31 de julho de 2018

Nota aos Leitores

Venho pedir desculpa aos estimados leitores, seguidores e amigos do “Restos de Colecção”, o facto de não ter publicado, nem respondido, aos comentários, pedidos de esclarecimento e rectificações às minhas publicações, que diariamente e generosamente me fazem.

Por razão de vária ordem, sempre tive a  moderação de comentários activada. Ou seja, só publico o comentário depois de eu o ler. Como sabem, não para esconder críticas ou erros da minha parte, mas por causa de anúncios de vendas, pedidos de avaliações de antiguidades, locais para venda, comentários políticos e outros, que nada têm a ver com este espaço. Até Maio deste ano o gmail enviava-me, diariamente, aviso dos comentários à espera de moderação, mas … deixou de enviar, de um dia para o outro, inexplicavelmente.

A princípio não dei relevância, mas comecei a estranhar a ausência total de comentários, apesar da média visitas se manter estável. Como ando sempre assoberbado com as minhas pesquisas fui deixando, até que hoje me lembrei e fui ver o que se passava, já que estranhava que tivesse chegado ao estado de perfeição total, em que já não cometia erros … Smile 

O gmail tinha deixado de me enviar avisos e nunca mais publiquei nem respondi a ninguém (!). Os comentários estavam guardados na pasta “comentários a aguardar moderação”. Como recebia, habitualmente, os e-mails nunca lá ia. Até hoje! Já publiquei e respondi a todos que tinha ou devia responder, e está reposta a normalidade. Entretanto, peço desculpa se algum ficou por responder ou publicar, já que é possível que no meio desta confusão se “tenha perdido pelo caminho” …

Peço desculpa pelo sucedido e agradeço, como sempre, a vossa gentileza e generosidade dos vossos preciosos comentários, rectificações, pedidos de ajuda, esclarecimentos, etc..

Os meus cumprimentos a todos

José Leite

Espingardaria Central A. Montez

A actual "Espingardaria Central A. Montez, S.A.", tem a sua origem na loja de espingardas, revolwers e acessórios para caça, pertença da firma "Baptista & Ferreira", que abriu uma loja na esquina do, então, Largo de Camões com a Praça D. Pedro IV (Rossio), em Novembro de 1902.

Novembro de 1902

 

Em 1903, um dos sócios da firma, G. Heitor Ferreira, fica sózinho com o negócio, abandonando a loja de esquina e ficando só com a porta nº 3 do, ainda, Largo de Camões, e mudando o nome para "Espingardaria Central de G. Heitor Ferreira".

Dezembro de 1903

                                       Março de 1908                                                        Dezembro de 1918

      

A loja de esquina tornar-se-ia, primeiramente, numa loja de artigos de utilidade, e mais tarde no luxuoso stand dos automóveis “Cadillac” e “Rolls-Royce”, da firma “Castanheira Lima & Rugeroni, Lda”, inaugurado em Junho de 1913. Este mesmo stand seria transformado, em 1931, numa loja da “APT - Anglo Portuguese Telephone”, que incluía com cabines telefónicas, tendo sido aproveitados os seus alpendres e decoração exterior.

Loja de utilidades

 

Loja de utilidades substituída pelo stand de automóveis da firma “Castanheira Lima & Rugeroni, Lda”, em 1913

 

Já agora … a respectiva notícia, podendo-se ver a "Espingardaria Central de G. Heitor Ferreira", na 1ª foto na porta nº 3

Loja da “APT - Anglo Portuguese Telephone”, com a “Espingardaria Central” a seu lado na Praça D. João da Câmara

 

A designação "Espingardaria Central de G. Heitor Ferreira", manter-se-ia até 1920, ano em que um seu empregado, de seu nome António Montez, ficou com a loja. Em consequência disso, esta mudou a designação para "Espingardaria Central G. Heitor Ferreira - Sucessor A. Montez".

«A Espingardaria Central nasceu numa década que iria mudar o rumo governativo da nação, apenas uns anos antes da transição da monarquia para a república. De facto, ali foram compradas as armas usadas no atentado contra o rei D. Carlos, incluindo a Winchester que lhe custou a vida. Quem as vendeu foi um jovem funcionário, em inocência do fim a que se destinavam. Esse jovem funcionário, uma vez ilibado de qualquer cumplicidade, viria um dia a tornar-se dono desta loja, emprestando-lhe o nome completo, mas também um reputado atleta olímpico. António Montez esteve presente em Paris, nas Olimpíadas de 1924, classificando-se em 30º na prova de pistola de velocidade a 25 metros. Quatro anos depois, voltou a marcar presença em Amsterdão. Também podia ter ido às Olimpíadas de 1920, em Antuérpia, mas faltou porque estava ocupado com um assunto importante. Justamente, com o trespasse da loja.

“Espingardaria Central” na Praça D. João da Câmara

 

(...) Em 1948 houve um acidente na Espingardaria, uma explosão que resultou da manipulação de pólvoras. Não era possível manter a loja na localização actual, pelo que teve instalações temporárias numa outra Loja Com História, bastante vizinha, o Restaurante Leão de Ouro. Não havendo registos fotográficos dessa passagem, não deixa de ser curioso imaginar, as mesas do Café e as armas, o quadro do Columbano do Grupo do Leão e a arma do Alexandre Herculano, se já fizesse parte do espólio, como hoje faz.

Novembro de 1925

                                             1942                                                                                       1956

1942 A. Montez 

24 de Dezembro de 1970

(...) Nos anos 80, deu-se um aumento das instalações, e a ocupação do primeiro andar do mesmo edifício. Em 1991 inaugurou-se ali uma Boutique de Caça, e reuniu-se a colecção de armas do avô, a que ainda hoje lá repousa. São estimadas três centenas de armas, de fabrico e de épocas diferentes. Para além das armas, esta colecção inclui objectos relacionados com a actividade, e muitos documentos. Há planos para que esta fabulosa colecção esteja eventualmente disponível ao público.» citações retiradas do site “Lojas com História”, da Câmara Municipal de Lisboa.

 

 

Em 1984, esta espingardaria tornar-se-ia numa sociedade anónima, passando a designar-se "Espingardaria Central de A. Montez, S.A.", com sede em Santa Iria de Azóia, sendo António José Neves Montez o seu Presidente do Conselho de Administração e a a accionista maioritária Conceição Montez. Além de armas de fogo, vendem todo o tipo de artigos que lhe estejam relacionados (balas, pólvora, estojos, etc) mas também canivetes-suíços, e uma parafernália de objectos úteis ao caçador, como binóculos, e outros.

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Municipal de LisboaArquivo Municipal de Lisboa, Lojas com História

29 de julho de 2018

Armazéns “Arcada de Londres”

A grande loja “Arcada de Londres”, abriu as suas portas em 1888, na Rua do Alecrim esquina com o Largo do Barão de Quintella, em Lisboa, e era propriedade do inglês Michael E. Clark em 1888. Chegou a ocupar o edifício inteiro.

Esta loja, que pelos poucos anos de existência (1888-1905), e pela sua localização um pouco afastada do centro comercial da Lisboa, dos finais do século XIX e início do século XX, ficou no esquecimento, e/ou se não, no desconhecimento dos lisboetas. Comercializava artigos e mercadorias na sua maioria de origem inglesa.

Postal com uma raríssima foto da “Arcada de Londres”

Vistas do mesmo edifício já depois de desocupado pela “Arcada de Londres”

 

Anúncio de 7 de Dezembro de 1888

Começou por ocupar só as lojas  do prédio atrás mencionado, passando a ocupar o 1º andar logo a partir de 28 de Fevereiro de 1889, e o prédio todo, logo de seguida.

A “Arcada de Londres” foi mencionado em vários livros, que são exemplos as passagens que transcrevo de seguida:

«Tambem os "Puritanos" não se cantaram na "Assembléa Portugueza", mas na "Assembléa Familiar", sociedade que depois de ter a séde em S. Paulo, proximo do mercado do peixe (pelo que lhe chamaram ironicamente "Sociedade do Carapau"), foi estabelecer-se na rua do Alecrim, na casa que foi mais tarde occupada pela "Real Academia de Amadores de Musica" e onde se acha actualmente estabelecida a "Arcada de Londres".» in “Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes.” in: “Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes” de Ernesto Vieira (1900).

                            18 de Outubro de 1891                                                    21 de Dezembro de 1899

  

15 de Dezembro de 1904

                         22 de Dezembro de 1904                                                       22 de Dezembro de 1905

 

« ... a creada de servir Anna Joaquina dos Santos, uma mocetona de truz, de fórmas opulentas, de olhos negros, vivos e scintillantes, de beiços carnudos, vermelhos, assombreados por um ligeiro e provocante buço. Era accusada de ter subtrahido alguns objectos, de pequeno valor, de casa de suas amas, umas senhoras proprietarias, ou o quer que seja, da "Arcada de Londres".» in: “Lanterna Magica. Continuação de a nota alegre dos tribunais (1899)

Os Armazéns “Arcada de Londres”, encerrariam no ano de 1906.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Biblioteca Nacional Digital

26 de julho de 2018

Pousada de Santo António em Serém

A “Pousada de Santo António” em Serém, no Macinhata do Vouga, distrito de Águeda, foi inaugurada em 24 de Setembro de 1942. Projectada pelo arquitecto Rogério de Azevedo (1898-1983), teve a decoração de interiores a cargo do pintor e decorador Carlos Botelho (1899-1982).

A “Pousada de Santo António”, com os seus cinco quartos, era a terceira, de uma série de sete, a entrar em funcionamento, depois de ter sido inaugurada a “Pousada de S. Gonçalo”, no Marão, no mês anterior em 59 de Agosto. Também ele tinha sido projectada pelo arquitecto Rogério de Azevedo.

“Pousada de Santo António” em construção

 

«Na Pousada de Santo António, projecto do arquitecto portuense Rogério de Azevedo e que o grande artista Carlos Botelho primorosamente decorou, os saborosos motivos de arte popular portuguesa, os metais, o mobiliário artisticamente desenhado pela casa Sousa Braga, os azulejos, os tapetes, as passadeiras, o próprio tejolo típicamente regional utilizado, realizaram o mais simpático e confortável conjunto que o mais requintado bom gôsto podia exigir.» in: revista “Panorama”

 

  

 

                                                            Julho de 1943                                                                                 1946

 

Em 1945, a “Pousada de Santo António” foi remodelada na mesma altura em que o seu concessionário passaria a ser Augusto Paramos.

Em 1955 foram efectuadas obras de ampliação na Pousada, pela “Direcção dos Serviços de Construção e Conservação”, tendo sido construída, em 1957, uma garagem com capacidade para oito veículos, além de outras obras complementares da ampliação e substituição de canalizações de abastecimento de água. Em 1959, é construída a rouparia, tendo ocorrido novas obras em 1966.

“Pousada de Santo António” nos anos 60 do século XX

 

Foto de 1992

A partir de 2002 deixou de integrar a rede de “Pousadas de Portugal”, e encontra-se actualmente encerrada e abandonada

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Municipal de Lisboa