30 de outubro de 2018

Sociedade de Tapeçarias

A loja de tapeçarias, tapetes, papéis pintados, etc. “Sociedade de Tapeçarias”, e propriedade da firma “Sociedade de Tapeçarias, Lda.”, abriu as suas portas na Rua Augusta, em Lisboa, no dia 1 de Novembro de 1927.

Anúncio no dia da abertura em 1 de Novembro de 1927

Na “Exposição Industrial Portugueza” em foto de 5 de Novembro de 1932 e anúncio em 1938

 

Localização da “Sociedade de Tapeçarias” (dentro das elipses desenhadas) em 1944 e em 10 de Junho de 1971

  

Em Setembro de 1964 a loja seria profundamente remodelada a nível exterior e interior, com projecto da autoria do arquitecto Francisco Conceição Silva (1922-1982).

 

 

 

 Anúncio de 23 de Janeiro de 1964

Já como sociedade anónima de responsabilidade “Sociedade de Tapeçarias S.A.”, e a fezer fé no Arquivo Municipal de Lisboa, terá encerrado no final dos anos 90 do século XX.

A loja outrora ocupada pela “Sociedade de Tapeçarias” na actualidade

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do TomboIlustração PortuguesaPublisite

28 de outubro de 2018

Grand Hotel (Estrade) no Monte Estoril

O "Grand Hotel" (Estrade) foi inaugurado em 1 de Agosto de 1898, na Avenida Saboia, no Mont’Estoril, sendo propriedade da "Companhia Monte Estoril", fundada em 1889 e futura proprietária do Grande Casino Internacional”, também no Mont’Estoril.

Este Hotel sempre foi conhecido por "Grand Hotel Estrade", apelido do seu gerente e um dos seus arrendatários o sr. J. Estrade,- «que tomou aquella casa de arrendamento por alguns annos tencionando te-la aberta verão e inverno». O outro arrendatário era o sr. Eduardo de Mozer. J. Estrade era, também, proprietário do famoso "Café Montanha", fundado em Lisboa por Manuel Nuñes Ribeiro Montanha a 15 de Fevereiro de 1865.  

Anúncio publicitário em 7 de Setembro de 1899

Já em 11 de Fevereiro de 1899 … 

A revista "Gazeta dos Caminhos de Ferro" de 16 de Agosto de 1898, acerca desta Hotel de 2 pisos, escrevia:

«Ao todo 54 quartos. No anexo há,no res-do-chão, a cozinha e dependencias de serviço; no 1º andar a copa, a grande salla de jantar, comportando 100 pessoas, e outra salla em que podem jantar mais de 30. A mobilia, os estofos das janellas e portas, o forro das paredes são da mais apurada elegancia e do mais moderno gosto. A illuminação e toda a luz electrica. O serviço irrepreensivel, estando a cargo do sr. J. Estrade, dono do Café Montanha que tomou aquella casa de arrendamento por alguns annos, tencionando te-la aberta verão e inverno».

Traseiras do “Grand Hotel Estrade” viradas para o mar

Em primeiro plano o “Grand Hotel d’Italie” (fundado em 1899) que se situava junto ao “Grand Hotel Estrade”

  Lista de hotéis no “Spain and Portugal Handbook for Travellers (1913)         Registo de despesa de hóspede em 1929

 

Este estabelecimento hoteleiro dotou, assim, o Monte Estoril de um serviço de primeira ordem, que parecia poder rivalizar comos melhores de Lisboa. De acordo com o "Annuario Commercial" de 1917, o hotel já era explorado por "Tivet & Oliveira”, a quem sucederia, a partir de 1920, o galego Manuel Gonzalez Fernandez.

1932

1933

 

Desdobrável de 1937

Anúncio publicitário em 1933 e postal promocional

 

E em 1934 … «preços especiais para famílias»

O "Grande Hotel" viria a ser alvo de obras de beneficiação em 1935, altura em que são acrescentados 3 pisos, e em 1963, ano em que foi dotado de piscina. Em 1969 a sua oferta já era de 145 camas.

 

Última configuração do “Grande Hotel” a partir dos anos 60 do século XX até ao seu encerramento

Depois de mais de uma década encerrado e abandonado, foi transformado em edifício de apartamentos de luxo, promovido pela “Stone Capital”, mantendo a designação de “Grande Hotel”, com projecto, de 2014 do gabinete de arquitectura “ARX Portugal Arquitectos, Lda.”, tendo sido concluída a sua obra em 2016.

 

fotos in: Delcampe.net, Bibiloteca de Cascais, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Grupo SanJose

25 de outubro de 2018

Colégio Académico

O actual “Colégio Académico”, tem origem no Colégio “O Académico” fundado em 1926, na Rua Nova do Almada, 53-3º pelo Padre Dr. Avelino Simões de Figueiredo e pelo Capitão João Pedro da Silva, ministrando instrução primária, cursos liceais e línguas. Um ano depois, em 1928, já se tinha mudado para a Praça D. Pedro IV (Rossio), com entrada pela Rua dos Correeiros, 327, sendo um «Instituto de ensino para ambos os sexos» com aulas diurnas e nocturnas.

Entretanto, em 1904, D. Anna Roussel tinha encomendado ao arquitecto Alvaro Augusto Machado (1874-1944) o projecto para um palacete a ser construído no gaveto da, então, Avenida Ressano Garcia (actual Avenida da República) com a Avenida Duque d’Avila, em Lisboa, para aí instalar um colégio feminino para ensino primário feminino, a que viria a chamar “Collegio Anna Roussel”, do qual a a mesma viria a ser directora. Teve como co-fundador o Major João Pereira da Silva.

Major João Pereira da Silva, um dos fundadores


Foto gentilmente cedida pelo actual Diretor: Duarte Sucena Paiva

O edifício apalaçado a construir iria albergar 50 alunas, maioritariamente em regime de internato. A clientela deste colégio correspondia a famílias que procuravam um ensino de qualidade superior para as suas filhas e que não queriam colocá-las em escolas públicas.

 

A revista “A Construcção Moderna” de 10 de Maio de 1904 publicava os desenhos do projecto do edifício, da autoria do arquitecto Alvaro Machado, e  a sua memória descritiva, que passo a transcrever:

«Este edifício que occupa a area de 666 m2 deve ser construído no angulo norte do lado poente formado pelas Avenidas Ressano Garcia e Duque d’Avila e é destinado a um estabelecimento de educação para creanças do sexo feminino e a comportar 50 alumnas internas.
Compõe-se- de três partes perfeitamente distinctas para o regular funccionamento de serviços escolares : A primeira installada no rez-do-chão comprehende todos os serviços domésticos, como cosinha, deposito de roupas, casa de engommados, quartos de creados, arrecadações, lavandaria e recreio-abrigo ; a segunda no primeiro andar, contem
aulas, refeitório, cópa, salas de recepção, gabinetes de estudo e retretes ; a terceira no segundo andar, dormitorios das alumnas, das professoras e da directora, lavatórios, retretes e banhos.
Todos esses pavimentos tem as alturas precisas, como se vê pelos córtes e cumprem todos os requisitos hygienicos que exigem edifícios d'esta natureza.
A entrada do pateo pela Avenida Ressano Garcia, dá accesso ás dependencias destinadas aos serviços domésticos, que como acima se diz, são instalados no rez-do-chão e que é asstm distribuído :
- um vestíbulo coberto contêm as retretes dos creados, a pia de despejos e duas entradas, uma directamente para a cosinha e outra para o corredor, que dá ingresso aos quartos dos creados, arrecadações, casa de engommados, banho dos serviçaes, etc Parte deste pavimento é completamente aberto e destina-se para recreio-abrigo das creanças, havendo mais dois quartos, com serventia independente, destinados aos creados.

A entrada principal está na bissectriz do angulo formado pelas duas Avenidas acima referidas. No seu vestíbulo existem duas portas, uma no lado direito e outra no esquerdo que communicam respectivamente com a escada principal que dá accesso aos pavimentos superiores e com o vestiário das alumnas externas. No jardim do primeiro andar encontram-se três portas que dão entrada para a sala de visitas, salão de festas e para as aulas. Esta communicação é só destinada ás alumnas externas.
Na parede que separa o salão de festas da sala de dança, existe uma grande abertura destinada a permittir um proscênio, quando se deseje transformar estes salões num pequeno theatro. N’este pavimento encontram-se ainda gabinetes para estudo de vários instrumentos musicaes.
O refeitório é servido pela copa onde estão montados elevadores que conduzem da cosinha installada no pavimento inferior, as comidas e louças. Neste pavimento existe a unica dependencia do edifício que é destinado a deposito de roupas, que não tem luz directa mas que a recebe duma grande abertura feita no tabique que separa esta casa do gabinete de estudo.
A meio do grande corredor são construídas as retretes que serão installadas com todas as precauções aconselhadas pela hygiene. Uma escada exterior põe em communicação este pavimento com o jardim que tem a superfície de 540 m2 e que é destinado para recreio das alumnas.
No segundo andar completamente isolado da parte occupada pelas educandas, estão os aposentos da directora e familia.
A parte restante do pavimento é constituída pelos dormitorios para 5 o internatos, os quartos das professoras com as competentes vigias para que possam exercer a vigilância necessária e por dependências destinadas a lavatórios, retretes, etc. Os lavatórios serão completamente ladrilhados e conterão lambriz de azulejo com dois metros de altura. As retretes serão perfeitamente eguaes ás do pavimento inferior. Além da escada principal haverá uma outra, illuminada lateralmente como a primeira e destinada ao serviço exclusivamente interior; por ella servir-se-hão as alumnas internas, professoras, creados e demais pessoal, de fórma que a escada principal fica sómente para serviço das educandas e visitas do collegio.»

Exterior da entrada e vestíbulo

        

 

Salão de festas


A sua construção, que decorreu entre 1905 e 1906, ficou a cargo dos construtores civis e industriais “Vieillard & Touzet”. Os trabalhos de serralharia forma executados pela firma "Cardoso, Dargent & C.ª". Os trabalhos de cantaria e escultura ficaram a cargo da firma "Antonio Moreira Rato & Filhos.". Os azulejos da autoria do mestre Jose Antonio Jorge Pinto.

O “Collegio Anna Roussel”, daria lugar ao “Colegio Inglêz” que, por sua vez, viria a ser substituído pela “Escola Minerva” - fundada em 1920 na Praça José Fontana, em Lisboa - no ano lectivo de 1931/1932 inaugurado em 2 de Outubro de 1931.

                                    29 de Setembro de 1928                                            2 de Outubro de 1931

     

27 de Outubro de 1931

Entre 1932 e 1934, são alterados os vãos do piso térreo para aluguer a estabelecimentos comerciais, segundo projecto do arquitecto Álvaro Machado.

Voltando ao Colégio “O Académico”, que como foi referido no início foi fundado em 1926, na Rua Nova do Almada, em Lisboa, viria a mudar de instalações, pela primeira vez, para a Praça D. Pedro IV (Rossio) com entrada pela Rua dos Correeiros.

Um dos fundadores de “O Académico”, o Padre Avelino Simões de Figueiredo (1877- ?)

                 6 de Outubro de 1927                                                                 8 de Outubro de 1930

 

À esquerda na foto da Rua Nova do Almada, o prédio onde no 3º andar seria fundado “O Académico” e na foto da direita, e dentro da elipse desenhada, “O Académico” já em novas instalações

 

“O Académico” no Rossio

Prédio onde funcionou a filial do Colégio “o Académico” no 1º andar do nº 86 da Rua de S. José (prédio junto aos automóveis). Nestas fotos já com a “Associação de Beneficência Luiz Braille” lá instalada

                   

O Colégio “O Académico”, que já mantinha em 1930 uma filial na Rua de S. José, viria  a mudar, mais uma vez, de instalações em 1932, para a Rua Álvaro Coutinho, no Bairro dos Anjos, até então ocupadas pelo “Collegio Francês”, que tinha sido fundado, nestas instalações em 1896 e posteriormente remodelado em 1930.

O edifício do “Collegio Francês” na Rua Álvaro Coutinho que viria a ser ocupado pelo Colégio “O Académico”

Em 1935, Colégio “O Académico” mudar-se-ia, e definitivamente, para o palacete da Avenida da República, até então, ocupado pela “Escola Minerva” (até ao final do ano lectivo de 1933/1934), iniciando, aqui, a sua actividade logo no ano lectivo 1935/1936. A secção masculina manter-se-ia no edifício da Rua Álvaro Coutinho, aos Anjos, até 1975.

1 de Outubro de 1931 - “Collegio Francês” ainda no edifício da Rua Alvaro Coutinho

 

Último ano lectivo (1933/1934) da “Escola Minerva” na Avenida da República, em anúncio de 28 de Setembro de 1933

Fotos dos interiores do Colégio “O Académico” na Avenida da República

 

 

 

Em 1938, o Colégio “O Académico” na Rua Álvaro Coutinho era dirigido pelos padres Avelino de Figueiredo e Sousa Monteiro, e pelo Major Simões Silva, e reunia um excelente leque de professores, alguns impedidos de exercer no ensino oficial, como Newton de Macedo (afastado da universidade) e Berta Mendes (a Bá), mulher do escritor Manuel Mendes.

“O Académico” em 24 de Junho de 1939 inauguraria, nas instalações da secção feminina na Avenida da República, uma exposição anual de trabalhos dos alunos, onde expôs pela primeira vez. A imprensa referiu-se-lhe especialmente:
«(…) de entre os desenhos, destaca-se a exposição de caricaturas do aluno Dias Coelho» (“O Século”, de 25 de Junho); «Dias Coelho, sem dúvida a maior revelação desta exposição (…). O seu lápis tem qualquer coisa de verídico. (…) grande sucesso lhe está reservado no futuro.» (“Diário de Notícias” de 30 de Junho).

Cadernos escolares e anúncio publicitário em 1972

  

Com a cedência do edifício da Rua Álvaro Coutinho, nos Anjos, ao Estado em 1975, o Colégio “O Académico” - sito na Avenida da República - e que entretanto adoptara o nome de "O Novo Académico", passou a ser misto.

Em 1981, o Colégio retomou a sua antiga designação (sem o artigo “O”) para “Colégio Académico", e
«Com paralelismo pedagógico desde 1978 e autonomia pedagógica a partir de 1987, ao longo dos seus anos de existência, tem provas dadas quanto à qualidade de ensino que ministra e orgulha-se de ser responsável pela educação de muitos cidadãos portugueses.»

 

 

 

O “Colégio Académico” ministra os 2º e 3º ciclos de ensino, com a direcção a cargo de Duarte Sucena Paiva.

No passado dia 9 de Janeiro de 2018, foi aberto processo de classificação do seu edifício como “IM - Interesse Municipal”, conforme despacho da directora-geral do Património Cultural.

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Revista “A Construcção Moderna”, Colégio Académico