31 de maio de 2018

Poço da Morte

O famoso “Poço da Morte” existiu em várias feiras do país, desde pelo menos 1938 quando apareceu um grupo de italianos que montou um na “Feira de S. Mateus” em Viseu. Uns apresentavam espectáculos com bicicleta outros com moto e automóvel.

Em Lisboa ficou famoso, inicialmente, o que se instalou na primeira “Feira Popular de Lisboa”, inaugurada em 10 de Junho de 1943, na Palhavã, e que para se assistir tinha de se pagar quinze tostões. Seguiu-se-lhe o “Poço da Morte” de Joselito e sua família e que se instalou na segunda Feira Popular de Lisboa”, inaugurada em 24 de Junho de 1961, em Entre-Campos.

“Poço da Morte” na “Feira da Luz”, em Lisboa

Basicamente estes espectáculos eram apresentados, ou por numa esfera fechada em madeira às quadrículas (neste caso “Globo da Morte”), ou numa semi-esfera, igualmente em madeira, onde o condutor ora pedalando, ora acelerando numa moto ou pequeno automóvel se “colava” às paredes por efeito da aceleração e da força centrífuga por ela gerada. Nesta última versão os espectadores subiam umas escadas e apreciavam “arrojo, acrobacia, audácia” no cimo da semi-esfera.

“Globo da Morte” aqui nos EUA (modelo que também existiu em Portugal) nos anos 20 do século XX

Foi nesta última versão que Joselito e sua família actuaram muitos anos na “Feira Popular de Lisboa” de Entre-Campos, ora com uma moto “Honda” de 125 cm3 ora com um pequeno automóvel “tipo” F1. As motos eram tinham as curvas de escape cortadas, para fazer mais barulho. O carro era uma carroçaria tipo F1, com um motor DKW de três cilindros, o único que podia trabalhar na horizontal, porque usa um carburador de "borboleta" sem cuba, directamente após a bomba de gasolina. Um pormenor: Esta família, nos anos 60 do século XX, vivia numa roulotte/casa no “Parque Municipal de Campismo de Monsanto”, junto à qual estava sempre estacionado o seu enorme carro americano “Plymouth” preto.

Irmãs Lolitas e Joselito na “Feira Popluar de Lisboa”

“Torre da Morte”, na Feira do Alvito em Junho de 1950

O último “Poço da Morte” em Portugal encerrou em Maio de 2011, em Aveiro e era propriedade de Henrique Amaral, que actuou nele até aos 81 anos, altura em que numa dessas actuações teve um acidente e foi “obrigado” pelos filhos a parar de vez.

“Poço da Morte” em Aveiro e propriedade de Henrique Amaral

Henrique Amaral na sua moto

fotos de Adriano Miranda in “Público”

Henrique Amaral em entrevista ao jornal “Público” em 26 de Setembro de 2011 contou:

«Tinha oito anos quando o vi pela primeira vez. Foi em Viseu, na Feira de S. Mateus, onde tinha ido com o meu pai. Nós éramos de Mangualde e o meu pai vendia nas feiras. Ia a todas da região, com as suas camisas, camisolas e bonés, tanto que lhe chamavam o "Zé dos Bonés". Naquele ano, pedi-lhe para o acompanhar a Viseu e foi aí que vi o poço da morte que dois artistas italianos tinham trazido para Portugal. Chamava-se Muro da Morte. Nem sei explicar o que senti. Foi como se ficasse noutro mundo, numa era diferente. A partir daí, sonhava todas as noites que era um artista do poço da morte. Nunca tinha visto nada igual. Ficou-me dentro do coração, entrou-me no cérebro, tudo. (…)

“Poço da Morte” na Feira de S. Mateus em 1938, a que Henrique Amaral se refere

Tinha oito anos quando viu o primeiro e 18 quando se fez à estrada correndo (num poço da morte e pelas feiras do país). Quando sonha, só sonha com isso. (…)

De Aveiro, fomos a Barcelos, depois para as Festas do Espírito Santo, em Coimbra, e para a Feira Popular, em Lisboa. Havia lá outro poço da morte, de mota, no qual trabalhavam dois rapazes e uma rapariga. Eu continuava na bicicleta, e foi por causa dela que tive uma chatice com o patrão. (…)

Este poço, que agora está desmantelado numa serração, é o único que tive de meu. Foi construído em S. João da Madeira, há 41 anos, e estreei-o em Santa Maria da Feira.»

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Jornal “Público” (Adriano Miranda)

29 de maio de 2018

Café Lisboa

O primeiro "Café Lisboa", abriu as suas portas na esquina da Avenida da Liberdade com a Travessa do Salitre, em 1936. Desde esse ano teve diversos proprietários mas manteve sempre a mesma clientela, Fadistas, artistas de teatro ligeiro e declamado, músicos da noite lisboeta, boémios e artistas do vizinho "Parque Mayer".

Primeiro “Café Lisboa” com entradas pelas Avenida da Liberdade e Travessa do Salitre, em foto de 1937

Este primeiro “Café Lisboa” veio ocupar o que restava das instalações da firma de leilõesCasa Liquidadora”. Esta firma tinha cedido, outra loja no mesmo edifício, - outrora ocupada pelo “Grande Casino de Paris” - com entrada e frente para a Avenida da Liberdade, à famosa casa de fados Café Luso”, inaugurada em 1927.

Instalações da “Casa Liquidadora

1910

Este primeiro "Café Lisboa" encerraria definitivamente em 25 de Junho de 1968, dia que se mudaria para o outro lado da Avenida da Liberdade, para o edifício nº 125 e propriedade do Conde de Caria. Nesta altura era seu proprietário José António Arsénio. A renda das novas instalações passaria a ser «de cerca de 20 contos, três vezes mais do que era a antiga.»

No dia da mudança o jornal “Diario de Lisbôa” relatava a mudança nos seguintes termos:

«Às 14 e 55, José António Arsénio, actual proprietário do café lançou raivosamente três cargas de bombas de Santo António para os cantos já devolutos. Foi o sinal. Os últimos a sentarem-se àquelas mesas de pedra, nas pesadas cadeiras, levantaram-se silenciosamente e seguraram em suas mãos o mobiliário a mudar. Saíram. Atravessaram a a Avenida. Depositaram cadeiras e mesas na nova sede do 'Café Lisboa'. O antigo 'Tio Sam', do outro lado da Avenida da Liberdade. O 'Tio Sam' recebeu o 'Café Lisboa'. Foi uma mudança simplesmente. O velho e tradicional café não emigrou.»

A substituir as antigas instalações do “Café Lisboa”, uma agência bancária. Nessa altura, chegou-se a falar na venda e demolição do respectivo edifício mas tal não se veio a verificar.

Novo “Café Lisboa”, no lado oriental da Avenida da Liberdade, em 1968

1970

Actualmente, o “Edifício Café Lisboa” depois de recuperado e aumentado um piso (de gosto duvidoso) pelos arquitectos Nuno Teotónio Pereira e Mário Costa e Crespo, entre 1993 e 1995, é hoje propriedade da “Revilla Internacional”. Como edifício de escritórios tem como  seus inquilinos, “Cushman & Wakefield”, “AIG”, “Novo Banco Privée” e o “Wizink Bank” ex- “Banco Popular-E”. Na loja outrora ocupada pelo “Café Lisboa” entre 1936 e 1968, hoje a loja de pronta-a-vestir masculino “Ermenegildo Zegna”.

Foto via “Google Maps”

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa

27 de maio de 2018

e-Book “Cinema Português (1896-1980)”

Informo os estimados leitores, seguidores e amigos que, a partir de hoje, já está disponível gratuitamente, o terceiro e-Book, editado por José Leite e publicado pelo "Restos de Colecção", intitulado "Cinema Português (1896-1980)", com 137 páginas contendo 321 ilustrações.

Não se trata de um livro acerca da história profunda do Cinema em Portugal até aos dias de hoje, mas pretende disponibilizar documentação acerca do mesmo, com algumas histórias de estúdios, produtoras, distribuidoras e outras.


                                      Consultar                                                                                Baixar em PDF (79 MB)

           Consultar livro                                          Baixar livro em PDF

Vídeo de apresentação (clicar no botão play)


Com as características deste e-Book, e dos anteriores, outros serão disponibilizados futuramente. O próximo a ser publicado será o “O Automóvel em Portugal” seguido do "Hotéis de Lisboa" (1845-1972), ao que se seguirá, provavelmente, outro intitulado "Cafés e Pastelarias de Lisboa".

Vídeo de apresentação dos e-Books já editados e dos a serem editados e publicados futuramente (clicar no botão play)


Aproveito para, informar, mais uma vez, das alterações efectuadas na barra de menús deste blog. Assim, o ítem “Artigos Actualizados” passou para o ítem “Índices e Actualizações”, e foi criado o ítem “e-Books Restos de Colecção”, onde pode aceder às páginas de cada e-Book já lançado, com os respectivos links para consulta e download dos mesmos. Também pode obter informação acerca de lançamentos futuros.

22 de maio de 2018

Julio Gomes Ferreira & C.ª

A casa "Julio Gomes Ferreira & C.ª, Limitada", foi fundada na Rua Áurea, em 1832, por João Gomes Ferreira (1783-1781), Procurador à Casa dos Vinte e Quatro, tendo-lhe sucedido seu filho João Gomes Ferreira (1812-1891) e a este dois de seus quatro filhos, o mais velho, Júlio Gomes Ferreira (1851-19??), e o mais novo, Sebastião Gomes Ferreira (1857-1915).

Especializada em instalações eléctricas, canalizações de água, aquecimento, equipamentos e acessórios sanitários, eléctricos e para gás, fogões, elevadores, etc., foi das casas mais importantes do seu ramo, em Lisboa, nos finais do século XIX e primeiras décadas do século XX, senão a mais importante.

A loja da "Julio Gomes Ferreira & C.ª, Limitada", na Rua Áurea no centro da foto. à direita a casa “Freire Gravador”

Entrada e uma das duas montras da loja

 

1907

Além da venda a retalho, possuindo para isso duas lojas, uma na Rua do Ouro e outra na Rua da Victoria, e com oficinas na Rua de S. Thiago, foi responsável pelas instalações eléctricas, de aquecimento, sanitárias e canalizações de água em obras de referência na cidade de Lisboa como: “Palacete Silva Graça”, na Avenida Fontes Pereira de Melo; “Palacete Henrique de Mendonça” na Rua Marquês de Fronteira; sede do “Banco Lisboa & Açores”, na Rua Áurea; “Casa Malhoa”, actual “Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves”, na actual Avenida 5 de Outubro, etc ...

Interior da loja

 

                                             1905                                                                                          1909

 

1910

 

Stand de exposição

 

Acerca do seu percurso pouco consegui saber além do que escrevi atrás, não sabendo quando encerrou definitivamente, mas creio que no início dos anos 60 do século XX, ainda existia a sua loja da Rua do Ouro. Ficam publicadas as fotos e anúncios publicitários que resumem toda a sua actividade ao longo de décadas.

                                              1927                                                                                         1944

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Municipal de Lisboa

20 de maio de 2018

Filmes Castello Lopes

A empresa produtora e distribuidora de filmes “Filmes Castello Lopes”, foi fundada por José Martins Castello Lopes, em 1916 como “Castello Lopes, Lda.” e continuada por seus filhos José Manuel Castello Lopes e o fotógrafo Gerard Castello Lopes.

José Martins Castello Lopes (1880-?)

A história da distribuidora “Filmes Castello Lopes”, tem início quando, José Martins Castello Lopes viu no espaço do, então, Teatro da Rua dos Condes - convertido com insucesso, em cinema pela mão da “Empreza Salão Olympia” em 30 de Janeiro de 1915 - uma oportunidade a aproveitar. E, a 5 de Fevereiro de 1916, deu início à exploração do espaço pela empresa recém criada “Castello Lopes, Limitada.” passando, desde então, a utilizar a designação oficial de “Cinema Condes”, tendo mandado pendurar sobre o ferro forjado das varandas dos primeiro andar dois letreiros com a nova designação.

Antigo “Teatro da Rua dos Condes” (novo), já convertido definitivamente em Cinema

Para ilustrar este artigo, e para ser o mais fiel possível, socorri-me de uma entrevista efectuada por João Bénard da Costa e José Manuel Costa, - ambos seriam Diretores da “Cinemateca Portuguesa” - aos irmãos José Manuel e Gerard Castello Lopes, para o catálogo “70 anos de Filmes Castello Lopes”, editado pela “Cinemateca” em 1986, e da qual reproduzo alguns excertos.

O fundador da “Filmes Castello Lopes”, José Martins Castello Lopes «era guarda-livros e foi por via da contabilidade que ele se começou a interessar pelo negócio do cinema. (…) segundo palavras de seu filho Gerard que continua …

«É fundamental notar que durante toda a sua vida o meu pai foi essencialmente um exibidor. Alguém que gostava de descobrir e preencher as necessidades do público. Ia diariamente às salas e deixava-se ficar tempos infinitos a «sentir» o público, a perceber as suas reacções. Esse foi um dos aspectos mais curiosos da sua personalidade e foi uma das coisas que aprendi com ele. Saber sentir o público, aquilo a que eu chamo «cheirar» o público. O que me aconteceu durante anos: passar as portas de acesso e de imediato, pelo ar que vem lá de dentro, saber que afluência de público tem a sala.»

1923

1925 

A “Castello Lopes, Lda.”, mudaria de designação, para “Filmes Castello Lopes, S.A.”, em 1934, e que se tornaria definitivo.

Segundo afirma João Bénard da Costa, José Castello Lopes terá sido accionista da “Tobis Portuguesa” referindo, a propósito: «Numa entrevista refere-se a sua participação na produção, afirmando-se que ele era um dos principais accionistas da Tobis, em 1939. Cito: «Quem conheça toda a contribuição prestada por V. Exa. ao cinema nacional, contribuição monetária para a realização dos primeiros filmes e para a organização da Tobis Portuguesa da qual é ainda hoje um dos maiores accionistas...»

                                             1932                                                                                          1934

        

1941

        

Quanto ao início da actividade de José Manuel Castello Lopes, filho do fundador José Martins Castello-Lopes, este recorda:

«Em 1955 e sempre em grandes disputas com o meu pai. Comecei no Condes, para saber como funcionava um cinema. Com excepção da cabine de projecção, corri tudo, porque realmente a minha paixão era o «show business»! A primeira coisa importante que aprendi foi que o nosso gosto tem muitas vezes pouco a ver com o gosto do público. As cenas que, em certos filmes, eu teria vontade de suprimir, por parecerem ridículas, acabavam por ser as que mais gargalhadas despertavam e as que com mais entusiasmo eram recebidas.

Há várias formas de se estudar o gosto do público. Uma delas é passar, como eu passei, muitas sessões, de costas viradas para o écran, a olhar as pessoas. Conhecia bem os filmes, evidentemente, e sabia a que fases é que estavam a reagir. Descobre-se, afinal, que o gosto do público tem facetas muito nítidas. Se um filme não agrada até aos 15 ou 20 minutos, está duma maneira geral morto. E esse o tempo que o público dá a um filme para mostrar o que vale. Raramente um filme chega a salvar-se se os primeiros 20 minutos não valerem. Depois de uma má primeira parte, e ainda por cima com o intervalo, há um fenómeno de rejeição que pode ser inconsciente.»

O emblema da águia, adoptado pela empresa - águia talvez porque «o Virgílio Costa, que era o gerente do Condes, fosse militar, a águia tinha, na altura, uma conotação de importância» - foi introduzido em 1940, quando era distribuidor da americana “Columbia Pictures”, com a mesma música actual depois de «retrabalhada».

Homenagem a José Martins Castello Lopes (4º sentado a contar da direita para a esquerda), no Cinema “Condes”

José Manuel Castello Lopes recorda o início da sua actividade com o seu irmão Gerard:

«No fim dos anos cinquenta o meu irmão e eu demos, de facto, a volta à organização. Começámos pelo cinema. Equipámo-lo com cinemascope. Deitar abaixo tudo o que havia de concepção de teatro no Condes, de modo a só haver lugares de frente, para que o écran pudesse ir de parede a parede. Eram coisas muito caras e o meu pai não sabia se valia a pena. Alteramos a política de compras, diversificando, fazendo uma penetração mais agressiva no mercado. 1964 foi um ano muito importante para nós, porque passámos a distribuir a Metro-Goldwyn-Mayer, que se separou da Fox e passou para os nossos escritórios.

A Fox fechou em 1972 e passou a ser distribuída por nós. Em 69 fechou a Paramount e a Universal era já distribuída pela Lusomundo. A Paramount fechou e juntou-se à Universal na Lusomundo, formando a CIC. A RKO desapareceu. A Warner juntou-se à Columbia nos anos 70 e em vários países do mundo têm escritórios em comum. Uniram-se por uma questão de economia e são os únicos que mantêm escritório independente em Portugal.

Em 1967 o Condes fecha para obras no Verão, e instala-se, depois de grandes transformações no seu interior, o sistema de projecção de 70 mm e do som estereofónico. A mais moderna aparelhagem da Philips.
Uma semana depois de abrir, durante a noite, o recheio arde completamente! Presumiu-se como causa do acidente uma ponta de cigarro...
E todo o mundo se atirou com unhas e dentes à tarefa de reabrir o Condes... em 38 dias! Um enorme cartaz na fachada indicava dia a dia quantos dias faltavam para abrir... Uma nova forma de suspense para um público que apostava na data da reabertura.
E em 1968 o Condes apresenta pela primeira vez em Portugal “E Tudo o Vento Levou” na sua versão de 70 mm. Um momento muito alto na história deste cinema.»

Sala do “Condes” após o incêncio

Quanto ao aparecimento de novas salas de cinema a partir de 1940 José Manuel Castello Lopes recordava nesta entrevista:

«Houve um novo ressurgimento que não mais parou. Inauguramos o Londres em 1971, já estávamos a programar o Rivoli no Porto e a partir de 1980 fizemos uma expansão para sectores importantes da província como Setúbal, Cascais, Viseu, etc. Pensamos continuar uma política de salas a abrir nos lugares mais credenciados, com características modernas e com um conforto que seja atraente para o público.
Sabe que até há poucos anos funcionava uma Comissão Reguladora de Construção de cinemas que vetava as novas construções mediante critérios algumas vezes incompreensíveis. Não autorizava a construção de salas em edifícios com outros fins, o que significava que se tinha de construir um prédio inteiro.
Por isso é que se construiu o Monumental, o Império, o S. Jorge e o Condes (na reconstrução de 51). Era antieconómico fazer cinemas em Portugal. A legislação era anti-económica e anti-cinema. Apesar dos filmes já não arderem.»

Irmãos Gerard e José Manuel Castello Lopes

Lembro que, José Manuel Castello Lopes, além de trer sido fundador do Cinema “Londres”, chegou a ser co-produtor de um filme que se tornaria um clássico da nossa cinematografia, “O Fado, História de uma Cantadeira”, realizado em 1947 por Perdigão Queiroga, com Amália Rodrigues, Virgílio Teixeira e Vasco Santana no elenco.

Depois de Gerard Castello Lopes (1925-2011), foi José Manuel Castello Lopes (1931-2017) a deixar-nos.

Acerca desta personagem incontornável na história do Cinema em Portugal, pode-se ler no site oficial da “Cinemateca Portuguesa” o seguinte:

«José Manuel Castello Lopes foi um dos mais importantes Distribuidores e Exibidores de cinema em Portugal, deixando marca decisiva na cultura cinematográfica do país. A sua influência nesta cultura exerceu-se ainda de outra maneira, uma vez que foi também um dos que mais cedo compreendeu a responsabilidade da indústria distribuidora na própria salvaguarda do património, lutando contra a destruição de cópias após a exploração comercial das mesmas, e, sempre que lhe foi possível, obtendo o acordo dos Produtores para o depósito de pelo menos uma cópia de cada título na Cinemateca.»

Quanto à “Filmes Castello Lopes”, viria a ser criada a “Socorama - Castello Lopes Cinemas, S.A.”. Entretanto, entre Janeiro e Fevereiro de 2013 fechou todas as suas salas de cinema, primeiro por não chegar a acordo para a continuidade da exploração dos espaços com a Sonae, onde tinha 49 salas, e posteriormente por falta de recursos e por dívidas que levaram a requerer a insolvência a 12 de Fevereiro de 2013.  Actualmente, a “Castello Lopes Cinemas, S.A.” reabriu algumas das suas antigas salas de cinema.

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Horácio Novais), Hemeroteca Municipal de Lisboa, Cinemateca Portuguesa