Em 1948, com representação da “Administração Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones”, o sector das telecomunicações participou activamente na Exposição “15 anos de Obras Públicas”.
No início de 1948, com os últimos preparativos para a abertura da Exposição “15 Anos de Obras Públicas 1932-1947” instalada no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, fechava-se o primeiro ciclo da política de “grandes obras” do Estado Novo iniciada em 1932. Nesta data fora criado o Ministério das Obras Públicas e Comunicações que, ao longo dos anos 30, concebeu diversos planos de renovação e ampliação das infra-estruturas do País, onde se incluiu a remodelação da rede telefónica nacional.

Coincidindo com a separação, em dois Ministérios, das Comunicações e das Obras Públicas em 1947, a iniciativa de realizar a Exposição no ano seguinte partiu do ministro das Obras Públicas, José Frederico Ulrich. Antevia-se então um conjunto de stands alusivos às diversas áreas abrangidas por acção dos quinze anos ali celebrados. Os trabalhos de exibição dividiram-se em três grandes parcelas expositivas: Urbanização, Hidráulica e Comunicações, pertencendo a esta última a Administração Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones (CTT).

A participação dos CTT foi requerida pelo MOP - Ministério das Obras Públicas com um ano de antecedência, sob o anúncio de que este pretendia celebrar em 1948 congressos de engenharia e arquitectura bem como uma exposição das mesmas técnicas para relembrar o que se tem feito nos 15 anos de existência do antigo Ministério das Obras Públicas e Comunicações. Para esta mostra deveriam contribuir todos os recursos, como gráficos, mapas, fotografias e filmes, planificando-se, ao longo dos meses seguintes, a imagem do respectivo stand.

O lugar encontrado no I.S.T. para acomodar o espaço das telecomunicações situava-se no lado poente do complexo de edifícios, último bloco a norte, todo ele entregue aos meios de Comunicação. Aproveitando todo o recinto, armaram-se várias montras em redor da sala, disposta com um corpo central circular, à entrada do qual se podia ler a legenda “Correios, Telégrafos e Telefones”. Do lado direito enquadrava-se um diagrama referente à actividade do organismo entre 1932 e 1947, destacando as fases principais de reforma dos serviços. Seguiam-se 22 gráficos a cores, indicadores de evolução geral dos CTT e 24 fotografias de instalações de telecomunicações. No centro do corredor exibia-se um gráfico animado, onde três ampulhetas de líquido colorido simulavam as velocidades de escoamento do tráfego telefónico para os anos de 1935, 1942 e 1947. No escaparate seguinte viam-se troços de cabos e miniaturas de postes telefónicos, montados com travessas e esquadros, ao lado dos quais se apresentavam outros 3 diagramas que desenhavam os contornos de Portugal Continental e a evolução da automatização pelos vários pontos do país.

Preenchendo o aparato de imagens e maquetas indicavam-se as despesas realizadas na sequência do plano de remodelação da rede nacional. Directamente acessível ao público encontrava-se material telefónico com uma estação semi-automática de 50 linhas ligadas a 4 telefones que, colocados sobre o balcão, podiam ser experimentados pelos visitantes. Entre os aparelhos expostos destacavam-se os telefones “ATM” (sistema automático), os teleimpressores «Creed» (recentemente introduzidos) e material radioeléctrico. Um quadro iluminado por efeitos de luz simulava uma comunicação local através de uma estação automática. A exposição terminava então com um conjunto vasto de fotografias dos edifícios dos CTT e a frase do engenheiro Duarte Pacheco: «É bem mais fácil passar do agora existente ao óptimo, que do herdado ao que já temos».


Os anos seguintes, embora pautados por dificuldades financeiras, permitiram ao sistema automático expandir-se para novas áreas rurais do país, fazendo crescer significativamente o peso das comunicações telefónicas em Portugal.
fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian