27 de fevereiro de 2018

Casino da Póvoa de Varzim

O “Monumental Casino” da Póvoa de Varzim, propriedade da “Empresa de Turismo Praia da Povoa de Varzim”,projectado pelos arquitectos José Coelho e Rogério de Azevedo (numa 2ª fase) - num estilo neoclássico da Escola Francesa de Garnier - e com a responsabilidade do engenheiro Alberto Vilaça, foi inaugurado em 10 de Junho de 1934.

“Monumental Casino” com o “Grande Hotel Palácio” à esquerda na foto 

Vista do “Passeio Alegre” e da praia a partir do “Monumental Casino” e anúncio de 1934

 

Antes de ser construído o “Monumental Casino”, o jogo era uma actividade proibida por lei, mas isso não obstava que na Póvoa de Varzim existissem vários locais afins que poderíamos designar por casinos, ou pelo menos onde a prática do jogo era comum.  O “Café  Chinez”, situado no Largo David Alves, era o mais emblemático desses locais, famoso em todo o país pela decoração extravagante: mobiliário, profusão  de espelhos que cobriam as paredes das suas salas; pelas dançarinas; e pelos espectáculos que promovia. O “Café Chinez” era um atractivo da Póvoa do Varzim e era de visita obrigatória pelos turistas, sendo frequentado pelos veraneantes, que, vestidos como se de um baile de gala se tratasse, ali podiam ouvir música e apreciar as bailarinas … espanholas.

“Café Chinez” com o “Hotel Luzo Brazileiro” ao fundo

 

Outras salas de jogo reconhecidas na altura Póvoa foram o “Café Suisso”, o “Café Universal”, o “Café David”, e o “Hotel Luso-Brasileiro”, próximo do “Café Chinez”. Como o jogo era uma actividade proibida dava motivo por vezes a rusgas policiais. Contudo nunca se acabou com o jogo clandestino na Póvoa até se construir o “Monumental Casino”.

Entretanto é criada a “Zona de Jogo Temporário da Póvoa de Varzim”, sendo o exclusivo da exploração  do jogo adjudicada, a 11 de Setembro de 1928, à Comissão  Administrativa da Câmara local que, por autorização especial do  Ministério do Interior, passa a fazer parte da “Empresa de Turismo Praia Póvoa de Varzim SARL”, fundada a 3 de Dezembro de 1927 mas  só formalizada por escritura de 30 de Janeiro de 1929, ano em  que se avança com o projecto do “Monumental Casino”, seguido do  estudo para o “Grande Hotel Palácio”, ambos com telas finais do arquitecto Rogério de Azevedo.

Cartão de acesso à sala de jogo

Com a missão de projetar o “Monumental Casino” foi convidado o arquiteto lisboeta, José Coelho. O projeto ao estilo neoclássico, de influência francesa, previa a criação  de amplos terraços que nunca foram construídos. No ano seguinte foi  substituído pelo arquiteto Rogério de Azevedo, que projetou a fachada principal  e lateral, bem como a cobertura.

Iniciada a construção do “Monumental Casino” em inícios de 1930, por ele passaram dois arquitectos e  engenheiros até à sua finalização. Em finais de 1931, estavam terminadas as  obras por grosso. Neste ano, o arquitecto José Coelho é substituído pelo arquitecto portuense Rogério de Azevedo. Este ficaria responsável pelos projectos da fachada principal  e lateral, bem como a cobertura. Lembro que Rogério de Azevedo seria, igualmente, responsável pelo projecto do “Grande Hotel Palácio” - mais tarde apenas designado por “Grande Hotel” - junto ao “Monumental Casino”.

“Grande Hotel Palácio”

Passou-se de seguida ao trabalho de acabamentos, trabalhos estes que passariam por várias mãos até à sua finalização. Com as obras  quase concluídas em finais de 1933, é aberto o concurso para a sua  decoração. Várias são as empresas envolvidas nesta fase dos trabalhos e  sediadas em diferentes pontos do país. Os projectos apresentados ficaram  expostos no Salão Nobre da Câmara Municipal da Póvoa do Varzim, saindo vencedor o apresentado pelos Armazéns Venâncio Nascimento, por ser este que apresentava mais  garantidas quanto à sua execução no prazo inicialmente traçado.

A fim de respeitar o calendário definido para a concessão da zona de jogo, no  dia 1 de Junho de 1934 o “Casino” da Póvoa de Varzim abre as portas da sala de jogos ao público. No entanto, a sua inauguração oficial só acontece no dia 10 do mesmo mês, marcada pela presença do então Ministro da Guerra, Major Luís Alberto de Oliveira em representação do  governo português.

  

Artigo no número especial da revista do jornal “O Século” para as comemorações do duplo centenário, em 1940

 

Em 3 de Dezembro de 1975, a concessão de jogo temporário é entregue à “Sopete, S.A.”, - que já tinha adquirido o “Grande Hotel”, em 1970 - ficando esta obrigada, como contrapartidas, a reconstrução do “Casino da Póvoa”, que sofreria um intervenção profunda ao nível  do seu interior: novas divisões, substituição dos elementos de madeira, novos  meios acústicos, decoração mais moderna e de acordo com as necessidades de momento, entre outras intervenções. Por decreto-lei de 18 de Agosto de 1981, a zona temporária de jogo da Póvoa de Varzim, passa a zona permanente.

Actualmente, concessionado à empresa “Varzim-Sol - Turismo, Jogo e Animação, S.A.” até 2023, o “Casino da Póvoa” tem como accionista maioritário a “Sociedade Estoril-Sol SGPS”. A aposta principal deste casino tem sido a animação através da realização de inúmeros eventos e espectáculos, a par da abertura contínua de novos espaços, da remodelação e ampliação das salas de jogo e de uma aposta em diferentes áreas de lazer.

“Casino da Póvoa” actualmente

 

 

 

Bibliografia: Foi, também, consultado donde foram retirados alguns textos, a Dissertação de Mestrado em Património e Turismo Cultural, “Turismo e Urbanismo: uma relação (des)conhecida na Póvoa de Varzim”, de Nelson Silva Machado - Universidade do Minho, 31 de Outubro de 2012.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Municipal de Lisboa, Biblioteca Nacional Digital, Delcampe.net

4 comentários:

Nuno Lima disse...

Mais um artigo muito bom neste blog!
O nome correto da localidade é Póvoa de Varzim, e não Póvoa do Varzim.
Obrigado pelo excelente trabalho realizado!

José Leite disse...

Caro Nuno Lima

Grato pela sua correcção e pelo seu amável comentário.

Os meus cumprimentos

Anónimo disse...

Rogério de Azevedo foi o autor do edifício da antiga garagem do jornal O Comércio do Porto, na cidade do mesmo nome (nem sei se não estará classificado) e professor de Siza Vieira que o considerava, e com razão, "um grande arquitecto".
Cumprimentos
Gonçalo

José Leite disse...

Caro Gonçalo

Nos primórdios deste blog, em 29 de Dezembro de 2010, publiquei um artigo acerca da Garagem "O Comércio do Porto", que poderá consultar no seguinte link:

http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2010/12/garagem-o-comercio-do-porto.html

Cumprimentos
José Leite