leituras. Eu sou estudante no México de Letras Portuguesas e estou a fazer uma pesquisa sobre esses livros. Seria de muita ajuda na minha investigação porque ainda não os encontro disponibilizados online.
Obrigada desde já.

Anónimo disse...

Para que a memória nos lembre!

José Leite disse...

Cara Miriam Matias

Sei que estes livros foram de novo impressos e estão á venda em Portugal.

Online não existem.

Os meus cumprimentos

Miriam Matias disse...

Obrigada pela resposta, caro José Leite. Depois de investigar um pouco, consegui encontrá-los online. Segue aqui o link caso o senhor ou qualquer pessoa queira consultá-los:
http://193.137.22.223/pt/patrimonio-educativo/repositorio-digital-da-historia-da-educacao/manuais-escolares/lingua-portuguesa-e-gramatica/

Cumprimentos.

José Leite disse...

Cara Miriam Matias,

Muito grato pela sua preciosa informação.

Os meus cumprimentos

Senador disse...

Amigo José Leite,

Alguma coisa de que se queira servir do meu blogue, disponha como se fosse seu!...

http://valdemartrofa.blogspot.pt/search?q=Material+Escolar

Os meus cumprimentos,

Valdemar

José Leite disse...

Amigo Valdemar

Muito grato pela sua gentileza.

Os meus cumprimentos

José Leite