20 de setembro de 2018

Materna

A loja "Materna - Antiga secção de Higiene Infantil do Instituto Pasteur de Lisboa", foi inaugurada na Rua do Carmo, 56 em Lisboa, em 18 de Dezembro de 1963. Esta veio ocupar o espaço da antiga loja de instrumentos musicais “Sassetti & C.ª”, ali instalada desde 1848, e que em 1962 tinha mudado para a Rua Visconde de Valmor, 20-B.

“Materna - Antiga secção de Higiene Infantil do Instituto Pasteur de Lisboa"

Loja “Materna” à direita nas duas fotos na Rua do Carmo

 

A antiga secção de higiene infantil, continuaria, entretanto, a funcionar até 26 de Dezembro seguinte nas antigas instalações no edifício do "Instituto Pasteur de Lisboa" na Rua Nova do Almada,62. Recordo que este Instituto foi fundado em 1895 pelo jovem proprietário e capitalista Virgínio Leitão Vieira dos Santos (1873-1946). No seu início limitou-se à importação dos produtos do "Institut Pasteur" de Paris (inaugurado a 14 de Novembro de 1888), de cujos soros e vacinas era depositário. Sé viria a dedicar-se à actividade farmacêutica de oficina a partir de 1903 e á produção industrial de medicamentos a partir de 1913.

Edifício do “Instituto Pasteur de Lisboa”, na Rua Nova do Almada

 

Secção de Higiene Infantil

 

 

A partir de 1964 a "Materna" inicia a comercialização mais especializada em vestuário para bebés - tendo sido a primeira casa em Portugal a comercializar os "Babygrow" de origem inglesa - e vestidos «para futuras mães».

16 de Janeiro de 1964

 

  

Em 1966 torna-se na "Materna, S.A.R.L. - Artigos para Higiene Infantil", contando já com sucursais em Cascais, Porto e Coimbra. Depois de abrir uma filial apelidada de "Materna Maxi", na Rua Barata Salgueiro, em Lisboa, para venda de roupa para jovens entre os 6 e os 16 anos, abriria uma outra, no mesmo segmento, na Avenida António Augusto de Aguiar, em Lisboa a 20 de Novembro de 1970.

 Factura gentilmente cedida por Carlos Caria

A loja “Materna” na Rua do Carmo seria destruída pelo grande incêndio na baixa lisboeta em 25 de Agosto de 1988, não reabrindo mais. As últimas lojas “Materna” estiveram localizadas em Lisboa, Coimbra e Algés. Pelo que consegui apurar, creio que a última loja “Materna” encerrou em 2012, na da Avenida de Roma, nº 89 C.

“Materna” na Avenida de Roma e cartaz em 2011

                   

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais),  Arquivo Municipal de Lisboa

18 de setembro de 2018

Café Monumental

OCinema-Teatro Monumental”, localizado na Praça Duque de Saldanha em Lisboa, e propriedade da “Sociedade Administradora de Cinemas, Lda.”, do major Horácio Pimentel, foi inaugurado no dia 8 de Novembro de 1951.

No alçado lateral do edifício, sobre a Avenida Fontes Pereira de Melo, era inaugurado em 17 de Setembro de 1955, o café, casa de chá, snack-bar e restaurante “Monumental”, igualmente propriedade “Sociedade Administradora de Cinemas, Lda.”, e explorado por Amadeu Dias, que já detinha a exploração dos 3 bares do “Cinema-Teatro Monumental".

“Café Monumental” ainda em construção

A propósito, o “Diário de Lisboa” , neste dia, noticiava:

«O novo estabelecimento marca, indiscutivelmente, uma nova fase na vida comercial de Lisboa, pelo arrojo da iniciativa e os moldes modernos com que o seu proprietário sr. Amadeu Dias, o instalou. Homem de invulgar capacidade realizadora, espírito verdadeiramente empreendedor e cheio de mocidade, conseguiu com o seu Café Monumental dotar aquela zona da cidade com um estabelecimento de categoria e modelar organização, em todos os aspectos.

1961

O projecto inicial da obra era da autoria de sr. arquitecto Rodrigues Lima, pois fazia parte do bloco das casas de espectáculo. O seu proprietário confiou, porém, o seu desenvolvimento, dentro das novas exigências funcionais da exploração, ao notável decorador José Espinho e a Fred Kradolfer, outro artista de extraordinários méritos, que resolveram, com inteligência e gosto, os problemas de decoração, construção e mobiliário.

Mas muito contribui para o encantador ambiente do novo e elegante estabelecimento o excelente mobiliário fornecido pela consagrada casa Olaio, da Rua da Atalaia.»

  
Ementa, copo e talão gentilmente cedidos por Carlos Caria

De referir que no edifício à direita doCinema-Teatro Monumental”, na lateral da Avenida Fontes Pereira de Melo, inaugurar-se-ia no ano seguinte, em 29 de Novembro de 1956, o café, salão de chá, restaurante e pastelaria “Monte Carlo”. Este café era propriedade da empresa “A Caféeira”, fundada em 1866 e sediada em Matosinhos, Porto, que já era proprietária da “Casa Chineza”, na Rua Áurea e do café “Ribatejano”, na Rua dos Anjos, em Lisboa.

29 de Novembro de 1956

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Rua dos Dias que Voam

16 de setembro de 2018

“Palm Beach” em Cascais

O restaurante, salão de chá, bar e dancing "Palm Beach Club", localizado na Praia da Conceição, em Cascais, abriu as suas portas em 21 de Junho de 1941.

O edifício de dois pisos, onde se instalou o “Palm Beach”, era inicialmente e oficialmente referido como "Pavilhão restaurante-bar da praia da Conceição", e foi mandado construir pela "Comissão de Iniciativa e Turismo do Concelho de Cascais" em 1936, sob projecto do arquitecto Jorge Segurado (1898-1990). Foi arrendado em 8 de Abril de 1937 por Leandro José Velez que aí instalou a esplanada e night club "Reserve de Cascais".

Praia da Conceição antes da construção do “Pavilhão restaurante-bar” e do edifício dos balneários

O "Pavilhão restaurante-bar" em acabamentos em finais de 1936

 

E a bem da transparência …

O "Reserve de Cascais" era acima de tudo um night club, mantendo um bar e esplanada aberto durante o dia. Não durou muitos anos e em 1941 era substituído pelo famoso "Palm Beach".

31 de Dezembro de 1937

Pela mão do alemão Fred Wulff, o novo arrendatário, foi inaugurado em 21 de Junho de 1941 o “Palm Beach Club” depois de terem sido efectuadas profundas obras de redecoração e adaptação a restaurante-dancing de luxo e salão de chá, mantendo contudo o bar e esplanada. O intuito do novo proprietário deste espaço era quebrar a hegemonia do "Casino Estorilna vida nocturna naquela zona, compreendida entre S. João do Estoril e Cascais.

 

1941

1941 Palm Beach.(1-7)

“Palm Beach Club” e edifício dos balneários, na Praia da Conceição entre o Palacete Fayal e o Palacete Palmela

Publicidade na revista “Panorama” em 1942 e aspecto dum jantar dançante

 

Em 1950, o "Palm Beach Club" passa para as mãos da firma proprietária do restaurante-dancing "Tágide" em Lisboa. Como referi no início do artigo acerca deste restaurante lisboeta, publicado neste blog em 27 de Julho de 2015, o "Tágide" terá aberto as suas por volta de portas em 1950, no Largo da Biblioteca, em Lisboa. Um dos proprietários era Campos Ferreira, muito bem relacionado no meio artístico e nocturno, e que por sua vez era sócio da firma distribuidora de vinhos, “A. Serra Campos Ferreira, Lda.”, situada na Rua António Maria Cardoso, ao Chiado. O “Palm Beach Club”, reabria a 1 de Julho de 1950. Entre 1950 e 1956 a sua designação passaria de “Palm Beach Club” para somente “Palm Beach”.

1 de Julho de 1950

 

                                28 de Janeiro de 1956                                                               13 de Agosto de 1960    

 

1960

 

Enquanto que o “Tágide” apresentava … «(…) criações e intervenções imaginativas, conjuntamente com ensaios de dançamento e apoio e aplauso a espectáculos de variedades em que intervieram destacados cantores e ilusionistas, malabaristas e fadistas, aldrabilhas e outros artistas.», segundo o mesmo autor da citação anterior … «O Palm Beach era bonito mas era coisa ligeira, para principiantes e meninas em princípio de carreira».

No início de 1962 o "Palm Beach", encerraria para obras de renovação, tendo reaberto em 14 de Julho do mesmo ano. A propósito da sua reabertura o vespertino "Diario de Lisbôa" referia:

«Reabriu ontem o Palm Beach, a excelente "boite" da Praia da Conceição, em Cascais, após alguns meses de encerramento para obras. Embora estas não se encontrem inteiramente terminadas, entrou já em funcionamento o terraço-jardim onde se encontra em actuação o excelente conjunto de José Rosa, hoje, sem dúvida, o melhor saxofonista nacional.
A "boite" própriamente dita, uja decoração renovada foi um verdadeiro achado, deve abrir as suas portas dentro de oito dias. Ali voltarão a aparecer todas as vedetas que se apresentam na Tagide, anunciando em primeiro lugar, a presença de Fred calvo, o excelente cantor francês que, no ano passado, tão grande êxito obteve entre nós.»

Anúncio publicitário com foto da entrada principal

Interior renovado em 1962

 

                                        14 de Julho de 1962                                                                 21 de Julho de 1962

    

Depois de grande êxito nas décadas de 60 e 70 do século XX, transformou-se num local de musica rock por onde passaram muitos DJ, até que ficou abandonado no início do século XXI. Viria a transformar-se na “Capricciosa Pizza D.O.C. & Co.", inaugurada em 13 de Outubro de 2010.

 

Fotos in: Real Villa de Cascaes, Arquivo Municipal de Cascais, Biblioteca Nacional Digital, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Municipal de Lisboa, IÉ-IÉ