Restos de Colecção: "Fábrica Âncora" de Licores

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7 de julho de 2019

"Fábrica Âncora" de Licores

A "Fabrica Ancora" especializada em licores, xaropes, aperitivos e cognacs foi fundada em 1882, no Largo do Marquez de Niza, em Xabregas - Lisboa, pelo médico Dr. Carlos Félix de Lima Mayer (1846-1910), tendo sido adquirida por Leopoldo Wagner em 1894.

Depósito e escritórios da "Fábrica Âncora" na Rua do Alecrm 32-42


Dr. Carlos Félix de Lima Mayer (1846-1910)


Anúncio num Programa do "Theatro D. Amelia" em Novembro de 1899


Leopoldo Wagner (1850-1915), tinha-se estabelecido em Lisboa com um escritório de agências e comissões, na Rua dos Fanqueiros, 62-1º, em 1887, vindo a mudar de instalações em 1890 para a Rua do Alecrim (antiga "Casa Hoffman & Cruz"), altura em que junta ao seu negócio outro de vinhos e bebidas alcoólicas.

Instalações na Rua do Alecrim 32-42, em 1917


Posters de 1908



Em 1890, a "Fabrica Ancora" ganha a sua segunda medalha numa exposição internacional: "Medalha d'ouro Paris 1890", depois de a ter ganho no ano anterior e no mesmo certame.

Anúncio em 16 de Janeiro de 1897


Em 1894, Leopoldo Wagner adquire ao Dr. Carlos Lima Mayer a "Fabrica Ancora", que tinha a sua sede e fábrica em Xabregas, e monta o escritório e depósito nestas instalações na Rua do Alecrim 34. Em 1897 já mantinha uma sucursal na Rua do Ouro, 72, e no início do século XX abriria outra na Rua do Corpo Santo,7 ambas em Lisboa

Largo Marquês de Niza em Xabregas


Na revista "Illustração Portugueza" em 1914


«Effectivamente, graças a uma direcção intelligente, a um precioso receituario (resultado de incessantes e penosos trabalhos de muitos annos no aperfeiçoamento dos seus productos), a um escrupulosos cuidado na sua confecção, cujos processos seguidos são exactamente os mesmos adoptados nas grandes fabricas estrangeiras d'este ramo, e graças tambem ao emprego de materias primas das mais superfinas qualidades e a sua invariavel divisa de não fornecer senão artigos perfeitíssimos, a Fabrica Ancora conseguiu attingir a mais elevada cotação porque todos os seus productos, sem excepção, não teme confronto com os similares das mais afamadas marcas francezas e holandezas. Em todas as exposições a que tem concorrido teem sido conferidas á Fabrica Ancora as maiores distinções, entre as quaes dois Grands-Prix nas Exposições Universaes de S. Louis (1904) e Rio de Janeiro (1908).

Aquando da "Exposição Internacional do Rio de Janeiro" em 1923


1926


Além dos seus magnificos e afamados xaropes (fabricados a vapor com assucar puro de cana e succos de fructos ou plantas e que em todo o paiz e colonias teem a preferencia dos consumidores) e dos seus extrafinos licores de fructos de Portugal, entre os quaes sobresahem os Tangerina de Lisboa, Ginja de Portugal, Laranja de Setubal, Morango de Cintra, Ananas de S.Miguel e Banana da Madeira, merecem especial menção os seus execellentes licores nos typos estrangeiros, taes como: Triplice Ancora (Triplice sec cointreau), Licor do Convento (Chartreuse), Fradictine (Benedictine), Licor do Ermita (Kermann), Marasquin de Zara, Anizette e Curaçao de Hollande, Kummel  de Riga, Peppermint e Menthe Glacial, Anizado refinado e Aniz Crystal, cremes de Cacau, de Rosas, de Baunilha, etc., os quaes são indistinguiveis dos similares de origem estrangeira.» in: jornal "A Capital" de 27 de Março de 1917.

Gama de alguns produtos da "Fábrica Âncora" nos anos 40 do século XX



De referir que além destas bebidas atrás mencionadas a "Fábrica Âncora", produzia, cognacs da marca "Ancora" «que são realmente uma especialidade muito apreciada pelos entendedores que os classificam a par das marcas Martell e Hennessy» e aperitivos.

Outros licores eram fabricados por esta fábrica «que teem geralmente largo consumo, como sejam: Granito Ancora, Creme de Ovos, Elixir de Cintra, Luso Africano, Vasco da Gama, Ponche Ancora, Casador, Cyclista e Grande Ancora-Tutti Frutti e que todos os seus productos são elegantemente apresentados e adornados com artisticas etiquetas.»


Rótulos

 


Nos anos 40 do século XX o prédio Largo do Marquez de Niza, em Xabregas, onde estava instalada a fábrica já tinha sido demolido, e a fábrica já tinha sido transferida para a Rua de S. Cyro, 23.

Entretanto, a empresa "Leopoldo Wagner (Sucrs.), Lda.", proprietária da "Fábrica Âncora", não resistiu às novas regras de distribuição implementadas nos anos 80 do século XX e fechou. Seria vendida, posteriormente, a um grupo indiano. Em 1990, as suas instalações form convertidas num antiquário, por João Trindade, que manteria muitos pormenores da fábrica, como as tabuletas, vendendo parte do espólio de onde se destacaram os rótulos.

           



Sabe-se que o último Wagner com ligações à "Fábrica Âncora", António Augusto Wagner Ribeiro, faleceu em 1996. Era filho de Olinda Wagner (1884-1954) filha de Leopoldo Wagner.

Publicidade na "Gazeta dos Caminhos de Ferro" em 1 de Janeiro de 1966


Postais



fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Digital de Lisboa, Biblioteca Nacional Digital

7 comentários:

Anónimo disse...

Leopoldo Wagner adquiriu o prédio na rua do Século que torneja com a meia-laranja frente ao palácio Pombal, e conhecido por palácio "Bichinho de conta". Durante anos vi uma placa em latão com o seu nome ao lado da porta.
Cumprimentos
Gonçalo

José Leite disse...

Caro Gonçalo

Grato pela informação adicional

Cumprimentos
José Leite

Unknown disse...

Excelente artigo! sigo o blog desde há cerca de 2 anos e aprecio imenso as vossas reportagens, plenas de informação histórica. Continuem o bom trabalho e cordiais saudações!!!!

José Leite disse...

Muito grato pelo seu amável comentário.

Os meus cumprimentos
José Leite

Anónimo disse...

Um artigo muito interessante - Obrigado!

APS disse...

Caro amigo JOSÉ LEITE

Não podia deixar de lhe dar os meus parabéns pela publicação deste tema, que me é bastante familiar (no que diz respeito à minha infância). Nasci neste sítio, provei algumas delicias ali fabricadas, comi as laranjas e os limões descascadas que eles davam ao público etc.
Foi realmente uma grande fábrica de bons produtos na vertente dos licores e champanhes, teve o seu apogeu, hoje já nada resta, a não ser o chão mal tratado. Tudo na vida nasce e morre, temos de nos mentalizar que assim acontece.
Incentivo-o que continue a deliciar-nos com estas recordações do passado.
Mais uma vez muito obrigado e despeço-me com um abraço de amizade.
Agostinho Paiva Sobreira

José Leite disse...

Amigo Agostinho

Muito grato lhe fico por este comentário, sempre generoso e gentil.

Como já tive a oportunidade de lhe expressar no e-mail que lhe enviei, em resposta ao seu, muito lamento que tenha parado com as publicações no seu belíssimo blog "Ruas de Lisboa com Alguma História". Mas temos de respeitar a sua decisão, assim como o meu terá um fim ...

Um abraço com amizade do

José Leite