11 de outubro de 2018

Farmácia Estácio

A "Pharmacia Estacio", foi fundada em 1883 por Emilio Augusto de Faria Estacio (1854-1919) na Praça D. Pedro IV (Rossio), em Lisboa. Em 1888 fundaria a "Fabrica a Vapor de Produtos Chimicos e Pharmaceuticos", com a firma "Estacio & C.ª". Foi ainda o fundador da "Companhia Portugueza Hygiene - CPH", em 1891, em substituição da "Estacio & C.ª", tendo-se mantido como diretor desta empresa até 1908. Esta Companhia apostaria principalmente na Dosimetria, tendo iniciado, em 1893/94, o fabrico de comprimidos, então, designados por "pastilhas comprimidas".

Localização da “Farmácia Estácio” na Praça D. Pedro IV (Rossio) ao lado do “Café Gêlo

Em 1913, a "Companhia Portugueza Hygiene”, passou a sociedade por quotas, passando a designar-se por “Companhia Portugueza de Higiene, Lda.”, com sede e escritórios na Rua Primeiro de Dezembro, em Lisboa, ficando como proprietária da "Pharmacia Estacio", no Rossio. Os seus novos sócios passaram a ser António de Matos Casaca, que já era director-técnico da "Pharmácia Estacio", na época de Emílio Estácio, João Augusto dos Santos, farmacêutico que se torna gerente a partir de 1918 e Silvério de Castro Abranches Melo Borges. Afastado da Companhia que fundara, Emílio Estácio abriu uma Farmácia na Rua de Santa Marta, designada "Estacio & Filhos".

Interiores de algumas farmácias entre o final do século XIX e início do século XX

“Pharmacia Homeopathica” de Francisco José da Costa em Lisboa                   “Pharmacia Guedes” no Cartaxo

 

               “Phamacia da Porta do Olival” no Porto                                                Não identificada em Lisboa

 

Para se ter uma ideia de alguns produtos farmacêuticos vendidos pela "Companhia Portugueza Hygiene”, disponibilizo alguns anúncios publicitários, publicados pelo jornal “Diario Illustrado”, na semana de 1 a 8 de Julho de 1894.

 

 

  

“Gazeta dos Caminhos de Ferro”, em 1902

“Almanach A Lucta” para 1911

 

A "Companhia Portuguesa de Higiene", abre, em 1924, uma sucursal no Porto da "Farmácia Estácio" com o mesmo nome, com um dos seus sócios, João Augusto dos Santos, como director-técnico. Em 1926, esta Farmácia do Porto deixa de ser propriedade da CPH, sendo de 1943 o primeiro registo da "Farmácia Estácio", no "Grémio Nacional de Farmácias".

1 de Abril de 1923

Interiores da “Companhia Portuguesa de Higiene” , na Rua Viriato, em fotos de 13 de Outubro de 1933

 

 

Stand no Congresso de Farmácia em 14 de Dezembro de 1927                     Stand em 13 de Outubro de 1929

 

Em 1935, já existiam os "Laboratórios Estácio", no Porto, propriedade da "Farmácia Estácio", fabricando «produtos galénicos e injectáveis», sob a direcção-técnica de Manoel Rodrigues Ferro, assistente da Faculdade de Farmácia do Porto.

1964

 

No final dos anos 1940, surgem anúncios à balança falante da “Farmácia Estácio”, tornando-se um ex-libris da baixa portuense dessa época, chegando mesmo a formar-se filas de pessoas à porta da farmácia.

«A Farmácia Estácio, pegada ao Teatro Sá da Bandeira, no Porto, era famosa por ter uma balança que falava! Recor­do o momento mágico em que a minha mãe me levou a pesar-me nela. Subi pa­ra o prato, o ponteiro movimentou-se no mostrador apontando para o meu peso e, ao mesmo tempo, uma voz metálica saiu da balança, informando: "Vossa Ex­celência pesa vinte e quatro quilos e du­zentos gramas"!... Estávamos na década de 1950 e a técnica de gravação sono­ra não tinha a sofisticação necessária pa­ra explicar o fenómeno! O Porfírio fazia a manutenção da balança falante, e explicou-me o seu funcionamento. A balança, colocada na entrada da farmácia, nunca mudava de lu­gar. Nem podia!... Estava presa ao chão por parafusos. E na ca­ve, precisamente sob a balança, havia uma mesa sobre a qual se encontrava outro mostrador ligado por um veio ao tecto... ao prato da balança que esta­va na loja. Essa mesa era o pos­to de trabalho de uma funcio­nária que endereçava sobrescri­tos, empacotava comprimidos e rotulava xaropes, enquanto espe­rava que um cliente se fosse pesar. Quando tal sucedia, o mostra­dor da cave apontava o mesmo peso que o clien­te comprovava visual­mente, enquanto que acendia uma lâmpada vermelha, chamando a atenção da funcioná­ria. Esta, tinha um mi­crofone e um botão para o ligar, e dizia o peso que via no mos­trador que tinha à sua frente, e que o cliente ou­via na saída do som por de­trás do painel do ponteiro! Às vezes, momentanea­mente, a balança "avaria­va"... mostrava o peso, mas não falava. Isso acontecia quando a funcionária da cave... ia fazer um xi-xi...» in: blog “Porto, de Agostinho Rebelo da Costa aos Nossos Dias”

4 de Fevereiro de 1960

“Farmácia Estácio” em foto de 1968

Mas … Em 1975, um fogo de grandes proporções na Rua Sá da Bandeira, atingiu a "Farmácia Estácio” e destruiu grande parte do seu interior, incluindo esta célebre balança.

Depois de encerrada a "Farmácia Estácio" , da Rua Sá da Bandeira, no Porto, em 2001, o seu interior foi fielmente reproduzido, e está exposto no "Museu da Farmácia", da cidade do Porto, na Rua Engenheiro Ferreira Dias. Nos armários desta farmácia, estão representados os bustos de ilustres farmacêuticos e químicos, que ocuparam cargos de destaque em diversas instituições do Porto, no início do século XX, nomeadamente, Agostinho da Silva Vieira, António Joaquim Ferreira da Silva, Moraes Caldas, Flores Loureiro, Manoel Nepomuceno e Roberto Frias.

Quanto à centenária "Farmácia Estácio" de Lisboa, no Rossio, ainda existe, tendo já completado, ou em vias de completar 135 anos de existência. Igualmente centenário, o seu vizinho Café Gêlo”, que abriu as suas portas pouco antes de 1899.

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fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Biblioteca Nacional Digital

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