Restos de Colecção: Novembro 2018

Notícias do Blog

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29 de novembro de 2018

Francfort Hotel

Nota prévia: a publicação seguida de duas unidades hoteleiras neste blog, deve-se ao facto da estreita ligação histórica entre os dois. Seguir-se-á, ainda, um terceiro artigo acerca do "Hotel Francfort", que existiu na Rua de Santa Justa, pelas mesmas razões.

O "Francfort Hotel", foi fundado, entre 1894 e 1895, pelo industrial hoteleiro António José da Silva, no gaveto da Praça D. Pedro IV (Rossio) com a Rua da Betesga, em Lisboa, e propriedade da firma “A. J .da Silva & Cª.”. Este Hotel veio ocupar o lugar de outro que já existia em 1853, o "Hotel Dois Irmãos Unidos", cuja história pode consultar no artigo anterior neste blog.

Projecto do quarteirão do “Francfort Hotel” após o terramoto de 1 de Novembro de 1755 (frente Praça D. Pedro IV)

Frente Rua da Bitesga

Este modestoHotel Dois Irmãos Unidos”, que teve anos mais tarde a sua designação simplificada para “Hotel Irmãos Unidos”, já era propriedade do galego Domingo Antonio Gonzalez y Oubiña em 1888, e seria adquirido por volta de 1893 pela firma “A.J.Silva & Cª.”, - de Antonio José da Silva e sua esposa Joaquina Pereira da Silva - que era proprietária do “Hotel Francfort”, na rua de Santa Justa, tendo mudado o nome de “Hotel Irmãos Unidos” para “Francfort Hotel”.

“Hotel Dois Irmãos Unidos” com o “Restaurant Irmãos Unidos” na elipse desenhada e anúncio de 1888

 

1898

Oferta dos principais hotéis em Lisboa no guia “Spain and Portugal, handbook for travellers”

Lembro que no “Hotel Dois Irmãos Unidos”, tinha numa das suas lojas no piso térreo, e desde 1832, o muito conhecido “Restaurant Irmãos Unidos” fundado pelos dois irmãos galegos Florêncio Abril Bugarin e António José António Abril Bugarin. Foi neste restaurante - conhecido pelo «matafomes» - com entradas pela Praça D. Pedro IV e pela, então, Rua das Gallinheiras (futura Rua dos Correeiros) que em Outubro de 1915 foi fundado o grupo e a revista modernista “Orpheu” .

Em 1906, já os dois hotéis - “Hotel Francfort” e “Francfort Hotel” -  tinham cada um o seu proprietário (ambos irmãos), ficando o “Francfort Hotel” do Rossio na posse de Arthur da Silva, e o “Hotel Francfort” da Rua de Santa Justa na posse de João Narciso da Silva.

                                          1901                                                                                          1914

 

1913

O “Francfort Hotel”, de 3ª categoria e com 140 quartos, viria a ser tomado por trespasse, em 1917, pela empresa “Hotéis Alexandre d’Almeida”, fundada em 1917 por Alexandre d’Almeida. Esta empresa já era proprietária do “Hotel Metrópole”, também no Rossio, desde 1914. Em 1921 torna-se arrendatária do Palace Hotel do Bussaco”, e no mesmo ano adquire o “Hotel de l'Europe, no Largo de Camões em Lisboa,  e o Palace Hotelda Curia, a que se seguiria o “Hotel Astória em Coimbra, em 1926.

Frente para a Praça D. Pedro IV

Francfort Hotel.5

Traseiras para a Praça da Figueira

1921

      Alexandre d’Almeida                                                    Hotéis de Alexandre d’Almeida em 1927

 

“Francfort Hotel” com publicidade aos outros hotéis do grupo

Foi também iniciativa de Alexandre d’Almeida a criação da primeira escola de ensino hoteleiro em Portugal, sendo com o seu apoio e com a colaboração da Federação dos Sindicatos da Indústria Hoteleira que surgiu a “Escola Hoteleira Portuguesa”, denominada durante alguns anos por "Escola Hoteleira Alexandre de Almeida".

20 de Setembro de 1935

Banquete oferecido aos Empregados do Comércio com mais de 50 anos de actividade, em 23 de Janeiro de 1938

1938 Emp. Comercio  50 anos (23-01)

Incêndio nas águas-furtadas do “Francfort Hotel” em 1940

Francfort Hotel.3

Ementa para 6 de Janeiro de 1961 e etiqueta de bagagem

    

O “Francfort Hotel” viria a encerrar definitivamente entre 1977 e 1978, e o seu edifício permanece, desde então, devoluto e em estado avançado de degradação e abandono a nível interior …

Em 2006 o quarteirão desde a Pastelaria Suiça até à Rua da Betesga, era propriedade da “Sociedade Hoteleira Seoane” viu o seu projecto de instalar um hotel de 5 estrelas com 110 quartos e 20 suites, aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa, em Abril de 2009, mas não deu sequência.

Entretanto, em 27 de Junho de 2018, o jornal “Observador” noticiava a propósito do encerramento da “Pastelaria Suiça”, que teve lugar em 31 de Agosto de 2018:

«O fundo de investimento que comprou todo este conjunto de prédios tem sede em Espanha, chama-se Mabel Capital, e trabalha com marcas como o Real Madrid ou os restaurantes Tatel. É liderado por Abel Matutes Prats e Manuel Campos Guallar e conta com a participação (minoritária) do tenista maiorquino Rafael Nadal.»

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Hemeroteca Municipal de Lisboa

25 de novembro de 2018

Restaurante e Hotel “Irmãos Unidos”

O “Restaurant Irmãos Unidos” terá aberto as suas portas, pela primeira vez, por volta de 1832, na Praça D. Pedro IV e com entrada, também, pela, então, Rua das Gallinheiras (actual Praça da Figueira) onde ficava a sua cozinha. Quanto ao “Hotel Dois Irmãos Unidos”, mais tarde apenas “Hotel Irmãos Unidos”, terá sido inaugurado por volta de 1853, no mesmo edifício do Restaurant, e que era propriedade duma família galega.

“Hotel Dois Irmãos Unidos” com o “Restaurant Irmãos Unidos” na elipse desenhada e entrada para o Hotel ao seu lado

“Novo Guia do Viajante em Lisboa e seus arredores, Cintra Collares e Mafra” de 1853

O mui conhecido “Restaurant Irmãos Unidos” assim como o “Hotel Dois Irmãos Unidos” foram fundados pelos dois irmãos galegos Florêncio Abril Bugarin e António José António Abril Bugarin, e que se tornou muito conhecido pelo famoso grupo “Orpheu” (que ali nasceu em 1915), sendo apelidado pelo «matafomes».

Excerto em “Caricaturas á penna, esbocetos litterarios em prosa e verso” de Camillo Marianno Froes, em 1862

“Guia do Viajante em Lisboa e seus arredores, Cintra Collares e Mafra” de 1880

Por morte destes irmãos a propriedade deste restaurante e do Hotel passa para o casal abastado de galegos António Venâncio Guisado y Toucedo e Benita Abriz Gonzalez, a quem, por sua vez, sucederá seu filho, António Venâncio Guisado, pai do poeta, deputado e jornalista Alfredo Pedro Guisado (1891-1975). De referir que a sua família possuía uma boa condição económica e tinha negócios na área da restauração, dos cinemas (Royal Cine), imobiliário (possuia andares e armazéns que alugava, por exemplo: Rua dos Douradores, Rua Praia da Vitória, Avenida Defensores de Chaves, etc.) e hotelaria (“Hotel Dois Irmãos Unidos”).

Alfredo Pedro Guisado (1891-1975)

Placa evocativa no prédio do antigo “Francfort Hotel” ex- “Hotel Irmãos Unidos”

Este modesto “Hotel Dois Irmãos Unidos”, que teve anos mais tarde a sua designação simplificada para “Hotel Irmãos Unidos”, já era propriedade do galego Domingo Antonio Gonzalez y Oubiña em 1888, e seria adquirido por volta de 1893 pela firma “A.J.Silva & Cª.”, - de Antonio José da Silva e sua esposa Joaquina Pereira da Silva - que era proprietária do “Hotel Francfort”, na rua de Santa Justa, tendo mudado o nome de “Hotel Irmãos Unidos” para Francfort Hotel”.

1888

1898

“Restaurant Irmãos Unidos” (dentro da elipse desenhada) em 16 de Outubro de 1910

Em 1954 o “Restaurante Irmãos Unidos” já era propriedade de António Guilherme Guisado, irmão de Alfredo Guisado, e que promove, nesse ano, uma grande renovação nas instalações.

“Restaurant Irmão Unidos” em finais dos anos 40 do século XX (dentro da elipse desenhada)

“Restaurant Irmão Unidos” em 1954 com os tapumes das obras, entre a “Camisaria Moderna” e a “Primaz

“Restaurante Irmão Unidos” em foto dos anos 60 do século XX

Irmãos Unidos.4

Foi para decoração duma das paredes do “Restaurante Irmãos Unidos”, que o seu proprietário António Guilherme Guisado, encomendou ao mestre José de Almada Negreiros (1893-1970) um quadro para homenagear Fernando Pessoa, ilustre cliente e membro co-fundador da revista “Orpheu”. Este pintou a primeira versão do retrato de Fernando Pessoa, em 1954, tendo recebido pelo seu trabalho a quantia de 30.000$00. Ao lado do quadro foi mandado colocar uma placa de mármore com o nome dos fundadores da revista “Orpheu” em Março de 1915.

Almada Negreiros (1954)      Placa Orpheu

O “Restaurante Irmão Unidos” encerraria definitivamente em 31 de Dezembro de 1969, depois de ter sido declarada a sua insolvência, tendo sido efectuado um leilão judicial em 17 de Janeiro de 1970, pela firma leliloeira “Sarmento & Mendonça, Lda.”

Artigo na revista do “Diario de Notícias”

Quanto ao quadro de Almada Negreiros seria arrematado, nesse leilão, pelo antiquário Joachim Mitnitzky por 1.350 contos (Um milhão e trezentos e cinquenta mil escudos). A título de compensação António Guizado paga a Almada Negreiros a quantia de 228.000$00 (duzentos e vinte e oito mil escudos). No mesmo ano esta pintura seria adquirida pelo banqueiro Jorge de Brito e posteriormente oferecida ao município lisboeta, estando exposta na “Casa Fernando Pessoa”. Uma cópia, ou melhor 2ª versão deste quadro «invertida» seria pintada por Almada Negreiros e adquirida pela “Fundação Calouste Gulbenkian”. O mestre José de Almada Negreiros faleceria, em Lisboa, neste mesmo ano de 1970, em 15 de Julho.

Actualmente no lugar do “Restaurante Irmão Unidos” uma loja de roupas (via “Google Maps”


fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Blog “Rua dos Dias Que Voam”

21 de novembro de 2018

Nota aos Leitores

Caros leitores e amigos,

A partir de hoje, está disponibilizada uma página neste blog intitulada “Guia de Funcionalidades do Blog”,  que contém um vídeo - realizado na plataforma “Google Slides” -  de apresentação de todas as funcionalidades, que permitem aceder a todas as informações históricas contidas no “Restos de Colecção”. Para aceder à mesma clicar na primeira caixa, intitulada “Apresentação do Blog”, localizada na barra lateral, à direita.

No primeiro slide do vídeo, está esplanada a intenção que norteou a sua realização. Aqui fica o mesmo, que como refiro na página em questão, aconselho a utilização da opção de écran inteiro, disponível na barra de ferramentas inferior do dispositivo, para melhor visualização.

Clicar no botão “play” para iniciar


20 de novembro de 2018

Clínica Pro-Mater

A "Clínica Pro-Mater", localizada na Avenida da República, 18, em Lisboa terá aberto no início dos anos 50 do século XX. Era propriedade do médico obstetra Pedro Monjardino (1910-1969), filho do médico cirurgião e professor catedrático Augusto de Almeida Monjardino (1871-1941) e que foi o fundador, e primeiro director, da “Maternidade Dr. Alfredo da Costa” em Lisboa.

Dr. Pedro Monjardino (1910-1969)

A sua clínica de partos, obstetrícia e cuidados materno-infantis, instalou-se num palacete, na Avenida da República, esquina com a Avenida João Crisóstomo. A construção deste palacete, projectado pelo arquitecto Manuel Norte Júnior (1878-1962) e cujo proprietário não consegui saber, terá sido concluída por volta de 1905/1907, na , ainda, Avenida Ressano Garcia, já que a sua casa vizinha, pertença de João Borges Alves e projectada pelo arquitecto Nicola Bigaglia, foi construída posteriormente em 1907/1908. O arquitecto Manuel Norte Júnior, viria a projectar, o edifício quase defronte do outro lado da, já, Avenida da República, construído em 1919, onde se instalaria a Pastelaria "Versailles", e inaugurada em 25 de Novembro de 1922.

O Palacete, na primeira década do século XX, com o palacete de João Borges Alves a seu lado

Localização da “Clínica Pro Mater”, na Avenida da República (dentro da elipse desenhada) numa foto de 1969

 

O Dr. Pedro Monjardino, foi o introdutor em Portugal, na década de 60 do século XX, do método psicoprofilático do parto sem dor.

A sua actividade ficou, também, conhecida pela sua intervenção política através do "M.U.D. - Movimento de Unidade Democrática" em oposição ao regime do "Estado Novo". Pai do  Dr. Carlos Monjardino, fundador da “Fundação Oriente”,  foi este médico obstetra que, em 1968, enviou clandestinamente um rádio transístor para São Tomé onde o Dr. Mário Soares estava deportado e lhe permitia conhecer o que se passava no mundo.

O Dr. Pedro Monjardino faleceria em 1969 e a sua “Clínica Pro-Mater” encerraria, e definitivamente, em finais de 1971. O  seu edifício seria demolido, poucos anos depois, para dar lugar à torre dos CTT construída em 1978, com projecto do arquitecto João Vasconcelos Esteves, e com 15 pisos acima do solo, sendo, ainda hoje, o edifício mais alto da Avenida da República …

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa