16 de outubro de 2018

Restaurante “A Floresta”

O “Restaurant Floresta”, propriedade de João Fernandes do Pinho, estabeleceu-se no Largo do Camões (actual Praça Dom João da Câmara), em Lisboa, nas antigas instalações da “Empreza Vinicola Wenceslau”, e do lado esquerdo do “Café Martinho”, durante as primeiras duas décadas do século XX. Tendo mudado de proprietário, este restaurante depois de profundas obras de remodelação e renovação, ao nível do interior e do exterior, terá reaberto em 1942.

Restaurante “A Floresta”

Anúncio de 7 de Maio de 1927

Para a sua remodelação, a firma proprietária “Floresta, Lda.” entregou o projecto ao arquitecto Fernando Silva (1914-1983), que se faria acompanhar pelo engenheiro Nuno Abrantes ficando a obra a cargo do mestre construtor Columbano Santos.

No nº 20 da, então, Praça Luiz de Camões, o depósito de vinhos da “Empreza Vinicola Wenceslau”

Anúncio em 1903

Já como “A Floresta”, à direita (na foto) do “Café Martinho”, antes de 1940

O interior do novo restaurante “A Floresta” foi da responsabilidade dos dois pintores-decoradores: Manuel Lapa (1914-1979),  - que tinha integrado a equipe decoradora do interior do “Museu de Arte Popular” juntamente com Tom (Thomaz de Mello) - e Jorge Matos Chaves (1912-1988).

Dentro da elipse desenhada, o tapume das obras do restaurante “A Floresta” no início dos anos 40 do século XX

Interior do restaurante “A Floresta”

       
Estas duas fotos e a segunda deste artigo, gentilmente cedidas pelo blog “
Garfadas on line

Anúncio na “Revista Municipal” do 3º trimestre de 1942

A gerência deste restaurante foi entregue ao sócio José Vidal, tendo a sua cozinha muito boa nota.

Em 1953, novo projecto de remodelação e transformação deste estabelecimento, agora da responsabilidade do conceituado arquitecto Ruy Jervis d’Athouguia (1914-1979), entra na Câmara Municipal de Lisboa para aprovação. Este projecto contemplava a criação no piso térreo do “Bar D. João” e no piso da cave o restaurante “Floresta”. Com o projecto aprovado, o novo conjunto reabriria em 1954.

 

“Bar D. João” e entrada para o restaurante “Floresta”

17 de Julho de 1954

Em 1960, já o “Bar D. João” e restaurante “A Floresta” tinham sido substituídos pelo restaurante “Comodoro”, propriedade da firma “Cafetal - Sociedade de Cafetarias, Lda.”.

22 de Dezembro de 1960

Restaurante “Comodoro” em 1963

 

Viria a existir por muitos anos tendo acabado como bar, já nos anos 80 do século XX. Hoje as suas instalações são ocupadas pela loja de produtos ópticos “Opticalia”.

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Garfadas on line

14 de outubro de 2018

Esplanada e Garagem Monumental

O conjunto "Esplanada Monumental", e “Garagem Monumental”, propriedade da firma “Garagem Monumental, Lda.” foi inaugurado, em 7 de Maio de 1931 pelo Presidente da República General Óscar Fragoso de Carmona, na Avenida Álvares Cabral, em Lisboa.

“Esplanada Monumental” com a “Garagem Monumental” a seu lado com fachada em ferro

Esplanada Monumental (04-06-1932).1

A propósito o jornal “Diario de Lisbôa” noticiava:

«Inaugura-se amanhã, na Avenida Alvares Cabral, a Esplanada Monumental, um novo cinema ao ar livre, instalado num majestoso edifício devido ao traço do distinto arquitecto sr. Raul Martins. Lisboa fica contando, pois, a partir de amanhã, com uma nova casa de espectaculos, que se inaugura com a exibição do celebre filme "Caçador de Imagens".»

No dia seguinte, o mesmo jornal, prosseguia ...

«Com a assistencia do sr. Presidente da Republica, foi ontem inaugurada a Esplanada Monumental, que fica explorando cinema ao ar livre e concêrtos musicais.
O majestoso edificio, na Avenida Alvares Cabral, esteve fartamente concorrido, sendo todos unanimes em elogiar as suas magnificas instalações.»

Este conjunto modernista, com motivos de art déco na fachada, foi projectado, pelo arquitecto Raúl Martins (1892-1934) - que já tinha projectado o primeiro “Cinema Europa” inaugurado em 14 de Fevereiro de 1931 - e promovido pelo construtor civil tomarense Clemente Vicente, e que incluía a "Garagem Monumental", esplanada com Cinema ao ar livre na cobertura do edifício, sala para festas, bailes e exposições, sala de bilhar e uma "fonte monumental".

Esplanada com cinema ao ar livre e cabine de projecção ao fundo

                                  Salão de festas, bailes e exposições                                      Cartaz em 13 de Junho de 1931

 

                      11 de Junho de 1931                                                               31 de Dezembro de 1931

 

A “Esplanada Monumental”, encerraria no primeiro semestre de 1932 para adaptação à projecção de filmes sonoros, para a qual adquiriu o sistema “Tobis Klangfilm”, e reabriria em 4 de Junho de 1932, sob a nova designação de “Esplanada Alvares Cabral”.

  

Última aparição da “Esplanada Alvares Cabral” no “Cartaz” do “Diario de Lisbôa” em 8 de Dezembro de 1932

Menos de um ano depois, e depois de reformulada, ampliada e coberta o piso de cinema ao ar livre, a “Esplanada Álvares Cabral”, e sob a nova designação de “Jardim-Cinema”, reabria em 22 de Maio de 1933. Foi escolhido para a inauguração o filme “Pernas ao Ar “. Com uma nova sala coberta e com capacidade para 894 espectadores, tornava-se numa das maiores salas de cinema de Lisboa. No final da década de 30 do século XX a sua capacidade viria a ser reduzida para 705 lugares.

Conjunto “Jardim Cinema” e “Garagem Monumental”, dentro da elipse desenhada

Nova sala de cinema “Jardim Cinema”, resultado da cobertura da esplanada

Quanto à restante história ilustrada do “Jardim Cinema”, consultar, neste blog, o seguinte link: “Jardim Cinema”.

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais)

11 de outubro de 2018

Farmácia Estácio

A "Pharmacia Estacio", foi fundada em 1883 por Emilio Augusto de Faria Estacio (1854-1919) na Praça D. Pedro IV (Rossio), em Lisboa. Em 1888 fundaria a "Fabrica a Vapor de Produtos Chimicos e Pharmaceuticos", com a firma "Estacio & C.ª". Foi ainda o fundador da "Companhia Portugueza Hygiene - CPH", em 1891, em substituição da "Estacio & C.ª", tendo-se mantido como diretor desta empresa até 1908. Esta Companhia apostaria principalmente na Dosimetria, tendo iniciado, em 1893/94, o fabrico de comprimidos, então, designados por "pastilhas comprimidas".

Localização da “Farmácia Estácio” na Praça D. Pedro IV (Rossio) ao lado do “Café Gêlo

Em 1913, a "Companhia Portugueza Hygiene”, passou a sociedade por quotas, passando a designar-se por “Companhia Portugueza de Higiene, Lda.”, com sede e escritórios na Rua Primeiro de Dezembro, em Lisboa, ficando como proprietária da "Pharmacia Estacio", no Rossio. Os seus novos sócios passaram a ser António de Matos Casaca, que já era director-técnico da "Pharmácia Estacio", na época de Emílio Estácio, João Augusto dos Santos, farmacêutico que se torna gerente a partir de 1918 e Silvério de Castro Abranches Melo Borges. Afastado da Companhia que fundara, Emílio Estácio abriu uma Farmácia na Rua de Santa Marta, designada "Estacio & Filhos".

Interiores de algumas farmácias entre o final do século XIX e início do século XX

“Pharmacia Homeopathica” de Francisco José da Costa em Lisboa                   “Pharmacia Guedes” no Cartaxo

 

               “Phamacia da Porta do Olival” no Porto                                                Não identificada em Lisboa

 

Para se ter uma ideia de alguns produtos farmacêuticos vendidos pela "Companhia Portugueza Hygiene”, disponibilizo alguns anúncios publicitários, publicados pelo jornal “Diario Illustrado”, na semana de 1 a 8 de Julho de 1894.

 

 

  

“Gazeta dos Caminhos de Ferro”, em 1902

“Almanach A Lucta” para 1911

 

A "Companhia Portuguesa de Higiene", abre, em 1924, uma sucursal no Porto da "Farmácia Estácio" com o mesmo nome, com um dos seus sócios, João Augusto dos Santos, como director-técnico. Em 1926, esta Farmácia do Porto deixa de ser propriedade da CPH, sendo de 1943 o primeiro registo da "Farmácia Estácio", no "Grémio Nacional de Farmácias".

Interiores da “Companhia Portuguesa de Higiene” , na Rua Viriato, em fotos de 13 de Outubro de 1933

 

 

Stand no Congresso de Farmácia em 14 de Dezembro de 1927                     Stand em 13 de Outubro de 1929

 

Em 1935, já existiam os "Laboratórios Estácio", no Porto, propriedade da "Farmácia Estácio", fabricando «produtos galénicos e injectáveis», sob a direcção-técnica de Manoel Rodrigues Ferro, assistente da Faculdade de Farmácia do Porto.

1964

 

No final dos anos 1940, surgem anúncios à balança falante da “Farmácia Estácio”, tornando-se um ex-libris da baixa portuense dessa época, chegando mesmo a formar-se filas de pessoas à porta da farmácia.

«A Farmácia Estácio, pegada ao Teatro Sá da Bandeira, no Porto, era famosa por ter uma balança que falava! Recor­do o momento mágico em que a minha mãe me levou a pesar-me nela. Subi pa­ra o prato, o ponteiro movimentou-se no mostrador apontando para o meu peso e, ao mesmo tempo, uma voz metálica saiu da balança, informando: "Vossa Ex­celência pesa vinte e quatro quilos e du­zentos gramas"!... Estávamos na década de 1950 e a técnica de gravação sono­ra não tinha a sofisticação necessária pa­ra explicar o fenómeno! O Porfírio fazia a manutenção da balança falante, e explicou-me o seu funcionamento. A balança, colocada na entrada da farmácia, nunca mudava de lu­gar. Nem podia!... Estava presa ao chão por parafusos. E na ca­ve, precisamente sob a balança, havia uma mesa sobre a qual se encontrava outro mostrador ligado por um veio ao tecto... ao prato da balança que esta­va na loja. Essa mesa era o pos­to de trabalho de uma funcio­nária que endereçava sobrescri­tos, empacotava comprimidos e rotulava xaropes, enquanto espe­rava que um cliente se fosse pesar. Quando tal sucedia, o mostra­dor da cave apontava o mesmo peso que o clien­te comprovava visual­mente, enquanto que acendia uma lâmpada vermelha, chamando a atenção da funcioná­ria. Esta, tinha um mi­crofone e um botão para o ligar, e dizia o peso que via no mos­trador que tinha à sua frente, e que o cliente ou­via na saída do som por de­trás do painel do ponteiro! Às vezes, momentanea­mente, a balança "avaria­va"... mostrava o peso, mas não falava. Isso acontecia quando a funcionária da cave... ia fazer um xi-xi...» in: blog “Porto, de Agostinho Rebelo da Costa aos Nossos Dias”

4 de Fevereiro de 1960

“Farmácia Estácio” em foto de 1968

Mas … Em 1975, um fogo de grandes proporções na Rua Sá da Bandeira, atingiu a "Farmácia Estácio” e destruiu grande parte do seu interior, incluindo esta célebre balança.

Depois de encerrada a "Farmácia Estácio" , da Rua Sá da Bandeira, no Porto, em 2001, o seu interior foi fielmente reproduzido, e está exposto no "Museu da Farmácia", da cidade do Porto, na Rua Engenheiro Ferreira Dias. Nos armários desta farmácia, estão representados os bustos de ilustres farmacêuticos e químicos, que ocuparam cargos de destaque em diversas instituições do Porto, no início do século XX, nomeadamente, Agostinho da Silva Vieira, António Joaquim Ferreira da Silva, Moraes Caldas, Flores Loureiro, Manoel Nepomuceno e Roberto Frias.

Quanto à centenária "Farmácia Estácio" de Lisboa, no Rossio, ainda existe, tendo já completado, ou em vias de completar 135 anos de existência. Igualmente centenário, o seu vizinho Café Gêlo”, que abriu as suas portas pouco antes de 1899.

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fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Biblioteca Nacional Digital