Restos de Colecção: Cinemas de Lisboa
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13 de setembro de 2018

Cinema Arco Iris

O Cinema “Arco Iris”, localizado num anexo do Coliseu dos Recreios de Lisboa”, terá aberto as suas portas em 3 de Setembro de 1960. Era propriedade da firma “Empresa Ricardo Covões (Filhos), Lda.”.



Relembrando o que escrevi no artigo publicado neste blog intitulado “Coliseu dos Recreios de Lisboa”:
«O último, “Colyseo dos Recreios” em Lisboa, localizado na, Rua de Santo Antão e propriedade da “Sociedade de Recreios Lisbonense”, foi inaugurado em 14 de Agosto de 1890, com a ópera cómica “Boccacio”. O seu primeiro empresário foi o comendador António Santos Júnior vindo do “Real Colyseu de Lisboa”» .

O espaço ocupado pelo cinema “Arco Iris” foi inicialmente ocupado por uma loja de móveis. Depois de encerrada foi utilizado para armazém do Coliseu até que em 16 de Outubro de 1924 a empresa Ricardo Covões, - que tinha ficado com a exploração do “Coliseu dos Recreios” em 1923 -, inaugura o “Café do Coliseu”.

Com a loja de móveis em funcionamento e depois desta encerrar e antes do “Café do Coliseu”

 

O “Café do Coliseu” atrás do carro


«No dia 16, à tarde, foi inaugurado o Café do Coliseu, com um copo de água oferecido à Imprensa, tendo assistido muitos jornalistas. O café foi instalado numa antiga dependência do Coliseu que servia de armazém. A sua ornamentação, como atrás já está escrita, é alusiva aos espectáculos do Coliseu. Trocaram-se afectuosos brindes, tendo falado pela imprensa de Lisboa o director do Jornal do Comércio, sr. Alberto Bessa, falando em seguida o sr. Lourenço Caiola pelo Diário de Notícias, e outros oradores, que puseram em destaque a obra de Ricardo Covões.» in livro “50 anos do Coliseu”.

16 de Outubro de 1924

O interior do Cinema “Arco Iris” era modesto e pequeno comportando entre 100 a 150 espectadores, com sessões contínuas de 2 filmes cada com um intervalo entre elas. Algumas cadeiras tinham colunas de suporte do balcão do Coliseu dos Recreios”, na sua frente, dificultando assim a visão dos espectadores … A exibição de filmes de cowboys e capa e espada eram o seu forte.

“Arco Iris” em 1960 e em 1966

 


gentilmente cedido por Carlos Caria

Primeira aparição do “Arco Iris” numa lista de cinemas em jornais. No “Diario de Lisbôa” em 3 de Setembro de 1960


Antigas bilheteiras do “Arco Iris”, actualmente


gentilmente cedida por Carlos Caria

Depois de a sua actividade se ter prolongado por praticamente 20 anos, o “Arco Iris” encerraria por volta de 1980, altura que seria substituído pelo “Bar 25 Pipodrom”. Neste espaço, e a troco de uma moeda de 25$00, o cliente assistia numa das cabines dispostas em círculo, a um espectáculo de strip-tease ou peep-show, efectuado por umas raparigas que se iam revezando.
Depois deste Bar ter encerrado, o espaço foi sucessivamente ocupado por Discoteca, loja de discos e por fim por bar e restaurante. O último, creio, abriu em finais de 2015 e chamava-se “Café 1890”, que funcionava como cafetaria do Coliseu e no primeiro andar como restaurante. Teve existência curta e viria a encerrar. Creio que, actualmente, o espaço se encontra desocupado.

“Café 1890” em 2016

 
  
fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

26 de agosto de 2018

Cinebolso

O cinema “Cinebolso” , localizado na Rua Actor Taborda, dentro dum pequeno Centro Comercial com o mesmo nome, foi inaugurado em 8 de Março de 1975, com o filme de Alain Tanner “Salamandra”. Era, e continua a ser, sua proprietária a firma “Cinebolso - Empresa de Cinemas de Bolso, Lda.” .

O sócio principal era, na altura José Gonçalves, que viria a ser sócio de Pedro Bandeira Freire na fundação do Cinema Quarteto”, inaugurado no mesmo ano mas em 21 de Novembro de 1975. Contudo José Gonçalves abandonaria pouco tempo de pois esta sociedade, para se dedicar em exclusivo ao “Cinebolso”, na altura em que este passou a exibir filmes pornográficos, exclusivamente.

Esta sala “Cinebolso” , com Rui Faria como gerente, foi inovadora a nível nacional. Foi o primeiro cinema a funcionar em Portugal com sessões sem intervalo. Os bilhetes durante o dia só se vendiam meia-hora antes da sessão. Não havia lugares marcados. Outra característica era que todos os dias á hora de almoço, às 12H30m, era exibida uma comédia. Para facilitar junto ao cinema estava instalada um sandwich-bar.

Interior do “Cinebolso” aquando da sua inauguração

 

Até 11 de Novembro de 1975, a sua programação era idêntica á do “Quarteto”, dia em que foi exibido pela última vez “Filme de Amor e Anarquia” da realizadora italiana Lina Wertmüller. No dia seguinte teria início a nova era, com a estreia do filme “Núpcias de Porcelana” com o famoso aviso «Contém cenas eventualmente chocantes».

15 de Maio de 1975

                          11 de Novembro de 1975                                                          12 de Novembro de 1975

      

No dia 19 de Janeiro de 1976 o “Cinebolso”, estreia o filme “Kermesse Erótica”, tornando-se, assumida e definitivamente uma sala para exibições de filmes exclusivamente pornográficos.

19 de Janeiro de 1976

Dórdio Guimarães escreveu na revista "Vida Mundial" de 27 de Maio de 1976, a propósito do filme "Relações Escaldantes":

«... O certo é que longas filas se fazem na bilheteira do Cinebolso para as cinco sessões diárias da película. Das antigas catacumbas salta gente para a luz do dia, para os grandes estádios, santuários, cinemas. Mova religião ou novo prostíbulo de um povo de excessos?
Mas não tomemos grave um assunto que, no fundo, é hilariante. Sim, porque a pornografia sempre me arrancou um irreprimível ataque de riso. E, nestes tempos que vão correndo, faz tanta falta rir ... Brinquemos, pois, com a pornografia, que ela não faz mal a ninguém ... desde que não se abuse, claro.»


Bilhete para 5 de Novembro de 1978


gentilmente cedido por Carlos Caria

Contudo, em 18 de Fevereiro de 1983 o “Cinebolso” encerra com a última exibição do filme “As Garotas da Garagem”. A sociedade proprietário do “Quarteto” compra a José Gonçalves esta sala de cinema e muda o seu nome para “Quinteto”. Torna-se  como um prolongamento do “Quarteto” e regressa à exibição de filmes não pornográficos, com a estreia do filme “Blade Runner” em 25 de Novembro de 1983. Este filme estrearia, em simultâneo", noCinema Castil e no Quarteto”.

A propósito da abertura do “Quinteto” o crítico de cinema João Leitão Ramos escrevia no “Diario de Lisbôa” :

Mas não durou muito tempo, já que em 3 de Outubro de 1985, e depois de ter mudado de proprietário e de gerência, muda de nome, de “Quinteto” para “N’Gola”, continuando a exibir o filme “Je Vous Salue Marie”, de Jean-Luc Godard, estreado no “Quinteto” em 2 de Junho do mesmo ano.

                                   2 de Outubro de 1985                                                         3 de Outubro de 1985

           

A existência do “N’Gola” ainda foi mais curta que a do “Quinteto”, ao encerrar menos de um ano depois …«encerrado para obras» lia-se no “Cartaz dos Cinemas” do jornal “Diario de Lisbôa”  em 5 de Junho de 1986. Reabriria com a designação inicial de “Cinebolso” em 17 de Julho do mesmo ano de 1986, com a estreia do filme … adivinhem … “Sexo ao Vivo” . Voltava assim à exibição de filmes pornográficos, opção que se manteria até aos dias de hoje.

                                 5 de Junho de 1986                                                                17 de Julho de 1986

           

O “Cinebolso” ainda funciona, em regime de sessões continuas, sendo a última e única sala de Lisboa a exibir filmes pornográficos “hardcore 3º escalão”, apesar de neste mês de Agosto que este artigo foi editado e publicado, está encerrado para férias. Sinceramente é a primeira vez que tenho conhecimento de um cinema encerrar para férias. Possivelmente só têm um funcionário para cada tarefa pelo que foi inevitável e mais simples, penso eu …

 Actual.1.1

Mas …

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Ilustração Portugueza, IÉ-IÉ, Cinemas do Paraíso, Cinema Cinebolso

28 de junho de 2018

Cinema Castil

O “Cinema Castil”, foi inaugurado no “Edifício Castil”, na Rua Castilho, em Lisboa, a 2 de Fevereiro de 1973, tendo sido projectado pelo arquitecto Edgar Mota com a colaboração do designer Eduardo Afonso Dias.

“Cinema Castil” em Dezembro de 1976

Esta sala de cinema, com 508 lugares, foi inaugurada com o filme "Que Se Passa Doutor", interpretado por Barbra Streisand e Ryan O'Neal, ainda com o “Edifício Castil” - projectado pelo arquitecto Francisco da Conceição Silva (1922-1982) - em fase de acabamentos vindo a ser inaugurado só a 1 de Novembro do mesmo ano de 1973.

“Edifício Castil” e o “Cinema Castil” no canto inferior direito do mesmo

A concessão, desta sala de Cinema foi entregue à "Sociedade Administradora de Cinemas, Lda.", proprietária do "Cinearte" no Largo de Santos, e do Cinema-Teatro "Monumental", na praça Duque de Saldanha e cujos sócios, nesta data, eram: Major Horácio Pimentel; Dr. Silva Ferreira; Dr. Almeida Faria e Machado Barreto. Todos eles estiveram presentes na inauguração assim como o director-geral da "Columbia Pictures Industries, Inc." em Portugal, Samuel Parker, assim como o vice-presidente da empresa distribuidora “Columbia & Warner”, Frank Pierce, «que se deslocou de Londres expressamente para assistir à sua estreia».

  

Quanto às características do “Cinema Castil” o jornal “Diario de Lisbôa” descrevia:

«O Cine-Castil é dotado de amplos "foyers", distribuídos por vários pisos, onde existem zonas de estar, até ao bar, que permite a visão do interior do cinema, o que possibilita a quem chegue tarde não perder o filme e, por consequência não transtornar o funcionamento da sala.
O novo edifício dispõe também de um parque de estacionamento com capacidade para 200 viaturas. No acto da compra dos bilhetes será entregue aos espectadores uma senha, que permitirá uma redução no pagamento da taxa de estacionamento. (...)
No programa, seguir-se-á a película "Perdido por Cem" de António Pedro de Vasconcelos, um dos nomes do novo cinema português.»

       

 

                                                 Programa e bilhete gentilmente cedidos, pelo blog “IÉ-IÉ” e por Carlos Caria, respectivamente

O “Cinema Castil” viria a encerrar definitivamente em 27 de Outubro de 1988, após a última exibição do filme “Poltergeist III - Eles Estão de Volta”. O seu espaço viria a ser ocupado por uma agência do “BBVA”.

                                  27 de Outubro de 1988                                                               28 de Outubro de 1988

                                        

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, “Percursos do Design em Portugal - Vol III - Imagens” de Vítor Manuel Teixeira Manaças