Restos de Colecção: Turismo

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11 de março de 2019

Hotel Universo

O “Hotel do Universo” abriu as suas portas no primeiro semestre de 1888, no edifício esquina da Rua Aurea com a Praça D. Pedro IV, e com entrada pela, então, Rua Nova do Carmo, 102 em Lisboa.

Na foto seguinte o “Hotel do Universo”, e no piso térreo (e da esquerda para a direita) as lojas “Lopes de Sequeira”  fundada em 1902, e a Tabacaria Costa fundada em 1892.

 

Anúncio de 1888

Hotel do Universo.3

Não consegui saber muito acerca desta unidade hoteleira. Em 1865 estava instalada neste mesmo edifício a hospedaria “Pomba de Oiro”, que, a partir de 1879, já aparecia referenciada nos guias do viajante e almanachs, como “Hotel Pomba de Oiro”.

“Hospedaria Pomba de Ouro”, em 1865

“Hotel Pomba de Oiro”, em 1879

A partir do primeiro semestre de 1888, o “Hotel Pomba de Oiro” é adquirido, não sei se pelo galego José Maria Trigo Gonzalez que aparece referenciado como proprietário em anúncios de 1933, que passa a ocupar, também, o prédio contíguo da Rua do Ouro. Entretanto, muda a  designação para “Hotel do Universo”, que anos mais tarde passará apenas a “Hotel Universo”.

“Hotel do Universo” frente para a Rua do Ouro e entrada pela Rua do Carmo, 102

           

1934

             

Etiqueta de bagagem

Entrada pela Rua do Carmo, 102 nos anos 60 do século XX

 

Como se pode observar pelas fotos atrás publicadas, uma das lojas do edifício foi ocupada, desde finais do século XIX, pela conhecida “Tabacaria Costa” até finais dos anos 30 do século XX. Em 1939 é aprovado o projecto de alteração da fachada para a  “Tabacaria Rossio”, pela CML. Em 1940/1941 abre a “Tabacaria Rossio” que, felizmente, ainda funciona e gerida pela 2ª geração da família galega fundadora do estabelecimento.

 

Não sei ao certo em que ano terá encerrado o “Hotel Universo”, mas creio que durante os anos 70 do século XX, já que a foto a cores que publico um dos automóveis tem matrícula (IH) de 1971. Os pisos outrora ocupados pelo “Hotel Universo” são, desde os os anos 90 do século XX ocupados pela, “GrandVision Portugal, Unipessoal, Lda.”, actual detentora da cadeia de lojas “MultiOpticas”.

Recentemente, via “Google Maps”

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Municipal de Lisboa

5 de março de 2019

“Hotel de Paris” no Estoril

O “Hotel de Paris” foi fundado em 11 de Fevereiro de 1899 por Léon Lacam, em Santo António do Estoril (actual Estoril), perto do “Convento de Santo António”, e junto à “Estrada Real”  e atrás da Estação de Caminhos de Ferro.

Até à implementação do projecto da firma “Figueiredo & Sousa”, - constituída por Fausto de Figueiredo e Augusto carreira de Sousa -  a partir de 1914, Santo António do Estoril (actual Estoril) continuava a ser sobretudo divulgado pelo seu pinhal e parque termal, inserido na quinta de José Viana da Silva Carvalho. Existiam, então, dois estabelecimentos termais, inaugurados em 1880 e 1894, respectivamente, assim como um grupo de casas de aluguer instaladas no Pátio do Viana, a quem se deveu, depois, a construção do edifício para hotel, defronte da linha férrea, que viria a ser adquirido pelo francês "Léon Lacam” e que viria a ser o “Hotel de Paris”. Para além da Quinta do Viana, outras parcelas adquiridas pertenciam às antigas quintas do Machado e do Caldas.

Carta topográfica (antes de 1914)

“Quinta do Viana”, sua Estação Termal e a “Estrada Real”, em 1910. O “Hotel de Paris” situava-se à esquerda

Quanto às águas termais do Estoril, no “Roteiro de Portugal, Antigo e Moderno” de João Baptista de Castro em 1870 

Estação do Estoril ,da “Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portuguezes” na linha “Pedrouços-Cascais” inaugurada em 30 de Setembro de 1889

 

O “Hotel Paris”, tornava-se na primeira unidade hoteleira a entrar em funcionamento nesta região, igualmente afamada pela sua praia, hoje conhecida porTamariz”, onde se destacavam três belíssimos exemplares de arquitectura de veraneio: o “Chalet Barros” ; “Chalet Schröter” e de “Casa de S. Roque”.

                                 “Chalet Barros”                                                                        “Chalet Schröter”

 

Panorama da costa de St. António do Estoril podendo-se observar a Estação de C.F. (à direita na foto) o “Hotel de Paris” (à esquerda da vela do barco) e o “Convento de Santo António” (à esquerda na foto)

 

Entretanto em 1913, já este Hotel pertencia a Emile Renault, que não o seria, naquele lugar, por muito mais tempo, já que, em 1914, teriam início as demolições da vasta área da antiga “Quinta do Viana”, entretanto adquirida pela firma “Figueiredo e Sousa”, para dar lugar ao grandioso e arrojado projecto de Fausto de Figueiredo.

Anúncio no “Guia Official dos Caminhos de Ferro de Portugal” de 1913

Artigo na revista “Illustração Portugueza” em 10 de Agosto de 1914

Este Hotel passaria para outro edifício no Estoril, e por volta de 1920 seria adquirido pelo suiço Louis Vergani, que em 11 de Julho de 1924, requereria aval para que Domingos Teixeira dos Santos edificasse novo projeto aprovado em sessão camarária. A 5 de Maio de 1928, Vergani requereu permissão para aumentar o hotel onde vivia e, em Julho de 1930, o Ministério das Finanças isentou-o de contribuição predial e industrial, por dez anos.

Em 1932, o hoteleiro suiço Louis Vergani viria a inaugurar um novo Hotel, no alto do Estoril, de seu nome Hotel Paris”, projectado pelo arquitecto Inácio Peres Fernandes, e que ainda hoje existe, sob a designação de “Sana Estoril Hotel”.

Hotel Paris

foto in: Delcampe.net, Arquivo Municipal de Cascais, Hemeroteca Digital de Lisboa

17 de fevereiro de 2019

Hotel Vale de Lobos

O “Hotel Vale de Lobos”, localizado em Almargem do Bispo, Sabugo, junto a Belas no concelho de Sintra, e projectado pelo arquitecto Raúl Lino (1879-1974), abriu as suas portas em 1 de Julho de 1959.

 

Nos tempos áureos dos anos 50 e 60 do século XX, Vale de Lobos - a quem o Hotel apelidava de “Curia de Lisboa” - era um local de veraneio dos habitantes de Lisboa, onde existiu um casino o “Hotel Vale de Lobos” afamado pelos seus bailes no “Grupo Desportivo e Recreativo Os Lobinhos”, (fundado em 25 de Outubro de 1947) e pelas suas festas motards do “Motoclube Vale de Lobos”.

 

                                            1 de Agosto de 1959                                                            29 de Dezembro de 1960

 

24 de Junho de 1961

O “Hotel Vale de Lobos”, estava equipado com piscina, court de ténis, ringue de patinagem, sala de jogos, um magnífico jardim, e restaurante onde era servido a sua especialidade “Leitão à vale de Lobos”. Contava ainda com uma boite, inaugurada onze dias depois do Hotel, em 11 de Julho, com o “Conjunto Tony Dominguez”. A gerência e administração deste hotel foi confiada à mesma do “Hotel de Turismo da Ericeira”, inaugurado em 9 de Junho de 1956 pelo seu proprietário Raúl Duarte Gomes. Este Hotel foi lugar de estágio da selecção portuguesa de futebol, antes da sua participação no Mundial de 1966, em Inglaterra.

Sala de jantar

 

                                                          Boite e galeria                                                                   Etiqueta de bagagem

 

“Hotel Vale de Lobos” em finais dos anos 70 do século XX

Na segunda metade da década de 80 do século XX, o “Hotel Vale de Lobos” é adquirido por Adelino Cardoso Santos (1929-) dono da cadeia de “Supermercados A. C.Santos”, e ligado imobiliário. Entretanto, em conjunto com sua esposa D. Maria Amália Ferreira de Pina Santos, criam em 1988 a “Fundação A. C. Santos” com o intuito da aplicação dos valores altruístas em ações de índole humanitária e social, em prol dos grupos menos favorecidos.

        Adelino Cardoso Santos              Maria Amália de Pina Santos                          Fundação A. C. Santos

  

Assim, e depois de encerrado o Hotel em 1999, o edifício viria a ser adaptado para ser a “Casa de Repouso Vale de Lobos”, tendo aberto as suas portas em 27 de Julho de 2002.

 

Esta unidade classificada como “IPSS - Instituição Particular de Solidariedade Social“, tem 3 suites e 37 quartos, duplos e/ou individuais, todos decorados e equipados, com casa de banho privativa, ar condicionado e aquecimento central, televisão e mini bar, com capacidade para 49 idosos. O edifício dispõe de 3 pisos de área habitacional com elevadores, rampas de acesso e encontra-se preparado para receber idosos de ambos os sexos, em regime de alojamento temporário ou permanente, proporcionando-lhes qualidade de vida, com conforto e segurança.

Interiores da “Casa de Repouso Vale de Lobos”

 

 

fotos in: Delcampe.net, Fundação A.C.Santos, Casa de Repouso Vale de Lobos