Restos de Colecção F

8 de setembro de 2011

Fábrica de Material de Guerra de Braço de Prata

A “Fábrica de Material de Guerra de Braço de Prata”, foi outro grande equipamento industrial da freguesia de Marvila, em Lisboa, A sua construção foi iniciada em 1904 e terminada em 1908, e instalada no sítio da antiga Oficina de Pirotecnia (1869) e da Real Vidreira (1798), na Rua da Fábrica de Material de Guerra.

“Fábrica de Material de Guerra de Braço de Prata”

 

 

Também chamada vulgarmente como Fábrica de Braço de Prata, começou a funcionar em 1908, com a denominação oficial de “Fábrica de Projécteis de Artilharia”, fazendo essencialmente munições de artilharia e estando dependente do Arsenal do Exército. Posteriormente foi alargando a produção para outros equipamentos militares, além de munições de artilharia, tendo por isso, alterado a sua designação para “Fábrica Militar de Munições, Armas e Veículos”.

 

                                

 

                                 

 

Mais tarde o nome oficial passou a ser aquele por que já vinha sendo conhecida: “FMBP - Fábrica Militar de Braço de Prata”, ou simplesmente “FBP - Fábrica de Braço de Prata”. Esta fábrica, viria a beneficiar com a entrada de Portugal na OTAN e também com o auxílio do chamado Plano Marshall, em 1949-50, tendo recebido importante ajuda financeira para a montagem da maquinaria necessária à produção dos componentes metálicos e das instalações de carregamento, acabamento e embalagem de munições para armas ligeiras, bem como para o aperfeiçoamento técnico de muito do seu pessoal.

Em 24 de Novembro de 1953, deu-se uma explosão nesta fábrica da qual resultaram com 12 mortos e duzentos feridos.

 

                            Prensa de 17 toneladas                                   Máquina de teste de resistência de tecidos das fardas

                        

 

                                

 

Atingiu o seu auge durante a Guerra do Ultramar, altura em que conseguiu produzir centenas de milhares de espingardas automáticas, morteiros, metralhadoras, munições, fardamentos e outros artigos que equiparam as Forças Armadas Portuguesas. Ao mesmo tempo ainda produzia equipamentos para exportação, sobretudo para a República Federal da Alemanha, como por exemplo os 120 milhões de munições calibre 7,62 entre 1959 e 1960, e em 1963 as 210 milhões de munições tracejantes do referido calibre 7,62

 

fotos anteriores in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais)

Os produtos projectados, e fabricados, nesta fábrica mais conhecidos foram:

Pistola-Metralhadora de 9 mm
Espingarda Automática G3
Metralhadora de 7,62 mm HK21
Morteiro de 60 mm
Pistola-Metralhadora de 9 mm de seu nome "Lusa", não tendo sido fabricada nesta fábrica mas cuja licença foi vendida

                                                                           A FBP ( “ agrafadeira ” )

                               

O desenho e fabrico eram inteiramente portugueses e a sua construção era dividida entre 2 fábricas, a FNM (Fábrica Nacional de Munições, em Moscavide), e a FBP (Fábrica de Braço de Prata). Existiram 2 versões: a FBP M/947 com tiro completamente automático e a FBP M/961 com selector de tiro, que permitia tiro semi-automático e automático.

                                                                                Morteiro M/968 60mm

                                 

                                                                    Boletim da comemoração dos 59 anos

                                        

Em 1980 foi absorvida pela recém criada "Indep - Indústrias Nacionais de Defesa, E.P.", que por sua vez, em 1996, foi introduzida no grupo designado “Empordef –Empresas Portuguesas de Defesa”.

Anos depois do seu equipamento ter sido transferido para Moscavide, as suas instalações foram transformadas e recuperadas albergando, a “Fábrica Braço de Prata”, um complexo de salas de exposições, sala de cinema, sala de música, bares, restaurante, livraria, etc.

                                                                           “Fábrica Braço de Prata”

                                 

          

7 de setembro de 2011

Teatros de Lisboa (4)

“Theatro D’Alegria” inaugurado em 11 de Janeiro de 1890. Projectado por João Augusto Barata e propriedade de ‘Castanheira & Barata’, o seu interior era feito de madeira e ferro e foi construído em cinco meses. Abriu as suas portas com a revista do ano de 1889 “FF e RR” escrita por Baptista Machado. A sala de espectáculos oferecia quatro frisas, doze camarotes, cento e vinte e seis lugares no balcão, trezentos e quarenta lugares na plateia, e cento e vinte e seis lugares na galeria que ficava ao fundo do balcão, em anfiteatro.

«Depois do antigo Theatro das Variedades e do velho templo da arte mais profanamente conhecido pelo de Rua dos Condes, é decerto o theatro d'Alegria o que melhor preenche a falta de theatros populares, proprios para verão e inverno, assim como que um divertimento de meia estação.»

                                                                        “Theatro d’Alegria”

                             

O gosto pelo estudo da ginástica começou, verdadeiramente, a desenvolver-se em Lisboa, quando o inglês Thomaz Price veio, em 1860, estabelecer na Calçada do Salitre, um circo ginástico, que tomou o nome de “Theatro Circo Price”. Os trabalhos dos bons artistas estrangeiros que formavam a companhia, tanto ginásticos, como acrobáticos, entusiasmaram a mocidade, e muitos rapazes começaram a querer imita-los, procedendo a experiências, mas a falta de estudos e de método tornou fatais algumas dessas experiências. Junto ao antigo Passeio Público foi demolido, no final do século XX, para permitir a construção da Avenida da Liberdade.

                                                                       “Theatro Circo Price”

 

                                                      Principais teatros de Lisboa no ano de 1900

                               

                                                  Cartaz da 1ª Quinzena de Novembro de 1899

                               

                                       Em 1903, os “Deveres dos espectadores” nos teatros de Lisboa

                                

                                                          Preços dos teatros de Lisboa, em 1910

   

Para melhor entenderem os preços, lembro que o real foi a moeda utilizada em Portugal desde 1430 até 1911 e que 1 real = 840 dinheiros. O real foi substituído pelo escudo (como resultado da implantação da República em 1910) a uma taxa de 1000 réis = 1 escudo. Ou seja onde se lê 19$000 , 19 mil réis, que convertido em escudos seria 19$00 dezanove escudos. Hoje praticamente 10 cêntimos.

Imagens in: Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa

6 de setembro de 2011

Piano com Motor

Pianos com motor, anunciados no “Jornal das Senhoras” de 1896, «um semanário illustrado collaborado por damas»

         

in “Jornal das Senhoras” : Biblioteca Nacional Digital

Paquete “Príncipe Perfeito”

Este paquete após ter sido construído pelos estaleiros “Neptune por Swan Hunter & Higham Richardson, Ltd.” em Newcastle, Inglaterra, foi entregue à “Companhia Nacional de Navegação”  em 31 de Maio de 1961, sendo considerado um dos mais belos e modernos navios da sua época. Os planos de construção do navio foram da autoria do engenheiro naval Rogério de Oliveira. O custo deste novo navio orçou à época em 500 mil contos (2,5 milhões de euros).

                    

Chegado ao Tejo foi visitado pelo Almirante Américo Thomaz, grande impulsionador do regresso de Portugal ao Mar. Na sua viagem inaugural, o paquete rumou á África Ocidental e Oriental. Seria este navio que juntamente com o “Índia” , da mesma Companhia, que tomariam parte na inauguração dos ‘Estaleiro da Margueira’ da “Lisnave - Estaleiros Navais de Lisboa S.A.R.L.” ( ver post  “Lisnave - Estaleiros Navais de Lisboa”  na etiqueta ‘Estaleiros Navais’ ).

                                         
                                                     foto in:
Museu da Marinha

Características:

Tonelagem de arqueação (t.a.b.): 19.393 t
Propulsão: 2 grupos de turbinas a vapor “Parmetrada”. Potência total: 21.000 SHP
Veios de hélices: 2
Comprimento: 190,43 m
Boca (largura): 23,96 m
Velocidade máxima: 21 nós
Capacidade de carga: 4 porões para 10.472 m3 de carga geral, incluindo 628 m3 de carga frigorífica
Passageiros: 1.000, assim distribuídos:
1ª Classe - 200
Turística A - 264
Turística B - 536
Tripulação: 319

                                      

                                      

Tal como o “Infante Dom Henrique”, deve o nome ao facto de, na época (1960), serem celebradas as Comemorações Henriquinas, versadas sobre os Descobrimentos. Baptizado com o cognome de D. João II, o “Príncipe Perfeito” grande impulsionador da epopeia marítima. Sucessor do malogrado paquete “Lisboa”, o “Príncipe Perfeito” foi o maior navio de passageiros da “Companhia Nacional de Navegação”.

                                      

                                      

Dotado com estabilizadores antibalanço (estreia entre nós) do fabricante “Denny Brown”, tinha o casco cinzento claro (como figura de proa, o escudo azul e branco da CNN), chaminé negra e equipado com duas piscinas e ar condicionado. A decoração e ambiente interior denunciavam a origem britânica, com larga utilização de madeira.

         

Na viagem inaugural a África, a 27 de Junho de 1961, escalou o Funchal, São Tomé, Luanda, Lobito, Moçâmedes, Cape Town, Lourenço Marques, Beira e Moçambique.

                                        

                                        

                                        

A sua última viagem, rumo a Angola, ocorreu em Junho de 1975, saindo pela última vez de Lisboa.

fotos anteriores in: Blogue dos Navios e do Mar                             

Depois em Janeiro de 1976, o “Príncipe Perfeito” ficou ancorado em Lisboa. Foi vendido em Abril de 1976 à companhia “Global Transportation Inc.”, do Panamá foi registado como “Al Hasa”, tendo sido convertido em Newcastle em navio-alojamento para 820 pessoas para Damman onde serviu de alojamento a estivadores durante 3 anos.

Em Abril de 1979 o Al Hasa  foi comprado pela companhia “Fairline Shipping Corporation” (Sitmar Cruises, Mónaco), passando a chamar-se “Fairsky”. O navio foi imobilizado em Iteia, Grécia, a 20 de Janeiro de 1980, passando a chamar-se VERA. Em 1982 o armador John Latsis compra este navio  e muda a designação para “Marianna IX” e torna-o como aposentos de peregrinos em Jeddah. Por último é oferecido ao governo grego para acomodação das vítimas do terramoto de 1986, em Kalamata e muda de nome para “Marianna 9”. Depois de imobilizado desde 1992 Eleusis, é vendido para sucata e desmantelado em Alang na Índia em 2001.

                                                                     A última designação, “Marianna 9”

                                             

                                                     Em processo de desmantelamento em Alang, na Índia

                                               
                                                             fotos in: Faro é Faro

Para a elaboração deste artigo foi consultado também o livro: «Paquetes Portugueses», de Luís Miguel Correia, Edições Inapa, Lisboa, 1992