Restos de Colecção F

9 de outubro de 2010

António Lopes Ribeiro

António Lopes Ribeiro (1908-1995), considerado por muitos o “pai” do cinema português nasceu em Lisboa em 16 de Abril de 1908, numa família que lhe incutiu o gosto pela cultura. Em 1926, estudava no Instituto Superior Técnico quando uma greve de estudantes o levou a pedir emprego a um tio que era caricaturista no semanário “Sempre Fixe”. Começou a escrever críticas cinematográficas, sob o pseudónimo de “Retardador”. Para este jovem de 17 anos, era um trabalho de sonho. Pouco tempo depois, foi convidado para colaborar no “Diário de Lisboa”, numa página semanal dedicada ao cinema. Foi uma estreia mundial - até então não havia nenhum jornal diário no mundo com uma página inteiramente dedicada ao cinema.

António Lopes Ribeiro com Vasco Santana, em 1941

  

Passados dois anos, António Lopes Ribeiro teve a oportunidade de se estrear no cinema, quando foi convidado para realizar um pequeno documentário intitulado “Bailando com o Sol” (1928).

Ainda em 1928 funda, com Chianca de Garcia (também realizador de cinema), a revista "Imagem", a primeira de três publicações sobre cinema que dirige. As outras foram "Kino" (1930) e "Animatógrafo" (1933)

                                  “Imagem” com Beatriz Costa na capa       “Animatógrafo” com Carmen Miranda

  

Em 1929, visitou vários estúdios europeus. Quando chegou a Moscovo, conheceu dois dos maiores realizadores de todos os tempos: Serguei Eisenstein e Dziga Vertov. De regresso a Lisboa, voltou a sentar-se atrás das câmaras, desta vez para dirigir as cenas portuguesas de um filme alemão intitulado “A Menina Endiabrada”. Em 1934, foi convidado por António Ferro, responsável pela propaganda do regime, a realizar um filme comemorativo dos dez anos da implantação do Estado Novo. O resultado foi “Revolução de Maio”, filme de exaltação nacionalista.

Em 1940, lançou-se na produção de filmes, através das "Produções António Lopes Ribeiro". De 1940 a 1970, parte da sua obra cinematográfica é dedicada aos actos oficiais do Estado Novo, sendo por isso chamado de "cineasta do regime". Alguns outros exemplos desta faceta de António Lopes Ribeiro são o "Feitiço do Império" (1940), "Manifestação Nacional a Salazar" (1941), ou "30 Anos com Salazar" (1953).

1937 A Revolução de Maio              

A rádio também fez parte da sua vida. A sua actividade radiofónica está directamente ligada à criação, em 1933, da "Emissora Nacional", da qual fez parte dos seus quadros de pessoal, situação que se manteve até 1936, tendo sido  um dos director da mesma e produziu um programa de “jazz”.

Em 1940, lançou-se na produção de filmes, através das "Produções António Lopes Ribeiro". Quis criar uma estrutura que assegurasse a continuidade do trabalho. Acreditava que uma indústria de cinema nacional só seria possível com trabalho permanente. Produziu filmes como “Aniki-Bóbó” (1942), de Manoel de Oliveira, e “O Pátio das Cantigas” (1942), realizado pelo seu irmão, Francisco Ribeiro (Ribeirinho). Quase ao mesmo tempo, realizou “O Pai Tirano”, que para mim é a melhor comédia do cinema português.

   

António Lopes Ribeiro gostava dos grandes clássicos da literatura portuguesa e adaptou alguns. O primeiro foi “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco. Foi um êxito junto do público. Em 1950, levou ao ecrã a obra, de Almeida Garrett, “Frei Luís de Sousa”. Apesar de muito bem feito, não igualou o sucesso de “Amor de Perdição”. Em 1945 realiza uma comédia ligeira, "A Vizinha do Lado".

Na década de 50, o cinema português entrou em crise, financeira e criativamente. António Lopes Ribeiro só conseguiu fazer documentários. Só voltou a fazer uma longa-metragem passados dez anos. Tratou-se de “O Primo Basílio”, adaptação do romance de Eça de Queirós, um fracasso de público e de crítica. Aguentava-o uma débil chama. Nunca mais voltou a fazer cinema. 

           1945 A Vizinha do Lado.2 

Paralelamente à sua carreira de cineasta, foi empresário teatral (fundou em 1944, juntamente com o seu irmão Ribeirinho, a companhia Os Comediantes de Lisboa), poeta (compôs em 1956 a letra do famoso poema Procissão, declamado por João Villaret) e tradutor (em 1957, traduziu a peça "Três Rapazes e Uma Rapariga", de Roger Ferdinand, protagonizada por Vasco Santana, Henrique Santana, João Perry e Raul Solnado).

Em 1957, começou a fazer televisão, apresentando o “Museu do Cinema”, uma conversa mágica sobre a sétima arte. Foi um sucesso. A forma apaixonada como eram apresentados os filmes antigos cativou uma geração de jovens espectadores. Após o 25 de Abril de 1974, António Lopes Ribeiro teve de abandonar o programa. Foi o preço a pagar pelos filmes que realizou sobre o regime de Salazar.

Regressou em 1982, para mais uma série de “Museu do Cinema”. Colaborava ao piano neste programa o maestro António Melo. É célebre a sua frase «...a TV não é senão o prolongamento do próprio cinema, como o cinema foi o prolongamento do teatro». Quanto a António Melo, ao piano, criava o ambiente propício para uma conversa íntima e mágica, mas eram só mesmo as cordas do piano que falavam, pois ele só se dava às palavras quando o seu colega Ribeiro o espicaçava: «Ó Melo, diz lá boa-noite aos senhores espectadores!», e então o Melo sorria e falava... pouco, mas falava.

"Museu do Cinema"

   

Em 1984, surpreendeu o público português, quando surgiu como actor, interpretando um padre liberal na telenovela "Chuva na Areia", ao lado de Virgílio Teixeira, Mariana Rey Monteiro, Armando Cortez, José Viana, Carlos Wallenstein e Rogério Paulo

«Uma pessoa destaca-se quando consegue resultados duradouros ou cativantes», diz o poeta Fernando Pinto do Amaral. A obra de António Lopes Ribeiro durou até aos nossos dias. Os seus filmes podem estar ultrapassados, mas continuam a ter um encanto especial. Podemos agradecer a este homem inteligente e culto algumas das mais belas imagens do cinema português.

Filmografia mais relevante, como realizador e como produtor, de António Lopes Ribeiro:

Bailando ao Sol (1928) estreia neste filme-documentário - Gado Bravo (1934) -  A Revolução de Maio (1937) -  O Pai Tirano (1941) - Aniki-Bóbó (1942) só como produtor - Pátio das Cantigas (1942) só como produtor -  Amor de Perdição (1943) -  A Morte e a Vida do Engenheiro Duarte Pacheco (1944) -  A Vizinha do Lado (1945) - Anjos e Demónios (1947) -  Frei Luís de Sousa (1950) -  30 Anos com Salazar (1957) -  O Primo Basílio (1959) -  Dia de Portugal na Expo’70 (1970) última realização cinematográfica.

8 de outubro de 2010

Curiosidades Lisboetas (2)

                                   Em 1898 a Sociedade Protectora das Cozinhas Económicas

                            

Em 1900, a “Torrinha” no lugar do futuro Parque Eduardo VII (ao longe avista-se a Cadeia Penitenciária de Lisboa)

                            

                       O Observatório Astronómico na Faculdade de Ciências numa foto de 1906

                            

                      Carro de Reportagem do jornal “O Século”, com os respectivos patrocínios …

                            

Fotos  in: Arquivo Municipal de Lisboa

7 de outubro de 2010

Estabelecimentos Comercias de Lisboa (1)

                                                                          Alfaiataria Picadilly                                            

                                

                                                         Casa Calleya na Rua Barros Queirós

                                 

                                                        Jerónimo Martins & Filho na Rua Garrett 

                                 

                                                                      Pavilhão Chinês em 1908

                                    

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

5 de outubro de 2010

5 de Outubro de 1910

Na noite de 3 para 4 de Outubro de 1910 , o estado-maior da revolta republicana reúne-se nos Banhos de S. Paulo, dirigidos pelo velho republicano Joaquim Pessoa. Para aí convergem, designadamente, José Relvas, Eusébio Leão, Inocêncio Camacho, Afonso Costa, José Barbosa, António José de Almeida, João Chagas, Ricardo Durão, Celestino Stefanina, Malva do Vale, Marinha de Campos, Soares Guedes e Alfredo Leal. Às 8 da noite do dia 3, Machado Santos reúne no jardim de Campo de Ourique com as praças do regimento de Infantaria 16, combinando os detalhes do assalto ao quartel. Encontra-se depois com sargentos de marinha e passa pelo Grémio Lusitano (sede da Maçonaria), seguindo para a Sede do Directório, em S. Carlos, onde se depara com oficiais à paisana que deveriam já estar nos seus quartéis.

Na noite do dia 4 de Outubro, o  Rei D. Manuel II,  que oferecia nessa noite ao Presidente da República do Brasil, Hermes da Fonseca, um banquete em sua honra, no Palácio das Necessidades foi surpreendido pelo inesperado acontecimento. O presidente brasileiro assustado refugiou-se no couraçado brasileiro “São Paulo”que o transportara até Lisboa.

            Tropas republicanas no Rossio                                                e na Rotunda

     

A revolução republicana de 5 de Outubro de 1910 foi preparada por elementos da burguesia, profissionais liberais com um nível de instrução elevado, muitos deles ligados à Maçonaria ou à Carbonária, e alguns oficiais de patente relativamente baixa, encabeçados pelo Almirante Cândido dos Reis, que foi o principal responsável militar. Com o eclodir do golpe a 4 de Outubro, outras camadas da população lisboeta aderiram, prestando auxílio aos revoltosos e negando-o aos fiéis à monarquia.

No que diz respeito às operações militares, a queda do regime monárquico foi decidida a partir de um pequeno ponto da capital. Concentrados na Rotunda sob o comando de Machado Santos, os poucos efectivos da revolta contaram com a ajuda preciosa da população, que espontaneamente colaborava com informações, expressões de estímulo e mesmo o desejo de combater a seu lado, a ponto de, a certa altura, não haver armas para todos os que aderiam. Capitães Afonso Palla e Sá Cardoso, e tenente Ladislau Pereira foram outros operacionais e protagonistas da revolução.

                                  Postal evocativo                                            A Revolução vista em Espanha

           

Cerca das 16 horas do dia 4 de Outubro, os navios fundeados no Tejo São Rafael, Adamastor e Dom Carlos I deslocam-se para a frente do Terreiro do Paço e bombardeiam o Rossio, e o Palácio das Necessidades onde estavam concentradas tropas monárquicas. O "S. Rafael", já sob o comando do tenente Tito de Morais, dispara dois tiros de artilharia que puseram em fuga a companhia da Guarda Municipal ali estacionada. A posição dos navios da Armada impede o prosseguimento dos ataques à Rotunda pelas tropas fiéis à monarquia. Pelas 10 horas da noite, o cruzador "D. Carlos", que permanecia sob comando monárquico, é abordado por marinheiros e civis revoltosos, sob o comando do 2.º tenente José Carlos da Maia, a partir do "S. Rafael". A equipagem alinha também pela República, travando-se combates a bordo, com a oficialidade monárquica, de que resultaram diversos feridos, morrendo o comandante do navio Álvaro Ferreira. O cruzador "D. Carlos I" junta-se aos revoltosos, passando a patrulhar o rio sob as ordens do 2.º tenente Silva Araújo.

Aliás estas tomadas dos navios não tendo sido comunicada em devidas condições (1 única salva de canhão foi ouvida ouvida em vez de 3 salvas como combinado), levou ao suicídio de Cândido dos Reis no dia 4 de Outubro, pensando que a revolução tinha fracassado. Com a sua morte só o seu oficial Machado Santos se manteve activo no comando dastropas revoltosas na Rotunda.

Apenas o capitão Paiva Couceiro, com os seus soldados, aparecia a dar combate aos revoltosos a partir da sua posição no Torel. O tiroteio continuava, cada vez mais vivo. O Governo, desorientado, pediu pelo telefone a D. Manuel II que retirasse para Mafra, onde se lhe juntou, no dia seguinte, a rainha-mãe, D. Amélia de Orleães e Bragança, que estava no Palácio da Pena, em Sintra.

Dr. Miguel Bombarda, dirigente e deputado republicano e um dos principais impulsionadores da Junta Liberal, assassinado por um oficial do exército, antigo aluno dos colégios da Companhia de Jesus e seu doente mental, no dia 3 de Outubro e o Almirante Cândido dos Reis que se suicidou no dia 4 de Outubro , num postal evocativo

                           

                      Couraçado São Rafael                                                        Couraçado Adamastor

 

Pouco depois, pelas 9 horas da manhã do dia 5 de Outubro de 1910, era proclamada a república por José Relvas, (na companhia de Eusébio Leão, Inocêncio Camacho, Basílio Teles…) na varanda do edifício da Câmara Municipal de Lisboa, após o que foi nomeado um Governo Provisório, presidido por membros do Partido Republicano Português, presidido pelo Dr. Teófilo Braga. Este dirigiu os destinos do país até à aprovação da Constituição de 1911 que deu início à I República.

            

Constituição do governo provisório presidido por Teófilo Braga:

  • António José de Almeida (na pasta do Interior, antigo ministério do Reino)
  • Afonso Costa ( Justiça e Cultos )
  • Basílio Teles ( Finanças )
  • Bernardino Machado ( Estrangeiros )
  • António Luís Gomes ( Fomento )
  • Coronel António Barreto ( Guerra )
  • Comandante Amaro de Azevedo Gomes ( Marinha )

           

                                                           Auto da Proclamação da República

                           1910 Auto da Proclamação da República

                           clicar para ampliar

Às duas horas da tarde, chegou a Mafra a notícia da proclamação da República. A revolução republicana triunfara. A Família Real dirigiu-se para a Ericeira e embarcou no iate real “Amélia” para Gibraltar , onde um barco de guerra inglês os transportou até ao exílio, em Inglaterra.

                    Chegada á praia da Ericeira e embarque da família Real para o iate “Amélia”                            

  

A bordo, o Rei D. Manuel II escreveu ao seu primeiro-ministro, e líder do Partido Regenerador António Teixeira de Sousa :

“Meu caro Teixeira de Sousa,

Forçado pelas circunstâncias vejo-me obrigado a embarcar no iate real "Amélia". Sou português e sê-lo-ei sempre. Tenho a convicção de ter sempre cumprido o meu dever de Rei em todas as circunstâncias e de ter posto o meu coração e a minha vida ao serviço do meu País. Espero que ele, convicto dos meus direitos e da minha dedicação, o saberá reconhecer! Viva Portugal! Dê a esta carta a publicidade que puder.”

Após o 5 de Outubro e a par da dissolução dos partidos monárquicos, e com a substituição dos símbolos da monarquia,  foi substituída a bandeira portuguesa. As cores verde e vermelho significam, respectivamente, a esperança e o sangue dos heróis. A esfera armilar simboliza os Descobrimentos, os sete castelos representam os primeiros castelos conquistados por D. Afonso Henriques, as cinco quinas significam os cinco reis mouros vencidos por este Rei e, finalmente, os cinco pontos em cada uma as cinco chagas de Cristo. Esta bandeira foi uma adaptação da bandeira da Carbonária com a ajuda de Bordallo Pinheiro.

Foi criado o hino “A Portuguesa” , composto por Alfredo Keil, e letra de Henrique Lopes Mendonça tornando-se no hino nacional.

                        

Após a aprovação da Constituição em 21 de Agosto de 1911, Manuel de Arriaga viria a ser eleito, em 24 de Agosto de 1911, como 1º Presidente da República Portuguesa.

A revolução saldou-se em algumas dezenas de baixas. O número rigoroso não é conhecido, mas sabe-se que, até ao dia 6 de outubro, tinham dado entrada na morgue 37 vítimas mortais da revolução. Vários feridos recorreram a hospitais e postos de socorros da cidade, alguns deles vindo, mais tarde, a falecer. Por exemplo, dos 78 feridos que deram entrada no Hospital de S. José, 14 faleceram nos dias seguintes

A I República, após mais de 40 governos e uma crise económica grave, seria deposta com o golpe militar de 28 de Maio de 1926, encabeçada pelo General Gomes da Costa, e que leva à demissão do então Presidente da República Bernardino Machado.

Fotos in: 100 Anos da República, Almanaque Republicano, Biblioteca Nacional Digital, Arquivo Municipal de Lisboa

4 de outubro de 2010

Quartéis de Bombeiros

Alguns antigos quartéis de bombeiros em Fafe, arredores de Lisboa e na cidade de Lisboa

                         Quartel dos Bombeiros Voluntários de Fafe em 2 épocas diferentes

 

             Quartel dos B.Voluntários da Amadora                      Quartel dos B. Voluntários de Algés, 1961

                

      Quartel dos B.V. de Sacavém, 1961                          Quartel do BSB de Lisboa, na Graça, 1935

 

4 últimas fotos  in: Arquivo Municipal de Lisboa

3 de outubro de 2010

Antigas Agências Bancárias em Lisboa

Fotos de antigas agências bancárias de instituições já desparecidas, espalhadas pela cidade de Lisboa.

             Banco Burnay (fundado em: 1925)                                           Banco José Henriques Totta

 

  Banco Nacional Ultramarino (fundado em: 1864)                  Banco Pinto & Sotto Mayor (fundado em: 1865)

 

         Banco do Algarve (fundado em: 1932)                            Banco Borges & Irmão (fundado em: 1937)

                   

Para saber mais sobre a história das instituições financeiras em Portugal consultar o “post” de 1 de Junho de 2010 com o título “Antigas Instituições Financeiras de Portugal” na etiqueta “bancos”.