30 de novembro de 2017

J. Nunes Corrêa & C.ª

O Armazem de Fazendas e Fato Feito “J. Nunes Corrêa & C.ª”, instalado no edifício esquina da Rua do Ouro com a Rua de S. Julião, em Lisboa, abriu as suas portas em 14 de Abril de 1856, tendo como seu fundador o alfaiate Jacinto Nunes Corrêa (1830-1905), oriundo de uma família de algibebes.

“J. Nunes Corrêa & C.ª”, no edifício na Rua do Ouro com a Rua S. Julião, durante as comemorações do 5 de Outubro de 1911 e no edifício com as tabuletas da 2ª esquina, à esquerda na foto da direita

 

Interiores do edifício segundo projecto do arquitecto Hermenegildo A. Faria Blanc

         Jacinto Nunes Corrêa (1830-1905)                                                          Gravura de 1879

 

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«Jacinto Nunes Correia conseguira, então, que os alfaiates da sua casa cortassem calças melhor que o famoso Strauss, e assim obteve os favores dos elegantes do tempo e ser nomeado fornecedor da Casa Real, da melhor aristocracia e de todo o corpo diplomático. Foi o primeiro chefe português de alfaiataria a ir escolher as fazendas ao estrangeiro, e as fábricas de Inglaterra aguardavam a sua chegada para saberem as cores que haviam de lançar.
Homem de vistas largas e de grande coração, fundou no Asilo Maria Pia, uma oficina de alfaiate para desenvolver a industria em Portugal e criar os seus continuadores.»

23 de Março de 1879

De referir que, foi Jacinto Nunes Corrêa que trouxe a primeira máquina de costura “Singer” para Portugal. Entretanto seu irmão possuía idêntico estabelecimento, na esquina da Rua de São Julião com a Rua Nova do Almada, com a designação de “Manoel Nunes Corrêa, Filhos & C.ª”.

1905

 

1893

Foram clientes ilustres, Almeida Garrett, o Conde de Farrobo, Manuel de Arriaga, Teófilo Braga ,Ramalho Ortigão, Rainha D. Amélia (fatos de amazona),

Foi da "J. Nunes Corrêa & C.ª" que saíram os antigos empregados Miguel Pereira Lourenço e Manuel Gomes dos Santos, que fundariam, em Outubro de 1910, a prestigiada alfaiataria "Lourenço & Santos, Lda.", instalada na esquina da Rua 1º de Dezembro com a Praça dos Restauradores, numa das lojas do "Avenida Palace Hotel".

"Lourenço & Santos, Lda."

Em 1919, a "J. Nunes Corrêa & C.ª", muda de instalações e ocupa o prédio esquina da Rua Augusta, 250 com a Rua de Santa Justa, em Fevereiro de 1920. Este estabelecimento tinha acabado de adquirir o edifício onde anteriormente tinha estado instalada a “Casa Brasil” desde 1912, tendo chegado a ocupar o prédio todo. As antigas instalações na rua do Ouro seriam ocupadas em 1919 pelo “London & River Plate Bank” entre 1919 e 1923 , ano em que se instala o “Bank of London & South America” (1923-1973), fundado nesse mesmo ano resultado da fusão do “London & River Plate Bank” (1919-1923) com o “London & Brazilian Bank Limited” (1862-1923).

Na revista “Illustração Portugueza” em 23 de Fevereiro de 1920, com algumas sérias imprecisões no texto

 

“Casa Brasil”, em duas alturas diferentes, antes de ser adquirida pela "J. Nunes Corrêa & C.ª"

 

1912

"J. Nunes Corrêa & C.ª" já no edifício da Rua Augusta, 250-252

Esta casa continuou na posse dos descendentes de Jacinto Nunes Corrêa até 1957, altura em que passou para Mário Leão, também ele alfaiate.

Em 14 de Abril de 1956 comemorava o seu I Centenário

Em 1 de Janeiro de 1960 é criada a “J. Nunes Correia & C.ª, Imobiliária, Lda.”, com sede no mesmo edifício do estabelecimento comercial, Rua Augusta 250-252, e com o intuito de gerir os bens imobiliários da empresa.

Em 1974, a casa "J. Nunes Corrêa & C.ª, Lda.",  foi alvo da remodelação mantendo o que a caracterizava - loja bem decorada, forrada a painéis de madeira, ao estilo clássico, de fachada notável e na esquina uma placa comercial emoldurada por cantaria lavrada.

 

 

A "J. Nunes Corrêa & C.ª, Lda.", seria despejada do edifício que ocupava desde 1920, conforme edital de 20 de Julho de 2015.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Biblioteca Nacional Digital

28 de novembro de 2017

Cinema do “Casino Estoril”

O primeiro Casino Estoril”, foi promovido por Fausto de Figueiredo, e projectado pelo arquitecto Raoul Jourde, em estilo Art Déco e inaugurado em 15 de Agosto de 1931. Com ele o primeiro Cinema do “Casino Estoril”.

Cartaz de 1932 e publicidade de 1934 com referência ao Cinema do primeiro “Casino Estoril”

 

“Programa” do Cinema do primeiro “Casino Estoril”, para o período de 10 a 16 de Agosto de 1964

Programação semana no jornal “Diario de Lisbôa” em 23 de Dezembro de 1941

O novo Casino Estoril’”, viria a ser inaugurado em 28 de Março de 1968.  Projectado pelos arquitectos Felipe Nobre de Figueiredo e José Almeida Segurado, o projecto de decoração de interiores ficou a cargo de Daciano da Costa e José Espinho (“Móveis Olaio”), tendo este último desenhado todo o mobiliário.

O cinema, teatro e anfiteatro, do novo “Casino Estoril”, com lotação para 452 espectadores, seria inaugurado em 2 de Abril de 1968 como o filme da “Walt Disney”, intitulado “Bailarina”. Esta sala de espectáculos foi decorada pelo arquitecto, professor, pintor e designer Daciano Henrique Monteiro da Costa (1930-2005), que  tinha iniciado a sua actividade em 1947, e estabelecido um atelier próprio em 1959.

Entrada do cinema do “Casino Estoril”

Sala de cinema, teatro e anfiteatro

 

Quanto à sua inauguração em 2 de Abril de 1968, o jornal “Diario de Lisbôa” escrevia:

«Cadeiras forradas a um tom verde mar, paredes de um castanho claro, mostrando os veios da madeira fina, um tecto de belos efeitos (recordando o do Teatro Villaret), alcatifas de verde-azul-marinho escuro, reposteiros igualmente azulados. Uma cortina que abre lateralmente para descobrir um 'ecran' de belas proporções.
Iniciada a sessão veríamos também que a projecção obedecia a todas as regras (pelo menos no refere ao 'ecran normal' que 'Bailarina' exigia). Iluminação correcta, óptimo som, boa visibilidade.
Lotação máxima. 452 lugares. Autor do projecto de decoração: Daciano Costa, auxiliado por Jorge Vieira e Eduardo Afonso Dia. (...)
Este cinema do Casino Estoril destinar-se-á, em princípio, a 'reprises' de estreias recentes. A sua estreia de ontem justifica-se como inauguração solene da sala.»

 

Capa e contracapa de “Programa” do Cinema para o período de 20 a 29 de Setembro de 1968

“Programa” do Cinema para o período de 16 a 22 de Agosto de 1971

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Digital, Biblioteca Nacional Digital

26 de novembro de 2017

Farmácia Barral

A "Farmácia Barral"  foi fundada em 1835 na Rua Áurea, em Lisboa, pelos irmãos Barral prestigiados professores da Escola Médica,  e logo se transformou numa das mais importantes farmácias do país.

“Farmácia Barral” na Rua Áurea

Interior da “Farmácia Barral”

 

     

1912 

Ainda no século XIX a "Farmácia Barral" destacou-se pela excelência dos seus produtos, designadamente os manipulados, alguns dos quais, como o “Barral Creme Gordo”, conseguiram a rara proeza de confundir a marca comercial com o próprio produto. Ainda hoje, quando se diz «Creme Barral», quer dizer-se «Creme Gordo».

Tendo em conta a elevada procura do produto, são criados os “Estabelecimentos Barral” que permitem industrializar a produção de "Barral Creme Gordo". 

Rapidamente o negócio cresceu, atingindo tais proporções que os manipulados farmacêuticos da "Farmácia Barral" foram autonomizados em laboratórios próprios, chegando a ser os maiores do país.

Laboratórios da “Farmácia Barral” 

 

 

 

 

Em meados do século XX a "Farmácia Barral" adquiriu a "Farmácia Avelar", também muito conceituada na época e com instalações na Rua Augusta e Rua dos Sapateiros. Depois de vender as suas instalações originais e de absorver a farmácia então comprada realiza-se a mudança da "Farmácia Barral" para o número 225 da Rua Augusta, onde permanece até então.

 

 

 

Ao longo do séc. XIX e da primeira metade do séc. XX o grupo foi crescendo e afirmando-se, transferindo a comercialização dos seus produtos do retalho para a distribuição e daqui para a indústria, sector onde alcançou o seu apogeu, nos anos 20 e nos anos 60 do séc. XX, sempre nas mãos da mesma família.

Envelope em 1931 

1953

 

 

Stand na “Feira das Indústrias de Lisboa”, em 1957

Farmácia Barral.10

  

Após 1974 e o simultâneo falecimento do seu líder de então, o grupo entrou em declínio e acabou fraccionado, sendo os seus activos vendidos separadamente.

Em 2000 a marca “Barral” é vendida à empresa “Angelini Farmacêutica”, e em 2006 esta emblemática farmácia muda de novo de proprietário e dá o nome de "Rede Barral", iniciando um novo ciclo de existência.  

          

Cerca de 2013, a "Farmácia Barral", na Rua Augusta, sendo uma das mais antigas e mais relevantes farmácias portuguesas sofreu profundas obras de remodelação. No espaço agora modernizado, e que passou a contar com duas entradas, pratica-se hoje a mais avançada actividade de farmácia.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Farmácia Barral